REDES SOCIAIS, CYBERBULLYING E SAÚDE MENTAL DE ADOLESCENTES NO BRASIL: UMA ANÁLISE QUANTITATIVA DE DADOS SECUNDÁRIOS

Publicado em 10/01/2026 - ISBN: 978-85-7814-633-7

Título do Trabalho
REDES SOCIAIS, CYBERBULLYING E SAÚDE MENTAL DE ADOLESCENTES NO BRASIL: UMA ANÁLISE QUANTITATIVA DE DADOS SECUNDÁRIOS
Autores
  • Fabiana Correa Mateus
  • Daniela Gouveia Viana
  • Juliana Risso Pariz
  • Valquiria Aparecida Rossi
  • Eliana Isabel De Moraes Hamasaki
Modalidade
Edital de inscrição ( resumo expandido)
Área temática
Programa de Pós Graduação Stricto Sensu Psicologia
Data de Publicação
10/01/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1232460-redes-sociais-cyberbullying-e-saude-mental-de-adolescentes-no-brasil--uma-analise-quantitativa-de-dados-secunda
ISBN
978-85-7814-633-7
Palavras-Chave
Cyberbullying; Redes sociais; Sofrimento psíquico; Adolescência; Saúde mental.
Resumo
O artigo examina a relação entre o uso das redes sociais, a exposição ao cyberbullying e o sofrimento psíquico de adolescentes brasileiros, a partir de uma análise quantitativa de dados secundários de abrangência nacional. O contexto contemporâneo da adolescência é marcado por mudanças profundas nas formas de socialização, especialmente devido à presença intensa das tecnologias digitais e ao uso precoce e frequente das redes sociais. Esse fenômeno, intensificado após a pandemia de COVID-19, impacta a construção da identidade, o pertencimento e o modo como os jovens enfrentam desafios emocionais, trazendo à tona questões como ansiedade, depressão, comportamentos autolesivos e ideação suicida. Diante desse cenário, torna-se fundamental compreender como o uso das redes sociais e a vivência de cyberbullying se associam a indicadores de sofrimento psíquico, considerando variáveis como gênero, tipo de escola, tempo de uso das plataformas digitais e presença de vínculos afetivos. O objetivo deste estudo é analisar essas associações, buscando identificar fatores de risco e proteção que possam subsidiar estratégias de prevenção e promoção da saúde mental na adolescência. A pesquisa adotou uma abordagem quantitativa, de caráter transversal, descritivo e correlacional, utilizando dados secundários provenientes da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE/IBGE 2019), TIC Kids Online Brasil 2024 e registros do DataSUS. Foram analisadas informações de adolescentes de 13 a 17 anos de todo o território nacional, incluindo variáveis como tempo diário de uso de redes sociais, exposição ao cyberbullying, sentimentos de tristeza, isolamento social, ideação suicida, ausência de amigos próximos, gênero, tipo de escola e região geográfica. A análise estatística foi conduzida de forma descritiva e inferencial, com uso do teste de correlação de Pearson para examinar as relações entre as variáveis de interesse. Os resultados revelam que o acesso precoce à internet é comum entre adolescentes brasileiros, sendo que 40% das crianças de 9 a 10 anos já acessaram a internet antes dos 6 anos e 83% dos jovens de 9 a 17 anos possuem perfil em pelo menos uma rede social, percentual que chega a 99% entre adolescentes de 15 a 17 anos. A frequência de uso das redes sociais é elevada, com 35% dos adolescentes utilizando a internet por mais de quatro horas diárias e 15% ultrapassando oito horas por dia. A autonomia digital é alta, com 72% dos jovens acessando redes sociais sem supervisão de adultos. A prevalência nacional de cyberbullying foi de 13%, com maior incidência entre meninas e estudantes de escolas públicas. A ausência de amigos próximos foi relatada por 11,6% dos adolescentes, sendo mais frequente entre meninos e alunos de escolas públicas. Adolescentes expostos ao cyberbullying apresentaram índices significativamente mais altos de tristeza, isolamento, irritação e ideação suicida. A análise de correlação evidenciou que sentimentos negativos, como tristeza e irritação, estão fortemente associados à ideação suicida, enquanto a quantidade de amigos mostrou correlação negativa com esses indicadores, sugerindo um efeito protetivo dos vínculos sociais. Diferenças de gênero e contexto escolar também se destacam como fatores moderadores: meninas relataram maior frequência de sentimentos negativos e ideação suicida, enquanto meninos tendem a internalizar o sofrimento. Estudantes de escolas públicas enfrentam maiores dificuldades de acesso ao apoio psicossocial e apresentam maior exposição à violência digital. O uso intenso das redes sociais, aliado à pouca supervisão de adultos, está associado a maior exposição a riscos psicossociais, como o cyberbullying, especialmente entre meninas e estudantes de escolas públicas, grupos que também apresentam mais sintomas de sofrimento emocional, incluindo tristeza, isolamento e ideação suicida. Fatores estruturais, como menor apoio psicossocial e vulnerabilidade socioeconômica, dificultam a construção de vínculos afetivos e aumentam o risco de violência online. A literatura aponta que o ambiente digital pode tanto promover comportamentos adaptativos quanto reforçar padrões disfuncionais, dependendo da presença de reforçadores sociais positivos e do suporte familiar e escolar. Intervenções baseadas na modificação do ambiente digital e social, com fortalecimento de vínculos afetivos, supervisão parental e políticas escolares inclusivas, são fundamentais para mitigar os efeitos negativos das redes sociais e do cyberbullying. A ausência de apoio emocional, rejeição entre pares ou punições institucionais mal conduzidas podem atuar como reforçadores negativos, aumentando a frequência de respostas disfuncionais, como evasão escolar, agressividade ou retraimento. Estratégias integradas, envolvendo família, escola e políticas públicas, são essenciais para promover ambientes digitais mais seguros e prevenir o desenvolvimento de quadros de sofrimento mental nessa faixa etária. O estudo reconhece limitações relacionadas ao uso de dados secundários e à ausência de abordagem qualitativa, sugerindo que futuras pesquisas aprofundem a análise de fatores protetivos e vulnerabilidades específicas. Em síntese, os achados reforçam a necessidade de estratégias integradas de prevenção, promoção da saúde mental e enfrentamento ao cyberbullying, envolvendo família, escola e políticas públicas, para garantir ambientes digitais mais seguros e o desenvolvimento saudável dos adolescentes brasileiros. Referências: Associação Brasileira de Psiquiatria & Conselho Federal de Medicina. (2023). Guia de orientações para prevenção do suicídio em crianças e adolescentes. https://www.abp.org.br/post/guia-suicidio-criancas-adolescentes Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (CETIC.br). (2024). TIC Kids Online Brasil 2024: Pesquisa sobre o uso da internet por crianças e adolescentes no Brasil. https://cetic.br/pt/tics/kids-online/ Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. (2020). Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar – PeNSE 2019. https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/educacao/29440-2019-pense.html Ministério da Saúde. (2024). Departamento de Informática do SUS – DATASUS. http://datasus.saude.gov.br/ Organização Pan-Americana da Saúde. (2022). Saúde mental de adolescentes e jovens: desafios e respostas. https://www.paho.org/pt/topicos/saude-mental-adolescentes PeNSE - Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar. (2019). Resultados detalhados. https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101678.pdf TIC Educação Brasil. (2023). Uso de Internet e tecnologias digitais em escolas públicas e privadas. https://cetic.br/pt/tics/educacao/ UNICEF Brasil. (2021). Saúde mental de adolescentes no contexto digital. https://www.unicef.org/brazil/relatorios/saude-mental-e-adolescencias World Health Organization. (2021). Adolescent mental health. https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/adolescent-mental-health
Título do Evento
Congresso Metodista 2025
Cidade do Evento
São Bernardo do Campo
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Metodista – 2025
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

MATEUS, Fabiana Correa et al.. REDES SOCIAIS, CYBERBULLYING E SAÚDE MENTAL DE ADOLESCENTES NO BRASIL: UMA ANÁLISE QUANTITATIVA DE DADOS SECUNDÁRIOS.. In: Anais do Congresso Metodista – 2025. Anais...Sao Bernardo do Campo(SP) Umesp, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/congresso-metodista-2025/1232460-REDES-SOCIAIS-CYBERBULLYING-E-SAUDE-MENTAL-DE-ADOLESCENTES-NO-BRASIL--UMA-ANALISE-QUANTITATIVA-DE-DADOS-SECUNDA. Acesso em: 15/03/2026

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