A ICONOGRAFIA INSURGENTE DE JUAREZ PARAÍSO

Publicado em 26/12/2024 - ISBN: 978-65-272-0969-0 | ISSN 2236-0719

DOI
10.29327/coloquiocbha2023.622983  
Título do Trabalho
A ICONOGRAFIA INSURGENTE DE JUAREZ PARAÍSO
Autores
  • Luiz Alberto Ribeiro Freire
Modalidade
Comunicação (para membros do CBHA)
Área temática
Urdiduras metodológicas
Data de Publicação
26/12/2024
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
Português
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/coloquiocbha2023/622983-a-iconografia-insurgente-de-juarez-paraiso
ISBN
978-65-272-0969-0 | ISSN 2236-0719
Palavras-Chave
Juarez Paraíso; Modernismo; Bahia; Iconografia; Contemporaneidade
Resumo
Juarez Paraíso emergiu na década de 1950, integrando a segunda geração de artistas modernos na Bahia, em grande parte surgida na tradicional Escola de Belas Artes (1877), que, já integrando a Universidade da Bahia, atual UFBA, passava por um esforço de modernização do seu ensino. Esforço que esteve sempre em negociação com o conservadorismo do ensino acadêmico. Em paralelo a produção de gravuras, desenhos, pinturas, relevos e murais abstratos, responsáveis pela desconstrução do academicismo, Juarez Paraíso produziu, a partir da década de 1970, uma iconografia que insurge contra a cultura judaico-cristã e em consonância com os movimentos políticos, sociais e da contracultura, iniciados na década de 1960, que tiveram marcos importantes como o Festival de Woodstock, o movimento Hippie, representado na Bahia pela Aldeia de Arembepe, a política de valorização dos direitos humanos, a luta contra o racismo, a ideologia comunista e a crítica ao modo de vida dos EUA, a influência das teorias psicanalíticas e filosóficas que lastrearam os movimentos de liberação sexual, assim como aqueles do mundo da cultura e da arte como o Tropicalismo, entre outros que questionaram a moral burguesa. Analisaremos imagens e objetos concebidos pelo artista e suas implicações no campo da sexualidade; da simbologia; da crítica ao modelo econômico e a supremacia do macho; o enaltecimento do sexo feminino, de suas formas, da genitália e da fecundação. Cristo-mulher de 1973 coloca a possibilidade de a maior divindade do cristianismo ser do gênero feminino, uma iconografia que seria considerada herética nos tempos da Santa Inquisição, sobretudo porque a mulher, durante boa parte da Idade Média europeia, encarnava o mal e a principal fonte do pecado. Conotação que só foi redimida através do reconhecimento da concepção virginal de Nossa Senhora e do seu papel como mãe de Jesus. A Virgem Maria passou a ser a outra Eva, cheia das virtudes maternais e protótipo da mulher cristã. Porém, a subjugação da mulher, sua inferioridade, coisificação permanece nas sociedades cristãs como lastro, muito porque o protótipo mariano implica em muitas limitações e opressões. Nos totens de cabaças, caveiras e ossos o artista vale-se de uma matéria plástica, cujo significado mais profundo bem conhece, matéria com a qual constrói seu discurso acerca da vida, do princípio, do fim, da concepção à morte, da conjunção criadora do falo com a vulva. Totens da ancestralidade, do flagelo e da gênese humana.
Título do Evento
43º Colóquio do Comitê Brasileiro de História da Arte
Cidade do Evento
Juiz de Fora
Título dos Anais do Evento
Urdiduras metodológicas: escolhas e disposições na pesquisa em história da arte. Anais do 43º Colóquio do Comitê Brasileiro de História da Arte
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital
DOI

Como citar

FREIRE, Luiz Alberto Ribeiro. A ICONOGRAFIA INSURGENTE DE JUAREZ PARAÍSO.. In: Urdiduras metodológicas: escolhas e disposições na pesquisa em história da arte. Anais do 43º Colóquio do Comitê Brasileiro de História da Arte. Anais...Juiz de Fora(MG) Museu de Arte Murilo Mendes – MAMM, 2024. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/coloquiocbha2023/622983-A-ICONOGRAFIA-INSURGENTE-DE-JUAREZ-PARAISO. Acesso em: 31/08/2025

Trabalho

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