PERCEPÇÃO DA PUÉRPERA ACERCA DA PRESENÇA DO ACOMPANHANTE NO PROCESSO PARTURITIVO NO MUNICÍPIO DE TANGARÁ DA SERRA

Publicado em 08/05/2018 - ISSN: 2595-3834

Título do Trabalho
PERCEPÇÃO DA PUÉRPERA ACERCA DA PRESENÇA DO ACOMPANHANTE NO PROCESSO PARTURITIVO NO MUNICÍPIO DE TANGARÁ DA SERRA
Autores
  • Helga Yuri Doi
  • Regiane Coelho Milhomem Rodrigues
Modalidade
Comunicação Coordenada
Área temática
Avanços no processo de formação e produção científica da Enfermagem Obstétrica e Neonatal
Data de Publicação
08/05/2018
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
Português
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/cobeon/62602-percepcao-da-puerpera-acerca-da-presenca-do-acompanhante-no-processo-parturitivo-no-municipio-de-tangara-da-serra
ISSN
2595-3834
Palavras-Chave
Trabalho de parto, Parto Humanizado, Saúde da Mulher.
Resumo
Introdução: A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que a parturiente (mulher que está em trabalho de parto e/ou acabou de parir) tenha um acompanhante de sua escolha, durante todo o processo parturitivo (trabalho de parto, parto e puerpério imediato) desde 1985. No Brasil foram criados programas com o intuito de humanizar e melhorar a assistência na atenção obstétrica e neonatal. O Ministério da Saúde criou em junho de 2000, o Programa de Humanização no Pré-natal e Nascimento (PHPN), que busca garantir a melhoria do acesso e a qualidade da assistência à saúde de gestantes durante o pré-natal (PN), no parto e aos recém-nascidos e propõe diversas mudanças no modelo assistencial ao parto, uma delas é o direito de a mulher ter um acompanhante durante todo o trabalho de parto e parto. Outra estratégia estabelecida pelo Ministério da Saúde, foi a criação da Rede Cegonha em 2011, que tem como objetivo, assegurar o direito ao planejamento reprodutivo e a humanização no atendimento às mulheres durante a gestação, no parto e no puerpério, bem como, garantir o direito ao nascimento seguro, crescimento e desenvolvimento saudáveis das crianças. A partir de 2005, a Lei Nº 11.108, conhecida como “Lei do acompanhante” obriga os hospitais públicos e conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS), a permitirem a presença de um acompanhante de escolha da parturiente durante o processo de parturição, porém, observa-se que a maioria das mulheres quando inseridas nas instituições hospitalares brasileiras dão à luz desacompanhadas. Objetivo: O objetivo do estudo foi conhecer a percepção das puérperas acerca da presença do acompanhante durante o processo parturitivo. Metodologia: Trata-se de um subprojeto descritivo e exploratório, com abordagem qualitativa, de uma pesquisa matricial denominada “O cuidado de Enfermagem à saúde da mulher no contexto regional”, a qual busca compreender o cuidado de Enfermagem a saúde sexual e reprodutiva de mulheres, tendo em vista como estas vivenciam e participam do seu processo de saúde-doença, e o que isto indica em relação à prática assistencial efetivada/a ser efetivada nos diversos cenários assistenciais. Foi desenvolvido no município de Tangará da Serra - MT, interior do Estado de Mato Grosso, que atualmente conta com vinte e oito Unidades de Saúde da Família (USF), que oferecem assistência ao pré-natal. Dentre elas foram selecionadas quatro USF, sendo realizada a busca das puérperas por meio dos prontuários disponibilizados pelos enfermeiros das unidades. Participaram do estudo dez puérperas com idade igual ou superior a dezoito anos, que realizaram o pré-natal nas USF sorteadas e que vivenciaram o parto no âmbito do SUS. Foram usados como critérios de exclusão puérperas com comunicação verbal prejudicada e com transtornos mentais, sendo detectados pela capacidade de comunicação associada com a investigação junto a mulher e sua família com diagnóstico médico sobre o transtorno. O número de sujeitos foi definido de acordo com a saturação dos dados. Os dados foram coletados por meio de entrevista aberta, que foram gravadas, transcritas e analisadas através da técnica de análise de conteúdo temático. A pesquisa matriz foi devidamente aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade do Estado de Mato Grosso, sob o parecer 1.400.656/2016. Todos os aspectos éticos de pesquisa com seres humanos foram garantidos. Resultados: Em relação à caracterização das mulheres que participaram desse estudo a idade das puérperas variou de 18 a 31 anos, período considerado por Brasil (2006), como o ideal para gestação. Quanto a condição conjugal, quatro eram casadas e seis solteiras que vivem em união estável. Em relação à escolaridade, duas possuíam ensino fundamental completo, quatro possuíam ensino médio completo, três possuíam nível superior incompleto e uma possuía nível superior completo. Cinco vivenciaram a primeira gestação e cinco pela segunda vez. A partir da análise dos relatos das puérperas, foram construídas duas categorias temáticas, a primeira denominada: “O desconhecimento acerca da lei do acompanhante”, onde foi possível evidenciar que embora a presença do acompanhante seja legalizada e preconizada pela OMS, ainda existem obstáculos quanto à sua implementação e que um agravante para tal realidade é o desconhecimento das puérperas acerca da lei, estando este diretamente relacionado ao déficit de informação durante o pré-natal. Quando questionadas sobre o conhecimento do direito ao acompanhante no trabalho de parto, parto e pós-parto imediato, a maioria das puérperas declararam não ter conhecimento sobre a existência da lei como nas falas a seguir: “Nunca nem ouvi falar” (Azaleia);“Eu não conheço, nem sabia que existia lei pra isso” (Amarílis);“[...] eu nunca nem ouvi falar nesse negócio” (Magnólia).. A segunda categoria foi: “A repercussão do acesso do acompanhante durante o processo parturitivo na perspectiva da mulher” emergindo mais quatro subcategorias: “Restrição do acesso do acompanhante no centro obstétrico”, “Sentimentos vivenciados pela ausência do acompanhante no centro obstétrico”, “Proibição da permanência do acompanhante masculino no alojamento conjunto”, e “Expectativas das puérperas relacionadas a uma possível participação do acompanhante”. Através da análise dos relatos das puérperas foi possível concluir que o acesso do acompanhante durante a internação da mulher em trabalho de parto foi dificultado devido algumas normas da própria instituição, restringindo então, o acesso do acompanhante de escolha da parturiente durante o parto e proibindo a permanência do acompanhante do sexo masculino no alojamento conjunto. Em relação a presença do acompanhante durante o parto, a maioria das puérperas relataram não ter a participação de alguém de sua escolha nesse momento, evidenciando assim, que a lei do acompanhante não está sendo devidamente cumprida pelas instituições e que o direito garantido as parturientes de ter um acompanhante de sua escolha em um momento tão importante, está sendo negado, sob as justificativas de falta de espaço físico e despreparo dos acompanhantes, como segue na sala da “Bromélia” “[...]ai a enfermeira disse que eles (marido ou mãe) não podiam entrar, porque tinha umas estagiárias lá dentro, ai não tinha espaço[...]”. Foi possível perceber através de seus relatos que, ao serem submetidas a normas institucionais e práticas intervencionistas sem o devido esclarecimento e sem a presença de alguém de sua confiança, as puérperas manifestaram sentimentos negativos como medo, ansiedade e solidão, conforme o relato de “Magnólia” e “Bromélia”: “[...]ai me bateu um desespero, porque pense, eu não conhecia ninguém, era meu primeiro parto, eu não sabia nem o que fazer eu queria que alguém ficasse lá comigo... querendo ou não a gente sente medo, e como não tinha ninguém comigo, isso me deixou nervosa demais[...]” (Magnólia); “Desesperada, essa é a palavra, porque quando eu estava no quarto, e minha mãe estava lá comigo, eu tava até tranquila, más na hora do parto, eu senti muito medo, é muito estranho porque você fica lá naquela mesa, com os braços abertos e amarrados[...]ainda colocaram um pano bem em cima da minha cara[...] parecia que eu tava sufocando, eu tentava respirar direito mas não conseguia[...]” (Bromélia). O presente estudo constatou também, a restrição do acompanhante masculino no alojamento conjunto, sob a justificativa de que a presença do homem pode comprometer a privacidade das demais parturientes, limitando a presença paterna, sendo esta permitida apenas nos horários de visita conforme as falas a seguir: “[...]essa hora eu fiquei muito nervosa, porque eu queria que meu marido ficasse no quarto comigo, e eles disseram que não podia porque só ficava, mulher lá[...]” (Magnólia);“[...] meu marido eles não deixaram entrar não, nem antes do parto, nem depois, só na hora da visita mesmo... é bastante mulher que fica no quarto, ai tem um certo constrangimento” (Iris). Diante da possibilidade da presença do acompanhante durante o parto todas as puérperas manifestaram expectativas positivas, pois acreditam que a presença de alguém de sua escolha e confiança durante todo o processo de parturição irá lhes proporcionar benefícios tanto emocionalmente como fisicamente, fornecendo a segurança que elas necessitavam para vivenciar o momento como pode ser notado na fala que se segue: “[...]se eu tivesse alguém da minha confiança lá junto comigo, eles não deixariam eu sofrer tanto[...]eu acho que não ficaria com tanto medo” (Gardênia). Considerações Finais: O direito da mulher a um acompanhante no processo parturitivo é resultado de uma série de ações do Ministério da Saúde para melhorar a qualidade do atendimento às gestantes e humanizar o parto no país. Para isso, a presença do acompanhante durante o trabalho de parto, parto e pós-parto imediato nas instituições atendidas pelo SUS é garantida pela Lei Federal. Porém, esse estudo evidenciou que o desrespeito acerca dos direitos das gestantes e parturientes e a falta de informações relativas ao cumprimento da lei do acompanhante, ainda é uma realidade nas instituições que realizam a assistência a essas mulheres, pois as informações emergidas apontam que a lei não está sendo efetivamente cumprida e que as mulheres também não foram orientadas sobre os direitos assegurados. Essa prática não ocorre nem no pré-natal e nem durante o internamento, e que apesar da obrigação legal e recomendações da OMS, as instituições ainda não permitem o acesso do acompanhante durante o parto, fazendo com que as puérperas sintam-se desconfortáveis e inseguras ao vivenciar o momento esse momento cercada de pessoas desconhecidas. Recomenda-se, portanto, que os profissionais de saúde envolvidos na assistência durante a gestação, orientem a mulher a escolher quem lhe acompanhará durante o trabalho de parto, parto e pós-parto imediato e que esses profissionais estimulem a inserção do acompanhante sempre que possível no pré-natal, fornecendo-lhe orientações sobre o processo de parturição. O enfermeiro que normalmente acompanha essas mulheres durante o PN, possui papel fundamental na orientação acerca dos direitos no momento parturitivo. Já os enfermeiros obstetras e os enfermeiros assistenciais que estão atuando nas unidades onde ocorrem os partos institucionalizados, principalmente àqueles que atuam no SUS, pois essa população já é privada dos seus direitos comumente, precisam atuar ativamente pelo respeito aos direitos dessa família no momento do parto. São esses profissionais que precisam, juntamente com a administração das instituições hospitalares, a inserir o acompanhante durante o processo parturitivo, preparando algum familiar para fortalecer a mulher nesse momento divino da família. É necessário que se quebre o tabu que o acompanhante atrapalha, pois é esse mito que vem sendo difundido na sociedade, negando o direito da família. Sendo assim, este estudo espera contribuir para o desenvolvimento de ações que promovam um tratamento mais humanizado, de forma atuante e que consiga minimizar os transtornos e as percas provocados pela ausência do acompanhante. ANTUNES, J. T. et al. Presença paterna na sala de parto: expectativas, sentimentos e significados durante o nascimento. Rev. Enferm UFSM, v. 4, n. 3, p. 536-545, Santa Maria, 2014. Disponível em: <http://periodicos.ufsm.br/index.php/reufsm/article/view/12515/pdf>. Acesso em: 22 jun. 2016. BRASIL. Lei nº. 11.108, de 7 de abril de 2005. Altera a Lei 8.080, de 19 de setembro de 1990, para garantir às parturientes o direito à presença de acompanhante durante o trabalho de parto, parto e pós-parto imediato, no âmbito do Sistema Único de Saúde – SUS. Diário Oficial da União, Brasília, 8 abr. 2005. Disponível em: http://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/2005/lei-11108-7-abril-2005-536370-publicacaooriginal-26874-pl.html>. Acesso em: 21 jun. 2016. BRASIL. Portal da Saúde. Rede Cegonha, Brasília, 2016. Disponível em: <http://dab.saude.gov.br/portaldab/ape_redecegonha.php>. Acesso em: 20 jun. 2016. SOUZA, S. R. R. K.; GUALDA, D. M. R.. A experiência da mulher e de seu acompanhante no parto em uma maternidade pública. Texto & Contexto -Enfermagem. v. 25, n. 1, p. 1-9. Florianópolis, 2016. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-07072016000100309>. Acesso em: 08 jun. 2017. WORLD HEALTH ORGANIZATION (OMS). Appropriate technology for birth. Lancet. v. 326, n. 8452, p.436-7. 1985.
Título do Evento
X COBEON - Congresso Brasileiro de Enfermagem Obstétrica e Neonatal
Cidade do Evento
Campo Grande
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Brasileiro de Enfermagem Obstétrica e Neonatal
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

DOI, Helga Yuri; RODRIGUES, Regiane Coelho Milhomem. PERCEPÇÃO DA PUÉRPERA ACERCA DA PRESENÇA DO ACOMPANHANTE NO PROCESSO PARTURITIVO NO MUNICÍPIO DE TANGARÁ DA SERRA.. In: Anais do Congresso Brasileiro de Enfermagem Obstétrica e Neonatal. Anais...Campo Grande(MS) CCARGC, 2018. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/cobeon/62602-PERCEPCAO-DA-PUERPERA-ACERCA-DA-PRESENCA-DO-ACOMPANHANTE-NO-PROCESSO-PARTURITIVO-NO-MUNICIPIO-DE-TANGARA-DA-SERRA. Acesso em: 01/07/2025

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