A DE(S)COLONIZAÇÃO DAS IMAGENS E DO IMAGINÁRIO A PARTIR DO CINEMA DE OLINDA MUNIZ WANDERLEY

Publicado em 05/10/2025 - ISBN: 978-65-272-1729-9

Título do Trabalho
A DE(S)COLONIZAÇÃO DAS IMAGENS E DO IMAGINÁRIO A PARTIR DO CINEMA DE OLINDA MUNIZ WANDERLEY
Autores
  • Andrielle Cristina Moura Mendes Guilherme
Modalidade
Painel Temático 04 - Políticas de representação e mídias indígenas
Área temática
Comunicação e mídias
Data de Publicação
05/10/2025
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/ciclo-etnologia-indigena/1228526-a-de(s)colonizacao-das-imagens-e-do-imaginario-a-partir-do-cinema-de-olinda-muniz-wanderley
ISBN
978-65-272-1729-9
Palavras-Chave
Mídia; Cinema; Cinema indígena; Descolonização das imagens; Produção de imaginários.
Resumo
Neste trabalho, apresento uma análise fílmica do curta metragem Equilíbrio, dirigido pela cineasta indígena Olinda Muniz Wanderley, do povo Tupinambá/Pataxó Hãhãhãe, e discuto como obras produzidas por realizadores indígenas podem contribuir para uma de(s)colonização das imagens e do imaginário a partir de suas subjetividades e vivências. De acordo com o estudo Diversidade de Gênero e Raça nos lançamentos brasileiros de 2016 (publicado em 2018 pela Agência Nacional de Cinema, Ancine) , homens negros dirigiram apenas 2,1% dos 142 longas-metragens nacionais lançados comercialmente em 2016, enquanto mulheres negras e homens e mulheres indígenas não assinaram a direção de nenhum dos filmes. A despeito de tamanho apagamento, grupos subalternos – colonizados – não têm sido nem vítimas passivas nem tampouco cúmplices voluntárias/os da dominação (Kilomba, 2019). Subrepresentados nos circuitos hegemônicos, os realizadores indígenas têm formado coletivos para mostrar o seu dinamismo e “reafirmar suas identidades coletivas e diferenciadas, seja na luta pelo respeito àquela diversidade” (Delgado; Jesus, 2018, p.18). Na luta por reconhecimento e pela defesa dos direitos indígenas, lideranças de diferentes etnias agem, estrategicamente, no sentido de tornar o audiovisual um dispositivo central da afirmação cultural dos povos indígenas, propiciando a emergência de um cinema decolonial que apresenta suas singularidades no “campo” [domínio da imagem] e no “ante-campo” [domínio das estratégias de produção] (Costa; Galindo, 2018, p. 21). Segundo Costa e Galindo (2018), a emergência do cinema indígena configura-se como um dispositivo relevante na esfera das lutas sociais e dá vigor a um campo de discurso que concorre com a representação depreciativa construída historicamente sobre os povos indígenas do país. “Com o audiovisual indígena, o olhar do outro - não indígena - sobre os povos originários é colocado em xeque” (Costa; Galindo, 2018, p. 28). Por consolidar imagens e fomentar imaginários, as narrativas audiovisuais vêm se tornando uma arena estratégica de confrontos simbólicos dos quais os indígenas também querem participar, “não apenas como figurantes e fornecedores de histórias para documentaristas, pesquisadores e cineastas, mas como atores e produtores audiovisuais de sua própria existência” (Jesus; Moreira, 2018, p. 83). Tendo em vista este contexto, nos propomos, neste trabalho, a identificar como a realizadora audiovisual Olinda Wanderley conjuga imagens linguísticas e visuais para disputar narrativas a fim de fomentar imaginários outros. Conclui-se que o cinema indígena não só parece enfrentar os estereótipos que recaem sobre os sujeitos indígenas, como também os preconceitos que recaem sobre suas práticas sociais e circulação de sentidos. Referências: COSTA, Gilson Moraes da; GALINDO, Dolores. Produção audiovisual no contexto dos povos indígenas: transbordamentos estéticos e políticos. In: DELGADO, Paulo Sergio; JESUS, Naine Terena de. (Orgs) Povos indígenas no Brasil: Perspectiva no fortalecimento de lutas e combate ao preconceito por meio do audiovisual. Curitiba, PR: Brazil Publishing, 2018. pp. 21-50 DELGADO, Paulo Sergio; JESUS, Naine Terena de. (Orgs) Povos indígenas no Brasil: Perspectiva no fortalecimento de lutas e combate ao preconceito por meio do audiovisual. Curitiba, PR: Brazil Publishing, 2018. JESUS, Naine Terena de; MOREIRA, Benedito Diélcio. Comunicação e cultura: dimensão pedagógica das narrativas indígenas em audiovisual. In: DELGADO, Paulo Sergio; JESUS, Naine Terena de. Povos indígenas no Brasil: Perspectiva no fortalecimento de lutas e combate ao preconceito por meio do audiovisual. Curitiba, PR: Brazil Publishing, 2018. pp. 81-100 KILOMBA, Grada. Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano. Tradução de Jess Oliveira. 1. ed. Rio de janeiro: Cobogó, 2019
Título do Evento
VII Ciclo de Estudos e Debates em Etnologia Indígena | UFRN
Cidade do Evento
Natal
Título dos Anais do Evento
Anais do VII Ciclo de Estudos e Debates em Etnologia Indígena da UFRN
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

GUILHERME, Andrielle Cristina Moura Mendes. A DE(S)COLONIZAÇÃO DAS IMAGENS E DO IMAGINÁRIO A PARTIR DO CINEMA DE OLINDA MUNIZ WANDERLEY.. In: Anais do VII Ciclo de Estudos e Debates em Etnologia Indígena da UFRN. Anais...Natal(RN) UFRN, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/ciclo-etnologia-indigena/1228526-A-DE(S)COLONIZACAO-DAS-IMAGENS-E-DO-IMAGINARIO-A-PARTIR-DO-CINEMA-DE-OLINDA-MUNIZ-WANDERLEY. Acesso em: 14/05/2026

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