MEMÓRIA E ANCESTRALIDADE: UM OLHAR SOBRE A COSMOVISÃO POTIGUARA A PARTIR DAS HISTÓRIAS ANCESTRAIS

Publicado em 05/10/2025 - ISBN: 978-65-272-1729-9

Título do Trabalho
MEMÓRIA E ANCESTRALIDADE: UM OLHAR SOBRE A COSMOVISÃO POTIGUARA A PARTIR DAS HISTÓRIAS ANCESTRAIS
Autores
  • Thaynara Raiza da Silva
  • Dárcya Jeanne Silva de Araújo
Modalidade
Painel Temático 05 - História, memória e políticas culturais indígenas
Área temática
Educação e saberes
Data de Publicação
05/10/2025
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/ciclo-etnologia-indigena/1223210-memoria-e-ancestralidade--um-olhar-sobre-a-cosmovisao-potiguara-a-partir-das-historias-ancestrais
ISBN
978-65-272-1729-9
Palavras-Chave
Povo Potiguara, Memória Coletiva, Ancestralidade.
Resumo
Historicamente, as lendas se constituem como parte integrante da concepção identitária de um grupo social, revelando em suas narrativas aspectos diversos da vida moral, religiosa, social e econômica. Com o fenômeno cultural das cidades, as histórias ancestrais são ressignificadas através do cruzamento de saberes eruditos e populares, transformando-se em lendas que perderam sua dimensão afetiva para constituírem o imaginário e a memória coletiva dos lugares concretos. Nessa perspectiva, o presente artigo tem por objetivo discutir como, a partir das histórias ancestrais do povo Potiguara, situados na região da Baía da Traição/PB, essa memória entremeada pelas lendas e contos populares é traduzida culturalmente e repassada entre as gerações. Para tanto, partimos da análise dos relatos insertos na obra História Ancestrais do Povo Potiguara (MARQUES et al, 2019) para debater as histórias que permeiam o imaginário social desse povo e como elas refletem as práticas culturais e concepções ancestrais que marcam e delineiam a base da identidade potiguara. Tal debate teve como fundamento as categorias de “memória” e “memória coletiva”, desenvolvidas pelo sociólogo francês Maurice Halbwachs, visando à compreensão da dimensão comum de que se revestem as narrativas contadas pelos indígenas no seu contexto social. Também serão utilizadas, transversalmente, as cosmovisões literárias de Eliane Potiguara e dos parentes Graça Graúna e Ailton Krenak como aporte metodológico no desenvolvimento desta pesquisa, pois, através do lugar social de produção ocupado por intelectuais indígenas é possível analisar e compreender a literatura indígena como um espaço de memória, enfrentamento e pertencimento ancestral. A partir da leitura e análise dos contos e histórias relatadas no livro, notou-se que as narrativas são permeadas tanto por elementos próprios da cultura potiguara, como no caso da famosa “procissão da meia-noite” que transita pelas aldeias, quanto por elementos da cultura popular compartilhada com outros grupos e que integram um amplo imaginário social, como as histórias envolvendo o “boto-cor-de-rosa” e a “Cumade Fulozinha”. Assim, percebeu-se que o campo literário da obra constitui um espaço de resistência, fortalecimento da identidade e espiritualidade do povo potiguara. TRABALHO COMPLETO Introdução Muito se discute sobre as histórias e crenças difundidas através da oralidade, as quais permeiam o imaginário popular e constituem aspectos culturais de uma sociedade. No entanto, muitas dessas histórias se desconectam de sua essência ao serem enquadradas como lendas e ressignificadas com estereotipias da cultura ocidental. Desse modo, perpassando, em essência, um viés contra-hegemônico, as histórias ancestrais Potiguara assumem um lugar de resistência e resguardo da memória coletiva, contribuindo para o fortalecimento da identidade de um povo tão fraturado pela agência (pós)colonizadora. Mas, o que seriam as histórias ancestrais? São narrativas que transmitem de geração para geração os saberes indígenas através da oralidade, os quais evocam a ancestralidade ao entrelaçar natureza, espiritualidade e vivências cotidianas atemporais. Logo, ainda que hajam estratégias de apagamento, a apropriação da escrita através das oraturas possibilita uma reinvenção nas formas de perpetuar a memória coletiva Potiguara, uma vez que vincula, de forma sensível e visceral, a cosmologia ancestral com a escrita literária de resistência. Portanto, o artigo vigente tem como objetivo apresentar as histórias ancestrais como importantes ferramentas para garantir a atemporalidade do conhecimento ancestral Potiguara. Através da obra Histórias Ancestrais do Povo Potiguara percebe-se a memória e a ancestralidade como elementos cruciais nas elaborações literárias pluridimensionais, as quais propiciam a reafirmação da alteridade, enraizada na Terra, do povo Potiguara de Baía da Traição/PB Os encontros entre História e Memória na Literatura indígena É notório que há uma diversidade de etnias indígenas de Norte à Sul no território do alcunhado Brasil que protagonizam ações de resistência pautadas na defesa de seus territórios, das línguas originárias e dos saberes ancestrais, estas, cruciais para manter viva a cosmologia dos povos e a proteção da natureza. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o último censo demográfico, realizado em 2022, registrou cerca de 1,7 milhão de indígenas dentro do território nacional brasileiro, representando 0,83% da população. Esses números simbolizam a resistência histórica de mais de 500 anos de luta contra o apagamento de seus costumes, de suas línguas maternas e de seus saberes ancestrais, transmitidos através da oralidade e das oraturas permeadas pelas literaturas indígenas. Assim, essas diversas literaturas são produzidas a partir da memória coletiva e são utilizadas como instrumento de perpetuação e ocupação dessas memórias para além das margens relegadas pela dita civilização ocidental. Nesse prisma, a oratura indígena abarca aspectos sensíveis que transitam por ritmos poéticos e, no caso das produções indígenas, exploram cosmologias de centralidade na natureza, onde ela protagoniza e determina as concepções de mundo invisível que se torna palpável através da capacidade imaginativa do leitor - que destoa da perspectiva de racionalidade hegemônica imposta pela cultura pós-colonial periférica. Além disso, os escritos indígenas atuam também como forma de denunciar opressões, à exemplo da obra Metade cara, metade máscara (2018), da escritora Eliane Potiguara. Nela, a autora utiliza a sua voz, memória e escrita, para relatar como três gerações de sua família foram arrancadas violentamente de seu território por agentes neocoloniais, ocasionando um processo de migração forçada. A obra é um retrato de resistência e resgate de suas raízes, ecoando vozes coletivas, antes engolidas pelo contexto urbano opressor. Retomando às prerrogativas da oratura, embora este conceito esteja imerso em críticas acerca de sua divergência ou convergência com a literatura, para Schiffler (2017, p. 126-127), a narrativa oral, retratada em sua forma performática, seu conteúdo e sua organização, possui “inegável valor cultural e artístico”, pois além de transcrever aspectos sagrados do cotidiano de um povo, evocando sua memória, demonstra concepções de mundo onde a subjetividade é sustentada pela potencialidade inventiva e poética dos sentidos. Desse modo, em se tratando de cosmologias indígenas, a oratura está atrelada à alteridade de conhecimentos pluridimensionais que são transmitidos pela oralidade, resguardando a memória expressiva indígena e atuando como resistência política. Nesse sentido, Graúna (2013, p. 19-24) destaca a importância que uma auto-história indígena possui na constituição da literatura de fronteiras que mescla a oralidade coletiva e a escrita individual, transformando-as em testemunhas da ancestralidade de um povo. Embora a oratura indígena ainda seja desrespeitada e desmotivada pelos cânones, seus autores insistem cotidianamente em destacar os múltiplos aspectos cosmológicos que reafirmam as identidades diversas das etnias. Desse modo, no contexto do povo Potiguara, as histórias ancestrais transmitidas dos anciãos para as gerações posteriores através da tradição oral são fundamentais para a manutenção da memória cosmológica e essenciais na construção das narrativas literárias com base na oralidade. Nesse sentido, as histórias que evocam a mãe-terra, os seres encantados que protegem a fauna e a flora do ecossistema e os ancestrais guerreiros são essenciais para o fortalecimento histórico-cultural Potiguara de forma atemporal. E é atrelado a isso Silva, autor/organizador do livro Tupi Potiguara Kuapa, afirma que “um povo sem cultura é um povo morto” (2024, p. 81). Ademais, há elementos simbólicos importantes para a memória oral Potiguara que inspiram a criação das narrativas escritas: o diálogo cotidiano com os anciãos das aldeias, a espiritualidade atravessada pelo ritual do Toré, o resgate da língua originária Tupi (que historicamente sofreu diversas investidas de apagamento pela colonização), o respeito e veneração pelos encantados e caboclos protetores da natureza, o pertencimento ao território e os grafismos identitários. Em suma, ao escrever literaturas indígenas, os autores estabelecem seus lugares sociais de produção, parafraseando o historiador francês Michel de Certeau (1982, p. 55-88), alicerçados na relação atemporal de seus territórios com a natureza, intrinsecamente vinculada à essência da existência originária. Desse modo, Cunhataí, Juripiranga, Cumade Fulozinha, o Pai do Mangue e tantas outras personalidades narrativas de tradição Potiguara, transmitem poeticamente as urgências, resiliências e resistências enraizadas na terra contra os silenciamentos disfarçados de apagamento ontológico do saber ancestral. Como proclama o lema estruturante Potiguara “Asé o‘ar, asé oikobé, asé omanõ, iandé anama te oikobé kó ybýpe auieramanhẽ ne” 1 (Silva, 2024, p. 14). Afinal, a memória ancestral que pulsa é visceral e relaciona o passado, o presente e o futuro no legado guerreiro e permanente na Terra; transcrevê-la para a escrita fortalece a identidade e ocupa um espaço de cosmologia epistêmica contra-hegemônica. Narrativas Potiguara e a memória ancestral Os Potiguara ocupam atualmente a região do litoral norte do Estado da Paraíba, espalhados em três Terras Indígenas: TI Potiguara, TI Jacaré de São Domingos e TI Potiguara de Monte-mór. Embora a totalidade das TI perfaça nos dias de hoje cerca de 33.757 hectares, sendo 32 aldeias e compreendendo, inclusive, três municípios na região (Rio Tinto, Baía da Traição e Marcação), historicamente, os Potiguara ocuparam grande parte do litoral nordestino na ocasião da chegada/invasão dos portugueses no século XVI (Gonçalves, 2007). Segundo dados do último censo (IBGE, 2022), a população indígena residente nesses territórios é de 19.044 indígenas, contudo, há muitos potiguara que vivem fora das TI. A resistência dos Potiguara às constantes e diversas tentativas de assimilação, fossem por meio das guerras coloniais ou da ação tutelar religiosa ou laica-estatal, reflete-se não apenas na sua existência física e territorial, mas, sobretudo, na perpetuação de sua cultura e cosmogonia. Como já citado anteriormente, a literatura indígena e seu espaço de expressão da memória ancestral ocupa um lugar fundamental nos processos de existir e resistir das populações indígenas. Uma dessas obras trata-se do livro Histórias Ancestrais do Povo Potiguara, publicado em 2019. Organizada pelos professores Cássio Ferreira Marques, Dra. Hellen Cristina P. Simas e Dr. Paulo Roberto Palhano Silva, a obra reúne dezenove narrativas, contadas pelos próprios indígenas, envolvendo histórias ancestrais que compõem a tradição oral, característica marcante do saber potiguara. São elas: 1) Pai do Mague; 2) Cumade Fulozinha (Caipora do Mato); 3) A Botija Encantada; 4) A Mão Cabeluda; 5) Mãe D’Água – Yara; 5) Procissão da Meia Noite; 6) O Lobisomem; 7) As Bruxas de Coqueirinho; 8) Uma Sereia na Terra dos Potiguara; 9) O Batatão; 10) Rasga Mortalha; 11) O Peixe que Reina na Maré; 12) O Gritador (Assobiador); 13) O pesador; 14) Um Sedutor Chamado Boto; 16) Morto-Vivo; 17) A Cobra de Coqueirinho; 18) Haja-Pau; e 19) Igreja Velha. Algumas dessas histórias são contadas em um único relato, outras, porém, à exemplo do “Pai do Mangue”, possui diferentes narradores. Há, ainda, histórias que foram relatadas apenas pelos autores sem a transcrição de um relato específico, como o caso da “Mão Cabeluda”, responsável pelo afogamento de alguns banhistas do rio Sinimbu que corta algumas das aldeias Potiguara. É importante ressaltar que as narrativas estão investidas de caráter testemunhal, retratadas em experiências próprias ou mesmo de familiares. Além disso, são contadas por pessoas de diferentes gerações, de idosos à jovens, o que denota a capilaridade com que esse saber encontra-se entranhado na tradição étnica. É possível observar dos relatos como as histórias, muitas vezes ouvidas ainda durante a infância, não apenas exprimem as crenças dos indígenas e sua forma de conceber o mundo em diferentes aspectos da vida social, como também moldam suas ações e motivam práticas e costumes. Muitos dos elementos e personagens fantásticos dessas histórias também estão presentes em narrativas de outras populações, e, em alguns casos, popularizadas no imaginário social, à exemplo do Lobisomem e de Yara, Mãe D’Água, figura encantada cujas características guardam similaridades com Iemanjá, orixá feminina de religiões afro-brasileiras e divindade das águas. Segundo Munduruku (s.d), A memória é, pois, ao mesmo tempo passado e presente que se encontram para atualizar os repertórios e encontrar novos sentidos que se perpetuarão em novos rituais que abrigarão elementos novos num circular movimento repetido à exaustão ao longo de sua história. Nesse sentido, embora as narrativas transcritas na obra sejam de experiências particulares, os relatos estão conectados por meio de um mesmo fio condutor: personagens, objetos ou eventos que povoam a memória de um povo. Ao contarem suas experiências com seres encantados ou objetos místicos, os indígenas evocam um elemento ou personagem em comum, à exemplo do Pai do Mangue, que pode ser encontrado em um dado ambiente – o mangue –, e a quem se agrada com presentes específicos – o fumo ou bebida. Ou seja, as histórias são particulares, mas a memória construída em torno das figuras é coletiva, uma reelaboração do saber ancestral aprendido e repassado por gerações. Por outro lado, diferentemente dessas narrativas com personagens que também figuram no imaginário popular mais amplo, há histórias que são próprias dos Potiguara, como a “Procissão da Meia-Noite”. Segundo relatos dos indígenas, trata-se de uma procissão de moradores da região já falecidos que passa pelas ruas da aldeia Tramataia toda sexta-feira de lua cheia. Histórias similares são as do “Batatão”, uma bola de fogo que acompanha algumas pessoas que entram na mata, e “Rasga-Mortalha”, uma espécie de coruja que prenuncia a morte. Considerações finais As narrativas transcritas na obra Histórias Ancestrais do Povo Potiguara (2019) são apenas parte das histórias ancestrais constituídas a partir das memórias ancestrais dos indígenas. Embora algumas delas compartilhem personagens encantados de outros grupos indígenas, e até mesmo de figuras mitológicas gregas, como a sereia, um aspecto central que chama a atenção é que todas elas envolvem elementos identitários próprios, ambientais, sociais e culturais, da etnia Potiguara. Os encantados aparecem frequentemente como protetores das matas e das águas, castigando aqueles que transgridem ou desrespeitam a natureza, atribuindo a ela traços de sacralidade que exprimem a concepção de mundo e a relação de simbiose entre ela e os indígenas. Assim, os ambientes em que se passam as histórias, ainda que similares a de outras populações, são as aldeias potiguara. Os rios, as matas e os animais envolvidos nos relatos evidenciam a representação dessa memória construída ao longo da história desse povo e transmitida oralmente, refletindo a forma de vida dos indígenas e a leitura do mundo físico e sobrenatural feita por eles. Referências CERTEAU, Michel de. “A operação historiográfica”. In: CERTEAU, Michel de. A escrita da História. Tradução de Maria de Lourdes Menezes. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1982 [1975], p. 55-88. GONÇALVES, Regina Célia. Guerras e açúcares: política e economia na capitania da Parahyba (1585-1630). Bauru, SP: EDUSC, 2007. GRAÚNA, Graça. Contrapontos da literatura indígena contemporânea no Brasil. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2013. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Os indígenas no Censo 2022. IBGE - Educa. Disponível em: https://educa.ibge.gov.br/criancas/brasil/nosso-povo/22324-os-indigenas-no-censo-2022.htm. Acesso em: 07 ago. 2025. MARQUES, Cássio Ferreira et al. Histórias ancestrais do povo Potiguara. Clube de Autores, 2019. MUNDURUKU, Daniel. Literatura Indígena e o tênue fio entre escrita e oralidade, 2008. Disponível em: https://www.editorapeiropolis.com.br/literatura-indigena-e-o-tenue-fio-entre-escrita-e-oralidade/ . Acesso em: 16 ago. 2025. POTIGUARA, Eliane. Metade cara, metade máscara. 3. ed. Rio de Janeiro: Grumin, 2018. SCHIFFLER, Michele Freire. Literatura, Oratura e Oralidade na Performance do Tempo. REVELL: Revista de Estudos Literários da UEMS, v. 2, n. 16, p. 112–134, 2017. SILVA, José Romildo Araújo da. Tupi Potiguara Kuapa: conhecendo a língua Tupi Potiguara. 1. ed. Mamanguape/PB: do autor, 2024. NOTA 1 Tradução: a gente nasce, a gente vive, a gente morre, mas o nosso povo viverá nessa terra para sempre.
Título do Evento
VII Ciclo de Estudos e Debates em Etnologia Indígena | UFRN
Cidade do Evento
Natal
Título dos Anais do Evento
Anais do VII Ciclo de Estudos e Debates em Etnologia Indígena da UFRN
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SILVA, Thaynara Raiza da; ARAÚJO, Dárcya Jeanne Silva de. MEMÓRIA E ANCESTRALIDADE: UM OLHAR SOBRE A COSMOVISÃO POTIGUARA A PARTIR DAS HISTÓRIAS ANCESTRAIS.. In: Anais do VII Ciclo de Estudos e Debates em Etnologia Indígena da UFRN. Anais...Natal(RN) UFRN, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/ciclo-etnologia-indigena/1223210-MEMORIA-E-ANCESTRALIDADE--UM-OLHAR-SOBRE-A-COSMOVISAO-POTIGUARA-A-PARTIR-DAS-HISTORIAS-ANCESTRAIS. Acesso em: 17/05/2026

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