CONSERVAÇÃO E CIRCULAÇÃO DE VARIEDADES LOCAIS DE MANDIOCA (MANIHOT ESCULENTA CRANTZ.) NA COMUNIDADE TRADICIONAL DOS AREAIS DA RIBANCEIRA, IMBITUBA- SC: UM PATRIMÔNIO BIOCULTURAL SOB AMEAÇA

Publicado em 23/07/2025 - ISBN: 978-65-272-1560-8

Título do Trabalho
CONSERVAÇÃO E CIRCULAÇÃO DE VARIEDADES LOCAIS DE MANDIOCA (MANIHOT ESCULENTA CRANTZ.) NA COMUNIDADE TRADICIONAL DOS AREAIS DA RIBANCEIRA, IMBITUBA- SC: UM PATRIMÔNIO BIOCULTURAL SOB AMEAÇA
Autores
  • Andressa Santin
  • Marina F. C. Pinto
  • Nivaldo Peroni
Modalidade
Pôster
Área temática
03. Manejo e conservação da biodiversidade: diálogos de saberes e experiências
Data de Publicação
23/07/2025
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
Português
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/cbee2024/859597-conservacao-e-circulacao-de-variedades-locais-de-mandioca-(manihot-esculenta-crantz)-na-comunidade-tradicional-d
ISBN
978-65-272-1560-8
Palavras-Chave
agrobiodiversidade, etnovariedades, domesticação, saberes, manejo
Resumo
A agrobiodiversidade está associada à produção sustentável de alimentos, como também desempenha papel fundamental na promoção da segurança alimentar brasileira, estando principalmente preservada em sistemas de produção alimentar manejados por povos indígenas e comunidades tradicionais, assim como por agricultores familiares. No entanto, estes sistemas se encontram ameaçados, trazendo risco não somente à diversidade biológica como também aos saberes associados a esta diversidade e, consequentemente, à soberania sobre as variedades locais e seu manejo. A mandioca (Manihot esculenta Crantz.) constitui um elemento chave da agrobiodiversidade presente no patrimônio biocultural de sistemas agrícolas tradicionais, juntamente com as redes de trocas, que têm papel fundamental na conservação e circulação de variedades. Com essa perspectiva, este trabalho teve como objetivo entender as causas de perdas, da manutenção e do favorecimento da agrobiodiversidade associada a um sistema agrícola tradicional, numa perspectiva temporal. Assim foram inventariadas as variedades atualmente presentes e comparadas com um estudo realizado há 14 anos atrás. Em 2010, na comunidade tradicional dos Areais da Ribanceira, município de Imbituba, Santa Catarina, foram inventariadas 45 etnovariedades cultivadas, sendo 30 delas consideradas “mandiocas” e 15 “aipins”, com sua diferenciação pelas(os) agricultoras(es), principalmente, pelo seu uso alimentar. No estudo realizado no ano de 2023, os contatos iniciais com a comunidade se deram através dos(as) agricultores(as) entrevistados no levantamento realizado em 2010 que ainda estão ativos e, a partir deste, foi utilizada a técnica bola-de-neve para encontrar novos agricultores ativos. Assim, foram entrevistados 12 agricultores(as), sendo então inventariadas as etnovariedades ainda em uso, aquelas perdidas ou não encontradas, e as etnovariedades que foram introduzidas no sistema agrícola. Foram citadas pelos(as) agricultores(as) 27 etnovariedades cultivadas atualmente e 3 etnovariedades perdidas, 18 consideradas “mandiocas” e 12 “aipins”. A média é de 8,5 etnovariedades por agricultor(a), porém, sendo a maior concentração mantida por agricultores mais idosos, com média de 12 etnovariedades entre agricultores de 70 a 77 anos. Comparando com o levantamento realizado em 2010, 16 variedades locais foram mantidas, e acrescentadas 12 novas etnovariedades à comunidade, tendo sido perdidas, ou não encontradas, 23 etnovariedades locais. Quanto às causas das perdas, as percepções mais frequentes dos(as) agricultores(as), referem-se a perda de território para cultivo, o abandono da prática itinerante e de coivara, o domínio de espécies invasoras sobre as nativas, os escassos subsídios agrícolas governamentais e o êxodo de familiares mais jovens para atividades não agrícolas. Apesar das dificuldades enfrentadas pela comunidade, a mobilização da identidade cultural e política coletiva através da Associação Comunitária Rural de Imbituba (ACORDI), as relações sociais dentro da comunidade, o auxílio coletivo nas práticas de plantio, colheita e o processamento da mandioca, além de uma rede de trocas de ramas existente entre os(as) agricultores(as) da comunidade e entre outras comunidades tradicionais, foram constatados como fatores que mantém e favoreceram agrobiodiversidade na comunidade estudada.
Título do Evento
XIV Congresso Brasileiro de Etnobiologia e Etnoecologia
Cidade do Evento
Criciúma
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Brasileiro de Etnobiologia e Etnoecologia
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SANTIN, Andressa; PINTO, Marina F. C.; PERONI, Nivaldo. CONSERVAÇÃO E CIRCULAÇÃO DE VARIEDADES LOCAIS DE MANDIOCA (MANIHOT ESCULENTA CRANTZ.) NA COMUNIDADE TRADICIONAL DOS AREAIS DA RIBANCEIRA, IMBITUBA- SC: UM PATRIMÔNIO BIOCULTURAL SOB AMEAÇA.. In: Anais do Congresso Brasileiro de Etnobiologia e Etnoecologia. Anais...Criciúma(SC) UNESC, 2024. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/cbee2024/859597-CONSERVACAO-E-CIRCULACAO-DE-VARIEDADES-LOCAIS-DE-MANDIOCA-(MANIHOT-ESCULENTA-CRANTZ)-NA-COMUNIDADE-TRADICIONAL-D. Acesso em: 31/08/2025

Trabalho

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