SABERES DO OURO: ETNOECOLOGIA E ECOLOGIA POLÍTICA DA COMUNIDADE TRADICIONAL GARIMPEIRA DO ALTO RIO DOCE - MG

Publicado em 23/07/2025 - ISBN: 978-65-272-1560-8

Título do Trabalho
SABERES DO OURO: ETNOECOLOGIA E ECOLOGIA POLÍTICA DA COMUNIDADE TRADICIONAL GARIMPEIRA DO ALTO RIO DOCE - MG
Autores
  • Janine Gomes da Silva
  • Verônica Marçal Lemes
  • Julio César Lemes Marçal
  • Emmanuel Duarte Almada
Modalidade
Comunicação Oral
Área temática
07. Políticas públicas, Povos e Comunidades Tradicionais
Data de Publicação
23/07/2025
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
Português
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/cbee2024/859591-saberes-do-ouro--etnoecologia-e-ecologia-politica-da-comunidade-tradicional-garimpeira-do-alto-rio-doce---mg
ISBN
978-65-272-1560-8
Palavras-Chave
Garimpo, Rio Doce, Comunidade tradicional, Protocolo de Consulta.
Resumo
O rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana–MG, em novembro de 2015, resultou na organização de diversos grupos sociais em busca de reparação e direitos, dentre eles os garimpeiros tradicionais de ouro do Alto Rio Doce. Os garimpeiros (também referidos como faiscadores), enquanto grupo social marginalizado e criminalizado, surgem como resultado do monopólio estatal e empresarial no ciclo do ouro entre os séculos XVII e XVIII. Desde 2018 estamos realizando uma pesquisa etnográfica que busca descrever a etnoecologia e a ecologia política dos garimpeiros tradicionais nos municípios de Barra Longa, Mariana e Acaiaca, todos atingidos pelo rompimento da Barragem de Fundão. Embora estigmatizados como criminosos, os garimpeiros do Alto Rio Doce se autorreconhecem como uma comunidade tradicional, com formas próprias de sociabilidade, saberes sobre os ecossistemas locais e formas de manejo em que a extração de ouro se associa também à pesca e à agricultura. A etnoecologia garimpeira é composta por saberes associados a i. técnicas de extração do ouro, utilizando diferentes graus de mecanização, ii. saberes sobre plantas utilizadas na extração do ouro, bem como para confecção de ferramentas de trabalho, como as bateias e carumbés; iii. saberes minerários, associados a identificação de elementos topográficos e hidrogeológicos que sinalizam possíveis veios de ouro, iv. um rico vocabulário próprio, com palavras de origem bantu e indígena. O garimpo do Alto Rio Doce também possui diferenças marcantes em relação àquele que ocorre nas regiões da fronteira amazônica desde a década de 1970. O garimpo tradicional no Alto Rio Doce compõe o modo de vida das comunidades rurais, sendo marcado por formas comunitárias de manejo e extração do mineral, não estando associado a conflitos fundiários nem mesmo a invasão de terras indígenas ou unidades de conservação. Diante do conflito com as empresas responsáveis pelo crime de Fundão, Samarco/Vale/BHP, os garimpeiros têm se organizado e como resultado de sua luta, recentemente garantiram representação na Comissão Estadual de Povos e Comunidades Tradicionais de Minas Gerais. Além disso, desde o início de 2024, com assessoria de nosso grupo de pesquisa, estão construindo seu Protocolo Comunitário de Consulta. Contrariando uma perspectiva cristalizada em nosso imaginário, a comunidade garimpeira tem destacado que suas formas de manejo e extração do ouro, ao longo de três séculos, provocaram impactos ambientais, cuja escala e intensidades, permitiram a recuperação dos ambientes e manutenção dos processos ecossistêmicos. Segundo os garimpeiros, antes da chegada da lama da barragem, os rios eram ricos em peixes, utilizados para banho, para a agricultura e lazer de todas as comunidades. Ao mesmo tempo, denunciam as formas de exploração da mineração industrial e empresarial, que beneficiam a poucos grupos ao mesmo tempo que deixam um rastro de destruição e morte ao longo de toda a bacia do Rio Doce. Nossa pesquisa tem evidenciado a diversidade de formas com que os grupos sociais mobilizam e acionam seus saberes tradicionais em contextos de conflitos ambientais e de luta por direitos territoriais e manutenção de seus modos de vida.
Título do Evento
XIV Congresso Brasileiro de Etnobiologia e Etnoecologia
Cidade do Evento
Criciúma
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Brasileiro de Etnobiologia e Etnoecologia
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SILVA, Janine Gomes da et al.. SABERES DO OURO: ETNOECOLOGIA E ECOLOGIA POLÍTICA DA COMUNIDADE TRADICIONAL GARIMPEIRA DO ALTO RIO DOCE - MG.. In: Anais do Congresso Brasileiro de Etnobiologia e Etnoecologia. Anais...Criciúma(SC) UNESC, 2024. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/cbee2024/859591-SABERES-DO-OURO--ETNOECOLOGIA-E-ECOLOGIA-POLITICA-DA-COMUNIDADE-TRADICIONAL-GARIMPEIRA-DO-ALTO-RIO-DOCE---MG. Acesso em: 30/08/2025

Trabalho

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