ANATOMIA DOS OFÍCIOS: REPENSANDO A CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE A PARTIR DA DIGNIDADE LABORAL NO MAR

Publicado em 23/07/2025 - ISBN: 978-65-272-1560-8

Título do Trabalho
ANATOMIA DOS OFÍCIOS: REPENSANDO A CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE A PARTIR DA DIGNIDADE LABORAL NO MAR
Autores
  • José Valencia
  • Francisca Veas
  • Camilo Veas-Carvacho
Modalidade
Comunicação Oral
Área temática
12. Pesca artesanal: dos rios ao mar
Data de Publicação
23/07/2025
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
Português
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/cbee2024/859590-anatomia-dos-oficios--repensando-a-conservacao-da-biodiversidade-a-partir-da--dignidade-laboral-no-mar
ISBN
978-65-272-1560-8
Palavras-Chave
pesca artesanal, atividades conexas, equidade social, saúde oceânica, emergência climática.
Resumo
Existe relação entre a sobre-exploração de espécies marinhas e a saúde das/os trabalhadoras/es do mar? No Chile, após a aprovação da Lei Nº 21.370/2021, que reconhece atividades associadas à extração e ao processamento de espécies hidrobiológicas como indispensáveis para a pesca artesanal, o trabalho de milhares de pessoas passou a se tornar visível para o Estado. Exercidas principalmente por mulheres, as "atividades conexas" são ofícios tradicionais-ancestrais associados à pré e pós-captura de peixes, moluscos, crustáceos e algas. O trabalho realizado por pescadoras/es (i.e. ahumadoras/es, fileteadoras/es, charqueadoras/es, entre outros), envolve técnicas que não apenas alimentam pessoas. Nutrem, também, saberes coletivos sobre ciclos de vida-reprodução de espécies em perigo de extinção; conhecimentos essenciais para pensar no manejo e na gestão pesqueira em tempos de emergência climática. Apesar de serem imprescindíveis para a soberania e segurança alimentar e nutricional, essas pessoas vivem na informalidade, sem acesso a condições mínimas para exercer um trabalho digno. Essa realidade repercute diretamente em sua saúde, existindo uma correlação direta entre lesões musculoesqueléticas e as atividades conexas. A execução desses ofícios requer movimentos manuais repetitivos, posturas incorretas, esforços excessivos em condições de baixas temperaturas e alta umidade. O bem-estar de trabalhadoras/es do mar está comprometido, assim como os ciclos de vida-reprodução das espécies marinhas. Em 2024, 53% dos recursos pesqueiros no Chile se encontram em estado de sobre-exploração ou colapso, e o Índice de Saúde Oceânica (IdSO) no país é alarmante. Os impactos socioambientais decorrentes da emergência climática são ainda mais palpáveis, afetando diretamente trabalhadoras/es dependentes da biodiversidade marinha. Quem vive das atividades conexas está imerso em um ciclo de empobrecimento progressivo, assim como os oceanos. Diante de um cenário onde a sobre-exploração de espécies marinhas se entrelaça ao detrimento da saúde de trabalhadoras/es do mar, espaços de ação política que promovam equidade social e conservação da biodiversidade são imprescindíveis. A Lei Nº 21.370/2021, além de reconhecer sociopoliticamente quem exerce as atividades conexas; poderia, ainda, ser pensada como uma política de reparação histórica. Mas o que significa dignidade laboral e conservação da biodiversidade para quem exerce as atividades conexas no Chile? O que impede que saberes tradicionais sejam incorporados ao circuito de reprodução do conhecimento considerado como válido? Repensar as relações entre ecologia, equidade, política e saúde é urgente. Desta forma, nosso objetivo foi visibilizar tais desigualdades, desenhar resistências e divulgar necessidades e aspirações de trabalhadoras/es do mar; como suporte para a efetivação de uma política pública que deveria focar no bem-estar das pessoas e dos ecossistemas, isto é, na saúde dos oceanos. Metodologicamente realizamos entrevistas e pesquisa-ação etnoecológica, a partir da construção de relações dialógicas entre pesquisadores/as e quem exerce as atividades conexas. Entre os resultados, está a criação de infográficos, a partir da ilustração de ofícios que tornam visíveis os impactos na saúde de trabalhadoras/es do mar. Reconhecendo que o bem-estar da pesca artesanal é essencial para uma gestão costeira e marinha eficaz, entendemos que garantir direitos e dignidade laboral promove, também, avanços na saúde oceânica. Assim, enfrentar desigualdades sociais é, inequivocamente, combater a emergência climática.
Título do Evento
XIV Congresso Brasileiro de Etnobiologia e Etnoecologia
Cidade do Evento
Criciúma
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Brasileiro de Etnobiologia e Etnoecologia
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

VALENCIA, José; VEAS, Francisca; VEAS-CARVACHO, Camilo. ANATOMIA DOS OFÍCIOS: REPENSANDO A CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE A PARTIR DA DIGNIDADE LABORAL NO MAR.. In: Anais do Congresso Brasileiro de Etnobiologia e Etnoecologia. Anais...Criciúma(SC) UNESC, 2024. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/cbee2024/859590-ANATOMIA-DOS-OFICIOS--REPENSANDO-A-CONSERVACAO-DA-BIODIVERSIDADE-A-PARTIR-DA--DIGNIDADE-LABORAL-NO-MAR. Acesso em: 31/08/2025

Trabalho

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