LEGADOS AMERÍNDIOS: ÁRVORES DA MATA ATLÂNTICA

Publicado em 23/07/2025 - ISBN: 978-65-272-1560-8

Título do Trabalho
LEGADOS AMERÍNDIOS: ÁRVORES DA MATA ATLÂNTICA
Autores
  • Aline Pereira Cruz
  • Ariane Saldanha de Oliveira
  • Fabiana Terhaag Merencio
  • Carolina Levis - UFSC
  • LUCAS DE MELO REIS BUENO
  • Nivaldo Peroni
Modalidade
Comunicação Oral
Área temática
09. Decolonialidade, nos desafios da Etnobiologia contemporânea
Data de Publicação
23/07/2025
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
Português
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/cbee2024/859564-legados-amerindios--arvores-da-mata-atlantica
ISBN
978-65-272-1560-8
Palavras-Chave
Jê-meridional, Guarani, Arqueologia, Ecologia Histórica, Rotas Ameríndias
Resumo
A Ecologia Histórica da Mata Atlântica Subtropical ainda é pouco estudada, de modo que os legados das ações de povos Ameríndios que ocupam a região desde, pelo menos, 14.000 anos, são pouco compreendidos e raramente considerados. Apesar da presença Ameríndia ser reconhecida, as modificações do ambiente de entorno e da biota, decorrentes de suas práticas culturais, não o são, e ainda se assume a existência de áreas prístinas. Mas, as ações humanas são uma força potente na modificação de ambientes, deixando marcas persistentes ao longo do tempo, ou legados. Aqui, buscamos legados de dois grupos culturais, Guarani e Jê-meridional, que ocupam a porção subtropical da Mata Atlântica desde, aproximadamente, 3.000 anos atrás. Trabalhamos com dados: da vegetação contemporânea fornecidos pelo Inventário Florístico Florestal de Santa Catarina (FlorestaSC); arqueológicos do Banco de Dados do Laboratório de Estudos Interdisciplinares em Arqueologia da UFSC e da Base BRC14; topográficos do Shuttle Radar Topography Mission (SRTM); hidrológicos da Agência Nacional de Águas; e Climáticos da base WorldClim. A ocupação Jê-meridional e Guarani foi modelada com estratégia de modelagem de nicho, com uso da localização de sítios arqueológicos, dados hidrográficos e topográficos, gerando um mapa de probabilidade de ocupação para cada grupo cultural. Sobrepomos as unidades amostrais de vegetação aos mapas de probabilidade, obtendo esse valor para cada unidade amostral. Após isso, aplicamos a análise de redundância (RDA) para identificar espécies relacionadas com a ocupação pretérita de Jê-meridional e/ou Guarani. Com essa análise, identificamos 29 espécies relacionadas com a ocupação Ameríndia, entre elas Araucaria angustifolia, Ilex paraguariensis, relacionadas com áreas de ocupação Jê-meridional; Casearia sylvestris e Arecaceaes relacionadas com ambos grupos. Escolhemos a espécie C. sylvestris, que é mundialmente reconhecida por suas propriedades medicinais, para verificar sua relação com o movimento Jê-meridional e Guarani. As rotas Jê-meridional e Guarani foram modeladas na forma de custo de superfície, com base nas características culturais de escolha de caminhos por cada grupo, na localização dos respectivos sítios arqueológicos, na topografia e na hidrografia. Por fim, aplicamos Modelos Generalizados Mistos para testar as relações entre a probabilidade de ocupação, as rotas e características climáticas, sobre a presença e abundância de C. sylvestris. A espécie está relacionada com rotas de ambos os grupos culturais, porém, para Guarani, está em áreas de custo de movimento aumentado, o que pode indicar áreas de caça ou remoção de indivíduos em áreas mais acessadas. A presença e abundância de C. sylvestris também foi testada em relação à proximidade de Terras Indígenas, apresentando uma relação positiva. Os resultados indicam que apesar da Mata Atlântica ter sido intensamente modificada recentemente, as marcas de ações do passado são tão intensas que ainda são visíveis e, que as Terras Indígenas contribuem para a manutenção de espécies de valor cultural. Com isso, reforçamos a necessidade da valorização e da promoção das culturas dos povos indígenas para conservar a biodiversidade e reforçamos a necessidade de decolonizar a ecologia e a conservação, que ainda assumem o preceito de áreas pristinas, ignorando a presença Ameríndia anterior à colonização europeia.
Título do Evento
XIV Congresso Brasileiro de Etnobiologia e Etnoecologia
Cidade do Evento
Criciúma
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Brasileiro de Etnobiologia e Etnoecologia
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

CRUZ, Aline Pereira et al.. LEGADOS AMERÍNDIOS: ÁRVORES DA MATA ATLÂNTICA.. In: Anais do Congresso Brasileiro de Etnobiologia e Etnoecologia. Anais...Criciúma(SC) UNESC, 2024. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/cbee2024/859564-LEGADOS-AMERINDIOS--ARVORES-DA-MATA-ATLANTICA. Acesso em: 31/08/2025

Trabalho

Even3 Publicacoes