PESCARIA DA TAINHA E ANCHOVA E AS BALEIAS-FRANCAS: COMO O CONHECIMENTO EMPÍRICO AUXILIA NA PESQUISA SOBRE ÁREAS DE INTERAÇÃO COM A ESPÉCIE.

Publicado em 23/07/2025 - ISBN: 978-65-272-1560-8

Título do Trabalho
PESCARIA DA TAINHA E ANCHOVA E AS BALEIAS-FRANCAS: COMO O CONHECIMENTO EMPÍRICO AUXILIA NA PESQUISA SOBRE ÁREAS DE INTERAÇÃO COM A ESPÉCIE.
Autores
  • Alessandra Leonardo da Silva
  • Camila Rossana Morais de Medeiros
  • Karina Grogh
  • Fábio Pereira da Conceição
  • Eduardo Pires Renault-Braga
Modalidade
Comunicação Oral
Área temática
04. Conhecimentos tradicionais associados à biodiversidade: estratégias de proteção e salvaguarda
Data de Publicação
23/07/2025
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
Português
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/cbee2024/857553-pescaria-da-tainha-e-anchova-e-as-baleias-francas--como-o-conhecimento-empirico-auxilia-na-pesquisa-sobre-areas-d
ISBN
978-65-272-1560-8
Palavras-Chave
Eubalaena australis, Etnobiologia, Conhecimento ecológico local, questionários, emalhes.
Resumo
O litoral sul catarinense é uma importante área reprodutiva da baleia-franca-austral – Eubalaena australis (Desmoulins, 1822). A espécie ocorre na região costeira entre julho e novembro com o objetivo de parir, amamentar e acasalar, com pico de ocorrência em setembro. A ocorrência da espécie movimenta economicamente, bem como a tradicional pesca da tainha e anchova.O hábito costeiro da espécie e seu período de ocorrência, coincide com a pescaria desses pescados e aumenta a probabilidade de interações entre a baleia e a pesca. Esta pesquisa tem como objetivo investigar o conhecimento empírico dos pescadores artesanais que atuam ao longo da APA-BF, sobre a baleia-franca e suas interações com a pesca. Utilizando um questionário semiestruturado contendo questões abertas e fechadas, foram realizadas entrevistas com 30 pescadores das seis colônias de pesca (cinco por colônia). As entrevistas foram aplicadas em 2020 e conduzidas por meio de questionários qualitativos com respostas múltipla escolha, com perguntas estruturadas relacionadas a informações sobre o conhecimento popular dos envolvidos em relação à baleia-franca. A aplicação dos questionários seguiu o método Bola de Neve. A idade dos pescadores variou entre 27 e 77 anos, sendo todos masculinos. Os resultados mostraram que 94,4% reconhecem o período reprodutivo das baleias-franca, com 72,5% identificando o pico de ocorrência entre agosto e setembro, variando para os demais de meses, principalmente, nos extremos norte e sul da APA-BF. Sendo que, 90% dos entrevistados identificaram a baleia-franca ao serem apresentadas imagens de diferentes espécies de baleias que ocorrem na região. Quando indagados sobre o que as baleias fazem na região, 94,1% dos entrevistados indicaram que as baleias utilizam a área como região de reprodução, sendo que 26,5% responderam como área de acasalamento e 67,6% como área berçário e 6% identificando que as baleias migram com outros objetivos. Um total de 80% dos entrevistados reconhecem que o número de baleias vem crescendo ao longo dos anos. Em relação a uma resposta direta a um potencial emalhe 40,6% relataram que reagiriam cortando o cabo das redes de pesca, 31,3% tentariam remover as redes de pesca e 28,1% teriam outras reações não descritas. Destes 46,7% relataram já ter realizado um encontro com uma baleia-franca com redes enroladas no corpo. De um modo geral 76,37% consideram a presença das baleias como neutra em relação à economia local, enquanto que 6,7% consideram a presença das baleias de forma positiva e 13,3% de forma negativa para a região. Entretanto, todos os entrevistados afirmaram que a baleia-franca não interfere efetivamente na atividade pesqueira, mas que acidentes não-intencionais podem acontecer. O conhecimento local dos pescadores artesanais sobre as baleias-franca-austrais na APA-BF é uma importante fonte de dados. Valorizar esse conhecimento pode fortalecer ações de conservação, especialmente devido ao aumento populacional dessas baleias migrando para o litoral sul brasileiro. É crucial continuar estudando a ecologia local para evitar impactos humanos na região. A colaboração entre pesquisadores e pescadores pode ajudar a desenvolver estratégias para manejar a pesca artesanal e estabelecer planos de gestão comunitária, garantindo a conservação das baleias e a sustentabilidade da pesca.
Título do Evento
XIV Congresso Brasileiro de Etnobiologia e Etnoecologia
Cidade do Evento
Criciúma
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso Brasileiro de Etnobiologia e Etnoecologia
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SILVA, Alessandra Leonardo da et al.. PESCARIA DA TAINHA E ANCHOVA E AS BALEIAS-FRANCAS: COMO O CONHECIMENTO EMPÍRICO AUXILIA NA PESQUISA SOBRE ÁREAS DE INTERAÇÃO COM A ESPÉCIE... In: Anais do Congresso Brasileiro de Etnobiologia e Etnoecologia. Anais...Criciúma(SC) UNESC, 2024. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/cbee2024/857553-PESCARIA-DA-TAINHA-E-ANCHOVA-E-AS-BALEIAS-FRANCAS--COMO-O-CONHECIMENTO-EMPIRICO-AUXILIA-NA-PESQUISA-SOBRE-AREAS-D. Acesso em: 31/08/2025

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