Título do Trabalho
ATRIBUTOS DO PROFISSIONAL DE ENFERMAGEM EM MANUAIS DE ENFERMAGEM (1875-1925)
Autores
  • Johnny Lima Brandão
  • Vitor Faria
  • Fernando Rocha Porto
  • Claudia Labriola
Modalidade
Resumo Expandido
Área temática
1. Enfermagem ao longo da história;
Data de Publicação
15/07/2025
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
Português
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/7-abradhenf-e-2-seminario-internacional-historia--enfermagem/1096203-atributos-do-profissional-de-enfermagem-em-manuais-de-enfermagem-(1875-1925)
ISBN
978-65-272-1583-7
Palavras-Chave
Profissionais de Enfermagem; história da enfermagem; manuais como assunto
Resumo
INTRODUÇÃO No decorrer da história, é possível identificar que o cuidado perpassa por diversos espaços sociais e saberes. O cuidado, quando apropriado pela enfermagem no século XIX, tinha por preferência o feminino pela sua natureza, especialmente, quando abastadas. Isso significava docilidade, dedicação, obediência para o exercício da enfermagem pelo entendimento de Florence Nightingale para os atendimentos a serem prestados aos enfermos e necessitados. Logo, uma profissão para mulheres1. Dentre os instrumentos que viabilizaram a profissionalização da área do cuidar, encontram-se os manuais de enfermagem. Esses são artifícios utilizados na transmissão do conhecimento de modo a inculcar comportamentos, práticas e saberes e, com isso, são componentes importantes do processo de formação e caracterização do profissional. Desse modo, cabe a pergunta: Quais os atributos preconizados pelos manuais de enfermagem para a atuação dos/as enfermeiros/as nos cuidados a serem prestados aos enfermos? Este estudo tem como objetivo identificar os atributos do/a profissional de enfermagem, por meio dos manuais, para a prestação dos cuidados. METODOLOGIA Estudo no método histórico, sob a perspectiva cultural2, que faz uso da técnica da análise documental3. As fontes históricas foram os manuais de enfermagem provenientes do catálogo digital das bibliotecas - nacional e internacional. A delimitação temporal foi de 1875-1925, considerando as obras: Manual for Hospital Nurses and Other Engaged in Attending on the Sick4 e Le Livre de l’Infirmière5. Para a coleta de dados foi utilizado um instrumento com espaços a serem preenchidos, a saber: ano de publicação; localização da obra; título; idioma; autoria; formação da autoria; gênero atribuído ao trabalho de enfermagem e, por fim, síntese os atributos do/a enfermeiro/a. Como critério de inclusão, que as obras estivessem nos idiomas: francês, inglês e português (Brasil) e exclusão a exclusividade delas em bibliotecas físicas, além da inviabilidade de leitura íntegra. Após serem coletados, as informações foram organizadas em quadros e os dados foram trianguladas, a fim de viabilizar a construção da narrativa histórica6-7. RESULTADOS A busca resultou, mediante os critérios estabelecidos, em 12 obras oriundas das Bibliotecas: do Congresso (EUA), Nacional de Medicina dos Estados Unidos, Nacional da França e Setorial Enfermagem e Nutrição, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Dentre as obras encontradas, sete foram em língua inglesa, quatro em francesa e uma portuguesa (Brasil). As autorias foram de três obras escritas por enfermeiras; cinco por médicos; uma com parceria de enfermeira e médico; uma por Irmã de Caridade e duas institucionais. A obra École de l’infirmier militaire et du brancadier militaires foi a única que se destinava, exclusivamente, aos homens como profissionais enfermeiros8. No mais, duas obras destinavam-se a ambos os sexos e as demais apenas ao feminino. Os atributos associados ao profissional de enfermagem descritos nos manuais analisados foram divididos em três eixos: físicas ou estéticas; técnicas e sociocomportamentais. Dentre os aspectos físico-estéticos, encontram-se dados sobre seus trajes limpos e discretos, de cor clara. Além disso, ressaltam como deveriam estar os cabelos, as unhas e o estado nutricional - que corroboram para a cultura das aparências9. No que tange aos aspectos técnicos, o/a enfermeiro/a deveria ter conhecimento sobre seus campos de prática e as técnicas que iria executar, sem alterar a determinação médica 6,10. Ademais, deveria ser criterioso/a e ter precisão, força, poder de resistência, destreza, ideias de economias e custos, letramento e capacidade de adaptação. No âmbito dos requisitos sociocomportamentais, identificam-se: obediência, paciência, gentileza, amor e devoção ao trabalho, lealdade ao médico e aos pacientes, cortesia, tato, refinamento, prontidão, disciplina, simpatia, altruísmo, silêncio, bom-humor, piedade e doçura. DISCUSSÃO É possível observar, pelas obras analisadas, a presença de discursos - ao longo do texto ou em capítulos específicos - que dispõem que o profissional de enfermagem deve ser do gênero feminino e deve apresentar características baseadas em estereótipos de gênero vinculados a esta identidade. Possolo11, a exemplo, não destina sua obra a um gênero específico, no entanto, explicita que a mulher é preferível ao homem, deixando esse último ao campo psiquiátrico e militar. Isto se deve em virtude da medicina ter interesse na docilização dos atributos dos profissionais para o exercício do cuidado. Logo, isso se faz remeter a Bárbara Ehrenreich e Deirdre English12, quando elas, por exemplo, relatam que à mulher restava a alienação do saber científico, visto pelos médicos, que as dominavam em prol de seu interesse. No mais, através dos manuais, entende-se que ao profissional de enfermagem é imprescindível que ele seja, em sua grande maioria, obediente e leal ao médico, amoroso, gentil, devoto, criterioso, altruísta, entre outras características. Considerando que os documentos eram utilizados na formação de enfermeiros em geral, é possível inferir que eles corroboram para uma possível feminilização do cuidado e para a manutenção do controle interprofissional na relação médico-enfermeiro, haja vista aspectos de subserviência desejados ao profissional13. CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente estudo foi capaz de atender ao objetivo proposto, considerando a identificação dos atributos dos profissionais para o cuidado em aspectos sociocomportamentais, físico-estéticos e técnicos nos tempos idos. A ideia central da discussão resultou na relação de forças do domínio do feminino, por meio do cuidado, como estratégia para manutenção do poder da medicina. Pode-se considerar que as obras analisadas, não apenas refletem o discurso da enfermagem como área específica feminina, mas silenciam o discurso herético. REFERÊNCIAS 1 Padilha MICS, Mancia JR. Florence Nightingale e as irmãs de caridade: revisitando a história. Rev. Bras. Enferm. [Internet]. 2005 [citado 05 jul. 2024]; 58 (6): 723-6. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0034-71672005000600018. 2 Burke P. O que é história cultural? 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. Zahar; 2008. 3 Alves LH, Saramago G, Valente LF, Sousa AS. Análise documental e sua contribuição no desenvolvimento da pesquisa científica. Cadernos da Fucamp [Internet]. 2021 [citado 04 mar 2025]; 20(48): 51-63. Disponível em: https://revistas.fucamp.edu.br/index.php/cadernos/article/view/2335. 4 Domville, E. J. A Manual for Hospital Nurses and Others Engaged Attending on the Sick. 2ª ed. Londres: J. & A. Churchill; 1875. 5 Chaptal L. Le livre de l’infirmière. 3ª ed. Paris: Masson et cie; 1925. 6 Alves-Mazzoti, A J & Gewandsznajder, F. O método nas ciências naturais e sociais: pesquisa quantitativa e qualitativa. 2ª ed. São Paulo: Thomson Learning; 1999. 7 Zanin C. A Evidência Histórica na Prática Historiográfica de Sérgio Buarque de Holanda em Visão do Paraíso [Dissertação de Mestrado][Internet]. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul; 2017 [citado 12 mar 2025]. Disponível em: https://lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/168995/001046894.pdf?sequence=1&isAllowed=y. 8 França. Ministério da Guerra. École de l’infirmier militaire et du brancadier militaires. 9 Roche D. A cultura das aparências. 1ª ed. São Paulo: Senac São Paulo; 2007. 10 Hughes, A. Practical Hints on District Nursing. 2ª ed. Londres: Scientific Press; 1898. 11 Possolo A. Curso de enfermeiros. 1ª ed. Rio de Janeiro: Leite Ribeiro Marilio; 1920. 12 Ehrenreich B, English D. Witches, midwives & nurses: a history of women healers. 1ª ed. Nova Iorque: The Feminist Press; 1973. 13 Porto F. Cinderelização: de camareiros/as a enfermeiros/as (1890-1931) [tese]. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro; 2024.
Título do Evento
7th Colloquium of the Brazilian Academy of Nursing History (ABRADHENF) e 2º Seminário Internacional de História da Enfermagem
Cidade do Evento
Salvador
Título dos Anais do Evento
Anais do 7th Colloquium of the Brazilian Academy of Nursing History (ABRADHENF) e 2º Seminário Internacional de História da Enfermagem do Programa de Pós-graduação em Enfermagem e Saúde da Escola de Enfermagem da Universidade Federal da Bahia
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

BRANDÃO, Johnny Lima et al.. ATRIBUTOS DO PROFISSIONAL DE ENFERMAGEM EM MANUAIS DE ENFERMAGEM (1875-1925).. In: Anais do 7th Colloquium of the Brazilian Academy of Nursing History (ABRADHENF) e 2º Seminário Internacional de História da Enfermagem do Programa de Pós-graduação em Enfermagem e Saúde da Escola de Enfermagem da Universidade Federal da Bahia. Anais...Salvador(BA) Colégio Militar de Salvador, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/7-abradhenf-e-2-seminario-internacional-historia--enfermagem/1096203-ATRIBUTOS-DO-PROFISSIONAL-DE-ENFERMAGEM-EM-MANUAIS-DE-ENFERMAGEM-(1875-1925). Acesso em: 31/08/2025

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