Título do Trabalho
HISTÓRICO DA ESCOLA DE ENFERMAGEM DA USP: LEGADOS PARA A SOCIEDADE E A CULTURA
Autores
  • Fábio Soares de Melo
  • Prof. Dr. Genival Fernandes de Freitas
  • Vilanice Alves de Araújo Püschel
  • ALESSANDRA SANTOS DE PAULA
Modalidade
Resumo Expandido
Área temática
3. História de instituições, cursos, entidades de classe e de personagens;
Data de Publicação
15/07/2025
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
Português
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/7-abradhenf-e-2-seminario-internacional-historia--enfermagem/1095992-historico-da-escola-de-enfermagem-da-usp--legados-para-a-sociedade-e-a-cultura
ISBN
978-65-272-1583-7
Palavras-Chave
História da enfermagem, Escolas de Enfermagem, Educação em Enfermagem.
Resumo
Introdução: A História da Enfermagem vem se impondo como tema necessário no campo da profissão, pois estudá-la nos permite desconstruir e reconstruir um passado imbuído de conceitos, preconceitos, estereótipos e rediscuti-lo à luz da atualidade. Compreender a história da enfermagem possibilita investigar e refletir acerca de sua construção identitária, bem como a prevalência dos fatores que têm caracterizado a profissão, e que seguem direcionando a práxis profissional. Estudos na área da História da Enfermagem vêm crescendo gradativamente nas escolas de enfermagem, sobretudo, naquelas que mantém também cursos de pós-graduação senso estrito, dando oportunidade para o desenvolvimento de pesquisas através de fontes existentes como documentos institucionais, pessoais (coleções), iconográfico imagético, com destaque para fotografias, objetos da prática profissional, mapas e outros (Padilha, Borenstein, 2006; Ferreira , Canastra, Esteves, 2013; Araújo, Freitas, Oguisso, 2019). Neste sentido as instituições de ensino também desempenham um relevante papel nesta trajetória histórica da enfermagem como órgãos responsáveis pela formação técnico-profissional e formadores de políticas públicas (Carrijo, Leite, 2019). As trajetórias sociais e políticas das Escolas de Enfermagem influenciaram, e ainda contribuem, para a configuração da enfermagem brasileira na atualidade. De modo que, retratar a história das instituições torna-se relevante para entendermos suas contribuições e seu legado para a enfermagem A instituição de ensino retratada neste estudo refere-se à Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (EEUSP) cuja história se confunde com a História da Enfermagem brasileira. Refazer, de forma simples e didática, este caminho percorrido pela instituição é, também, desvelar o processo histórico de construção da profissão, as suas lideranças acadêmicas e as contribuições da EEUSP para a formação de recursos humanos na área da saúde no Estado de São Paulo e no Brasil. Objetivos: Confeccionar e disponibilizar uma Cartilha Educativa, formato eletrônico, que reconstrói os 80 anos de fundação da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo. Metodologia: Trata-se de um estudo em História com enfoque na história social das instituições que, segundo Carrijo e Leite (2019) pode ser feito com usos metodológicos variados presentes em fontes orais, documentais, imagéticos e iconográficos. Trata-se, também, de um relato de experiência sobre os esforços para a elaboração da uma cartilha. Foram consultadas fontes documentais, imagéticas e jornalísticas do Centro Histórico Cultural da Enfermagem Ibero-Americana (CHCEIA), da EEUSP. Após a seleção dos conteúdos da cartilha procedeu-se à análise iconográfica do material fotográfico selecionado, descrevendo-o e contextualizando as cenas no tempo e no espaço sócio-político. Assim, a leitura das fotografias seguirá o método de Construção e Desmontagem da Imagem Fotográfica, do teórico brasileiro e historiador de fotografia Boris Kossoy. O método é composto por duas fases distintas (Kossoy, 2004): 1. Análise iconográfica, se situa no nível daquilo que o pesquisador vê de conteúdo ao olhar para a imagem e das informações que extrai delas, contemplando a descrição detalhada e a análise dos elementos constitutivos formais da imagem, como o personagem retratado, postura, vestimenta, acessório, cenário, objetos, local, data e a identificação do fotógrafo. 2. Interpretação iconológica, demanda um mergulho profundo na cena registrada na fotografia. O pesquisador precisa ir além do visível e se informar de tudo que se relaciona à imagem. Por fim, o pesquisador chega à apreensão da informação contida na imagem fotográfica e é capaz de construir um texto síntese. O projeto foi executado no período de maio a setembro de 2022 por membros do grupo de pesquisa em História da EEUSP por ocasião dos 80 anos de fundação da Escola e contou com o apoio do Santander/USP/FUSP de Fomento às Iniciativas de Cultura e Extensão Pró-reitoria de Cultura e Extensão Universitária. Resultado: O produto deste estudo resultou na construção de uma cartilha educativa, em formato eletrônico, cujo conteúdo resgata a trajetória histórica da Escola de Enfermagem da USP, em 8 décadas de funcionamento. Sua relevância configura-se não somente no legado da Enfermagem para a coletividade social, mas também, em como se deram as transformações de suas práticas seja no campo da assistência, seja no mister gerencial das instituições de saúde. A Cartilha, disponível nos sites da EEUSP e CHCEIA à sociedade e à coletividade da enfermagem brasileira e uspiana, revela as pontes entre a trajetória histórica da Escola de Enfermagem, a sociedade e a cultura. Discussão: A função histórica da EEUSP, desde sua fundação em 1942, tem sido relevante, pois se constitui em uma das principais instituições de formação e qualificação de recursos humanos de enfermagem e por ter sido um dos espaços políticos primordiais de construção da enfermagem brasileira. A sua primeira diretora, Edith de Magalhães Fraenkel, foi também a primeira presidente da Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn), cargo ocupado por inúmeros anos e por várias vezes. A EEUSP sediou o I Congresso Brasileiro de Enfermagem em 1947 e já, em 1953, também o Conselho de Representantes Nacionais (CRN), do Conselho Internacional de Enfermeiras (CIE), que aprovou o primeiro código de ética internacional para enfermeiros. O engajamento institucional para fomentar discussões acadêmicas em torno da profissão em eventos científicos demonstra o compromisso institucional e de seus representantes com as questões educacionais e profissionais da Enfermagem brasileira através das organizações de classe (Carrijo, Leite, 2019). Na história do curso de pós-graduação da Escola de Enfermagem, a História de Enfermagem foi ministrada por grandes nomes de pioneiras da enfermagem brasileira: Glete de Alcântara, Maria Rosa Pinheiro, Amália Correa de Carvalho, Anayde Correa de Carvalho, Circe de Melo Ribeiro, Wanda de Aguiar Horta e se mantém com Taka Oguisso, todas docentes da Escola e outras convidadas como Waleska Paixão, da Escola de Enfermagem Anna Nery, UFRJ. Fundado em outubro de 1992, o CHCEIA foi criado para ser um centro de pesquisa e conhecimento capaz de tornar-se, por esse motivo, verdadeira referência da enfermagem brasileira, como propunham as pioneiras que organizaram o centro histórico em sua primeira fase. Os registros fotográficos destacavam a vida das alunas que, durante duas décadas subsequentes, viviam e estudavam em regime de internato, como propunha o regulamento vigente (Decreto-lei N. 16.308/46 – D.O. – 19-11-46) que afirmava em seu “Artigo 2º. – A Escola de Enfermagem funcionará em sede própria, sob regime de internato quanto às estudantes e salvo taxa de inscrição inicial, ministrará curso gratuito aos estudantes nela matriculados” (Carvalho, 1980, p. 154-155). A fotografia, segundo Porto e Santos (2019), é uma testemunha da história que possibilita um tipo de comunicação rápida no processo complexo que envolve o ato de comunicar. A fundação de um espaço destinado à preservação da memória histórica da Enfermagem permite afirmar que a EEUSP não estava alheia à importância que o passado exerce sobre a orientação profissional. O Departamento de Enfermagem Materno-Infantil e Psiquiátrica, que implementou o CHCEIA como parte das comemorações do Jubileu de Ouro da Escola, ao mobilizar-se em torno da preservação de sua memória institucional, reiterava o papel assumido pela história no desenvolvimento do ensino, da pesquisa e extensão à comunidade na EEUSP. Negar a história da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo é negar o contingente por ela formado, a história das mulheres que dela fizeram parte e das que permanecem elevando o nome da Escola, criada para ser a maior da América Latina, cujo devir comprovou ser verdade a máxima sustentada. Conclusão: A cartilha eletrônica tem um caráter educativo, invocando não somente a memória, as lembranças, o passado, mas invocando o legado da Escola de Enfermagem da USP para a coletividade social no tocante à formação qualificada de recursos humanos em enfermagem e em saúde. Referências: Carrijo AR. Leite MMJ. História, instituições enfermagem. In: Oguisso T. Campos PFS. Freitas GF (Orgs). Pesquisa em História da Enfermagem. Barueri-SP: Manole; 2019. p. 178-210. Carvalho A C. Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo: Resumo Histórico - 1942 - 1980. Rev Esc Enferm USP. 1980; 14 (suplemento):1-271. Disponível em: http://www.revistas.usp.br/reeusp/article/view/135528/131379. Acesso em: 14 jan. 2021. Decreto-Lei N. 16.308 de 16 de novembro de 1946. Dispõe sobre aprovação do Regulamento da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo. Disponível em https://www.al.sp.gov.br/repositorio/legislacao/decreto.lei/1946/decreto.lei-16308-16.11.1946.html consulta em 14 jan 2024. Ferreira A, Canastra A, Esteves A. Investigação em história da enfermagem: uma contributo do passado para o futuro. Revista Enfermagem Referência. III Série – Nº 11 – Dez 2013 Kossoy B. Construção e desmontagem da informação fotográfica: teoria e história. Rev USP, (62):224-32, 2004. Disponível em: http://www.revistas.usp.br/revusp/article/view/13356/15174. Acesso em: 14 jan 2024. Padilha MICS, Borenstein MS. História da Enfermagem: ensino, pesquisa e interdisciplinaridade. Esc. Anna Nery R Enferm 2006 dez; 10(3): 532-8 Porto F. Santos TCF. Pesquisa Fotográfica. In: Oguisso T. Campos PFS. Freitas GF (Orgs). Pesquisa em História da Enfermagem. Barueri-SP: Manole; 2019. p. 377-400. Silva TA. Freitas GF, Oguisso T. Identidad del ser enfermero en la perspectiva de estudiantes de grado de enfermería. Cultura de los Cuidados 2019; (Edición digital), 23 (54).
Título do Evento
7th Colloquium of the Brazilian Academy of Nursing History (ABRADHENF) e 2º Seminário Internacional de História da Enfermagem
Cidade do Evento
Salvador
Título dos Anais do Evento
Anais do 7th Colloquium of the Brazilian Academy of Nursing History (ABRADHENF) e 2º Seminário Internacional de História da Enfermagem do Programa de Pós-graduação em Enfermagem e Saúde da Escola de Enfermagem da Universidade Federal da Bahia
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

MELO, Fábio Soares de et al.. HISTÓRICO DA ESCOLA DE ENFERMAGEM DA USP: LEGADOS PARA A SOCIEDADE E A CULTURA.. In: Anais do 7th Colloquium of the Brazilian Academy of Nursing History (ABRADHENF) e 2º Seminário Internacional de História da Enfermagem do Programa de Pós-graduação em Enfermagem e Saúde da Escola de Enfermagem da Universidade Federal da Bahia. Anais...Salvador(BA) Colégio Militar de Salvador, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/7-abradhenf-e-2-seminario-internacional-historia--enfermagem/1095992-HISTORICO-DA-ESCOLA-DE-ENFERMAGEM-DA-USP--LEGADOS-PARA-A-SOCIEDADE-E-A-CULTURA. Acesso em: 29/08/2025

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