Título do Trabalho
VIVÊNCIAS DE HOMENS EGRESSOS NA ESCOLA DE ENFERMAGEM DE RIBEIRÃO PRETO DE 1974-1980
Autores
  • Gabriel Isaac Matias
  • Pâmela Eduarda Pinheiro Rosa Pavão
  • Luciana Barizon Luchesi
Modalidade
Resumo Expandido
Área temática
1. Enfermagem ao longo da história;
Data de Publicação
15/07/2025
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
Português
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/7-abradhenf-e-2-seminario-internacional-historia--enfermagem/1095722-vivencias-de-homens-egressos-na-escola-de-enfermagem-de-ribeirao-preto-de-1974-1980
ISBN
978-65-272-1583-7
Palavras-Chave
História da Enfermagem, Enfermagem, Enfermeiros, Estudantes de Enfermagem
Resumo
Introdução: A discrepância numérica entre homens e mulheres na profissão de Enfermagem no Brasil demanda análise do processo de inserção dos homens na profissão. A análise das vivências de estudantes homens, ao longo das décadas, que optaram por essa carreira permitirá refletir sobre o desdobramento de tal processo, além de abrir possibilidades para se pensar no recrutamento e permanência desses estudantes. A figura do homem surge na enfermagem pré-profissional sob as influências das ordens religiosas pela necessidade de força física nas guerras. Além disso, o aspecto cultural da discriminação dos sexos biológicos, impedia as mulheres de realizar o cuidado nos pacientes do sexo oposto, definindo e caracterizando a indispensabilidade da imagem masculina1. No Brasil, em 1890 foi criada a primeira Escola Profissional de Enfermeiros e Enfermeiras (EPEE), atual Escola de Enfermagem Alfredo Pinto-UNIRIO, Rio de Janeiro, podendo ser considerada o marco inicial da profissionalização da enfermagem brasileira, essa escola contava com a entrada de estudantes do sexo masculino2, diferente das escolas implementadas posteriormente. Com a difusão do modelo nightingaleano e angloamericano no Brasil, reconstrói-se a imagem da profissão, inspirando o modelo das novas escolas. Em 1923 é criada a Escola de Enfermeiras do Departamento Nacional de Saúde Pública, Rio de Janeiro, sob o modelo anglo-americano conhecida atualmente como Escola de Enfermagem Anna Nery, Universidade Estadual do Rio de Janeiro (EEAN/UFRJ). Com o Decreto nº 20.109, de 15 de Junho de 1931 a escola passa a ser considerada padrão para efeito de equiparação das demais3, esse modelo defendia e difundia a exclusividade do cuidado às mulheres no qual as alunas residiam dentro da escola, sob o regime de internato. Em 1949 foi promulgado o Decreto n° 27.426 que aprovou o regulamento básico para os cursos de enfermagem e de auxiliar de enfermagem, na qual permitiu a admissão de candidatos homens. O decreto deu possibilidade de escolha às escolas em aceitar ou não os alunos do sexo masculino, vale ressaltar ainda, que o Art. 67º dispunha sobre a possibilidade dos alunos homens serem dispensados dos estágios nas clínicas obstétrica e pediátrica4. No entanto a predominância feminina ainda é expressiva nos dias atuais, o estudo “Perfil da Enfermagem no Brasil", publicado em 2017, destaca a diferença numérica entre homens e mulheres na enfermagem sendo 85,5% mulheres e 14.4 % homens, por outro lado mostra tendência de crescimento para o grupo masculino5. No sentido de compreender esse processo em uma Escola de Enfermagem pública do Estado de São Paulo. Objetivo: Identificar e analisar a inserção dos estudantes do sexo masculino, na Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (EERP-USP), no periodo de 1974 a 1980. Método: Trata-se de pesquisa no campo da História, com domínio na História da Enfermagem e abordagem utilizando a História Oral Temática, visando gerar fontes sobre as experiências dos entrevistados6 e estabelecer interação com outros documentos. As entrevistas com os ex-alunos selecionados seguirão um roteiro semiestruturado. São fontes para o presente estudo documentos administrativos, arquivos do Centro de Memória, Arquivo permanente da Escola de Enfermagem de Ribeirão e da USP, Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional, arquivos municipais e outros de domínio público. A delimitação temporal refere-se ao ano de 1974, quando a EERP completa 21 anos, à delimitação temporal final no de 1980, quando a escola completa 27 anos. O projeto foi encaminhado ao Comitê de Ética em Pesquisa da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto e houve solicitação de autorização, para manuseio dos arquivos, às direções das instituições envolvidas. O projeto foi aprovado pelo CEP-EERP-USP em 14 de março de 2024, CAAE 77432623.3.0000.5393. Resultados: Entre 1974 e 1980, 323 enfermeiros se diplomaram pela EERP-USP, sendo 10 do sexo masculino (3.1%). Desses egressos, 6 foram localizados e concordaram em ceder entrevista, 2 são falecidos e 2 não foram localizados. As entrevistas serão realizadas no primeiro semestre de 2025. Discussão: O primeiro egresso homem da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto EERP-USP diplomou-se em 1967, quando a instituição já havia diplomado sua 11a. turma. Ja a Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo EEUSP, matriculou seu primeiro estudante do sexo masculino em 19507, esses dados mostra que ambas anteciparam-se vestibulares unificados na admisão de alunos homens, o que pode sugerir um movimento positivo da Universidade de São Paulo, na inserção dos homens na Enfermagem, ou mesmo, por reflexo das dificuldades de recrutamento do período. Pode-se ainda inferir, que o fato da EERP-USP ter constituído uma das primeiras Escolas de Enfermagem do Brasil a não exigir o internato8 pode ter causado impacto positivo na inserção do estudante do sexo masculino. Isso possibilitava, que alunos residissem com suas famílias ou em pensões da cidade. Considerações finais: Os dados de egresso ampliam o número de egresso do sexo masculino, visto que entre 1957 e 1973 a EERP diplomou 206 egressos, sendo 203 do sexo feminino e 3 (1,5%) do sexo masculino, nas turmas de 1967, 1968, 1972, respectivamente. O presente estudo abre a possibilidade de identificar a influência do papel do gênero nesta profissão, por meio do estudo de uma instituição, que possibilitará discussões sobre identidade profissional. Referências 1.Pereira, A. Reflexões sobre a evolução da enfermagem e o surgimento do homem na profissão. Acta Paul Enferm., v. 4, n. 2-4, p. 49-54, Dec. 1991. Disponível em: https://acta-ape.org/en/article/reflexoes-sobre-a-evolucao-da-enfermagem-e-o-surgimento-do-homem-na-profissao/ 2.Bessa, MN; Amorim, WM. Aspectos da formação Profissional na Escola de Enfermagem Alfredo Pinto (1943-1949). Escola Anna Nery, v. 10, n. 1, p. 64–74, abr. 2006. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S1414-81452006000100008. 3.Santos FBO; Carregal FAS; Schreck RSC; Marques RC; Peres MAA. Padrão Anna Nery e perfis profissionais de enfermagem possíveis para enfermeiras e enfermeiros no Brasil. Hist enferm Rev eletrônica [Internet]. 2020;11(1):10-2. Disponível em: https://periodicos.abennacional.org.br/here/article/view/70. 4.Souza, VC; Aperibense, PGGS; Miranda, PIG; Peres, MAA; Santos, FBO; Silva, CPG. Desdobramentos do primeiro vestibular unificado para a identidade profissional da Enfermagem brasileira. Revista Enfermagem UERJ, Rio de Janeiro, v. 31, n. 1, e73976, 2023. DOI: 10.12957/reuerj.2023.73976. Acesso em: 27 fev. 2025. 5.Machado, MH. (Coord. geral). Perfil da enfermagem no Brasil: relatório final. Rio de Janeiro: NERHUS - DAPS - ENSP/Fiocruz, Apoio: Ministério da Saúde / MS e Organização Pan-Americana da Saúde / OPAS/OMS. Convênio: Fiocruz/COFEN, 2017. http://www.cofen.gov.br/perfilenfermagem/pdfs/relatoriofinal.pdf. Acesso em: 01 fev 2025. 6. Meihy, JCSB. Manual de História Oral. 5ª ed. São Paulo: Edições Loyola, 2005. 7. Carvalho, AC. Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo. Resumo Histórico – 1942 – 1980. Rev . Esc . Enf. USP, São Paulo, v. 14, supl. p. 1-271 ago . 1980 8. Alcântara, G. Resenha Histórica da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Revista Brasileira de Enfermagem, São Paulo, v.15, n.2, p.88-91, 1962.
Título do Evento
7th Colloquium of the Brazilian Academy of Nursing History (ABRADHENF) e 2º Seminário Internacional de História da Enfermagem
Cidade do Evento
Salvador
Título dos Anais do Evento
Anais do 7th Colloquium of the Brazilian Academy of Nursing History (ABRADHENF) e 2º Seminário Internacional de História da Enfermagem do Programa de Pós-graduação em Enfermagem e Saúde da Escola de Enfermagem da Universidade Federal da Bahia
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

MATIAS, Gabriel Isaac; PAVÃO, Pâmela Eduarda Pinheiro Rosa; LUCHESI, Luciana Barizon. VIVÊNCIAS DE HOMENS EGRESSOS NA ESCOLA DE ENFERMAGEM DE RIBEIRÃO PRETO DE 1974-1980.. In: Anais do 7th Colloquium of the Brazilian Academy of Nursing History (ABRADHENF) e 2º Seminário Internacional de História da Enfermagem do Programa de Pós-graduação em Enfermagem e Saúde da Escola de Enfermagem da Universidade Federal da Bahia. Anais...Salvador(BA) Colégio Militar de Salvador, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/7-abradhenf-e-2-seminario-internacional-historia--enfermagem/1095722-VIVENCIAS-DE-HOMENS-EGRESSOS-NA-ESCOLA-DE-ENFERMAGEM-DE-RIBEIRAO-PRETO-DE-1974-1980. Acesso em: 30/08/2025

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