Título do Trabalho
HISTORIOGRAFIA DA AROMATERAPIA: DOS RITUAIS À PROFISSIONALIZAÇÃO NO CAMPO DA ENFERMAGEM BRASILEIRA.
Autores
  • Pâmela Eduarda Pinheiro Rosa Pavão
  • Luciana Barizon Luchesi
Modalidade
Resumo Expandido
Área temática
1. Enfermagem ao longo da história;
Data de Publicação
15/07/2025
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
Português
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/7-abradhenf-e-2-seminario-internacional-historia--enfermagem/1092841-historiografia-da-aromaterapia--dos-rituais-a-profissionalizacao-no-campo-da-enfermagem-brasileira
ISBN
978-65-272-1583-7
Palavras-Chave
História da Enfermagem, Aromaterapia, Enfermagem, Rituais
Resumo
Introdução: As Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) são atividades terapêuticas de prevenção, promoção e recuperação da saúde para que o processo de cuidado seja centrado na pessoa, no meio ambiente e na sociedade¹. Por considerar o ser humano em sua integralidade, singularidade e complexidade essas Medicinas Tradicionais Complementares e Integrativas (MTCI) são consideradas pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) um modelo de cuidado à saúde². Seguindo as diretrizes da Declaração de Alma-Ata à Atenção Primária à Saúde, e da 8ª Conferência Nacional de Saúde³, o Ministério da Saúde (MS) implementou a Portaria nº 971/2006, aprovando a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) instituindo as PICS no Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro. Em 2006, a PNPIC regulamentou cinco práticas4. Posteriormente, duas novas portarias foram implementadas, a Portaria nº 702/2018, alterou a Portaria de 2017 e inclui 10 PICS, sendo uma delas a aromaterapia, contemplando 29 PICS. A aromaterapia é uma PICS conceituada como prática terapêutica com o uso intencional de óleos essenciais (OE) para promover ou melhorar a saúde, o bem estar e a higiene5. Para Festy6 e Lavabre7 a aromaterapia é definida como arte de cuidar através da utilização dos OE. Para alcançar seus diversos empregos terapêuticos são utilizadas diferentes vias de administração, como: respiratória, olfatória, cutânea e oral8. Na enfermagem, as PICS foram reconhecidas como especialidade e/ou qualificação, na Resolução do Cofen nº 197/1997, como práticas alternativas, essa resolução foi revogada pelo Cofen pela resolução nº 0500/20159. Em 2018, a Resolução do Cofen n° 581 reconhece a Enfermagem em PICS como especialidade de pós-graduação lato sensu no âmbito do COFEN e COREN10. A Resolução COFEN n° 739/2024 normatiza e respalda a atuação da enfermagem nas 29 PICS dispostas na PNPIC, desde que esses profissionais estejam devidamente capacitados. No caso da aromaterapia, trata-se de prática, que se estende a toda a equipe de enfermagem, propondo um curso mínimo de 120 horas11. O termo foi cunhado por René-Maurice Gattefossé (1981-1950). Apesar do termo ter sido delineado no século XX, as populações egípcias, chinesas, indianas, originários e outras, apresentam em sua história os princípios da aromaterapia, iniciado pelo emprego das plantas aromáticas na forma de fumigação, unguentos, argila, fitoterapia e preparações oleoaromáticas para uso em rituais, inalação, massagens, purificação do corpo e espírito e no uso da medicina8. Com o tempo, essa prática se profissionalizou adentrando no campo da ciência, mas não se pode esquecer seu início ritualístico na ancestralidade humana. Objetivos: Identificar vestígios sobre a evolução do uso da aromaterapia no cuidado aos seres humanos, e sua introdução na enfermagem brasileira como especialidade. Métodos: Estudo no campo da história, dentro da dimensão da História da Enfermagem utilizando-se da análise documental. A importância dos estudos em história da enfermagem implica conhecer os desdobramentos da profissão, analisando origens, fundamentos, trajetória e o que gerou a mudança histórica da enfermagem, para que haja maior compreensão da mesma. A análise do estudo está pautada na operação historiográfica, com uso da análise documental, que realiza o estudo de fontes históricas, que são compreendidas como todos os produtos de atividade humana do passado, que poderão sofrer uma análise histórica. A análise documental possibilita que diferentes discursos sejam comparados12. A operação historiográfica leva em consideração o local que as pesquisas históricas serão produzidas, pois estas articulam-se com a economia, política e cultura do mesmo, dessa forma acaba sendo submetida a imposições, privilégios, particularidades e a análise de diferentes perspectivas, e em função disso as questões levantadas irão ser propostas e organizadas, instaurando-se um método13. O conjunto de documentos finais (fontes) constituem um corpus documental que sustenta a análise. As fontes documentais desse estudo são constituídas de livros de história geral, história da enfermagem, teses, dissertações, artigos científicos e outros documentos relacionados a história do cuidado. A delimitação temporal compreenderá desde o início da humanidade até o estabelecimento da aromaterapia enquanto especialidade da enfermagem pelo Cofen em 2018. Os locais de busca para a pesquisa serão a biblioteca da USP, Hemeroteca Digital, Museus de História da Saúde da Medicina e da Enfermagem e arquivos digitais nacionais e internacionais e bases de dados de pesquisa. O presente projeto está pautado pela Resolução CNS nº. 466/2012, tratando-se de uma análise documental, não envolvendo seres humanos, dispensa submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa. Em relação aos acervos privados será solicitada autorização para busca documental. Resultados: Os ritos eram maneiras de agir ou estruturar cerimônias realizadas por um feiticeiro para tratar doenças e lesões, questões consideradas sagradas e causadas por espíritos malignos que deveriam ser expulsas e exorcizadas do corpo acometido. Os ritos precederam a assistência à saúde atual, em vista disso, a saúde-doença deve se basear na interpretação da cultura, rituais, religião e mitos de uma sociedade14. Os rituais religiosos/médicos, com propósito de cura das enfermidades, foram se especializando em diferentes culturas, agregando significados próprios para seu uso, não podendo esquecer de seu início ritualístico na ancestralidade humana. A revisão de literatura realizada até o momento permitiu identificar, que a prática da aromaterapia remete ao processo da fumigação, aplicação da queima de ervas e madeiras aromáticas, ato ritualístico comum desde a origem da humanidade. Ao queimar determinadas plantas aromáticas, são liberados OE, e além da fragrância agradável que permeia o ambiente, as propriedades terapêuticas dos OE agem no físico, psíquico, emocional e nos aspectos espirituais das pessoas que estão presentes no ritual realizado7. No mais, o processo de coleta de dados ainda está em processo. Discussão: Transformações sociais, econômicas e culturais marcaram o decorrer da década de 1960. Nesse período, os ritos inalteráveis, repetitivos, entendidos como magia e superstição passaram por um processo de declínio no interesse social em relação aos conhecimentos científicos racionais. Entretanto, mesmo não sendo socialmente centrais, atualmente continuam a fazer parte da estrutura da sociedade15. Considerações Finais: A possibilidade do olhar histórico, permite aprofundar no campo da história, cultura dos cuidados, que envolve a análise das mudanças de práticas rituais para o campo científico da enfermagem. Os avanços nessa área propiciam aprofundamento do conhecimento sobre a identidade profissional e as transformações de suas práticas. A aromaterapia integra o imaginário das pessoas, ao crerem tratar-se de fragrâncias, perfumes e magia7. No entanto, Gattefossé conseguiu compreender com os estudos realizados por diferentes estudiosos que a aromaterapia possui um processo evolutivo, científico e empírico, afirmando a necessidade de associar o uso prazeroso dos OE, proporcionado pelo olfato, com suas potencialidades terapêuticas para a saúde16. A compreensão da estrutura cultural de uma sociedade contribui para as significações do processo saúde-doença, e consequentemente para os cuidados de saúde e enfermagem. Nesse sentido, é necessário o entendimento dos símbolos e signos multiculturais a partir da visão técnico-científica14. Referências: 1.Brasil. Ministério da saúde. Práticas Integrativas e Complementares em Saúde. Brasília: Ministério da Saúde; 2025. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/pics#:~:text=As%20Pr%C3%A1ticas%20Integrativas%20e%20Complementares,humano%2C%20meio%20ambiente%20e%20sociedade. Acesso em: 23 mar. 2025. 2.OPAS. Organização Pan-Americana de Saúde. Medicinas tradicionais, complementares e integrativas. 2025. Disponível em: https://www.paho.org/pt/topicos/medicinas-tradicionais-complementares-e-integrativas. Acesso em: 23 mar. 2025. 3. COFFITO. Práticas Integrativas e Complementares em saúde-PICS. Disponível em: https://coffito.gov.br/campanha/pics/index.php?nome=principal#geral. Acesso em: 24 mar. 2025. 4.Brasil. Portaria n° 971, de 3 de maio de 2006. Aprova a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) no Sistema Único de Saúde (SUS). Ministério da Saúde, 2006. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2006/prt0971_03_05_2006.html. Acesso em: 28 fev. 2025. 5. Brasil. Portaria n°702, de 21 de março de 2018. Altera a Portaria de Consolidação n° 2/GM/MS, de 28 de setembro de 2017, para incluir novas práticas na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares - PNPIC. Ministério da Saúde, 2018. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2018/prt0702_22_03_2018.html. Acesso em: 14 de fev. 2025. 6. Festy, D. A bíblia dos óleos essenciais. 1 ed. [Tradução: Mayra Corrêa e Castro]. Belo Horizonte: Lazlo, 2021.784p. ISBN: 978-65-88115-07-7. 7. Lavabre, M. Aromaterapia: a cura pelos óleos essenciais. [Tradução: Cecília Barbosa], Belo Horizonte: Editora Lazlo, 2018. 370p. ISBN: 978-85-5754-035-4. 8. Baudoux, D. O grande manual da aromaterapia de Dominique Baudoux. 1ed. Belo Horizonte: Editora Lazlo, 2018. 674p. ISBN: 9788557540231. 9. COFEN. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 197/ 1997- Revogada pela resolução Cofen nº 500/2015. Disponível em: http://www.cofen.gov.br/resoluo-cofen-1971997_4253.html. Acesso em: 28 fev. 2025. 10. COFEN. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 581/2018- Alterada pela resolução Cofen nº 625/2020 e decisões do Cofen nº s 065/2021 e 120/2021. Disponível em: http://www.cofen.gov.br/resolucao-cofen-no-581-2018_64383.html. Acesso em: 28 fev. 2025. 11. COFEN. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen n° 739 de 05 de fevereiro de 2024. Normatiza a atuação da Enfermagem nas Práticas Integrativas e Complementares em Saúde. Disponível em: https://www.cofen.gov.br/resolucao-cofen-no-739-de-05-de-fevereiro-de-2024/, Acesso em: 28 fev. 2025. 12. Oguisso, T; Campos, PFS.; Freitas, GF. [Org.] Pesquisa Documental. 2.ed. Barueri, SP: Manole Ltda, 2011. 13. Certeau, M. A operação historiográfica. A Escrita da História. 3.ed. Tradução: Maria de Lourdes Menezes; revisão técnica: Arno Vogel.. Rio de Janeiro: Forense, 2015. p.45-68. ISBN: 978-85-309-3573-3. 14. Siles Gonzáles, J. Historia de la enfermería. Difusión Avances de Enfermería: Madrid. 2011. ISBN: 978-84-92815-12-8. 15. Segalen, M. Ritos e rituais contemporâneos. 1ed. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2022. 164p. ISBN: 852250377X. 16. Gattefossé, RM. Aromaterapia e os óleos essenciais. [Tradução: Alexandre Cardoso]. Alma dos Livros. 1ed. 2021.
Título do Evento
7th Colloquium of the Brazilian Academy of Nursing History (ABRADHENF) e 2º Seminário Internacional de História da Enfermagem
Cidade do Evento
Salvador
Título dos Anais do Evento
Anais do 7th Colloquium of the Brazilian Academy of Nursing History (ABRADHENF) e 2º Seminário Internacional de História da Enfermagem do Programa de Pós-graduação em Enfermagem e Saúde da Escola de Enfermagem da Universidade Federal da Bahia
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

PAVÃO, Pâmela Eduarda Pinheiro Rosa; LUCHESI, Luciana Barizon. HISTORIOGRAFIA DA AROMATERAPIA: DOS RITUAIS À PROFISSIONALIZAÇÃO NO CAMPO DA ENFERMAGEM BRASILEIRA... In: Anais do 7th Colloquium of the Brazilian Academy of Nursing History (ABRADHENF) e 2º Seminário Internacional de História da Enfermagem do Programa de Pós-graduação em Enfermagem e Saúde da Escola de Enfermagem da Universidade Federal da Bahia. Anais...Salvador(BA) Colégio Militar de Salvador, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/7-abradhenf-e-2-seminario-internacional-historia--enfermagem/1092841-HISTORIOGRAFIA-DA-AROMATERAPIA--DOS-RITUAIS-A-PROFISSIONALIZACAO-NO-CAMPO-DA-ENFERMAGEM-BRASILEIRA. Acesso em: 31/08/2025

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