A CONSTRUÇÃO DA IDEOLOGIA RACIAL: COMO O MITO BARTHESIANO NOS AJUDA NA COMPREENSÃO DO CONCEITO DE RAÇA?

Publicado em 02/10/2024 - ISBN: 978-65-272-0753-5

Título do Trabalho
A CONSTRUÇÃO DA IDEOLOGIA RACIAL: COMO O MITO BARTHESIANO NOS AJUDA NA COMPREENSÃO DO CONCEITO DE RAÇA?
Autores
  • Adrian Castro Azevedo
Modalidade
GT 17: Questões de raça e racialização nos estudos do discurso: mapeando linguagens, teorizações e objetos na história presente - Jefferson Campos e Rodrigo Pedro Casteleira
Área temática
Discurso
Data de Publicação
02/10/2024
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/1cinalc-e-v-coloquio-raca-e-interseccionalidades-387936/800240-a-construcao-da-ideologia-racial--como-o-mito-barthesiano-nos-ajuda-na-compreensao-do-conceito-de-raca
ISBN
978-65-272-0753-5
Palavras-Chave
Estudos semióticos, Filosofia da raça, Mito e Racialização
Resumo
Este trabalho pretende discorrer acerca das possíveis relações existentes entre a concepção do mito barthesiano e a fundamentação do conceito de raça, com o intuito de compreender a convenção da ideologia racial a partir dos estudos do discurso. Seguindo as críticas contemporâneas ao conceito de raça, almeja-se descrever sua manifestação na modernidade enquanto um elemento discursivo e opressivo, como também sua perpetuação no mundo contemporâneo, buscando conceber o caráter mitológico do fenômeno “raça” através da exposição de sua ação parasitária com os comunicadores da realidade. Propondo um elo entre a teoria barthesiana e a filosofia da raça, justifica-se este trabalho pelo comum interesse de ambas na acusação de abusos ideológicos, presentes em nossas significações pautadas por uma estrutura hegemônica. Para isso, exploraremos a segunda parte da obra "Mitologias" de Roland Barthes, em uma leitura semiótica para pensar o mito enquanto modo de significação interventor dos signos da linguagem, com o intuito de esvaziá-los e lhes dar novos significados. Nestes termos, o mito se vale de um signo e o transforma em significante do sistema semiológico mítico, criando então um significado para atrelar-se a este significante. Movido pela intencionalidade da consciência significadora, ele gera um segundo sistema semiológico baseado no primeiro. Depauperando a realidade para gerar a ambiguidade e o falseamento na linguagem, o mito se torna responsável pela transformação de uma "antiphysis" em "pseudophysis". Em consonância, serão abordadas as obras "Crítica da Razão Negra" de Achille Mbembe, e "Negritude sem identidade: Sobre as narrativas singulares das pessoas negras", de Érico Andrade, visando demonstrar as nuances de um projeto de fabulação da realidade, que possibilitou a mitificação de um conceito chave para a fundação da raça enquanto unidade de diferença entre os povos: o conceito de humanidade. Dando atenção às teorias filosóficas do período moderno que denegaram características humanas aos diversos povos africanos e americanos, ao mesmo tempo que fantasiaram a superioridade dos povos europeus, se elucidará a construção do conceito de raça na modernidade como resultado do colonialismo e do pensamento que lhe fundamentava, com foco no falseamento do conceito de Humanidade. Na produção de uma “hierarquia dos humanos”, a estratégia do projeto moderno da fantasia de um ser ideal cunhado no europeu amplificou os preconceitos nutridos durante a história, se convencionando enquanto produto ideológico a raça. Neste sentido, “o mundo das palavras e dos signos autonomizou-se a tal ponto que não se tornou apenas uma tela para a apreensão do sujeito, de sua vida e das condições de sua produção, mas uma força em si, capaz de se libertar de qualquer vínculo com a realidade” (Mbembe, 2018, p. 32). Partindo da análise dedutiva e bibliográfica destas produções, assim como do resultado de sua sobreposição, ela se compromete com a demonstração de como a teoria do mito barthesiano auxilia no entendimento da ideologia racial em seu formato mais nuclear, com o ímpeto de concluir que, tal qual o mito de Barthes, o conceito de raça busca fantasiar o convencionado como natural, a "antiphysis" como "pseudophysis", o discursivo como ontológico.
Título do Evento
I CINALC e V Colóquio Raça e Interseccionalidades
Cidade do Evento
Rio de Janeiro
Título dos Anais do Evento
Discursos, Memórias Negras e Esperança na América Latina
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

AZEVEDO, Adrian Castro. A CONSTRUÇÃO DA IDEOLOGIA RACIAL: COMO O MITO BARTHESIANO NOS AJUDA NA COMPREENSÃO DO CONCEITO DE RAÇA?.. In: Discursos, Memórias Negras e Esperança na América Latina. Anais...Rio de Janeiro(RJ) Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, 2024. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/1cinalc-e-v-coloquio-raca-e-interseccionalidades-387936/800240-A-CONSTRUCAO-DA-IDEOLOGIA-RACIAL--COMO-O-MITO-BARTHESIANO-NOS-AJUDA-NA-COMPREENSAO-DO-CONCEITO-DE-RACA. Acesso em: 02/08/2026

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