A Sociologia nasce da inquietação do
humano de conhecer-se no processo de devir histórico, frente às mudanças
civilizatórias, enquanto sujeito e sua constituição enquanto coletividade e
atuação no mundo. Esta inquietação se enraíza nas Ciências Sociais através da
insurgência de questionamentos, hipóteses, explicações e interpretações que não
se fundam no vazio, mas no desejo de alcançar, pelo trabalho científico,
ilações para o futuro – como nas palavras de Clóvis Moura (1978).
A temática “Sociologia em
Movimento: saberes contra-hegemônicos e futuros desde o Sul” propõe uma
reflexão crítica sobre as bases eurocêntricas que historicamente moldaram as
ciências sociais, questionando seus paradigmas e suas limitações na compreensão
das realidades do Sul Global. Trata-se de um movimento intelectual e político
que visa desconstruir o pensamento hegemônico e abrir espaço para
epistemologias indígenas, africanas e latino-americanas que foram silenciadas
pelos processos coloniais e pelas hierarquias de conhecimento. Inspirada por
autoras e autores como Frantz Fanon, Lélia Gonzalez, Beatriz Nascimento, Ailton
Krenak e Achille Mbembe, essa perspectiva decolonial reivindica a legitimidade
de saberes locais, comunitários e ancestrais, além de propor uma crítica
profunda ao colonialismo intelectual e cultural ainda presente nas instituições
acadêmicas.
Nessa direção, a sociologia assume
um papel transformador ao se articular com os movimentos sociais e resistências
populares que emergem no Sul Global, como as lutas por terra, pelos direitos
indígenas, pelo combate ao racismo e pela justiça ambiental. A busca por “futuros
desde o Sul” implica imaginar alternativas de desenvolvimento pautadas
na solidariedade, rompendo com as lógicas de exploração da globalização
neoliberal. Descolonizar o currículo, valorizar metodologias participativas e
reconhecer a pluralidade de saberes são passos fundamentais para a construção
de uma sociologia comprometida com a justiça social e epistêmica
O
presente e o contemporâneo são sempre vivenciados como pontos densos de
transição das estruturas sociais e de mudanças nas relações de agenciamento,
sejam institucionais, àquelas do cotidiano ou mesmo nas elaborações afetivas da
vida íntima. O 3º Seminário Discente do PPGS/UFC visa criar espaços de
fala e escuta para pensar as grandes questões clássicas da Sociologia ou
problemas emergentes das últimas transformações tecnológicas, da emergência de
uma nova razão política e econômica e, especialmente, fazer frente de luta
contra os processos de exploração e de destituição dos saberes, das
epistemologias, da atividade política e da pesquisa científica dos
trabalhadores do campo acadêmico e escolar do Sul Global. Ressaltamos que também
são bem-vindas as pesquisas cujo aporte teórico sustenta-se em escolas e
tradições do pensamento características do Eixo Norte/Ocidental, uma vez que
são construídas, questionadas, imaginadas e refletidas pelas pesquisadoras e
pesquisadores que são sujeitos territorializados, marcados por estruturas
sociais e modos de relação intersubjetiva com problemas próprios do processo de
colonização.
O evento será realizado de forma
híbrida, nas modalidades: presencial e online (via Google Meet),
nos dias 11, 12 e 13/03/2026, na Universidade Federal do Ceará
(UFC) no campus do Benfica, na cidade de Fortaleza/CE - Brasil. A programação
contará com mesas-redondas, minicursos e oficinas, pelas quais serão debatidos conhecimentos
voltados à reflexão crítica sobre os saberes contra-hegemônicos e as
perspectivas sociológicas do Sul Global. Além destes, este evento acolherá
Sessões Temáticas que priorizarem propostas de trabalhos, nas modalidades: resumo
simples, resumo expandido e artigos completos, que dialoguem com a temática
central do encontro e suas linhas de discussão.