REVOLUÇÃO OU READAPTAÇÃO: POR UMA PSICOLOGIA RUMO A UMA EXISTÊNCIA CRÍTICA, DIVERSA E EMANCIPADA
É com grande entusiasmo que anunciamos o tema da XXXIII Semana e XX Congresso de Psicologia da Unesp!
Neste ano, propomos uma reflexão sobre o papel da Psicologia diante dos desafios políticos, sociais e econômicos que atravessam a realidade contemporânea. Em um contexto marcado pelo avanço de discursos conservadores e pela intensificação de formas de opressão e exclusão, questionamos: a Psicologia deve apenas auxiliar sujeitos a se readaptarem às condições existentes ou pode contribuir para a transformação radical da sociedade?
Ao trazer a ideia de revolução, buscamos refletir sobre os caminhos possíveis para uma Psicologia comprometida com a crítica social, com a diversidade e com a luta pela superação das estruturas que produzem sofrimento, exploração e desigualdade. Para além de compreender o mundo, trata-se de pensar como podemos atuar para transformá-lo radicalmente.
Essas discussões estarão presentes nas mesas, oficinas, minicursos e demais atividades do evento, reunindo diferentes perspectivas teóricas e práticas em torno dos desafios da formação e atuação em Psicologia na atualidade.
No cerne da construção enquanto ciência e profissão, a Psicologia caminha sobre uma linha tênue, disputada por forças antagônicas. Em suas origens, não raras vezes, operou como uma engrenagem de normatização, suas ferramentas foram utilizadas para higienizar espaços sociais, medir capacidades para a esteira de produção capitalista, assim como uma parte generosa do caminho em que a Psicologia se fundamentou, foi sob o rio de sangue produzido pelas guerras que os países imperialistas decretaram sob os paises dados como terceiro mundistas, para obter os melhores soldados e suas aptidões para ceifar vidas e silenciar condutas consideradas "desviantes". A promessa era a do ajustamento. A cura, sob este prisma, era sinônimo de readaptar o indivíduo a uma engrenagem social estruturalmente adoecedora. Existe cura individual para problemas coletivos?
No entanto, a história da Psicologia também é atravessada por tensões e transgressões. Das lutas antimanicomiais às psicologias latino-americanas da libertação, profissionais e movimentos sociais em conjunto tensionaram esse suposto saber, exigindo que ele deixasse de ser um cão de guarda da moralidade das elites para se tornar um instrumento de transformações sociais. Hoje, essa encruzilhada histórica se apresenta com urgência renovada. Afinal a Psicologia é feita de quem para quem?
Vivemos um tempo marcado pelo esgotamento neoliberal, onde o sofrimento é privatizado e devolvido ao indivíduo sob o imperativo da "resiliência" e da hiperprodutividade. Paralelamente, assistimos à violenta ofensiva de discursos conservadores que buscam patologizar a diversidade e reerguer as fronteiras da cisheteronormatividade. O sujeito contemporâneo é cobrado, a todo instante, a se moldar a um mundo que o oprime e coloca os sujeitos uns contra os outros, com a ilusão de que a ascensão social é real e basta se dedicar que o céu é o horizonte. A vida não é útil, precisamos mesmo de arranha-céu?
Diante desse cenário, a XXXIII Semana e o XX Congresso de Psicologia da Unesp Bauru recusa a falsa neutralidade e propõe um questionamento radical: qual é o nosso projeto ético-político? O congresso se ergue como um manifesto contra a "readaptação" resignada a uma sociedade desigual. Ao invés de curativos para suportar a opressão, o evento convoca a Psicologia a assumir seu potencial revolucionário. Em diálogo com saberes interseccionais, o congresso é um chamado para construirmos, coletivamente, práticas que sustentem uma existência verdadeiramente crítica, plural e emancipada, onde o compromisso do psicólogo não seja com a manutenção da norma, mas com a potência da vida em todas as suas formas.
No entanto, a história da Psicologia também é atravessada por tensões e transgressões. Das lutas antimanicomiais às psicologias latino-americanas da libertação, profissionais e movimentos sociais em conjunto tensionaram esse suposto saber, exigindo que ele deixasse de ser um cão de guarda da moralidade das elites para se tornar um instrumento de transformações sociais. Hoje, essa encruzilhada histórica se apresenta com urgência renovada. Afinal a Psicologia é feita de quem para quem?
Vivemos um tempo marcado pelo esgotamento neoliberal, onde o sofrimento é privatizado e devolvido ao indivíduo sob o imperativo da "resiliência" e da hiperprodutividade. Paralelamente, assistimos à violenta ofensiva de discursos conservadores que buscam patologizar a diversidade e reerguer as fronteiras da cisheteronormatividade. O sujeito contemporâneo é cobrado, a todo instante, a se moldar a um mundo que o oprime e coloca os sujeitos uns contra os outros, com a ilusão de que a ascensão social é real e basta se dedicar que o céu é o horizonte. A vida não é útil, precisamos mesmo de arranha-céu?
Diante desse cenário, a XXXIII Semana e o XX Congresso de Psicologia da Unesp Bauru recusa a falsa neutralidade e propõe um questionamento radical: qual é o nosso projeto ético-político? O congresso se ergue como um manifesto contra a "readaptação" resignada a uma sociedade desigual. Ao invés de curativos para suportar a opressão, o evento convoca a Psicologia a assumir seu potencial revolucionário. Em diálogo com saberes interseccionais, o congresso é um chamado para construirmos, coletivamente, práticas que sustentem uma existência verdadeiramente crítica, plural e emancipada, onde o compromisso do psicólogo não seja com a manutenção da norma, mas com a potência da vida em todas as suas formas.