Analisar o mundo em que vivemos possibilita uma reflexão a partir de diferentes escalas. Por um entendimento de mundo, a conjuntura se apresenta com inúmeros retrocessos, como a perseguição a imigrantes por governos de extrema direita, o crescimento dos discursos de ódio potencializados pela internet e o agravamento das mudanças climáticas. O Brasil acompanha a tendência mundial, destacando-se a institucionalidade desses retrocessos, como por exemplo, o Novo Ensino Médio e o PL da Devastação. Essa realidade é o meio e o resultado da manutenção do capitalismo, de forma que conduz ao privilegiamento de um sistema político dominado pelas elites. Entretanto, analisar o mundo também diz respeito às vivências de cada sujeita/sujeito, ou seja, de um corpo que compõe um coletivo que também devem ser consideradas e compartilhadas. O papel da Geografia para a XVIII Semana Acadêmica de Geografia é refletir a partir dessas vivências que são individuais, mas ao mesmo tempo, coletivas no mundo, em seu contexto material e imaterial, como também compreender as sujeitas e os sujeitos que produzem o espaço e seus territórios. Esse entendimento acompanha dois sentidos da canção de Siba e Fuloresta, inspiração para o tema desta SAG. Por um lado, pensar a partir de sujeitas e sujeitos que “tiram o mundo do lugar”, assim sendo, aquelas e aqueles que vão de encontro ao sistema atual e que resistem aos retrocessos sociais/territoriais, propondo outras leituras de mundo. Por outro lado, sujeitas e sujeitos que são diretamente oprimidos por essa conjuntura, como movimentos sociais, grupos marginalizados, trabalhadoras/trabalhadores, comunidades tradicionais, e que por isso, também têm seu(s) mundo(s) “tirados do lugar”. Afinal, “toda vez que eu dou um passo, o mundo sai do lugar, eu vivo no mundo com medo do mundo me atropelar”. Por fim, a Semana Acadêmica provoca a pensar como caminhar em conjunto com essas outras leituras de mundo propostas por sujeitas/sujeitos coletivamente, bem como, de que forma profissionais da geografia podem atuar a fim de resistir às diversas opressões, lutando por justiça social/territorial na ciência geográfica. Nesse sentido, afirma-se que a ciência não é, nunca foi, e não poderá ser neutra, mas sim buscar por responsabilidade social e política, ética e resistência, acompanhando a escala das vivências de sujeitas e sujeitos!