XVIII Encontro de História da Arte da UNICAMP - 2024

XVIII Encontro de História da Arte da UNICAMP - 2024

presencial Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas - IFCH/UNICAMP - Campinas - São Paulo - Brasil

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Sobre o evento

O Encontro de História da Arte da UNICAMP é um evento anual organizado pelos discentes do Programa de Pós Graduação em História do IFCH - Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas. 

Este ano, o evento contará com o tema "Reapropriar e Reescrever" e acontecerá entre os dias 7 e 11 de outubro de 2024, no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UNICAMP. R. Cora Coralina, 100 - Cidade Universitária, Campinas - SP, 13083-896

Para mais informações, acesse o edital:

https://drive.google.com/file/d/1GvPhYI0jAEr8ZlwwNQlDZv8DfNEmS-ZO/view?usp=sharing 

Acompanhe atualizações do evento através do nosso Instagram: @eha_unicamp ou nossa página no Facebook: https://www.facebook.com/ehaunicamp 

Apoio e Design: Stefani Reis de Souza


Texto de Apresentação

Vista a partir da sua potencialidade para pensar o presente, a História da Arte se desvela  como uma coexistência de tempos. É constituída de fragmentos e vestígios, como imagens e gestos do passado que atravessam por brechas e irrompem, no agora, com novos sentidos. Em suas diferentes temporalidades, os historiadores e os artistas se apropriam dessas imagens para a construção de novas narrativas, ao passo que são atravessados pelos seus próprios gestos de (re)apropriação.


É a partir do século XX que significativa atenção se volta às práticas de reapropriação como instrumentos de subversão das histórias oficiais. Reusos tornaram-se uma ferramenta de destaque desde as vanguardas históricas. Os papiers collés cubistas rompiam o isolamento do plano pictórico, e o collage surrealista fazia da reconfiguração de imagens uma porta para o indizível. O ready-made dadaísta, por sua vez, lograva subverter de uma só vez o lugar social dos objetos e as convenções sociais da arte. Esses aprendizados foram recobrados pelas novas vanguardas do pós-guerra, das maneiras mais diversas. Arte pop, novo realismo, arte conceitual, todas essas variantes apresentaram suas releituras do ready-made. Em uma chave mais abertamente politizada, o  détournement situacionista, propunha o “desvios” de "elementos estéticos pré-fabricados" para contestar as ideias de propriedade intelectual  e o fetichismo da cultura. Com isso, abriam caminho para que essas ferramentas de ressignificação deixassem o campo estrito da arte de vanguarda e se tornassem instrumentos estético-políticos dos movimentos sociais renovados pela contracultura - como nos movimentos feministas e LGBTQIA+, os filmes de arquivo, ou found footage, com a montagem fílmica sendo usada para corromper e promover rupturas em imagens patriarcais e heteronormativas, dando voz a narrativas marginalizadas.


No agora, as rupturas se fazem necessárias no campo das narrativas historiográficas oficiais que moldaram uma única História da Arte. À luz dos estudos decoloniais, ao pensar-se em apropriações, questiona-se as práticas coloniais exercidas pela branquitude no ontem e no hoje. Nas souvenir arts, o sequestro de materiais e objetos dos “novos mundos” como peças colecionáveis materializavam a experiência do exótico, principalmente na Europa dos séculos XVII, XVIII e XIX. Neste contexto, a concepção da Arte encontrou-se impregnada por padrões de dominação e exotização, com concepções eurocêntricas de ordem e classificação - como visto nos Wunderkammern, ou gabinetes de curiosidades, coleções aristocráticas de objetos considerados “exóticos” que contribuiam para a legitimação e reforço de poderes coloniais. Esses e outros roubos culturais impostos pelo imperialismo nas populações negras e indígenas reverberam em como se contesta e em como se procura inverter os sentidos em volta da ideia de “apropriação”, ou ainda, de “ressignificação” no tempo presente. 


Num esforço para reescrever o curso da história da arte, os artistas recorrem à reapropriação de discursos, imagens, arquivos, materiais e práticas como meio de reestruturar a memória e a identidade de grupos frequentemente excluídos de narrativas convencionais.  Nas obras de Rosana Paulino e Denilson Baniwa, a potencialidade do reuso das imagens aparece no deslizamento de seus significados, a partir da transformação de arquivos coloniais. Com Daiara Tukano, a apropriação das técnicas não-indígenas (TNI) destaca-se como possibilidade de decolonização artística, em um movimento de recodificação da prática como discurso e de reantropofagia. Na obra “Carta ao Velho Mundo” (2018/2019) de Jaider Esbell, com a superposição de mensagens políticas sobre obras clássicas no livro “Galleria Della Pittura Universal”, a apropriação do cânone é um lembrete: o velho mundo está morrendo, levando consigo suas formas dominantes de representação. Nestes gestos, os artistas invertem o sentido colonial das práticas de apropriação que foram e são utilizadas pela branquitude e reinventam suas próprias formas de (re)apropriação a partir da sua potencialidade de reescrita. 


Impulsionados por estas e tantas outras questões, os discentes da Pós-Graduação em História da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) convidam para o XVIII Encontro de História da Arte (EHA), que este ano será um espaço de reflexão sobre as múltiplas formas de romper, desviar, ressignificar, e reescrever a História da Arte.  Com o tema “Reapropriar e Reescrever”, a edição trará mesas, conferências e apresentações de trabalhos que se relacionam às interfaces e potencialidades crítico-epistêmicas da Arte enquanto instrumento de subversão, renovação e reinvenção constante.

Cronograma

Etapa 1:

Inscrições de propostas de comunicação: 10/06/2024 a 16/06/2024


Etapa 2:

Divulgação dos trabalhos aprovados: 20/07/2024


Etapa 3:

Pagamento da taxa de participação para aprovados: 21/07/2024 a 31/07/2024


Etapa 4:

Divulgação da programação de palestras: 21/08/2024


Etapa 5:

Início da inscrição de ouvintes: 21/08/2024


Etapa 6:

Divulgação da programação provisória das mesas de comunicação: 21/08/2024


Etapa 7:

Divulgação da programação definitiva do evento: 07/09/2024


Etapa 8:

Realização do evento: 07/10/2024 a 11/10/2024


Etapa 9:

Entrega do texto para publicação: 31/01/2024


O cronograma de atividades está sujeito à modificações, que serão divulgadas através das redes sociais do evento.

Propostas de Comunicação

Os interessados em apresentar trabalho nas mesas de comunicação devem preencher o Formulário Google (a ser divulgado no site e nas redes sociais do evento), a fim de serem avaliados pela comissão organizadora, observando o período de inscrição. 

É permitido o envio de até uma proposta de comunicação. Trabalhos em coautoria são permitidos desde que correspondam à efetiva participação das partes.

A submissão pedirá:

  • Resumo da proposta de comunicação (entre 300 e 400 palavras)

Espera-se um texto sintético que contenha: o objeto/tema da pesquisa e o eventual recorte espacial e cronológico estabelecido (O quê? Quando? Onde?); a problemática, os objetivos e/ou a justificativa para desenvolvimento do trabalho (Qual a pergunta que move o seu trabalho? Por que ela merece atenção?); a forma como você pretende alcançar seus objetivos e as fontes e/ou referenciais teóricos que serão empregados (Como você vai fazer isso?).

  • Referências Bibliográficas (entre 3 e 5)

  • Palavras-chave (entre 3 e 5)

Público Alvo:

Profissionais ligados ao campo da História da Arte, História Cultural e do Patrimônio, Midialogia, Comunicação, Cinema, Cultura Visual e demais áreas afins, incluindo professores e alunos de cursos de graduação e pós-graduação, pesquisadores, profissionais de museus, arquivos, bibliotecas, serviços de patrimônio, centros culturais e outras instituições.

As comunicações não precisam necessariamente ser sobre o tema do evento. As propostas podem ser relacionadas a todas as questões da História da Arte. Os eixos temáticos das mesas de comunicação serão definidos depois, de acordo com as comunicações aprovadas. 

Local do Evento

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