Simpósio temáticos / áreas temáticas
CONFLUÊNCIAS ENTRE CAMPOS: O ENSINO DE HISTÓRIA E A HISTÓRIA ORAL - Paulo Hipólito
Nos cursos de história das universidades brasileiras, podemos dizer que o campo da história oral e o campo do ensino de história possuem algo em comum. Ambos foram vistos com desconfiança – pra não falar preconceito – pelos historiadores na emergência de suas pesquisas nas décadas finais do século XX. Com relação a história oral, historiadores questionavam sua consistência científica enquanto opção teórico-metodológica na pesquisa. Já as pesquisas envolvendo o ensino de história, julgavam-nas estarem mais atreladas à área da educação/pedagogia. Somente nos últimos 10 ou 15 anos que observamos um crescimento considerável de estudos envolvendo o ensino de história e, consequentemente, sua inserção nos programas de pós-graduação em várias universidades brasileiras. Dito isto, o objetivo deste Simpósio Temático é abarcar trabalhos/pesquisas que aproximem estes dois campos, acreditando que o ensino de história tem muito a ganhar com a história oral, seja como contribuição metodológica nas pesquisas, para incrementar as aulas de história, para ir além do livro didático, para trabalhar a história local com os alunos ou para confrontar as fontes ditas oficiais em sala de aula.
Encontros epistêmicos e as intersecções entre História Oral e Etnografia - Sariza Oliveira Caetano Venancio, Dernival Venâncio Ramos Júnior
Este simpósio temático propõe uma reflexão sobre os encontros epistêmicos e as intersecções entre História Oral e Etnografia. Partimos de Ramos (2019) para compreender que os encontros epistêmicos nomeiam situações de interação entre diferentes sujeitos e regimes dos saber/epistemologias no contexto dos trabalhos de campo da História Oral e Etnografia. Essas duas metodologias que, embora distintas, compartilham o compromisso com a compreensão das experiências humanas (individual e coletiva), a valorização das vozes marginalizadas e a importância de considerar o contexto social, histórico e cultural na análise dessas experiências. Ao explorar as convergências e diferenças entre essas abordagens metodológicas, buscamos compreender como elas podem se complementar na produção de conhecimentos históricos e sociais. O evento pretende reunir pesquisadores que utilizam a História Oral e a Etnografia em suas investigações, promovendo debates sobre as possibilidades, desafios e limites dessas metodologias na construção de narrativas plurais e do diálogo entre essas áreas.
Escutas em Movimento: História Oral e práticas de ensino de História - Suzyanne Valeska Maciel de Sousa, João Kaio Miguel Arruda
Este Simpósio Temático propõe reunir pesquisas e relatos de experiências que explorem as potencialidades da História Oral como metodologia de ensino de História. Em um contexto de crescentes disputas de memória e revisionismos históricos, a escuta e a valorização das narrativas de sujeitos sociais ganham ainda mais relevância no campo educacional. Inspirados nas contribuições de autoras como Ecléa Bosi, Maria de Lourdes Janotti e Regina Guimarães Neto, buscamos trabalhos que abordem a História Oral em sua dimensão metodológica, com atenção especial às possibilidades de sua aplicação no ensino. Interessa-nos reunir experiências já desenvolvidas em sala de aula, bem como projetos em fase de concepção, que utilizem a História Oral como ferramenta de construção de saberes históricos críticos e plurais. Propomos discutir os desafios didáticos, éticos e políticos envolvidos na realização de projetos de História Oral com estudantes, além de refletir sobre as formas de mediação entre o conhecimento escolar, as memórias locais e os debates historiográficos contemporâneos. O simpósio pretende ser um espaço de diálogo entre pesquisadores, professores da educação básica e estudantes envolvidos com práticas que compreendam a oralidade como uma via metodológica para a produção de conhecimentos históricos significativos.
História Oral e História Pública - Magno Francisco de Jesus Santos
Este Simpósio Temático tem como escopo reunir trabalhos que avalizem as experiências de pesquisa, ensino e extensão voltadas para as interconexões entre a História Oral e a História Pública. Ao longo dos últimos decênios, os usos metodológicos da História Oral possibilitaram um alargamento do processo de reconhecimento das experiências históricas, notadamente, com o protagonismo das camadas populares em uma perspectiva historiográfica vista por baixo. Concomitante a esse processo, também ocorreram significativos avanços no debate que perpassa pela História Pública, com a produção de narrativas voltadas para públicos diferenciados, ações investigativas penejadas e executadas por meio de estratégias colaborativas ou até mesmo os desafios de pensar a questão da autoria compartilhada entre o entrevistador e o colaborador. Com isso, neste simpósio temático pretendemos reunir ações que perpassem pelas diferentes interfaces entre a História Oral e a História Pública.
História oral, história pública e narrativas em educação - MARIANNA CARLA COSTA TAVARES, Aline de Medeiros Fernandes
Compreendemos que as narrativas educacionais, de professores, estudantes, comunidade escolar, constituem como fontes legítimas para a produção do conhecimento histórico. Assim, com base na história oral e no movimento de história pública, propomos um simpósio no qual sejam reunidas investigações que valorizem a escuta ativa (Portelli, 2016), a experiência (Larrosa, 2014) e a participação (Freire, 2013) como dimensões fundamentais para a prática de pesquisa em educação. A história oral possui um sentido prático e pressupõe uma utilidade para a comunidade, sendo assim, pública e imediata, sem se esgotar no momento da entrevista, é um compromisso com o registro histórico e possibilita diferentes usos das narrativas (Meihy, 2006). Assim, propomos a discussão de pesquisas sobre memórias docentes, trajetórias escolares, arquivos pessoais, práticas pedagógicas e experiências formativas nas quais as narrativas propõem uma reflexão sobre a produção do saber histórico e seu entrelace com a produção acadêmica a mediação com o público, principalmente na perspectiva da autoridade compartilhada (Frisch, 2016). Ao reunir pesquisas com esse enfoque, o simpósio traz a possibilidade de construir diálogos interdisciplinares que valorizem as narrativas como práticas de construção do saber histórico e de mediação pública do conhecimento em educação.
Memórias e testemunhos entre a escrita e a oralidade: cenas, imagens, narrativas - Professora Dra. Regina Beatriz Guimarães Neto (UFPE), Eurípedes Antônio Funes
Os testemunhos são inseparáveis das memórias, confrontam uma pluralidade de vivências e pontos de vista e buscam lembrar e inscrever/escrever o passado no presente. Já as operações historiográficas tratam de um conjunto de regras que asseguram as condições de produção do conhecimento. Os elos entre memórias, testemunhos e narrativas orais e escritas são indissociáveis e a matéria dos historiadores são os documentos-testemunhos nas múltiplas temporalidades.
Neste Simpósio objetivamos debater e analisar relatos orais, escritos, imagens, cenas que testemunham e narram trajetórias individuais e de grupos sociais conectados aos atos de contar e escrever vidas. Os nossos trabalhos devem refletir sobre a construção narrativa no espaço e no tempo, bem como sobre o lugar de onde falamos e expressamos nossos impasses, afetos e ambiguidades. O texto resultado de nossa análise é o texto escrito.
Narrativas de resistência: história oral e ditaduras militares no Brasil e na América Latina - Aliny Dayany Pereira de Medeiros Pranto, Maria Da Conceição Fraga, Rafael Oliveira Da Silva
O objetivo deste simpósio é viabilizar aproximações entre pesquisas que lidam com narrativas de resistência às ditaduras militares, tanto no Brasil, como em outros países da América Latina. Na segunda metade do século XX, diversos países do cone Sul passaram por períodos repressivos e tiveram ditaduras instaladas em seus territórios. Os processos de anistia e redemocratização nesses diferentes contextos nem sempre tiveram os mesmos rumos e desdobramentos, apesar disso, em todos esses lugares existiram vozes discordantes, movimentos políticos de resistência e pessoas perseguidas em função de seus posicionamentos políticos. Diante disso, muitas pesquisas têm se dedicado à escuta sensível dessas vozes que guardam memórias subterrâneas sobre a resistência. Neste simpósio, esperamos reunir essas pesquisas e refletir sobre os processos de luta, resistência, anistia, redemocratização e reparação, a partir das vozes de narradoras e narradores que se opuseram aos referidos regimes ditatoriais.
Narrativas docentes e História Oral no Estágio Supervisionado: memórias, identidades e saberes na formação de professores/as - Gillyane Dantas dos Santos
O presente simpósio tem como objetivo reunir estudos que discutam a construção de saberes docentes por meio de entrevistas fundamentadas na História Oral, priorizando as narrativas de professoras e professores como eixo formativo no Estágio Supervisionado. Busca-se refletir sobre o estágio não apenas como espaço de observação e prática, mas também como campo de pesquisa que valoriza memórias, olhares, vozes e escutas, revelando processos formativos, identitários e históricos, muitas vezes silenciados pela lógica instrumentalizante da formação docente. O Estágio Supervisionado constitui-se como um espaço privilegiado de aproximação com o cotidiano escolar (Pimenta, 2007) e de encontro com docentes que constroem suas identidades mediante vivências e experiências forjadas nas práticas educativas. Autores como Tardif (2014) e Nóvoa (2007) entendem os docentes como sujeitos históricos, produtores de saberes que dialogam com suas trajetórias de vida e trabalho. As discussões propostas favorecem a compreensão de que a formação de professores/as se dá por meio de processos intersubjetivos, atravessados por trocas de saberes, experiências, afetos, escutas ativas e relações intergeracionais, mobilizadas a partir de práticas de entrevistas e de construção de narrativas orais, contexto mediado pela História Oral (Meihy, 2005; Portelli, 2016) como abordagem teórico-metodológica.
Oralidade, terra, trabalho e questão ambiental - Marcia Milena Galdez Ferreira, Kenia Sousa Rios, Cristiana Costa da Rocha
O Simpósio Temático abrange pesquisas em andamento ou concluídas cujos objetos envolvam processos migratórios relacionados a conflitos por terra, por água e por relações de trabalho que se constituem em formas de exploração e/ou escravidão contemporânea, tendo a História Oral como metodologia e fonte de estudo.
Busca-se a partir do uso de narrativas orais, abordar problemas relacionados ao acesso à terra, aos direitos trabalhistas e à questões ambientais que envolvam direta ou indiretamente homens e mulheres do campo e da cidade. Valorizamos ainda abordagens interseccionais das temáticas, que complexificam a discussão dos problemas a partir da perspectiva das classes sociais, das relações de gênero e dos processos de racialização. Concebemos, portanto, a História Oral como metodologia e fonte privilegiada para alcançar temas sensíveis no campo das disputas por terra, das relações de trabalho e da devastação da natureza.
História Oral e História da Educação: Narrativas, Vozes, Sujeitos e Instituições - Rodrigo Wantuir Alves de Araujo, Mariza silva de Araujo
Este simpósio temático propõe refletir sobre as interfaces entre a História Oral e a História da Educação, destacando a centralidade das narrativas e das vozes dos sujeitos nos processos de construção do conhecimento histórico-educacional. O uso da História Oral como metodologia e abordagem teórico-metodológica tem possibilitado o registro de experiências individuais e coletivas que, muitas vezes, foram silenciadas ou marginalizadas pelas fontes tradicionais e pelos discursos oficiais. Neste espaço, buscamos reunir pesquisas que abordem memórias, trajetórias e práticas educativas em diferentes tempos e espaços, considerando a pluralidade de sujeitos (professores, alunos, gestores, comunidades) e a diversidade das instituições educativas (escolas, movimentos sociais, igrejas, sindicatos, espaços não formais, entre outros) que construíram a história da educação. Interessa-nos discutir como as narrativas orais contribuem para ampliar a compreensão sobre os processos de escolarização, formação docente, culturas escolares e políticas educacionais, especialmente a partir de olhares sensíveis às questões de classe, gênero, raça e território. Este simpósio pretende reunir pesquisadores e pesquisadoras que se dedicam ao diálogo entre História Oral e História da Educação a compartilhar seus estudos, experiências e desafios metodológicos, contribuindo para a valorização da escuta como ferramenta epistemológica e política na escrita da história da educação.