Sob o tema Futuro, o XV Congresso da Associação Internacional de Lusitanistas reunirá em Brasília, capital federal do Brasil, pesquisadores e estudiosos de todos os continentes para uma semana intensa de encontros transdisciplinares, marca da história da AIL desde a sua fundação na década de 1980, na França. O convite é pensar o futuro a contrapelo. Não apenas como coordenada temporal, mas como questão que nos habita e nos antecede. Escutar o que as narrativas do progresso soterram ou empurram para fora. O XV Congresso da AIL, que acontecerá na UnB (Universidade de Brasília), toma essas tensões como campo de interrogação onde a literatura, a linguagem, a arte, a arquitetura e outros saberes se encontram com a urgência climática e com tudo o que o presente ainda não sabe nomear. Pensar o impensado, como diria Eduardo Lourenço, um dos fundadores da AIL. Línguas dentro da língua. "Nada que se deu com a língua portuguesa da Europa se compara ao que lhe ocorreu quando ela se fez ao mar", como observa Caetano Galindo em Latim em pó (2023). A potência da diáspora será então outra vez performada. Portugueses leem escritores moçambicanos; angolanos leem autores guineenses; italianos desenvolvem questões teóricas acerca de pensadores portugueses; galegos interpretam macaenses; brasileiros leem cabo-verdianos; macaenses citam versos de poetas de São Tomé. Talvez seja essa travessia-alegria que mova a todos. Deslocamo-nos com nossos saberes e com as inumeráveis expressões que a diáspora foi capaz de produzir, para pensar e falar essa língua múltipla e, acima de tudo, capaz de criar nas margens, junto a narrativas inauditas.

