Aluizio Alfredo Carsten - Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD)
Brendha Luana Spricigo - Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS)
A Arqueologia tem demonstrado que as paisagens do Sul do Brasil guardam importantes aspectos da história das populações indígenas que habitaram e habitam esses espaços.
A Etno-História, enquanto método interdisciplinar de análise, contribui para uma interpretação ampliada das evidências da interação entre os sujeitos históricos e o ambiente.
Desta forma, diálogos que aproximam estas perspectivas são fundamentais para compreender as territorialidades como resultado de processos históricos agenciados por essas populações, nos quais dimensões materiais, simbólicas, sociais e ambientais se articulam na produção e transformação do espaço.
Partindo dessa perspectiva, o presente simpósio temático propõe reunir trabalhos que articulem Arqueologia, História e Etnologia na análise das territorialidades indígenas e na construção das paisagens no Sul do Brasil, considerando diferentes temporalidades, escalas de análise e abordagens teórico-metodológicas.
Assim, incluem-se diálogos com fontes documentais, orais, registros de memórias, etnografias, análises históricas e etnológicas, aliadas à valorização de perspectivas êmicas, permitindo-se a atribuição de novos significados aos espaços, rompendo com a dicotomia entre “Pré-História” e “História” e evidenciando continuidades entre os períodos pré-colonial, de conquista, colonial e pós-colonial.
O simpósio busca contemplar pesquisas que abordem as dinâmicas de ocupação, uso, circulação e transformação do ambiente, tanto em perspectivas de longa duração quanto em contextos específicos de contato, conflito, interação e alianças entre diferentes grupos indígenas, bem como suas relações com agentes coloniais e não indígenas.
Interessa, nesse sentido, compreender processos de permanência, adaptação, resistência e reconfiguração territorial ao longo do tempo.
Serão bem-vindos trabalhos que explorem a articulação entre diferentes campos do conhecimento, como Arqueologia, História, História Ambiental e Etnologia, incluindo análises sobre organização espacial, mobilidade, territorialidade, redes de interação, construção da paisagem, lugares de memória e centros cerimoniais.
Além disso, o simpósio está aberto para trabalhos que problematizem a Arqueologia e a História Indígena no ensino, tal como, análises de livros didáticos, materiais pedagógicos e diferentes formas de produção e circulação do conhecimento histórico e arqueológico.
Interessa-nos compreender de que maneira essas narrativas são construídas, disputadas e difundidas socialmente, bem como seus impactos na percepção sobre os povos indígenas e suas historicidades.
Ao considerar essas múltiplas dimensões, busca-se discutir as territorialidades indígenas em sua complexidade, vinculando espaços a formas de sociabilidade, práticas culturais e modos de viver.
Além disso, pretende-se fomentar discussões que compreendam a paisagem como resultado de sucessivas sobreposições de ocupações, usos e significados ao longo do tempo.
Essa abordagem permite evidenciar tanto a profundidade temporal das ocupações indígenas quanto a atuação de múltiplos agentes, humanos e não humanos, na configuração dos ambientes, contribuindo para uma leitura mais dinâmica e relacional do registro arqueológico e histórico.
Ao promover esse diálogo interdisciplinar, o simpósio visa contribuir para o aprofundamento das interpretações sobre as formas de habitar, significar, disputar e transformar o espaço no Sul do Brasil, ampliando as possibilidades de análise das experiências indígenas no passado, suas transformações e continuidades ao longo do tempo.
Busca-se, assim, constituir um espaço de interlocução entre pesquisas que, a partir de diferentes recortes empíricos e analíticos, convergem na problematização das relações entre território, paisagem e historicidade.
Palavras-chave:
Arqueologia; Etno-História; História Ambiental; Territorialidades; Paisagem.