“Democracia, Movimentos Sociais, Pobreza e Meio Ambiente”
Aos participantes da Jornada 2026
Começaremos esta chamada para a edição 2026 da Jornada com uma leve pitada de misticismo. O ano de 2026 revela, na numerologia, o número 1, associado a começos, construções e caminhos para o novo. É sob essa energia que, ao longo dos anos, temos construído a Jornada Nordeste de Serviço Social –evento que teve início em 2013, na Paraíba, com a colaboração da Faculdade Internacional da Paraíba (FPB), e que, a partir de 2015, passou a se consolidar como um evento do Curso de Serviço Social da Universidade de Pernambuco (UPE), conduzida pelo Grupo de Pesquisa Violas-UPE.
Com o passar do tempo, novos grupos, professores e discentes foram se somando à proposta, fazendo da Jornada, a cada edição, uma experiência mais ousada e plural.
E, falando em ousadia, em 2025 — ano em que a Jornada Nordeste de Serviço Social completou uma década — lançamos a I Jornada Nacional de Serviço Social. O apoio incondicional de cada palestrante convidado, de cada professor que integram o corpo de avaliadores, de cada membro da organização do evento, bem como a participação de docentes de grande envergadura nacional e internacional, demonstra o fortalecimento da Jornada, que hoje se consolida como um dos eventos mais representativos do Serviço Social. E, como boas pernambucanas, cabe dizer: queiram ou não queiram os juízes, nosso bloco é, de fato, campeão.
Para a edição de 2026, o evento propõe o seguinte tema: “Democracia, Movimentos Sociais, Pobreza e Meio Ambiente”. Com seu peculiar ar de ousadia e em um contexto neoliberal complexo para tratar de democracia, propomos esse debate por compreendermos que seria, para nós assistentes sociais, um posicionamento apolítico permanecer à margem da discussão contemporânea sobre democracia, especialmente diante das tensões geopolíticas e das intervenções internacionais frequentemente justificadas pelo combate aos grandes cartéis de drogas e entorpecentes.
A soberania nacional de países euro-asiáticos e da América Latina vê-se ameaçada. Os discursos de lideranças políticas em torno de projetos de uma “América Grande”, que colocam o Brasil como foco de interesse econômico –especialmente em função do petróleo e das terras raras da região amazônica– acendem alertas entre intelectuais, pesquisadores e profissionais que atuam diretamente na execução das políticas sociais.
Nesse cenário, o evento se estrutura para abordar a democracia não como um conceito abstrato e distante, mas como uma realidade concreta e possível. Ao mesmo tempo, busca reatualizar práticas e estratégias dos movimentos sociais, destacando a necessidade de fortalecimento de seus atores para garantir seu protagonismo individual e coletivo. No ano em que se completam 30 anos do “Massacre de Carajás”, torna-se imprescindível retomar esse debate. Diante das dinâmicas contemporâneas de mobilização e desmobilização mediadas pelas redes sociais, é fundamental ocupar esses espaços estratégicos de comunicação, potencializando processos formativos e o protagonismo social.
E, claro, não poderíamos deixar de abordar a questão ambiental. É necessário compreendê-la não como algo distante — reduzido à imagem de uma árvore ou a chuva observada de dentro de nossos apartamentos —, mas como um componente inerente à condição humana. Torna-se urgente debater a ação destrutiva do capital em sua fase atual, que vem impactando o meio ambiente de forma intensa, especialmente no sul global. Ou despertamos a tempo, ou nos aproximaremos de cenários semelhantes aos retratados em obras de ficção, como O Dia Depois de Amanhã (2004) – não mais como ficção científica, mas como uma possibilidade concreta e sem precedentes.
É nesse espírito de luta e combatividade que reuniremos importantes nomes que discutem a dimensão organizativa dos movimentos sociais, como Beatriz Abramides e Maria da Glória Gohn; a retomada da questão social e seus impactos nas políticas públicas, com Alisson Araújo e Paulo Rumbem Santiago; e a urgência do debate ambiental como condição indispensável à manutenção da vida humana, com Claudio Castilho, Daniel Silva e como convidado internacional, temos o Prof. Xavier Uceda, da Universidade de Valência, Espanha e que participou do Seminário Serviço Social: Planejamento e gestão de políticas públicas, divulgado no Canal Social em Foco, em parceria com o GEPE(UFPE). Tais participações reforçam, assim, a importância de um posicionamento político dos profissionais de Serviço Social e áreas afins diante de diálogos necessários sobre Democracia, Movimentos Sociais, Pobreza e Meio Ambiente.
Para coroar este evento, a II Jornada Nacional e a XI Jornada Nordeste de Serviço Social apresentam, nesta edição, a organização sob os auspícios financeiros da CAPES, CNPq, IAUPE, FACEPE, CRESS/PE, UPE, UFPE, UFAM, UFSC, UFPB e outras instituições, possibilitando a realização de um encontro gratuito para todas as categorias de inscritos. Solicitamos, portanto, atenção aos prazos de inscrição, tanto para as vagas presenciais quanto para as online.
Desejamos a todos, todas e todes uma excelente Jornada.
Coordenação da Jornada 2026