Prezadas, prezados e prezades participantes,
É com alegria e compromisso ético-político que nos dirigimos a vocês para convidá-las/es/os ao XII Colóquio Internacional de Políticas Curriculares, realizado em articulação com o VIII Seminário Nacional do Grupo de Pesquisa Currículo e Práticas Educativas e o V Simpósio da Região Nordeste Sobre Currículo, que acontecerá nos dias 19, 20 e 21 de agosto de 2026, na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa.
No ponto mais oriental das Américas, nos reuniremos em um tempo marcado pelo avanço de projetos ultraconservadores que incidem diretamente sobre a educação pública e sobre os modos de produzir currículo. Esse avanço tem caráter transnacional e se expressa de maneira particularmente visível na América do Sul, onde projetos ultraconservadores já governam ou disputam hegemonia em parte significativa dos países do continente, tensionando políticas públicas, direitos sociais e agendas educacionais. Dinâmicas semelhantes podem ser observadas em diferentes países da Europa, com o fortalecimento de forças de direita radical nos governos e parlamentos, bem como em outras regiões do mundo, onde discursos autoritários, moralizantes e antidemocráticos vêm ganhando centralidade. Ao incidir sobre a educação, esses movimentos produzem efeitos diretos sobre os currículos, reconfigurando disputas por sentidos e reposicionando a escola e a universidade como campos estratégicos dessas disputas políticas.
É nesse contexto que escolhemos como tema desta edição “DA LUTA EU NÃO FUJO: DISPUTAS EM TERRITÓRIOS CURRICULARES FRENTE AOS AVANÇOS ULTRACONSERVADORES”, tomando como ponto de partida a afirmação de Margarida Maria Alves: “Da luta não fujo. É melhor morrer na luta do que morrer de fome”. A fala de Margarida não é tomada como metáfora, mas como afirmação ética-estética-política que nos leva a compreender o currículo como território de luta, atravessado por disputas entre diferentes projetos de sociedade. É a partir desse horizonte ético-político que organizamos os debates nas conferências, mesas-redondas, painéis temáticos e Grupos de Trabalho, compondo uma programação voltada à análise das políticas curriculares em curso. Ao colocar em foco os avanços ultraconservadores, convidamos vocês a refletir sobre os projetos de sociedade em disputa e sobre os currículos que produzem, ou tentam conter, mundos possíveis, reafirmando nosso compromisso com uma educação pública atravessada pela memória das lutas populares em defesa da democracia.
Ao homenagear Margarida Maria Alves, reafirmamos a centralidade das lutas travadas em territórios que se produzem para além de delimitações geográficas, nas relações, nos modos de vida e nas experiências coletivas do campo, das florestas, das águas e de outros espaços sociais. São territórios historicamente atravessados por violências, expropriações e silenciamentos, que incidem sobre populações e comunidades tradicionais, como: agricultoras/es familiares, povos indígenas, quilombolas, ribeirinhoas/es/os, pescadoras/es e extrativistas, mas também sobre outros grupos cujas existências são sistematicamente desautorizadas, como populações de terreiro, pessoas LGBTQIAPN+ e pessoas negras, entre tantas outras. Ainda assim, são nesses territórios que se afirmam formas de organização coletiva, produção de saberes e projetos educativos comprometidos com a justiça social.
É a partir dessa compreensão que a trajetória de Margarida inspira o entendimento de que as disputas curriculares não se dão apenas nos documentos oficiais ou nas instituições escolares, mas também nas experiências formativas que emergem das lutas populares, do trabalho, da terra, das águas, das florestas e das vidas comunitárias. Assim, o currículo é compreendido como território de disputa, atravessado por antagonismos, negociações e articulações de sentidos que produzem efeitos sobre as escolas, as universidades, as formações docentes e as vidas que nelas se inscrevem. Frente às tentativas de padronização, controle e silenciamento da diferença, convidamos pesquisadoras/es, docentes, discentes e demais profissionais da educação a se somarem a esse debate, refletindo sobre as políticas curriculares em curso, seus impactos e suas possibilidades de rearticulação.
Ao realizar este Colóquio, reafirmamos o Nordeste como espaço político-epistêmico de produção de conhecimento, de pensamento situado e de enfrentamento coletivo às ofensivas que ameaçam a educação pública e a democracia. É a partir desse compromisso coletivo, político e territorial que este encontro se torna possível.
Em nome da Comissão Organizadora, bem como das instituições organizadoras e apoiadoras, acolhemos todas, todos e todes as/os participantes, desejando que este Colóquio se constitua como um espaço de encontro qualificado, diálogo e produção coletiva. Agradecemos ao Comitê Científico, às/aos pareceristas ad hoc e às instituições colaboradoras, cujo trabalho tornou possível a realização deste evento.
Mais do que um encontro acadêmico, este Colóquio se afirma como um gesto político: da luta não fugimos, porque é nela que o currículo se produz, se disputa e se reinventa.
João Pessoa, Paraíba, Brasil, agosto de 2026.
Com estima,
Comissão Organizadora









