Sejam todas e todos muito bem-vindos ao VII Seminário do ErêYá – Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação para as Relações Étnico-Raciais. “Raça, Classe e Território: a escola como quilombo de saberes e práxis”
É com alegria, compromisso político e senso de responsabilidade coletiva que nos reunimos para mais uma edição deste seminário. Neste ano, somos convocadas e convocados pelo tema “Raça, Classe e Território: a escola como quilombo de saberes e práxis”, uma formulação que expressa não apenas o eixo central de nossas reflexões, mas também um posicionamento ético e político diante dos desafios do presente.
Ao afirmar a escola como quilombo de saberes e práxis, reconhecemos a potência dos territórios, das memórias, das lutas coletivas e das produções históricas dos povos negros na constituição de modos de ensinar, aprender, resistir e reinventar o mundo. Compreendemos o quilombo não apenas em sua dimensão histórica, mas também como referência viva de organização coletiva, produção de conhecimento, cuidado, pertencimento e enfrentamento às desigualdades. Nessa perspectiva, compreender a escola como quilombo é reafirmá-la como espaço de resistência, criação, justiça social e elaboração de outros horizontes educativos.
O tema desta edição também nos chama a refletir sobre a indissociabilidade entre raça, classe e território na produção das desigualdades educacionais e sociais. A educação, longe de ser neutra, está inserida em relações de poder, disputas de projeto de sociedade e processos históricos marcados pelo racismo estrutural, pelas desigualdades de classe e pelas assimetrias territoriais. Por isso, discutir educação para as relações étnico-raciais exige considerar os contextos em que vivem crianças, jovens, professoras(es), comunidades, povos indígenas, comunidades quilombolas e movimentos sociais.
Este seminário, que integra as ações permanentes de pesquisa, formação e extensão do nosso grupo, foi concebido como um espaço de encontro, partilha e fortalecimento coletivo. Um espaço em que universidade, escola, territórios educativos, comunidades tradicionais e movimentos sociais dialogam, constroem alianças e renovam seus compromissos com uma educação antirracista, socialmente referenciada e comprometida com a transformação da realidade.