A VII
Jornada de Letras – Formas da personagem: estratégias, cenas e vozes na
narrativa literária propõe uma reflexão sobre as diferentes
formas de construção e representação da personagem na literatura e no teatro.
As apresentações abordarão a personagem dialógica em Bakhtin, a personagem
teatral e as relações entre espaço, memória, voz e personagem na narrativa
contemporânea. O evento promove o diálogo entre diferentes perspectivas
teóricas e literárias, destacando a personagem como elemento dinâmico na
construção de sentidos e experiências narrativas.
Organização e abertura – Prof.
Dr. Sandro Roberto Maio
A personagem dialógica: voz e
movimento – Prof. Dr. Sandro Roberto Maio
A personagem dialógica, em
Bakhtin, é constituída por diferentes vozes e perspectivas.
Sua voz revela valores, experiências e visões de mundo em diálogo com o outro.
Seu movimento ocorre nos conflitos, encontros e transformações ao longo da
narrativa.
Assim, a personagem é compreendida como um sujeito em permanente construção e
diálogo.
A personagem teatral – Prof.
Dr. Sergio Manoel Rodrigues
Assim como nas narrativas
ficcionais, a personagem na dramaturgia apresenta caracteres específicos que a
estruturam como elemento essencial no texto teatral. Com base no ensaio A
personagem no teatro, de Décio de Almeida Prado, serão abordados os princípios
desse ser ficcional, os quais estão arraigados na origem e na própria
trajetória do teatro, advindo das manifestações ritualísticas à fragmentação
contemporânea.
O cemitério como personagem:
Espaço, memória e voz narrativa em Flor de Pedra, de João Anzanello Carrascozza
– Prof. Dr. Eduardo da Rocha Marcos
A apresentação investiga a
configuração do cemitério como narrador e personagem em Flor de Pedra, de João
Anzanello Carrascozza. Ao adquirir voz, memória e consciência temporal, o
espaço deixa de funcionar apenas como cenário e assume papel ativo na
construção narrativa. A análise discute como essa configuração desestabiliza
fronteiras tradicionais entre espaço, narrador e personagem. Considera-se
também a estrutura fragmentária e rapsódica do romance, pela qual as histórias
dos mortos compõem a própria identidade do cemitério. Assim, a narrativa
transforma o espaço da morte em lugar de memória e permanência.