GT02 - CORPOS, TERRITÓRIOS E SABERES FEMININOS: BENZEDEIRAS, CURANDEIRAS, PARTEIRAS E FEITICEIRAS NAS TRAMAS DA RESISTÊNCIA (ONLINE)
Com o objetivo de reunir pesquisas e experiências etnográficas acerca dos saberes femininos tradicionais vinculados às práticas de cura, espiritualidade, proteção e cuidado, discutindo benzedeiras, curandeiras, parteiras, rezadeiras, mães de santo, pajés e feiticeiras como mulheres detentoras de conhecimentos ancestrais frequentemente marginalizados pelos discursos coloniais, médicos e religiosos hegemônicos. O GT busca refletir sobre as relações entre corpos, territórios, gêneros, memórias, religiosidades, ecofeminismos, racializações e os patrimônios culturais, materiais e imateriais resultantes desses entrelaces em diferentes temporalidades marcadas por ancestralidades amazônicas. Nesse sentido, valorizando estudos antropológicos, históricos, sociológicos e decoloniais sobre procissões e devoções populares, curas espirituais, plantas medicinais, cosmologias afro-indígenas e amazônicas, transmissão geracional de saberes e práticas femininas de resistência e pertencimento em diferentes contextos latino-americanos. À luz dos estudos decoloniais, entre outros, de Aníbal Quijano (2005), Walter Mignolo (2003), Catherine Walsh (2009), María Lugones (2014), Silvia Rivera Cusicanqui (2010), Lélia Gonzalez (2020), Gloria Anzaldúa (2012). Propõe-se a através da discussão-reflexiva entre pesquisadores/as desconstruir as barreiras impostas pelas diferentes formas de colonialidade herdadas dos resquícios do colonialismo, que continuam a produzir hierarquias e concepções normativas sobre raça, classe, gênero, espiritualidade, territorialidade e outras categorias sociais do Norte ao Sul Global, reconhecendo os saberes femininos tradicionais como práticas de resistência epistêmica, política e cultural.
Coordenadores: Profa. Dra. Sônia Cristina de Albuquerque Vieira (EA/UFPA), Prof. Me. Denilson Marques dos Santos (SEDUC-PA) e Luiz Fernando de Assunção Corrêa (UNIPOP/DAM).
GT 03- ENSINOS, PESQUISAS, FRONTEIRAS E TRÂNSITOS NAS AMAZÔNIAS (ONLINE)
O presente grupo de trabalho se insere na área temática “Fronteiras das Amazônias e desafios socioambientais, econômicos, políticos e culturais nos trânsitos”, compreendendo-a na perspectiva de Porto-Gonçalves (2017,b) enquanto “encruzilhada civilizatória”. Tendo, como ponto focal as questões de Ensino de História pensando-o diferente, ou seja, “Ensino outro de História” sob influência de Lima (2023). Se somando a isto a colaboração às formações de agentes sociais e políticos, mas, compreendendo que estas são produtos de nossas pluralidades em âmbitos culturais, ambientais e econômicos. Sem perder de vista que as fronteiras da Amazônia brasileira e a sua “formação histórico-territorial” repercutem sob as perspectivas para o século XXI conforme recorda Tavares (2011), daí serem voláteis e afetadas pelos diversos trânsitos de diferentes áreas, saberes, espaços, vivências. Face a este contexto, adveio a ideia de congregar trabalhos não apenas correlatos à Educação, Geografia (Porto-Gonçalves, 2017a), História, Letras, Artes, mas, também contar com diálogos de segmentos da Filosofia, Sociologia, Psicologia, Economia, Direito, Ciências Sociais e Jornalismo. Por consequência os marcos espaciais são as Amazônias Ocidental Acreana; Política Administrativa; Econômica; Pan-Amazônia demarcadas em Nunes (2012). Desta feita nossa baliza cronológica é vasta, incorporando antecedentes a chegada dos europeus à Amazônia em conformidade ao olhar de Pádua (2000) e a dança de fronteiras políticas descritas por Albuquerque Franco (2017), pensando as fronteiras e trânsitos sob influência dos três níveis de duração a seguindo Braudel (1983). E a proposta se justifica pela busca de diálogos entre pesquisas em desenvolvimento ou já conclusas a respeito de “fronteiras das Amazônias e trânsitos”. O referencial utiliza Albuquerque Franco (2017), Lima (2023), Nunes (2020), Porto-Gonçalves (2017a, 2017b), Tavares (2011). Se espera como resultante corroborar no intercâmbio de informações sobre pesquisas tangentes ao Ensino de História, Fronteira e Trânsitos nas Amazônias.
Coordenadores: Profa. Dra. Nedy Bianca Medeiros de Albuquerque (UFAC), Profa. Dra. Geórgia Pereira Lima (UFAC) e Profa. Esp. Liliane Bezerra da Silva (UFAC).
GT 04 - FRONTEIRAS EM MOVIMENTO: INTERAMAZÔNIAS E DESAFIOS CONTEMPORÂNEOS PARA A PESQUISA E O ENSINO AMAZÔNICOS (ONLINE)
A discussão acerca das "Fronteiras em Movimento envolvendo as Amazônias e os desafios contemporâneos", possibilita pensar a partir da polifonia do termo fronteiras as desde os rios e igarapés nas florestas às cidades amazônicas, as experiências de homens e mulheres são atravessadas de diversas formas de fronteiras, entre outras, da pós-modernidade (Bauman, 2022 e Bhabha, 1998) fronteiras agrárias e do capital (Sambuichi, 2014), e ainda a fronteira /nos confins do humano (Martins, 2009) e ainda temas como luta pela terra; a crise ambiental e climática; as disputas por uma epistemologia os campos da educação e teologias frente os saberes dos povos originários (Krenak, 2019); a intolerância religiosa; Feminicídio, incapacitismo e o racismo estrutural. Assim, este Grupo de Trabalho (GT), no âmbito da educação superior, consolida um espaço de diálogos sobre pesquisas e estudos nas InterAmazônias. Acolhendo discussões reflexivas de pesquisadores/as a partir de suas produções e estudos, sob diversas abordagens históricas, sociológicas, antropológicas, teológicas, educacionais, ambientais, bem como, inter e transdisciplinares ampliando o campo das epistemologias do Sul para enfrentar a devassa das Amazônias pelo capitalismo global e visibilizar espaços de circulação de ideias. Portanto, este GT fomenta debates sobre as vidas nas/das Amazônias e seus desafios atuais, promovendo interações entre professores, pesquisadores e comunidades acadêmica e externa.
Coordenadores: Profa. Dra. Geórgia Pereira Lima (Ufac), Profa. Dra. Emilly Nayra Soares Albuquerque (AME) e Prof. Lucas Santos Nobre (SEE-AC).
GT 06 - EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA E ANCESTRALIDADE: EPISTEMOLOGIAS, ORALIDADE E INTERCULTURALIDADE NA AMAZÔNIA (ONLINE)
Este Grupo de Trabalho tem como objetivo promover reflexões acerca das interfaces entre Educação Escolar Indígena e Ancestralidade, compreendendo os conhecimentos tradicionais como fundamentos epistemológicos para a construção de práticas educativas interculturais. AA proposta parte do reconhecimento de que a oralidade, a memória coletiva, as narrativas tradicionais e as línguas indígenas constituem formas legítimas de produção e transmissão de saberes, essenciais para o fortalecimento das identidades e da autonomia dos povos originários. O GT pretende reunir pesquisadores, educadores e lideranças para discutir experiências, políticas públicas e práticas pedagógicas que dialoguem com os princípios da interculturalidade crítica e da decolonialidade, valorizando as especificidades socioculturais das comunidades indígenas amazônicas. Além disso, busca analisar os desafios enfrentados pela Educação Escolar Indígena diante das exigências dos sistemas educacionais formais, refletindo sobre possibilidades de construção curricular que respeitem os modos próprios de ensinar e aprender das diferentes etnias. A partir das experiências desenvolvidas junto ao povo Huni Kuĩ e de referenciais teóricos contemporâneos, pretende-se evidenciar a ancestralidade como elemento estruturante da formação humana e da produção de conhecimentos, contribuindo para ampliar o debate sobre
educação, diversidade cultural e justiça epistemológica no contexto amazônico.
Coordenadores: Prof. Me. Carlos Augusto de Andrade Barbosa (UFNT) e Prof. Dr. Francisco Edviges Albuquerque (UFNT).
GT 07 - FRONTEIRAS, MOBILIDADES E CONFLITOS SOCIOAMBIENTAIS NA PAN AMAZÔNIA: TERRITÓRIALIDADES TRADICIONAIS, PRESSÕES ECONÔMICAS, AGÊNCIAS E RESISTÊNCIAS INDIVIDUAIS E COLETIVAS (ONLINE)
Este Grupo de Trabalho propõe reunir pesquisas voltadas à análise das fronteiras, mobilidades e conflitos socioambientais e territoriais na Pan Amazônia, com atenção especial aos territórios tradicionais e às formas de agências e resistência individuais e coletiva de povos indígenas, comunidades quilombolas, ribeirinhas, extrativistas, camponesas e demais grupos sociais historicamente vinculados à região. A proposta parte da compreensão de que os estados da Região Norte do Brasil e dos demais países amazônicos (Colômbia, Equador, Peru, Bolívia, Venezuela, Guiana e Suriname) expressam experiências fundamentais para pensar as múltiplas fronteiras amazônicas e suas contradições contemporâneas. Os estados brasileiros de Roraima, Rondônia, Amapá, Pará, Acre, Amazonas e Tocantins apresentam dinâmicas distintas, mas atravessadas por problemas comuns, como disputas fundiárias, avanço do garimpo, grilagem, desmatamento, expansão do agronegócio, mineração, grandes obras de infraestrutura, conflitos em unidades de conservação, pressões sobre terras indígenas e impactos socioambientais sobre populações tradicionais. Tais problemas também afetam os países amazônicos vizinhos. O GT acolherá trabalhos que abordem conflitos territoriais, impactos ambientais, migrações, deslocamentos forçados, fronteiras internacionais (como zonas de fronteira entre países amazônicos), territorialidades indígenas e tradicionais, assentamentos rurais, políticas públicas, segurança, desenvolvimento regional, violência no campo e experiências de organização social em defesa dos territórios. Também serão bem-vindas abordagens interdisciplinares que articulem História, Geografia, Antropologia, Sociologia, Educação, Direito, Ciência Política, Relações Internacionais e áreas afins. A proposta pretende contribuir para a compreensão crítica das relações entre território, ambiente, mobilidade, conflito, direitos coletivos, agências e resistências sociais na Pan Amazônia.
Coordenadores: Prof. Dr. Fernando Roque Fernandes (UNIR), Prof. Dr. Eduardo Gomes da Silva Filho (UFRR) e Prof. Dr. Lucas Montalvão Rabelo (UNIFAP).
GT 08- INFÂNCIAS OUTRAS E OUTROS SUJEITOS: SABERES E MODOS DE CUIDAR NA AMAZÔNIA (ONLINE)
A Pan-Amazônia constitui um território marcado por desigualdades sociais, raciais e territoriais, produzidas por processos históricos de colonização que seguem condicionando o acesso a direitos, saberes e oportunidades. Nesse contexto, as infâncias amazônicas ocupam lugares de subalternidade, tendo suas experiências, culturas e modos de existência invisibilizados por perspectivas universalizantes que privilegiam modelos urbanos e ocidentais de infância. A colonialidade do poder, do saber e do ser (Quijano, 2005; Maldonado-Torres, 2007; Mignolo, 2008) contribui para compreender como determinadas infâncias são silenciadas e excluídas dos processos de reconhecimento social, político e epistemológico. Pensar as infâncias amazônicas implica reconhecer a pluralidade de experiências vividas por crianças indígenas, quilombolas, ribeirinhas, extrativistas e campesinas, cujas trajetórias são constituídas nas relações com os rios, as florestas, os territórios e as comunidades. Nessa perspectiva, a alteridade proposta por Dussel (1993) permite compreender essas infâncias como sujeitos históricos cujas existências desafiam os paradigmas hegemônicos de conhecimento. Em diálogo com Arroyo (2014), elas podem ser entendidas como parte dos “outros sujeitos”, marginalizados, mas portadores de saberes, memórias e pedagogias produzidas nos territórios de luta e resistência. As pesquisas de Brito e Santana (2024) evidenciam que as infâncias amazônicas são tecidas em processos coletivos de formação, nos quais a oralidade, os vínculos intergeracionais, os saberes da natureza e as práticas comunitárias de cuidado desempenham papel fundamental na construção das identidades e dos pertencimentos. Mais do que destinatárias dessas práticas, as crianças participam ativamente da produção e circulação de conhecimentos em seus contextos socioculturais. Este Grupo de Trabalho propõe reunir pesquisas que tenham as infâncias amazônicas como eixo central de análise, contemplando temas como educação, culturas infantis, ancestralidade, territorialidades, religiosidades, saberes tradicionais, práticas de cuidado. Busca-se fortalecer perspectivas que reconheçam as infâncias amazônicas como sujeitos de direitos, produtoras de conhecimento e protagonistas na construção de modos plurais de viver e existir.
Coordenadores: Profa. Dra. Ângela do Céu Ubaiara Brito (UEAP), Profa. Esp. Juliana de Lima Melo (UNIFAP) e Prof. Dr. Vitor Sousa Cunha Nery (UEAP).
GT 09 - INFÂNCIAS AMAZÔNICAS: VIOLÊNCIA, RESISTÊNCIA E PRÁTICAS DO SERVIÇO SOCIAL (ONLINE)
A proposta organiza um espaço coletivo de debate sobre a atuação do Serviço Social na proteção de crianças e adolescentes na Amazônia, com ênfase no enfrentamento da violência doméstica e intrafamiliar, na escuta qualificada, na articulação de redes de proteção e no respeito às especificidades territoriais e culturais (Araújo, 2021). A proposta problematiza a persistência de abusos e negligência em contextos marcados por isolamento geográfico, precariedade de infraestrutura e diversidade cultural, e propõe analisar práticas profissionais, desafios e estratégias intersetoriais voltadas à proteção da infância amazônica (Silva, 2014; Alves, 2017). Assim, tem como tema a atuação do Serviço Social na Amazônia no enfrentamento da violência doméstica e intrafamiliar contra crianças e adolescentes (Araújo, 2021; Brasil, 1990; Brasil 2022). O GT valoriza relatos de experiência, estudos empíricos e reflexões teóricas que dialoguem com a realidade intercultural dos territórios amazônicos, destacando estratégias sustentáveis como práticas itinerantes, capacitação de lideranças locais e fortalecimento de redes comunitárias de cuidado. Espera-se que o encontro promova trocas interdisciplinares entre pesquisadores, assistentes sociais, profissionais de saúde e educação, conselheiros tutelares e representantes comunitários, culminando em encaminhamentos práticos para a efetivação de direitos e na proposição de recomendações para políticas públicas contextualizadas. Este Grupo de Trabalho propõe estimular a criação de uma rede colaborativa para continuidade de pesquisas e intervenções em defesa de uma infância digna na Amazônia.
Coordenadores: Clarice Ubaiara Brito (UFV) e Profa. Dra. Ângela do Céu Ubaiara Brito (UEAP).
GT 10 - AMAZÔNIA, A NATUREZA, O TEMPO, O CÓSMICO E O ESPIRITUAL: DIÁLOGOS ENTRE HISTÓRIAS, RELIGIOSIDADES E MEIO AMBIENTE (ONLINE)
Partindo dos objetivos de destacar como na Amazônia, a cultura está plenamente ligada ao espiritual e ao cósmico; discutir com essas autoras, autores possibilidades de escrita da História a partir de discursos contra hegemônicos destacando a atuação de povos e comunidade tradicionais amazônicas, esse GT, entende que manter a Amazônia de pé, requer hoje consolidar as ciências, valorizar e utilizar-se de as ciências indígenas e juntos construir soluções que consolidem a natureza, bem como a vida humana. Tudo na Amazônia está interligado: o meio ambiente, o meio cultural, o meio espiritual. Para o povo Tukano, do Alto Rio Negro, no Estado do Amazonas, por exemplo, a natureza é parte da família, e ambos são frutos de uma mãe comum, Ye’pá Bʉsʉri Masã, a “avó do mundo”. Nesse sentido, creditando que todos e todas partimos de uma mesma família, é no meio natural que encontramos nossa conexão, assim, tempo-cosmo-espírito-liturgias são (devem ser) ligados por algo comum, haja vista que na Amazônia essa ligação é fruto genuíno de estar nesse território. O ST assim está aberto a propostas que dialoguem sobre os diferentes entrelaçamentos que a natureza, o sagrado, o cósmico e o natural assumem na Amazônia, e, narram e confeccionam regimes de historicidades, fazendo da Amazônia a “grande maloca”, a “casa comum”, assim para além de teorias, e fundamentalismos, esse ST agregará experiências de amazonizar, e expectativas de filosofias de bem viver!
Coordenadores: Prof. Dr. Bruno Miranda Braga (UFAM) e Prof. José Cândido Caccavelli de Andrade (PUCPR).
GT 11 - COSMOVISÃO, TRAGÉDIA CONTEMPORÂNEA E TERRITÓRIO ESTÉTICO NA AMAZÔNIA SUL-OCIDENTAL: ORALIDADE E PRÁTICAS CÊNICAS EM DIÁLOGO (ONLINE)
Este GT propõe discutir as interseções entre oralidade, literatura, artes da cena e cosmovisões indígenas, tomando como eixo a experiência de criação de um espetáculo teatral que coloca em cena narrativas Huni Kuin interpretadas por estudantes não indígenas no curso de Teatro da Universidade Federal do Acre. A proposta parte da reflexão sobre como a oralidade — marcada por variações contextuais e pela subjetividade do narrador, mas preservando um núcleo cosmológico — se articula com processos contemporâneos de criação cênica, tensionando categorias ocidentais como a tragédia, e colocando em cena um material estético que traz em si o testemunho de vozes invisibilizadas, estabelecendo um território de encontro entre culturas e possibilidades de articulação estético-política e histórica. A partir da revisitação de uma cosmogonia Huni Kuin e de leituras do gênero trágico, através da criação de um espetáculo contemporâneo, o GT busca compreender como práticas artísticas podem constituir territórios sensíveis, capazes de atualizar histórias amazônicas frequentemente apagadas e de ativar modos de leitura de mundo ancorados em cosmogonias indígenas. Interessa-nos discutir como tecnologias artísticas — corporais, vocais, musicais e performativas — podem contribuir para a manutenção, circulação e compartilhamento de epistemologias autóctones, bem como os desafios éticos, estéticos e políticos envolvidos em processos interculturais entre indígenas e não indígenas. O GT acolhe trabalhos que abordem oralidades indígenas, teatralidade, cena e ritual, variação narrativa, tragédia contemporânea, histórias e cosmogonias das Amazônias e práticas artísticas como tecnologias de testemunho sensível e territorialização de mundos possíveis. Busca-se promover um espaço de diálogo entre pesquisadores, artistas, mestres de saberes e estudantes, fortalecendo redes de reflexão e criação que articulem corpo, território, ancestralidade e estética. Entre os autores que serão abordados, parte-se de uma proposta que tensiona leituras de Krenak (2022), Williams (2002), Deleuze e Guattari (1980), Lagrou (2007), Touchard (1970), entre outros.
Coordenadores: Profa. Dra. Viviana Coletty (UFAC), Prof. Dr. Carlos Gontijo Rosa (UFAC) e Yube Wanderson Kaxinawa (UFAC).
GT 12 - HISTÓRIA, ENSINO DE HISTÓRIA E A EDUCAÇÃO EM CONFLUÊNCIA COM HUMANOS E NÃO-HUMANOS (ONLINE)
O ensino de história e a leitura de mundo construída nas aulas de história não podem prescindir da leitura crítica do seu contexto, interligando a leitura e o mundo em um processo denominado por Paulo Freire de palavra mundo (Freire, 2011, p.20). Considerar o ensino de história dentro de uma concepção teórica e metodológica de palavra mundo requer considerar também os processos de formação e atuação docente. É entendendo o ensino de história como um lugar de conjugação de diferentes saberes, ou seja, um lugar de fronteira, em que se articulam produção de saberes, trocas e reconhecimento das diferenças (Monteiro; Penna, 2011, p.91), que este Grupo de Trabalho (GT) tem como objetivo agregar trabalhos que tenham como foco os diferentes saberes e sujeitos, humanos e não humanos, no processo de co-construção dos diferentes mundos da Pan Amazônia e espaços outros não amazônicos. Serão bem-vindos trabalhos que dialoguem com a História, com o Ensino de História e com a educação em geral, articulando o ensino e a aprendizagem em uma poiesis da fronteira “marcada de lutas, resistências e apostas políticas de mudança em prol da coletividade” (Costa; Pereira; Silva, 2024, p.105 e 109-110). A perspectiva teórica e metodológica do GT é da dialogicidade do esperançar, evidenciando sujeitos historicamente invisibilizados na escrita da História e nos processos de ensino da educação formal, de forma a contribuir para a mudança de paradigma educacional e de escrita da história que supere a separação cultura e natureza e projete horizontes de expectativa para adiar o fim do mundo (Krenak, 2019).
Coordenadores: Profa. Dra. Juliana Pereira Ramalho (UFAC), Profa. Dra. Iara da Silva Castro Almeida (UFAC) e Ma. Soleane de Souza Brasil Manchineri (UFAC).
GT 13 - AMAZÔNIAS, COLONIALIDADE E NARRATIVAS DE REEXISTÊNCIA: SABERES, TERRITÓRIOS E PLURALIDADES (ONLINE)
A Amazônia foi historicamente representada por narrativas produzidas a partir de discursos coloniais, nacionais e desenvolvimentistas que a conceberam como território vazio, fronteira de recursos naturais ou espaço disponível à integração econômica e política. Tais perspectivas, analisadas por autores como Aníbal Quijano (2005), Walter Mignolo (2003), Arturo Escobar (2016), Carlos Walter Porto-Gonçalves (2006) e Ailton Krenak (2019), contribuíram para marginalizar saberes, modos de vida e formas de organização social de povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, seringueiros, camponeses e demais comunidades tradicionais que habitam e reexistem nas diferentes Amazônias. Nesse sentido, este Grupo de Trabalho busca reunir pesquisas que problematizem as formas de produção de conhecimento sobre a região, colocando em diálogo estudos históricos, antropológicos, educacionais, culturais, ambientais, religiosos e territoriais. O objetivo é compreender como narrativas decoloniais, anticoloniais e contra-hegemônicas questionam a colonialidade como eixo estruturante das interpretações sobre a Amazônia, valorizando oralidades, memórias, experiências comunitárias, cosmologias, práticas espirituais, territorialidades e conhecimentos locais. Serão bem-vindos trabalhos que discutam fronteiras, conflitos territoriais, educação intercultural, religiosidades, história oral, cultura, meio ambiente, cartografias críticas, movimentos sociais, políticas públicas, patrimonialização, resistências e experiências de reexistência. A metodologia do GT consistirá na apresentação de pesquisas, seguida de debate coletivo, buscando promover um espaço interdisciplinar de escuta, reflexão crítica e circulação de saberes. Pretende-se, assim, contribuir para novos caminhos de compreensão das Amazônias, reconhecendo seus sujeitos históricos e suas formas próprias de narrar, viver e defender seus territórios.
Coordenadores: Prof. Me. Ramon Nere de Lima (IFAC), Profa. Dra. Emilly Nayra Soares Albuquerque (AME) e Prof. Me. Danilo Rodrigues do Nascimento (CAP-UFAC).
GT 14 - PESQUISAS EM HUMANIDADES NAS AMAZÔNIAS: PERSPECTIVAS E DESAFIOS EM REGIÕES DE FRONTEIRAS (PRESENCIAL)
O Grupo de Trabalho tem por objetivo reunir pesquisas desenvolvidas por estudantes de graduação, pós-graduação e pesquisadoras/es das diferentes áreas das Humanidades que se dedicam à compreensão das dinâmicas socioambientais, econômicas, políticas e culturais que caracterizam as Amazônias e suas regiões de fronteira, em espaços urbanos e rurais, no campo e na floresta, bem como em diferentes escalas geográficas e temporais. Busca-se promover o diálogo interdisciplinar sobre territorialidades, mobilidades, dinâmicas ambientais, desigualdades sociais, processos educativos e formas de produção de conhecimentos, considerando os desafios enfrentados pelos povos e comunidades amazônicas diante das transformações contemporâneas e das permanências históricas da colonialidade, conforme algumas importantes referências, como Porto-Gonçalvez (2017), Catherine Walsh (2009), Quijano (2005) e Milton Santos (2000),. Serão acolhidos trabalhos relacionados às migrações, conflitos territoriais, exploração dos recursos naturais, políticas públicas, identidades, memórias, oralidades, saberes tradicionais, educação e ensino, patrimônio cultural e formas de resistência construídas por povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, camponeses e demais grupos sociais. O simpósio pretende constituir-se como um espaço de reflexão e intercâmbio entre diferentes perspectivas teóricas e metodológicas, favorecendo a interlocução entre pesquisadoras/es de distintas áreas das Humanidades. As atividades serão organizadas em sessões de comunicação oral e debates, buscando estimular a partilha de experiências e a construção de redes de pesquisa. Propõe-se, especialmente, como um espaço de acolhimento e divulgação da produção acadêmica de pesquisadoras/es em formação, incentivando o diálogo entre diferentes trajetórias e objetos de estudo. Serão aceitas pesquisas concluídas e/ou em desenvolvimento, desde que relacionadas às temáticas das Humanidades e às múltiplas realidades das Amazônias e suas fronteiras.
Coordenadores: Profa. Dra. Lucilene Ferreira de Almeida (UFAC) e Prof. Me. Orlando Menezes da Silva (UNIR).
GT 15 - RELIGIÃO, PODER E TERRITÓRIO NAS AMAZÔNIAS: AGENTES, INSTITUIÇÕES E EXPERIÊNCIAS DE FÉ (ONLINE)
As Amazônias constituem espaços de intensa diversidade cultural, étnica e religiosa, marcados por múltiplos processos de circulação, disputas territoriais, produção de identidades e construção de formas de pertencimento. Nesse contexto, as experiências religiosas desempenharam papel fundamental na constituição de territorialidades, na formação de redes de sociabilidade e na mediação das relações entre populações locais, instituições políticas e diferentes projetos de ocupação e organização do espaço amazônico. Este Grupo de Trabalho propõe reunir pesquisas que investiguem as relações entre religião, poder e território nas Amazônias latinas, considerando diferentes temporalidades, agentes e tradições religiosas. Interessa acolher estudos sobre missões, dioceses, prelazias, congregações religiosas, movimentos sociais de inspiração religiosa, religiosidades indígenas e afro-amazônicas, espiritualidades populares, patrimônios religiosos, festas, devoções, oralidades, memórias e práticas de resistência cultural. Serão igualmente bem-vindas pesquisas que abordem as interações entre religião, educação, meio ambiente, conflitos territoriais, mobilidades populacionais e processos de construção de fronteiras. O GT busca fomentar o diálogo entre História, Antropologia, Sociologia, Geografia, Ciências da Religião e áreas afins, estimulando reflexões sobre os modos pelos quais instituições religiosas e experiências de fé participaram da formação histórica das Amazônias e continuam influenciando suas dinâmicas contemporâneas. Pretende-se, ainda, problematizar as relações entre religião, colonialidade, autoridade, produção de saberes e territorialidades, contribuindo para ampliar os debates acerca da pluralidade religiosa e dos desafios socioculturais presentes na Pan-Amazônia.
Coordenadores: Prof. Me. Rafael Machado Santana (UnB).
GT 16 - ENTRE DIÁLOGOS: ESPAÇOS DE ENSINO-PESQUISA E AS DOBRAS DA APRENDIZAGEM NA EDUCAÇÃO BÁSICA (ONLINE)
A Educação Básica constitui um território atravessado por múltiplas experiências de produção de conhecimento, nas quais ensino e pesquisa não se apresentam como dimensões separadas, mas como movimentos que se entrecruzam na construção de aprendizagens significativas. Durante muito tempo, as práticas escolares foram orientadas por modelos centrados na transmissão de conteúdos, reduzindo estudantes e professores à condição de receptores e executores de conhecimentos previamente legitimados. Em contraposição a essa perspectiva, autores como Paulo Freire (1996), Boaventura de Sousa Santos (2019), António Nóvoa (2017), Jorge Larrosa (2002), bell hooks (2013) Lima e Bittencourt (2023) evidenciam que os processos educativos se fortalecem quando reconhecem a investigação, a experiência e o diálogo como elementos constitutivos da formação humana. Nessa direção, este Grupo de Trabalho busca reunir pesquisas, relatos de experiência e reflexões teóricas que discutam os espaços de ensino-pesquisa na Educação Básica, compreendendo a aprendizagem como um processo marcado por encontros, deslocamentos, escutas e produções coletivas de saberes. Interessa-nos refletir sobre as diferentes formas pelas quais estudantes, professores e comunidades escolares constroem conhecimentos a partir de práticas investigativas, projetos interdisciplinares, experiências pedagógicas inovadoras, narrativas autobiográficas, metodologias participativas e processos de formação que ampliam as possibilidades de ensinar e aprender. Serão acolhidos trabalhos que abordem temas como iniciação científica na Educação Básica, pesquisa como princípio educativo, formação docente, currículo, práticas interculturais, educação inclusiva, educação do campo, educação indígena, tecnologias educacionais, metodologias ativas, extensão escolar, cultura, memória, territorialidades, letramentos e experiências que evidenciem a potência do diálogo entre ensino e pesquisa. A metodologia do GT consistirá na apresentação das pesquisas e experiências, seguida de debates coletivos, buscando constituir um espaço interdisciplinar de circulação de saberes, reflexão crítica e compartilhamento de práticas educativas. Pretende-se, assim, contribuir para o fortalecimento de uma Educação Básica comprometida com a produção do conhecimento, a valorização das experiências escolares e a formação de sujeitos capazes de interrogar, criar e transformar os contextos em que vivem.
Coordenadores: Profa. Dra. Geórgia Pereira Lima e Prof. Me. Danilo Rodrigues do Nascimento (CAP-UFAC).
GT 17 - ARQUEOLOGIA, PATRIMÔNIO E TERRITORIALIDADES NAS AMAZÔNIAS: MEMÓRIAS, RESISTÊNCIAS E DEFESA DOS TERRITÓRIOS (ONLINE)
As Amazônias constituem espaços historicamente construídos por múltiplos povos, cujas formas de ocupação, manejo da paisagem e produção de conhecimentos desafiam interpretações que reduziram a região a uma natureza intocada ou a um vazio demográfico. Os avanços recentes da arqueologia amazônica têm contribuído para compreender as formas de ocupação, manejo da paisagem construção de territorialidades indígenas e outras populações tradicionais, evidenciando a relevância do patrimônio arqueológico para os debates contemporâneos sobre memória, identidade e defesa dos territórios (Neves, 2022; Ferreira, 2024; Silva, 2024). Este Grupo de Trabalho propõe reunir pesquisas que discutam as relações entre arqueologia, patrimônio, memória, territorialidades e defesa dos territórios nas Amazônias, considerando diferentes temporalidades e perspectivas teórico-metodológicas. Serão acolhidos trabalhos voltados à arqueologia amazônica, história indígena, patrimônio arqueológico e cultural, educação patrimonial, gestão e preservação de sítios arqueológicos, ecologia histórica, cartografias sociais, história oral, conflitos territoriais, impactos socioambientais, saberes tradicionais e experiências colaborativas de pesquisa. O GT busca promover o diálogo entre pesquisadores, estudantes, povos indígenas, comunidades tradicionais e movimentos sociais, compreendendo a arqueologia para além de instrumento na produção de conhecimento sobre o passado, bem como ferramenta de fortalecimento da memória coletiva, valorização dos patrimônios culturais e defesa dos territórios frente às pressões decorrentes do desmatamento, da expansão agropecuária, da mineração e de outros empreendimentos que afetam as Amazônias contemporâneas. Pretende-se, assim, fomentar reflexões sobre os desafios da preservação patrimonial, da justiça socioambiental e da construção de perspectivas decoloniais voltadas à proteção dos modos de vida amazônicos.
Coordenadores: Prof. Me. Fernando Ferreira (USP) e Prof. Dr. Cliverson Gilvan Pessoa da Silva (USP).