O V Ciclo de Diálogos do ELLAE tem como tema Diálogos Pluriversais: Re-Encontros de Saberes Subalternizados. Para nós, enquanto educadores/pesquisadores, concebemos a Linguística Aplicada Crítica e as Literaturas como horizontes de ensino-pesquisa-extensão, como lugar de “desaprendizagens” desde os quais são necessários assumirmos as potências, as fabulações, as reconversões do “esperançar e inédito-viável” freireano, ao resistir e re-existir a partir da escuta sensível, agentiva e (po)ética da contracolonialidade.
O tema deste V Ciclo é, para nós, de suma relevância por dois motivos. Primeiro, por estarmos localizados no Acre, estado mais ocidental do país e distante dos grandes centros brasileiros, mas devido à famosa floresta amazônica, à história de resistência, à posição geográfica de fronteira com o Peru e a Bolívia, além do entrelaçamento de culturas (povos originários, nordestina, comunidades ribeirinhas, migrantes, entre outros), é um Estado que conquistou seu lugar e segue escrevendo a sua história. Segundo, o Grupo de Pesquisa em Educação, Linguagens, Linguística Aplicada e Ensino – ELLAE, completa em 2026, 05 anos de criação. Neste poucos anos procuramos, dentro e fora de nossa região, promover espaços de discussão crítico-colaborativas que envolvessem cenários educacionais associados com “a vida que se vive” por considerarmos o ser humano como sujeito sócio-histórico-cultural que intervém na sociedade. Nosso foco se encontra na inclusão linguística de todos os participantes – internos e externos – envolvidos em projetos de intervenção que promovam a transformação do status quo dos considerados minorias, desiguais, desassistidos, silenciados e discriminados por raça, gênero, religião e condição socioeconômica em espaços (não) escolares.
Por esse caminho, os Diálogos Pluriversais: Re-Encontros de Saberes Subalternizados é, em essência, uma proposta intelectual e política que busca reconectar, valorizar e colocar em diálogo conhecimentos historicamente marginalizados — daqueles que foram silenciados ou considerados “menores” pela lógica colonial, eurocêntrica e hegemônica de produção de saber, do ser e do poder (Quijano, 2005). Esse tema, para nós, enquanto pesquisadores do Sul do Sul-Global, é onde os diferentes mundos de conhecimento — indígenas, afrodiaspóricos, ribeirinhos, quilombolas, camponeses, feministas, periféricos, jurídico, social, filosófico, econômico entre tantos outros — se reencontram, dialogam e Re-existem, pois é no pluriverso que reconhecemos a coexistência, a reexistência, os diversos modos de pensar e as muitas formas de ser-estar no mundo.