Os Departamentos
de Pesquisa, Inovação e Pós-graduação dos campi
Porto Velho Calama e Zona Norte, do Instituto Federal de Educação, Ciência e
Tecnologia de Rondônia (IFRO) convidam a comunidade acadêmica de Porto Velho a
participar da 19ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia e do VI Encontro
Estadual de História da ANPUH-Seção Rondônia, eventos que ocorrerão de
forma integrada no Campus Porto Velho Calama,
no período de 17 a 19 de Outubro de 2022,
de forma presencial.
“Bicentenário da Independência: 200
anos de ciência, tecnologia e inovação no Brasil” é o tema que norteará
esta edição do evento. O tema proposto para esta edição propõe a integração da
SNCT às comemorações que buscam refletir sobre o processo histórico da
Independência do Brasil na construção e desenvolvimento da nação brasileira. Assim
como a Independência política e econômica de um país, a produção de ciência e
tecnologia é processual, tem um passado e um presente, e se projeta no futuro, imersa
na dialética entre permanências e rupturas, contingências e esperanças.
Nesta SNCT, nossa proposta é refletir
sobre as instituições científicas e sobre o fazer científico considerando, de
maneira especial, os significados que a Independência do Brasil tem conferido a
essa modalidade de conhecimento.
Considera-se que a transferência da
corte portuguesa para o Brasil, em 1808, assim como Independência do Brasil, em
1822, foram episódios decisivos para conferir uma nova dinâmica no processo de desenvolvimento
das ciências e da educação, já que até aquele momento o Brasil não possuía
instituições científicas.
No marco desses acontecimentos, em 1808, foram criadas escolas médicas
na Bahia (Salvador) e no Rio de Janeiro, que anos mais tarde deram origem às
primeiras faculdades de medicina no Brasil. Também em 1808 foi criado o Real
Horto, mais tarde Jardim Botânico do Rio de Janeiro, para aclimatar espécies e
produzir sementes e mudas para a produção agrícola, especiarias e ornamentação.
Em 1810, a Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho foi transformada
em Academia Real Militar, que mais tarde deu origem à Escola Politécnica
(atualmente, vinculada à UFRJ). A Biblioteca Real, atual Biblioteca Nacional,
também foi criada em 1810. Em 1818, criou-se no Rio de Janeiro o Museu Real,
hoje Museu Nacional, que aos poucos constituiu um rico acervo de ciências
naturais e de antropologia.
Como se observa, todos esses eventos, fundamentais para o
desenvolvimento da ciência no Brasil, ocorreram antes da Independência, e
muitos outros tiveram lugar a partir de 7 de Setembro de 1822, em especial as
expedições científicas e a criação de novas instituições.
O estímulo de D. João VI às expedições científicas no Brasil, nas duas
primeiras décadas do século XIX, foi inicialmente continuado por seu filho, D.
Pedro I, após a Independência. Nesse período, dentre outras, destacam-se as
expedições dos naturalistas Auguste de Sain-Hilaire, entre 1816 e 1822, e Georg
von Langsdorff, entre 1824 e 1829. Por outro lado, as instituições criadas no
início do século XIX ainda permaneceram centralizadas, em sua maior parte no
Rio de Janeiro, então capital do Brasil.
As expedições ao Brasil, facilitadas desde a abertura dos portos,
continuaram. São desse período, por exemplo, as duas passagens de Charles
Darwin, em 1832 e 1836, quando o mesmo se encantou com a floresta tropical e se
chocou com a escravidão, reforçando sua convicção abolicionista.
Em 1841, a maioridade do imperador foi
antecipada e, aos 15 anos, D. Pedro II foi coroado imperador
do Brasil. Durante as cinco décadas do reinado de D. Pedro II – um
apreciador das artes e da ciência e tecnologia – o Brasil passou por novo
período de desenvolvimento nessas áreas. As expedições científicas tiveram
continuidade e foram estimuladas, dentre elas as dos naturalistas Henry Walter
Bates (1848 a 1859) e Alfred Wallace (1848 a 1852). O surgimento de novas
instituições, porém, não teve a mesma ênfase da ocorrida no início do século,
embora o Museu Imperial (hoje Museu Nacional) tenha obtido grande prestígio. A
criação de um segundo museu de história natural no Brasil, em Belém (PA), entre
1866 e 1871, foi uma exceção no período. Trata-se da primeira instituição
científica da região amazônica, hoje conhecida como Museu Paraense Emílio
Goeldi. Outra exceção, já nos últimos anos do reinado, foi a Estação Agronômica
de Campinas (atual Instituto Agronômico de Campinas – IAC), fundada por D.
Pedro II, em 1887. Tanto o museu quanto o instituto, nas décadas seguintes,
obtiveram reconhecimento internacional em suas áreas de atuação.
Com o advento da República, em 1889, instaurou-se outro período de
desenvolvimento das ciências no Brasil e de descentralização das atividades e
instituições científicas. Foram criados novos museus, faculdades, escolas e institutos
de pesquisa, em diversas regiões do país. São desse período, no final do século
XIX, instituições como a Escola Politécnica de São Paulo, em 1894, o Museu
Paulista (Museu de História Natural), em 1895, e as Escolas de Engenharia de
Pernambuco, em 1895, e do Rio Grande do Sul, em 1896.
No alvorecer do século XX, as instituições científicas de maior
prestígio e reconhecimento internacional foram voltadas à saúde pública e à
pesquisa médica aplicada, notadamente às doenças tropicais e à produção de soros
e vacinas. Esse é o caso da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro
(RJ), a partir de 1900, e do Instituto Butantan, em São Paulo (SP), em 1901. A
Escola Universitária Livre de Manaus foi criada em 1909. A Universidade do
Paraná, inicialmente privada, surgiu em 1912. A partir das décadas de 1920 e
1930, diferentes escolas deram origem às primeiras universidades públicas no
Brasil, como a Universidade do Brasil (atual UFRJ), em 1920, e a Universidade
de São Paulo (USP), em 1934. Nas décadas de 1940 e 1950, as universidades e os
institutos de pesquisa se multiplicaram no Brasil, e os programas de
pós-graduação pouco a pouco se tornaram mais diversificados e expressivos.
Um grande marco do período pós-guerra,
considerado fundamental no processo de institucionalização científica, foi a
criação do Conselho Nacional de Pesquisa (hoje Conselho Nacional de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq), e da Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), ambos em 1951. Notadamente
a partir da década de 1950, as universidades assumiram grande parte do
protagonismo de formação e produção de ciência, tecnologia e inovação no país,
situação que até hoje se mantém. É também neste período que houve um grande
avanço na criação de institutos de pesquisa em diversas áreas da ciência, até
hoje atuantes, como o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), o
Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), o Instituto Brasileiro
de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) e a Comissão Nacional de Energia
Nuclear (CNEN), no Rio de Janeiro (RJ); o Instituto de Pesquisas Energéticas e
Nucleares (IPEN) e o Instituto de Medicina Tropical (IMTSP), em São Paulo
(SP); o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), e o Instituto Nacional
de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos (SP); e o Instituto
Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), em Manaus (AM), dentre outros.
Nas décadas de 1960 e 1970, universidades e institutos de ciências
continuaram a ser criados. Algumas instituições criadas nessa época se tornaram
grandes referenciais para a ciência brasileira atual, como é o caso, por
exemplo, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), que conta
com unidades em todas as regiões do País; do Centro de Pesquisa e
Desenvolvimento em Telecomunicações (CPQD), em Campinas (SP); do Instituto de
Pesquisas e Estudos Florestais (IPEF), em Piracicaba (SP); e do Centro de
Tecnologia Mineral (CETEM), no Rio de Janeiro (RJ). Fundamental também, neste
período, foi a criação da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), no Rio de
Janeiro (RJ).
As décadas de 1980 e 1990 foram também de efervescência no que se refere
à popularização da ciência. A Constituição Federal de 1988, pela primeira vez na
história do Brasil dedicou um capítulo específico ao tema da ciência e
tecnologia. Dentre as instituições criadas nessas décadas, citam-se o
Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), em Petrópolis (RJ); o
Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI Renato Archer), o Centro
Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) e o Laboratório Nacional de
Luz Síncrotron (LNLS), em Campinas (SP); o Museu de Astronomia e Ciências Afins
(MAST), no Rio de Janeiro (RJ), o Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA), em
Itajubá (MG); o Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE/USP), em São Paulo (SP);
a Agência Espacial Brasileira (AEB), em Brasília (DF); e o Instituto de
Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM), em Tefé (AM).
Especialmente na primeira década do
século XXI, ocorreu considerável ampliação e interiorização da presença das
universidades e Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, além de
novas universidades estaduais, municipais e da rede privada. Essa interiorização
da presença de instituições de ensino superior e de ensino básico, técnico e
tecnológico foi acompanhada por mecanismos de financiamento estudantil e
ampliação da oferta de bolsas e recursos para a ciência, além de uma inovadora
política de ações afirmativas, que tornou a educação e o fazer científico mais acessíveis
às pessoas pretas, pardas e indígenas. O orçamento federal destinado à pesquisa
e desenvolvimento seguiu em crescimento até o ano de 2013, quando chegou a
aproximadamente R$ 23,2 bilhões. A criação e descentralização de novos
institutos de pesquisa no Brasil acompanhou o mesmo ritmo de crescimento. É
desse período, por exemplo, a criação do Instituto Nacional do Semiárido
(INSA), em Campina Grande (PB); o Centro de Tecnologias Estratégicas do
Nordeste (CETENE), no Recife (PE); o Instituto Internacional de Neurociências
de Natal (IINN) – Macaíba (RN); o Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica
Avançada (CEITEC), em Porto Alegre; o Instituto Internacional de Física (IIF),
em Natal (RN); o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres
Naturais (CEMADEN), em São José dos Campos (SP) e a Empresa Brasileira de
Pesquisa e Inovação Industrial (EMBRAPII), em Brasília (DF).
O Brasil se destaca em produção científica em várias áreas das ciências,
das humanas e sociais às exatas e engenharias; da saúde, ecologia e meio
ambiente à agricultura e pecuária; da nanotecnologia à tecnologia da
informação; dentre outras. O país detém tecnologias e produz inovação nas áreas
de aeronáutica, de exploração de petróleo, de biocombustíveis, de controle de
emissão de carbono, de produção de soros e vacinas, de educação, de ciências
humanas e sociais aplicadas, de produção agropecuária, de tecnologia da
informação, dentre outras.
Em face da contextualiazação apresentada, convidamos a comunidade
acadêmica do IFRO e da UNIR a participar de nossas atividades.
Confira a Programação e Participe!