Simpósio NEAB-UFSCar: 35 anos de pesquisa, ciência e educação antirracista

Simpósio NEAB-UFSCar: 35 anos de pesquisa, ciência e educação antirracista

presencial UFSCar - Universidade Federal de São Carlos - São Carlos - São Paulo - Brasil

Simpósio NEAB-UFSCar: 35 anos de pesquisa, ciência e educação antirracista


O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade Federal de São Carlos (NEAB-UFSCar) celebra, em 2026, seus 35 anos de trajetória marcada pelo compromisso com a educação antirracista, a produção de conhecimento e a promoção das Relações Étnico-raciais no Brasil. Fundado em 1991, a partir da articulação entre docentes, discentes, servidores e militantes do Movimento Negro de São Carlos, o Núcleo consolidou-se como referência regional e nacional na articulação entre ensino, pesquisa e extensão, contribuindo de maneira decisiva para a formulação de políticas públicas voltadas à Educação para as Relações Étnico-raciais (ERER) e às ações afirmativas, com destaque para a atuação de Valter Roberto Silvério nos debates sobre igualdade racial no Brasil, na organização da História Geral da África junto a UNESCO.

Ao longo de sua trajetória, o NEAB-UFSCar participou ativamente em 2004 da construção das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana, processo conduzido pela professora Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva. O Núcleo também acumulou experiências significativas na formação continuada de profissionais da educação, com destaque para o curso de aperfeiçoamento realizado entre 2014 e 2016, por meio de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), que certificou cerca de 3 mil educadores, com a participação de destaque da professora Tatiane Cosentino Rodrigues.

A celebração dos 35 anos do NEAB-UFSCar reafirma o compromisso institucional com a justiça social, a valorização das histórias e culturas africanas e afro-brasileiras e o fortalecimento das práticas educacionais democráticas e inclusivas. O evento tem como objetivo promover o intercâmbio acadêmico entre pesquisadores, estudantes, educadores, gestores e agentes comunitários envolvidos com as lutas antirracistas, além de fortalecer pesquisas voltadas às Relações Étnico-raciais, à História e Cultura Africana e Afro-Brasileira e às políticas de equidade racial.

A programação contará com mesas-redondas, minicursos e simpósios temáticos, constituindo um espaço de diálogo, reflexão e produção coletiva de conhecimento. Além disso, o evento busca ampliar as ações de formação e divulgação científica desenvolvidas pelo Núcleo, contribuindo para a consolidação de uma cultura acadêmica comprometida com a diversidade, a inclusão e a transformação social.

O evento será realizado entre os dias 26 e 30 de outubro de 2026, na Universidade Federal de São Carlos – Campus São Carlos. Mais informações serão divulgadas em breve.


Comitê Científico:

Profa. Dra. Maria do Carmo de Sousa (UFSCAR)

Prof. Dr. Douglas Verrângia Corrêa da Silva (UFSCAR)

Profa. Dra. Petronilha Gonçalves e Silva (UFSCAR)

Profa. Dra. Ana Cristina da Cruz (UFSCAR)

Profa. Dra. Tatiane Cosentino Rodrigues(UFSCAR)

Profa. Dra. Simone de Oliveira Mestre (UFSCAR)

Profa. Dra. Rosana Batista Monteiro (UFSCAR)

Prof. Dr. Alekin Ambrósio (UFSCAR)

Dra. Leci Brandão (UFSCAR)

Prof. Dr. Renilson Rosa Ribeiro  (UFSCAR)

Prof. Dr. Róbson Pereira da Silva (UFSCAR)

Prof. Dr. Rogério Monteiro de Siqueira (USP)

Prof. Dr. Murilo Sebe Bon Meihy (UFRJ)

Profa. Dra. Priscila Martins de Medeiros (UFSCAR)

Prof. Dr. Aguinaldo Rodrigues Gomes (UFMS)

Prof. Dr. Hassan Lavalier de Oliveira Lima (UFMA)

Prof. Dr. Walter Günther Rodrigues Lippold (UFRGS)

Prof. Me. André Pereira da Silva (UFSCar)






CHAMADA DE SUBMISSÕES DE PROPOSTAS DE SIMPÓSIOS TEMÁTICOS


A Comissão Organizadora do Simpósio NEAB-UFSCar: 35 anos de pesquisa, ciência e educação antirracista torna pública a chamada para submissão de propostas de Simpósios Temáticos (STs). O evento será realizado nos dias 26, 27, 28, 29 e 30 de outubro de 2026, em formato presencial, conforme as diretrizes abaixo:



1. Período de submissão:

As propostas poderão ser submetidas entre 20 de maio de 2026 e 15 de junho de 2026


2. Procedimentos para submissão:

As propostas deverão ser enviadas para o e-mail: neabufscar35anos@gmail.com 


Orientações para envio


Arquivo em formato .doc ou .docx;

Assunto do e-mail obrigatoriamente identificado como: [Proposta de ST]


3. Pré-requisitos para proposição de ST

As propostas deverão atender aos seguintes critérios:


Contar com, no mínimo, uma pessoa pessoa proponente com título de Doutorado, preferencialmente vinculada a um Programa de Pós-Graduação;


As demais pessoas proponentes deverão possuir titulação de Doutorado ou Mestrado, independente de vínculo institucional;


A Comissão Científica incentiva a submissão de propostas referentes a debates e pesquisas em torno das relações étnico-raciais, cultura africana, afro-brasileira e afro-diaspórica.


4. Normas para elaboração do resumo do ST

O resumo da proposta deverá conter às seguintes especificações:


4.1 Formatação

Fonte Times New Roman, tamanho 12;

Espaço entre linhas: 1,5;

Texto justificado;

Margens: superior e inferior de 2,5 cm; esquerda e direita 3,0 cm;

Arquivo em formato: doc ou .docx.


4.2 Título

Título deve conter no máximo 130 caracteres com espaço;

Em negrito e alinhado à esquerda;

Utilizar caixa alta;


4.3 Identificação das pessoas proponentes

Logo abaixo do título, alinhado à esquerda devem constar:


Nome(s) da(s) pessoa(s) proponente(s);

Filiação institucional;

E-mail para contato;

Exemplo: Chanelta de Albuquerque e Pontes (Docente do PPGAS/UFSCar). E-mail: carlpontes@ufscar.br.


4.4 Corpo do resumo:

O texto deverá conter entre 200 e 250 palavras;


4.5 Referências

Inserir, ao final do resumo, três referências bibliográficas que contribuam para a discussão a ser fomentada no Simpósio Temático.


5. Disposições gerais

Ao submeter uma proposta de ST, as pessoas proponentes concordam com a possibilidade de:

aprovação;

reprovação


A Comissão Científica reserva-se o direito de desclassificar propostas que não estejam em conformidade com as normas estabelecidas nesta chamada.


6. Atribuições das coordenações de ST: 


Participar de reuniões de alinhamento, em datas a serem definidas;


Receber, avaliar e selecionar os trabalhos submetidos ao ST por meio do sistema do evento (Plataforma Even3); 


Organizar as apresentações dos trabalhos aprovados; 


Coordenar as sessões do simpósio durante o evento presencialmente;


Encaminhar à Comissão Científica os registros solicitados;


Avaliar os textos finais submetidos para publicação nos anais do evento.







CHAMADA PARA SUBMISSÕES DE PROPOSTAS DE MINICURSOS

A Comissão Organizadora do Simpósio NEAB-UFSCar: 35 anos de pesquisa, ciência e educação antirracista torna pública a chamada para submissão de propostas de Minicursos. O evento será realizado nos dias 26, 27, 28, 29 e 30 de outubro de 2026, em formato presencial, conforme as diretrizes abaixo:

1. Período de submissão
As propostas poderão ser submetidas entre 27 de maio de 2026 e 15 de junho de 2026.

2. Procedimentos para submissão
As propostas deverão ser enviadas para o e-mail: neabufscar35anos@gmail.com

Orientações para envio:
Arquivo em formato .doc ou .docx;
Assunto do e-mail obrigatoriamente identificado como: [Proposta de Minicurso]

3. Pré-requisitos para proposição de Minicurso
As propostas deverão atender aos seguintes critérios:

As propostas de minicurso podem ser coordenadas por profissionais e pesquisadores com titulação mínima de Mestrado ou Graduação, independentemente de vínculo institucional;

A Comissão Científica incentiva fortemente a submissão de propostas referentes a debates, metodologias e pesquisas em torno das relações étnico-raciais, cultura africana, afro-brasileira e afro-diaspórica.

4. Normas para elaboração da proposta de Minicurso
O resumo da proposta deverá conter as seguintes especificações:

4.1 Formatação

Fonte Times New Roman, tamanho 12;
Espaçamento entre linhas: 1,5;
Texto justificado;
Margens: superior e inferior de 2,5 cm; esquerda e direita de 3,0 cm;
Arquivo em formato: .doc ou .docx.

4.2 Título

O título deve conter no máximo 130 caracteres com espaço;
Em negrito e alinhado à esquerda;
Utilizar caixa alta (letras maiúsculas).

4.3 Identificação das pessoas proponentes
Logo abaixo do título, alinhado à esquerda, devem constar:

Nome(s) da(s) pessoa(s) proponente(s);
Titulação e filiação institucional (se houver);
E-mail para contato.

Exemplo: Maria de Souza Silva (Mestra em Antropologia/UFSCar). E-mail: maria69souz@ufscar.br

4.4 Corpo do resumo (Ementa e Objetivos):

O texto descritivo do minicurso deverá conter entre 200 e 250 palavras, explicitando a ementa, os objetivos e a proposta pedagógica/metodológica.

4.5 Referências

Inserir, ao final do resumo, três referências bibliográficas que sirvam de base para o conteúdo a ser ministrado no Minicurso.

5. Disposições gerais
Ao submeter uma proposta de Minicurso, as pessoas proponentes concordam com o resultado do processo de avaliação da comissão, que poderá ser de:

Aprovação;
Reprovação.

A Comissão Científica reserva-se o direito de desclassificar propostas que não estejam em conformidade com as normas estabelecidas nesta chamada.

6. Atribuições das coordenações de Minicurso:
Participar de reuniões de alinhamento, em datas a serem definidas pela organização;
Planejar a dinâmica didática para os dias do evento presencial;
Coordenar e ministrar as sessões do minicurso durante o evento de forma presencial;
Controlar a frequência dos participantes inscritos no minicurso;
Encaminhar à Comissão Científica os registros e relatórios solicitados.

 

SIMPÓSIOS TEMÁTICOS

 

ST1: INTERSECCIONALIDADES: DIÁLOGOS ENTRE LINGUAGENS, IDENTIDADES E PODER

 

Coordenação:

Róbson Pereira da Silva (DCSo/PPGAS/UFSCar) e Antonio Ricardo Calori de Lion (UEG)

 

Este simpósio temático propõe-se como um espaço interdisciplinar de debate e interlocução para investigações que tomam as práticas culturais, as linguagens e as manifestações artísticas como eixos centrais de análise política e social. Fundamentado nas abordagens feministas, pós-coloniais e interseccionais, o simpósio acolhe trabalhos que investiguem como as dimensões de gênero, raça, classe, sexualidades, regionalidades e religiosidades se articulam como vetores estruturantes de opressões, mas também como disparadores de resistências estéticas dialógicas. Frente às narrativas dominantes que historicamente homogeneízam e generalizam as representações sociais, buscamos problematizar nesse Simpósio Temático (ST) as imagens, discursos e significações das matrizes hegemônicas nas dimensões socioculturais por suas construções e desconstruções históricas. Interessa-nos compreender os deslocamentos ideológicos que emergem quando as diferenças e as subjetividades escapam a essas autoridades, manifestando-se em narrativas marginais, fronteiriças, tensas e desiguais. Desse ponto de vista, as discussões sobre as identidades e suas representações passam a ser um pilar fundamental nessa proposta. A partir dos conceitos de cultura como campo de batalha e da temporalidade performática que molda o contemporâneo, nosso ST convida à reflexão sobre os usos do passado, as ambiguidades das práticas sociais, as performances de contraviolência e as tensões entre o ficcional e o histórico por meio das linguagens. Serão considerados trabalhos que analisem as diversas manifestações artísticas em suas relações de poder, sejam elas dinâmicas emergentes, residuais ou hegemônicas, localizando os embates estéticos e éticos nos contextos históricos de sua produção e recepção, apontando para as disputas por representação de seu tempo. São bem-vindos trabalhos que coloquem em diálogo as diversas subáreas das Ciências Humanas e Sociais, direcionando análises e posicionando resultados que extrapolem os seus limites disciplinares.

 

ST 2: EDUCAÇÃO         MATEMÁTICA  ANTIRRACISTA             EM         DIFERENTES CONTEXTOS: ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO

 

Coordenação:

Maria do Carmo de Sousa (Docente do DIFD/UFSCar)

 

Este Simpósio Temático tem como objetivo possibilitar a socialização de produções acadêmicas elaboradas em diferentes contextos e o intercâmbio entre pesquisadores e pós-graduandos da área Educação Matemática, professores da Educação Básica que ensinam matemática e licenciandos dos cursos de matemática e de pedagogia a partir da apresentação de pesquisas, projetos ou relatos de experiências que estão em desenvolvimento ou foram concluídos que tratem das seguintes temáticas: 1) as relações étnico raciais no ensino de matemática; 2) a inserção da Lei 10.639/03 no ensino de matemática da Educação Básica e/ou nos cursos de licenciaturas de matemática e de pedagogia; 4) a decolonização dos currículos de matemática tanto na educação básica, quanto no ensino superior; 5) os conhecimentos matemáticos produzidos por povos africanos e afro-brasileiros e 6) a configuração de uma educação matemática antirracista. Pressupõem-se que: a) só é possível construir uma Educação Matemática Antirracista na medida em que as diversas comunidades que a compõe, dentre elas, as acadêmicas e escolares estiverem dispostas a analisar, coletivamente, com profundidade, os racismos científicos e estrutural, as desigualdades sociais e de gênero que se apresentam nos diferentes espaços, dentre eles, os educacionais e, consequentemente, nas aulas de matemática. Não há neutralidade na matemática e no seu ensino e, b) os conhecimentos dos povos não eurocêntricos, africanos e afro-brasileiro devem compor os currículos de matemática, tanto das escolas, quanto das universidades, priorizando a História da Matemática ou a Etnomatemática que até o momento vem sendo invisibilizadas e a justiça curricular.

 

 

ST3: MOVIMENTOS SOCIAIS: INTERSECCIONALIDADE, COMUNICAÇÃO POLÍTICA E ESTRATÉGIAS DE RESISTÊNCIA

 

Coordenação:

Profa. Dra. Gleidylucy de Oliveira (Docente do DCSO e PPGPOL/UFSCar)

Ms. Ariane Machado (Doutoranda no PPGPOL/UFSCar).

 

O século XXI foi atravessado por significantes ganhos na representação, participação política e criação de mecanismos legais-institucionais frente à discriminação e exclusão historicamente plasmada de corpos dissidentes. A interseccionalidade, enquanto lente analítica, nos permite conceber como tal processo veicula diferentes construções históricas do sistema político que produzem diferentes experiências em corpos políticos. Os avanços e desafios dos diferentes movimentos sociais e atores políticos se configuram como um locus central para compreendermos estes desafios democráticos. Tal fenômeno evoca a necessidade histórica de grupos marginalizados na reivindicação de direitos políticos e combate aos mecanismos que plasmam a desigualdade. Nesse sentido, a democracia brasileira convergiu para maior participação política, culminando em grandes avanços na construção de uma agenda governamental. Os esforços do combate à desigualdade se plasmam tanto no sentido da ação política quanto na disputa na esfera comunicacional dos sentidos e produção de corpos marcados pela violência.

O simpósio acolhe, portanto, trabalhos que tenham como objeto e lente analítica as diferentes estratégias organizacionais, de comunicação e ação político-institucional. Serão aceitos trabalhos que discutam estas diferentes estratégias e como as diferentes disputas sociopolíticas constroem e constrangem as reivindicações de movimentos sociais. Portanto, serão aceitos trabalhos: de análise empírica de comunicação política; estratégias de protestos e experiências de movimentos sociais; metodologias de análise interseccional; interseccionalidade e desafios democráticos, dentre outros.

 

 

ST4: PSICOLOGIA E RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS

 


Coordenação:

Simone Gibran Nogueira (Psicóloga; coordenadora e pesquisadora da Psicologia & Africanidades - centro de formações étnico-raciais).

Erica A. Kawakami (Psicóloga; Educadora do Centro de Tecnologia Educacional para Engenharia   da    Escola   de    Engenharia   da    Universidade  de    São    Paulo)

Gabriela Balaguer (Psicóloga judiciária do Tribunal de Justiça de São Paulo)

 

 

Em celebração aos 35 anos do NEAB-UFSCar e de seu compromisso com a Educação das Relações Étnico-Raciais (ERER), este simpósio propõe uma reflexão sobre a contribuição da Psicologia para a compreensão das relações étnico-raciais. Estudos desenvolvidos no âmbito do NEAB, orientados por Petronilha Silva e fortalecidos pelo intercâmbio internacional com Joyce King (GSU/EUA), que possibilitou a presença de Wade Nobles na UFSCar, contribuíram para ampliar esse campo de investigação. Embora a população negra constitua a maioria da sociedade brasileira, a Psicologia foi uma das  últimas áreas das ciências humanas a reconhecer os impactos do racismo na constituição das subjetividades, na saúde mental e nas desigualdades sociais. A partir dos anos 1990, psicólogas negras como Cida Bento, Izildinha Nogueira e Maria Lucia Silva impulsionaram movimentos antirracistas que influenciaram a pesquisa, a formação profissional e as políticas institucionais da área. As relações étnico-raciais configuram hoje um campo estratégico na Psicologia, promovendo diálogos com epistemologias afro-brasileiras e indígenas, saberes tradicionais e práticas coletivas de cuidado e resistência. O campo também questiona perspectivas coloniais eurocentradas, ampliando referenciais teóricos, metodológicos e ético-políticos. O simpósio reunirá pesquisas, estudos teóricos, relatos de experiência e práticas profissionais sobre racismo, subjetivação, identidade, branquitude, interseccionalidades, ações afirmativas, educação das relações étnico-raciais, povos negros, indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais, práticas clínicas, comunitárias e institucionais, epistemologias decoloniais e enfrentamento das desigualdades raciais. Pretende-se fortalecer a produção de conhecimento comprometida com justiça racial, diversidade e transformação social.


ST5: A PRODUÇÃO DE CONHECIMENTOS CIENTÍFICOS E TECNOLÓGICOS NUMA PERSPECTIVA AFRO-BRASILEIRA: CONCEITOS E PRÁTICAS

 

Coordenação:

Prof. Dr. Douglas Verrangia (DIFD UFSCar)

Profa. Ms. Kelly Meneses Fernandes (UEFS)

Prof. Dr. Luan Gustavo (DECH)

O presente Simpósio Temático propõe fomentar debates sobre a produção de conhecimentos científicos e tecnológicos a partir de perspectivas afrobrasileiras, buscando tensionar a hegemonia epistêmica que historicamente estrutura o ensino de Ciências no Brasil.

A proposta parte do entendimento de que práticas e referenciais em diálogo com perspectivas africanas e afrodiaspóricas ou afro-centrados constituem formas potentes de compreender, interpretar e transformar o mundo natural e social, oferecendo caminhos para uma Educação em Ciências e Tecnologia comprometida com a equidade racial e com a valorização de epistemologias historicamente silenciadas.

O simpósio discute fundamentos teóricos e práticas que tensionem referenciais eurocêntricos na Educação em Ciências, contemplando epistemologias de matrizes africanas e afrodiásporicas, bem como experiências pedagógicas que incorporam esses referenciais na Educação Básica e no Ensino Superior.

Busca-se ampliar o diálogo sobre como políticas curriculares, materiais didáticos, formação docente e pesquisas na área podem reconhecer e legitimar epistemologias negras, contribuindo para práticas antirracistas no ensino de Ciências.

O simpósio acolherá trabalhos que problematizem o racismo epistêmico, apresentem experiências educativas, sistematizações teóricas ou análises críticas que fortaleçam a inserção de perspectivas afrobrasileiras na área. Espera-se, assim, construir um espaço de reflexão coletiva capaz de ampliar repertórios conceituais e metodológicos, fortalecer iniciativas em curso e contribuir para a consolidação de um campo de estudos comprometido com a produção de conhecimento científico e tecnológico a partir de perspectivas afrobrasileiras.

 


 

 ST 6:HIP HOP, CIÊNCIA E EDUCAÇÃO: TENSÕES, AGENCIAMENTOS E SABERES EM PERSPECTIVA ANTIRRACISTA

 

Coordenação:

Engel Rodrigues (Universidade Federal de São Carlos)

Paulo Henrique F. B. dos Santos (Universidade Federal de São Carlos)

 

O Hip Hop constitui uma das mais potentes expressões culturais das periferias urbanas, articulando estética, política, memória e resistência em suas múltiplas linguagens — o rap, o breaking, o graffiti, a/o DJ e o MC. Nesse sentido, vemos a cultura Hip Hop como um campo de produção de conhecimento que emerge das manifestações artísticas que articulam as experiências situadas de populações negras, periféricas e historicamente subalternizadas, elaborando, a partir de seus próprios termos, narrativas sobre o mundo, sobre si e sobre os outros. Esta sessão temática propõe reunir pesquisadoras e pesquisadores que têm se debruçado, a partir de diferentes abordagens e áreas disciplinares, sobre as interfaces entre Hip Hop, ciência e Educação. A proposta nasce do reconhecimento de que o campo de estudos sobre o Hip Hop no Brasil tem crescido de forma consistente nas últimas décadas, acumulando trabalhos de fôlego nas humanidades, nas artes e nas ciências da educação — trabalhos que, no entanto, nem sempre encontram espaços adequados de interlocução dentro dos eventos acadêmicos convencionais.   No contexto do Simpósio comemorativo dos 35 anos do NEAB-UFSCar, entendemos que este espaço não apenas é adequado, mas necessário. O NEAB se constituiu, ao longo de sua trajetória, como referência na produção de conhecimentos comprometidos com a luta antirracista e com a valorização das culturas negras. Trazer o Hip Hop para o centro deste Simpósio é, portanto, um gesto coerente com o horizonte político e epistemológico que orienta o Núcleo. Esta sessão busca discutir as tensões, articulações, contradições e agenciamentos emergentes através ou junto da cultura Hip Hop, a partir de perspectivas científicas que dialoguem com os elementos, os signos, os símbolos e as linguagens que fazem parte dessa cultura — de forma contextualizada e atenta às multiplicidades das diferenças. Partimos do entendimento de que o Hip Hop não pode ser compreendido de maneira homogênea. Suas expressões variam conforme territórios, gerações, gêneros e posições raciais, produzindo sentidos distintos em contextos distintos. Por isso, convidamos trabalhos que abordem o Hip Hop em suas múltiplas dimensões — culturais, estéticas, políticas, sociais e educacionais —, sejam eles de natureza teórica, empírica ou artística. São bem-vindas pesquisas que explorem seus elementos constitutivos (rap, breaking, DJ, graffitti, consciência), suas trajetórias históricas e geográficas, suas articulações com questões de raça, gênero, sexualidade, classe e território, bem como suas potências enquanto prática pedagógica, forma de resistência e produção de conhecimento situado. Incentivamos especialmente propostas que coloquem em diálogo o Hip Hop com perspectivas decoloniais, pós-coloniais e antirracistas, reconhecendo-o como expressão legítima de epistemologias e narrativas produzidas a partir das margens. Do ponto de vista educativo, compreendemos a cultura Hip Hop como espaço de produção de conhecimentos, e buscamos reunir pesquisas e relatos que discutam o rap, o breaking, o graffiti, a/o DJ e outras expressões ligadas ao Hip Hop como linguagens capazes de mobilizar reflexões sobre juventudes, periferias, identidade, raça, memória e resistência. Interessa-nos especialmente dialogar com estudos que abordem as potencialidades educativas do Hip Hop em contextos escolares e não escolares, com atenção ao campo da Educação das Relações Étnico-Raciais. Esperamos, ainda, abrir espaço para debates sobre arte, cultura negra, produção musical, oralidade, territorialidade e práticas culturais periféricas como formas legítimas de construção de saberes — reconhecendo nesses espaços uma epistemologia própria, construída na fronteira entre a rua, a escola e a academia.

  

 

ST 07: ELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS EM SAÚDE: AVANÇOS E DESAFIOS CONTEMPORÂNEOS PARA O BEM-VIVER

 

Coordenação:

Iberê Araujo da Conceição, Doutor em Sociologia pela UFSCar.

Alekin Ambrosio, Doutor em Terapia Ocupacional, Departamento de Terapia Ocupacional da UFSCar.

Rosana Batista Monteiro. Doutora em Educação pela UFSCar. Programa de Pós-graduação em Estudos da Condição Humana - PPGECH/UFSCar.

O Simpósio Temático apresentado propõe-se a reunir pesquisas, relatos de experiência, estudos de caso, ensaios teóricos e práticas de intervenção que discutam os impactos das relações étnico-raciais nos processos de saúde, de adoecimento e de cuidado de populações negras, quilombolas, ribeirinhas, povos da floresta, comunidades tradicionais e outros grupos historicamente racializados como “não-brancos”. Partindo da noção de dispositivo de racialidade, compreende-se que o racismo não opera apenas como preconceito individual, mas, sobretudo, como tecnologia social, política e epistemológica que produz hierarquias humanas, regula corpos, distribui vulnerabilidades e condiciona o acesso à saúde e à cidadania. Nesse sentido, o ST busca acolher trabalhos que analisem as múltiplas formas pelas quais o racismo se articula com as experiências de saúde em diversos eixos: saúde mental, saúde da mulher, saúde e justiça sexual e reprodutiva, saúde LGBTQIAPN+, deficiência, envelhecimento, trabalho, formação e educação em saúde e condições de vida. São bem-vindas contribuições que adotem perspectivas interseccionais, articulando raça, gênero, sexualidade, classe social, território, geração e deficiência, bem como estudos que problematizem a produção histórica de saberes biomédicos, psiquiátricos e sanitários sobre corpos racializados. Interessa ainda discutir experiências de resistência, produção de cuidado, saberes comunitários, práticas ancestrais, assim como os modos de vida que apontem para horizontes de bem-viver, justiça social e descolonização da saúde. O ST pretende constituir um espaço de diálogo e valorização das epistemologias negras, afrodiaspóricas e africanas, indígenas e de povos tradicionais, na construção de alternativas para a promoção da saúde, do cuidado integral e da equidade racial.


 

ST8: OCUPAÇÕES NEGRAS, ANCESTRALIDADE E COMUNIDADES: RELAÇÕES

ÉTNICO-RACIAIS NOS COTIDIANOS

 

Coordenação:

Alekin Ambrosio, Doutore em Terapia Ocupacional, Prof. Assistente, DTO/UFSCar.

Amanda dos Santos Pereira, Doutora em Terapia Ocupacional.

Lilian Magalhães, Doutora em Saúde Coletiva, Profa. Adjunta, DTO/UFSCar e do Programa de Pós-Graduação em Terapia Ocupacional - PPGTO, UFSCar, Brasil; Profa. emérita da Western Univseity of Ontario, Canadá

Este Simpósio Temático busca reunir pesquisas, relatos de experiência e reflexões teóricas que discutam atividades humanas, ocupações, cotidianos e modos de vida a partir das relações étnico-raciais. Parte-se do reconhecimento de que as ocupações humanas são produzidas em contextos históricos, sociais, culturais e políticos específicos, sendo atravessadas por processos de racialização, colonialidade, gênero, sexualidade, território e outros. O ST busca acolher trabalhos que analisem como os racismos impactam as possibilidades de participação social, justiça ocupacional, produção de hitoricotidianos, construção de identidades, circulação nos espaços sociais e acesso a direitos, bem como experiências que evidenciem formas de resistência, criação, cuidado e produção da vida construídas por populações negras, quilombolas, povos tradicionais, ribeirinhos, povos da floresta e demais comunidades racializadas. Incentivamos a submissão de trabalhos que abordem as experiências, saberes, práticas culturais e modos de vida de populações negras, quilombolas, afrodiaspóricas, povos tradicionais e outras comunidades racializadas, considerando temas como ancestralidade, memória, espiritualidade, cuidado, educação, trabalho, arte, gênero, sexualidades, deficiência e relações intergeracionais. Interessa-nos, igualmente, discutir as contribuições de epistemologias negras, quilombolas, afrodiaspóricas e de povos tradicionais para a compreensão das atividades humanas, das ocupações e dos processos de transformação social. O ST pretende fortalecer diálogos entre campo de estudos da Terapia Ocupacional e da Ciência Ocupacional, da Saúde Coletiva, Educação, das Ciências Humanas e dos Estudos Étnico-Raciais, reconhecendo que as ocupações não são apenas ações individuais, mas práticas coletivas de existência, pertencimento, resistência e transformação social.


 

ST 09: INFÂNCIAS, EDUCAÇÃO INFANTIL E RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS (ERER) 


Coordenação 

Ayodele Floriano Silva (PPGE/UFSCar) 

Clau Fragelli (CAU/UFSCar) 

Simone de Oliveira Mestre (DTPP/UFSCar) 

Tatiane Cosentino Rodrigues (DTPP/UFSCar) 

 

O campo da Educação das Relações Étnico-Raciais (ERER) no Brasil é marcado por trajetórias institucionais consolidadas e por marcos normativos que redefiniram as práticas pedagógicas nacionais. No centro dessa dinâmica, o Núcleo de Estudos Afro-brasileiros (NEAB), da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), configura-se como uma referência importante, cuja atuação fundamental ecoa tanto no contexto local, quanto no cenário acadêmico e político do País. A sustentação teórica e política desse campo encontra seu principal norteador no histórico Parecer CNE/CP nº 003/2004, elaborado pela professora Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva, uma das fundadoras do NEAB/UFSCar. Esse documento, reconhecido como um dos marcos mais importantes da história da Educação brasileira, estabeleceu as diretrizes nacionais que orientam a implementação da Lei nº 10.639/2003, a qual tornou obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. 

Como desdobramentos da Lei mencionada e no âmbito da UFSCar, percebemos como importante incentivar a produção de pesquisa e de propostas pedagógicas voltadas para Educação Infantil e múltiplas infâncias, considerando que as crianças não estão livres dos tensionamentos raciais e do racismo. Essa perspectiva é amplamente sustentada pela literatura da área, desde a obra clássica de Eliane Cavalleiro, “Do Silêncio do Lar ao Silêncio Escolar: racismo, preconceito e discriminação na educação infantil” (2000), até investigações voltadas à educação de crianças bem pequenas e bebês, como demonstra Jussara Santos em seu livro “Democratização do Colo: Educação Antirracista para e com Bebês e Crianças Pequenas” (2024). 

Na universidade, essa tradição materializa-se em iniciativas concretas, tais como o desenvolvimento de pesquisas de Iniciação Científica (PIBIC) focadas na interface entre Educação Infantil e ERER, a criação de um núcleo do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) voltado a essa temática e à infância, além de uma intensa e articulada participação junto Programa Leitura e Escrita na Educação Infantil (ProLEEI). 

Diante desse panorama, o presente simpósio propõe-se a promover o debate e a reflexão sobre as intersecções entre crianças, infâncias e ERER. Serão acolhidos, tanto

relatos de experiências de práticas na educação infância que abordam a temática étnico-racial, quanto trabalhos que enforquem nas infâncias em suas diversas realidades, contemplando práticas e vivências que extrapolam a experiência escolar e educacional. Nesse sentido, incentiva-se o envio de trabalhos que discutam como as crianças são afetadas por fenômenos contemporâneos e estruturais, como o racismo climático, a segregação social, a intolerância religiosa entre outras temáticas correlatas. Serão aceitos resultados iniciais ou finais de pesquisa, reflexões teóricas e relatos de experiência que dialoguem abertamente com o campo das Infâncias e das Educação das Relações Étnico-Raciais e as infâncias.




MINICURSO


MINICURSO 1:

INTRODUÇÃO AOS ESTUDOS TRANS E TRANSFEMINISMOS

 

Fernanda Marciano (Mestra em Ciência Política/UFSCAR)

 

Resumo: O minicurso tem como objetivo apresentar as principais contribuições dos estudos trans e transfeminismos brasileiros para a teoria social e política contemporânea, situando-os como uma corrente teórico-metodológica que articula estudos de gênero, raça, sexualidade e perspectivas pós-estruturalistas. A ementa irá abordar o processo de institucionalização dos transfeminismos no Brasil, suas interlocuções com o feminismo negro, os debates sobre interseccionalidade, conhecimentos situados, escrevivência e crítica à cisgeneridade, destacando como essas formulações ampliam as possibilidades de produção de conhecimento nas ciências sociais. Serão discutidas as contribuições de intelectuais trans e travestis brasileiras em diálogo com autoras como Judith Butler, Donna Haraway, bell hooks, Kimberlé Crenshaw, Lélia Gonzalez e Conceição Evaristo, enfatizando a construção de abordagens metodológicas que reconhecem a experiência e a posicionalidade analítica como dimensões constitutivas da pesquisa científica. A proposta pedagógica fundamenta-se em exposições dialogadas, leitura coletiva de textos selecionados e debates orientados, estimulando a reflexão crítica sobre os desafios epistemológicos colocados pelos transfeminismos ao campo acadêmico. Ao aproximar teoria e experiência, o minicurso busca oferecer instrumentos analíticos para compreender os transfeminismos como parte do pensamento social brasileiro contemporâneo e como uma contribuição relevante para a construção de práticas de pesquisa comprometidas com o pluralismo epistemológico, a justiça epistêmica e a descolonização dos métodos.

Palavras chaves: Transfeminismos; Pós- Estruturalismo; Interseccionalidade.

 

Bibliografia

JESUS,Vitor. Pensamento social brasileiro e (trans)feminismos negros: contribuições de intelectuais travestis e mulheres negras na interpretação do Brasil.PerCursos, Florianópolis, v. 25, e0107, 2024.(UFES)Vitória -ES. Disponível em: http://dx.doi.org/10.5965/19847246252024e0107Recebido Acesso em 28/06/2026

JESUS, Jaqueline Gomes de. Transfeminismo: teorias e práticas. 2°. Editora Lea Carvalho, Rio de Janeiro, 2015.

NASCIMENTO, Leticia Carolina do. Transfeminismo. São Paulo: Jandaíra, 2021.

OLIVEIRA, Megg Rayara Gomes de. Por que você não me abraça. Reflexões a respeito da invisibilização de travestis e mulheres transexuais no movimento social de negras e negros. SUR, v. 15, n. 28, p. 167-179, 2018. Disponível em: https://sur.conectas.org/wp-content/uploads/2019/05/sur-28-portugues-megg-rayara-gomes-de-oliveira.pdf Acesso 02/08/2026

 

MINICURSO 2:

CANTAR HISTÓRIAS DE ADIAR O FIM DO MUNDO: SONS, MEMÓRIAS E ENCANTAMENTOS PARA AS INFÂNCIAS

 

Clau Fragelli, Docente EBTT, Colégio de Aplicação da UFSCar (CAU)

Alekin Ambrosio, Docente Assistente, Departamento de Terapia Ocupacional/UFSCar

 

 

Este minicurso propõe uma vivência teórico-prática de contação de histórias inspirada em narrativas afro-brasileiras, africanas, de povos indígenas e afroameríndias, articulada à utilização de instrumentos tradicionais de sonorização. A proposta parte do reconhecimento da oralidade como importante tecnologia de transmissão de saberes e memórias, historicamente cultivada por povos africanos, afro-brasileiros e indígenas. Destinado a crianças e a crianças-há-muito-tempo, o minicurso convida a mergulhar em experiências narrativas que articulam escuta, imaginação e criação coletiva. Em diálogo com perspectivas do bem-viver, da educação das relações étnico-raciais e da pedagogia do caos, serão comentadas as histórias na constituição das infâncias, na valorização das identidades negras e indígenas e na preservação de memórias coletivas. Além da reflexão sobre o papel das narrativas na formação humana, convidamos a experimentar diferentes estratégias de criação de ambiências sonoras por meio da voz, do corpo e de instrumentos tradicionais, explorando os sons como elementos narrativos. A atividade buscará experimentar como cantos, ritmos, sons e narrativas podem favorecer experiências sensíveis de aprendizagem, fortalecer vínculos comunitários e ampliar repertórios culturais. Mais do que uma técnica, contar e cantar histórias será apresentado como um gesto de cuidado, transmissão cultural e resistência. Afinal, adiar o fim do mundo também passa pela capacidade de imaginar futuros, fortalecer pertencimentos e seguir contando histórias que nos conectam à terra, aos nossos ancestrais e uns aos outros.

 

Referências:

FRAGELLI, Clau; MADEIRA, Thais. Éticas e Estéticas Afrocentradas: compartilhando histórias com bebês e crianças. In: FRAGELLI, Clau. et al. (Orgs.) Encontros com Bebês e Crianças: experiências de infâncias na UAC. São Carlos: Pedro & João Editores, 2021.

KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

NOGUERA, Renato. “ANTES DE SABER PARA ONDE VAI, É PRECISO SABER QUEM VOCÊ É”: TECNOLOGIA GRIOT, FILOSOFIA E EDUCAÇÃO. Problemata: R. Intern. Fil. V. 10. n. 2 (2019), p. 258-277 ISSN 2236-8612 doi:http://dx.doi.org/10.7443/problemata.v10i2.49137

 

 

MINICURSO 3:

BRASILIDADES EM POESIA

 

Joyce Helena Ferreira dos Santos (Mestranda no Programa de Mestrado Profissional em Educação da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar – São Carlos).

 

O minicurso Brasilidades em Poesia propõe uma reflexão sobre a literatura como espaço de construção, valorização e ressignificação das identidades brasileiras. A partir da leitura, análise e discussão dos poemas Terra da Gente, Terra Brasileira, Descoberta,  Mulheres em Luta, Quariterê, Resistência de um Povo e A História que Não Contam, serão exploradas diferentes representações do Brasil, destacando aspectos históricos,  culturais, sociais e étnico-raciais que compõem a formação da sociedade brasileira. O objetivo geral é promover a leitura crítica de poemas que evidenciam a diversidade cultural e as múltiplas vozes presentes na constituição da identidade nacional. Entre os

objetivos específicos, destacam-se: identificar diferentes representações do Brasil na poesia; valorizar a diversidade étnico-racial e cultural brasileira; compreender a literatura  como expressão da identidade nacional; e reconhecer a contribuição histórica e cultural da população negra para a formação do país. A proposta metodológica fundamenta-se na leitura compartilhada, na análise literária do livro Brasilidades e no diálogo coletivo. Serão trabalhadas as poesias: Terra da gente, terra brasileira, Descoberta, Mulheres em Luta, Quariterê, resistência de um povo, A história que não contam com protagonismo afro e indígena. O minicurso terá início com a pergunta disparadora: “Podemos trazer para a poesia a história do Brasil com os povos originários e com o protagonismo dos negros?” A  partir dessa questão, os participantes serão convidados a refletir sobre memória,  resistência, ancestralidade, pertencimento e representatividade na literatura. As atividades  buscarão promover uma leitura crítica e sensível dos textos poéticos, estimulando o debate e a construção de conhecimentos voltados para a valorização das brasilidades e para uma educação antirracista.

 

Referências

BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das

Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana.

Brasília: MEC, 2004.

GOMES, Nilma Lino. O movimento negro educador: saberes construídos nas lutas por

emancipação. Petrópolis: Vozes, 2017.

MUNANGA, Kabengele. Rediscutindo a mestiçagem no Brasil: identidade nacional

versus identidade negra. 5. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2019.

SANTOS. Joyce Helena Ferreira dos. Brasilidades. Birigui: Editora Pindorama,2022

 

MINICURSO 4:

INTERSECCIONALIDADE COMO FERRAMENTA TEÓRICO-METODOLÓGICA

NAS/PARA AS PESQUISAS EM EDUCAÇÃO

 

Mayra Silva dos Santos (Professora da Educação Básica, Técnica e Tecnológica do Centro Pedagógico da Universidade Federal de Minas Gerais - CP/UFMG).

 

A interseccionalidade tem se consolidado como uma importante ferramenta analítica para a compreensão das desigualdades sociais, especialmente quando se considera a articulação entre raça, gênero, classe e outros marcadores sociais. No campo da Educação, essa perspectiva permite problematizar trajetórias formativas, experiências docentes e práticas pedagógicas a partir de uma leitura crítica das estruturas históricas que produzem exclusões, privilégios e formas de resistência. Ancorado em pesquisas que investigam docência, gênero e raça a partir de narrativas de vidas, o minicurso propõe discutir a interseccionalidade não apenas como conceito, mas como ferramenta teórico-metodológica, explorando suas contribuições para a formulação de problemas de pesquisa, construção do corpus teórico e análise de dados em estudos qualitativos em educação. O minicurso será desenvolvido por meio de exposição dialogada, leitura orientada de trechos teóricos, análise de relatos e atividades reflexivas em grupo, valorizando a participação das(os) participantes e a articulação entre teoria e metodologia no campo da pesquisa em educação/para a educação. Busca-se proporcionar às/aos participantes subsídios teóricos e metodológicos para a incorporação da perspectiva interseccional em suas pesquisas, fortalecendo análises críticas comprometidas com a produção de conhecimento antirracista e socialmente referenciado.

 

Referências

 

COLLINS, Patricia Hill. Pensamento feminista negro. São Paulo: Boitempo Editorial, 2019.

COLLINS, Patricia Hill. Pensamento Feminista Negro: Conhecimento, Consciência e a

Política de Empoderamento. Nova York: Routledge, 1991.

COLLINS, Patricia Hill; BILGE, Sirma. Interseccionalidade. Tradução de Rane Souza. 1. ed.

São Paulo: Boitempo, 2020.

SANTOS, Mayra Silva dos. Docência, gênero e raça: percepções e interseccionalidades a

partir de narrativas de professoras da cidade de Imperatriz - Maranhão. 2025. Tese

(Doutorado em Educação) - Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2025. Disponível em: https://repositorio.ufscar.br/handle/20.500.14289/23400.

SANTOS, Mayra Silva dos. Interseccionalidade como ferramenta teórico-metodológica.

RELACult - Revista Latino-Americana de Estudos em Cultura e Sociedade, v. 11, n. 1,

2025. DOI: 10.23899/15asn793.

 

MINICURSO 5:

CORPOS NEGROS EM FOCO: FOTOGRAFIA, DIREÇÃO E REPRESENTAÇÃO NO AUDIOVISUAL

 

Marina Eduarda Lima Santos (Graduada em Imagem e Som/UFSCar). E-mail: aniram.0art@gmail.com

 

O minicurso propõe uma reflexão sobre a realização audiovisual a partir dos estudos negros, com foco na direção e direção de fotografia e seus impactos na representação de pessoas negras no cinema. A partir de uma perspectiva crítica e antirracista, busca compreender como padrões estéticos e técnicos historicamente construídos a partir de referenciais eurocêntricos influenciam a produção de imagens e a representação de corpos negros na tela.

O objetivo é analisar as relações entre raça, imagem e linguagem audiovisual, discutindo desafios da representação negra e as contribuições de profissionais negros para a construção de outras visualidades. Serão abordados aspectos da cinematografia, como iluminação, composição visual, direção de fotografia e fotometria para diferentes tonalidades de pele, articulando questões técnicas aos debates sobre identidade, poder e representatividade.

A proposta será desenvolvida por meio de exposições dialogadas, análise de trechos de filmes e debates coletivos. Serão discutidas obras e experiências de profissionais negros que ampliaram as possibilidades estéticas e narrativas do audiovisual, evidenciando o potencial do cinema na valorização de memórias, subjetividades e perspectivas historicamente marginalizadas. Ao final, serão debatidas práticas audiovisuais mais inclusivas, contribuindo para o fortalecimento da educação antirracista.

 

Referências

RODRIGUES, João Carlos. O negro brasileiro e o cinema. Rio de Janeiro: Pallas, 2011.

DE, Jeferson. Dogma Feijoada. In: Dogma Feijoada e o Cinema Negro Brasileiro. São Paulo: Imprensa Oficial, 2005.

HOOKS, bell. Olhares negros: raça e representação. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 2019.

 

 

 

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