O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade Federal de São Carlos (NEAB-UFSCar) celebra, em 2026, seus 35 anos de trajetória marcada pelo compromisso com a educação antirracista, a produção de conhecimento e a promoção das Relações Étnico-raciais no Brasil. Fundado em 1991, a partir da articulação entre docentes, discentes, servidores e militantes do Movimento Negro de São Carlos, o Núcleo consolidou-se como referência regional e nacional na articulação entre ensino, pesquisa e extensão, contribuindo de maneira decisiva para a formulação de políticas públicas voltadas à Educação para as Relações Étnico-raciais (ERER) e às ações afirmativas, com destaque para a atuação de Valter Roberto Silvério nos debates sobre igualdade racial no Brasil, na organização da História Geral da África junto a UNESCO.
Ao longo de sua trajetória, o NEAB-UFSCar participou ativamente em 2004 da construção das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana, processo conduzido pela professora Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva. O Núcleo também acumulou experiências significativas na formação continuada de profissionais da educação, com destaque para o curso de aperfeiçoamento realizado entre 2014 e 2016, por meio de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), que certificou cerca de 3 mil educadores, com a participação de destaque da professora Tatiane Cosentino Rodrigues.
A celebração dos 35 anos do NEAB-UFSCar reafirma o compromisso institucional com a justiça social, a valorização das histórias e culturas africanas e afro-brasileiras e o fortalecimento das práticas educacionais democráticas e inclusivas. O evento tem como objetivo promover o intercâmbio acadêmico entre pesquisadores, estudantes, educadores, gestores e agentes comunitários envolvidos com as lutas antirracistas, além de fortalecer pesquisas voltadas às Relações Étnico-raciais, à História e Cultura Africana e Afro-Brasileira e às políticas de equidade racial.
A programação contará com mesas-redondas, minicursos e simpósios temáticos, constituindo um espaço de diálogo, reflexão e produção coletiva de conhecimento. Além disso, o evento busca ampliar as ações de formação e divulgação científica desenvolvidas pelo Núcleo, contribuindo para a consolidação de uma cultura acadêmica comprometida com a diversidade, a inclusão e a transformação social.
O evento será realizado entre os dias 26 e 30 de outubro de 2026, na Universidade Federal de São Carlos – Campus São Carlos. Mais informações serão divulgadas em breve.
Comitê Científico:
Profa. Dra. Maria do Carmo de Sousa (UFSCAR)
Prof. Dr. Douglas Verrângia Corrêa da Silva (UFSCAR)
Profa. Dra. Petronilha Gonçalves e Silva (UFSCAR)
Profa. Dra. Ana Cristina da Cruz (UFSCAR)
Profa. Dra. Tatiane Cosentino Rodrigues(UFSCAR)
Profa. Dra. Simone de Oliveira Mestre (UFSCAR)
Profa. Dra. Rosana Batista Monteiro (UFSCAR)
Prof. Dr. Alekin Ambrósio (UFSCAR)
Dra. Leci Brandão (UFSCAR)
Prof. Dr. Renilson Rosa Ribeiro (UFSCAR)
Prof. Dr. Róbson Pereira da Silva (UFSCAR)
Prof. Dr. Rogério Monteiro de Siqueira (USP)
Prof. Dr. Murilo Sebe Bon Meihy (UFRJ)
Profa. Dra. Priscila Martins de Medeiros (UFSCAR)
Prof. Dr. Aguinaldo Rodrigues Gomes (UFMS)
Prof. Dr. Hassan Lavalier de Oliveira Lima (UFMA)
Prof. Dr. Walter Günther Rodrigues Lippold (UFRGS)
Prof. Me. André Pereira da Silva (UFSCar)

CHAMADA DE SUBMISSÕES DE PROPOSTAS DE SIMPÓSIOS TEMÁTICOS
A Comissão Organizadora do Simpósio NEAB-UFSCar: 35 anos de pesquisa, ciência e educação antirracista torna pública a chamada para submissão de propostas de Simpósios Temáticos (STs). O evento será realizado nos dias 26, 27, 28, 29 e 30 de outubro de 2026, em formato presencial, conforme as diretrizes abaixo:
1. Período de submissão:
As propostas poderão ser submetidas entre 20 de maio de 2026 e 15 de junho de 2026.
2. Procedimentos para submissão:
As propostas deverão ser enviadas para o e-mail: neabufscar35anos@gmail.com
Orientações para envio
Arquivo em formato .doc ou .docx;
Assunto do e-mail obrigatoriamente identificado como: [Proposta de ST]
3. Pré-requisitos para proposição de ST
As propostas deverão atender aos seguintes critérios:
Contar com, no mínimo, uma pessoa pessoa proponente com título de Doutorado, preferencialmente vinculada a um Programa de Pós-Graduação;
As demais pessoas proponentes deverão possuir titulação de Doutorado ou Mestrado, independente de vínculo institucional;
A Comissão Científica incentiva a submissão de propostas referentes a debates e pesquisas em torno das relações étnico-raciais, cultura africana, afro-brasileira e afro-diaspórica.
4. Normas para elaboração do resumo do ST
O resumo da proposta deverá conter às seguintes especificações:
4.1 Formatação
Fonte Times New Roman, tamanho 12;
Espaço entre linhas: 1,5;
Texto justificado;
Margens: superior e inferior de 2,5 cm; esquerda e direita 3,0 cm;
Arquivo em formato: doc ou .docx.
4.2 Título
Título deve conter no máximo 130 caracteres com espaço;
Em negrito e alinhado à esquerda;
Utilizar caixa alta;
4.3 Identificação das pessoas proponentes
Logo abaixo do título, alinhado à esquerda devem constar:
Nome(s) da(s) pessoa(s) proponente(s);
Filiação institucional;
E-mail para contato;
Exemplo: Chanelta de Albuquerque e Pontes (Docente do PPGAS/UFSCar). E-mail: carlpontes@ufscar.br.
4.4 Corpo do resumo:
O texto deverá conter entre 200 e 250 palavras;
4.5 Referências
Inserir, ao final do resumo, três referências bibliográficas que contribuam para a discussão a ser fomentada no Simpósio Temático.
5. Disposições gerais
Ao submeter uma proposta de ST, as pessoas proponentes concordam com a possibilidade de:
aprovação;
reprovação
A Comissão Científica reserva-se o direito de desclassificar propostas que não estejam em conformidade com as normas estabelecidas nesta chamada.
6. Atribuições das coordenações de ST:
Participar de reuniões de alinhamento, em datas a serem definidas;
Receber, avaliar e selecionar os trabalhos submetidos ao ST por meio do sistema do evento (Plataforma Even3);
Organizar as apresentações dos trabalhos aprovados;
Coordenar as sessões do simpósio durante o evento presencialmente;
Encaminhar à Comissão Científica os registros solicitados;
Avaliar os textos finais submetidos para publicação nos anais do evento.

SIMPÓSIOS TEMÁTICOS
ST1: INTERSECCIONALIDADES:
DIÁLOGOS ENTRE LINGUAGENS, IDENTIDADES E PODER
Coordenação:
Róbson Pereira da Silva (DCSo/PPGAS/UFSCar) e Antonio
Ricardo Calori de Lion (UEG)
Este simpósio temático
propõe-se como um espaço interdisciplinar de debate e interlocução para
investigações que tomam as práticas culturais, as linguagens e as manifestações
artísticas como eixos centrais de análise política e social. Fundamentado nas abordagens
feministas, pós-coloniais e interseccionais, o simpósio acolhe trabalhos que
investiguem como as dimensões de gênero, raça, classe, sexualidades,
regionalidades e religiosidades se articulam como vetores estruturantes de
opressões, mas também como disparadores de resistências estéticas dialógicas.
Frente às narrativas dominantes que historicamente homogeneízam e generalizam as
representações sociais, buscamos problematizar nesse Simpósio Temático (ST) as
imagens, discursos e significações das matrizes hegemônicas nas dimensões
socioculturais por suas construções e desconstruções históricas. Interessa-nos
compreender os deslocamentos ideológicos que emergem quando as diferenças e as
subjetividades escapam a essas autoridades, manifestando-se em narrativas
marginais, fronteiriças, tensas e desiguais. Desse ponto de vista, as
discussões sobre as identidades e suas representações passam a ser um pilar
fundamental nessa proposta. A partir dos conceitos de cultura como campo de
batalha e da temporalidade performática que molda o contemporâneo, nosso ST
convida à reflexão sobre os usos do passado, as ambiguidades das práticas
sociais, as performances de contraviolência e as tensões entre o ficcional e o
histórico por meio das linguagens. Serão considerados trabalhos que analisem as
diversas manifestações artísticas em suas relações de poder, sejam elas
dinâmicas emergentes, residuais ou hegemônicas, localizando os embates
estéticos e éticos nos contextos históricos de sua produção e recepção,
apontando para as disputas por representação de seu tempo. São bem-vindos
trabalhos que coloquem em diálogo as diversas subáreas das Ciências Humanas e
Sociais, direcionando análises e posicionando resultados que extrapolem os seus
limites disciplinares.
ST 2: EDUCAÇÃO MATEMÁTICA ANTIRRACISTA EM DIFERENTES CONTEXTOS: ENSINO, PESQUISA
E EXTENSÃO
Coordenação:
Maria do Carmo de Sousa (Docente do
DIFD/UFSCar)
Este
Simpósio Temático tem como objetivo possibilitar a socialização de produções
acadêmicas elaboradas em diferentes contextos e o intercâmbio entre
pesquisadores e pós-graduandos da área Educação Matemática, professores da
Educação Básica que ensinam matemática e licenciandos dos cursos de matemática
e de pedagogia a partir da apresentação de pesquisas, projetos ou relatos de
experiências que estão em desenvolvimento ou foram concluídos que tratem das
seguintes temáticas: 1) as relações étnico raciais no ensino de matemática; 2)
a inserção da Lei 10.639/03 no ensino de matemática da Educação Básica e/ou nos
cursos de licenciaturas de matemática e de pedagogia; 4) a decolonização dos
currículos de matemática tanto na educação básica, quanto no ensino superior;
5) os conhecimentos matemáticos produzidos por povos africanos e
afro-brasileiros e 6) a configuração de uma educação matemática antirracista.
Pressupõem-se que: a) só é possível construir uma Educação Matemática
Antirracista na medida em que as diversas comunidades que a compõe, dentre
elas, as acadêmicas e escolares estiverem dispostas a analisar, coletivamente,
com profundidade, os racismos científicos e estrutural, as desigualdades
sociais e de gênero que se apresentam nos diferentes espaços, dentre eles, os
educacionais e, consequentemente, nas aulas de matemática. Não há neutralidade
na matemática e no seu ensino e, b) os conhecimentos dos povos não
eurocêntricos, africanos e afro-brasileiro devem compor os currículos de
matemática, tanto das escolas, quanto das universidades, priorizando a História
da Matemática ou a Etnomatemática que até o momento vem sendo invisibilizadas e
a justiça curricular.
ST3:
MOVIMENTOS SOCIAIS: INTERSECCIONALIDADE, COMUNICAÇÃO POLÍTICA E ESTRATÉGIAS DE
RESISTÊNCIA
Coordenação:
Profa. Dra. Gleidylucy de Oliveira (Docente do DCSO e
PPGPOL/UFSCar)
Ms. Ariane Machado (Doutoranda no
PPGPOL/UFSCar).
O
século XXI foi atravessado por significantes ganhos na representação,
participação política e criação de mecanismos legais-institucionais frente à
discriminação e exclusão historicamente plasmada de corpos dissidentes. A
interseccionalidade, enquanto lente analítica, nos permite conceber como tal
processo veicula diferentes construções históricas do sistema político que
produzem diferentes experiências em corpos políticos. Os avanços e desafios dos
diferentes movimentos sociais e atores políticos se configuram como um locus
central para compreendermos estes desafios democráticos. Tal fenômeno evoca
a necessidade histórica de grupos marginalizados na reivindicação de direitos
políticos e combate aos mecanismos que plasmam a desigualdade. Nesse sentido, a
democracia brasileira convergiu para maior participação política, culminando em
grandes avanços na construção de uma agenda governamental. Os esforços do
combate à desigualdade se plasmam tanto no sentido da ação política quanto na
disputa na esfera comunicacional dos sentidos e produção de corpos marcados
pela violência.
O
simpósio acolhe, portanto, trabalhos que tenham como objeto e lente analítica
as diferentes estratégias organizacionais, de comunicação e ação
político-institucional. Serão aceitos trabalhos que discutam estas diferentes
estratégias e como as diferentes disputas sociopolíticas constroem e
constrangem as reivindicações de movimentos sociais. Portanto, serão aceitos
trabalhos: de análise empírica de comunicação política; estratégias de
protestos e experiências de movimentos sociais; metodologias de análise
interseccional; interseccionalidade e desafios democráticos, dentre outros.
ST4: PSICOLOGIA E RELAÇÕES
ÉTNICO-RACIAIS
Coordenação:
Simone Gibran
Nogueira
(Psicóloga; coordenadora e pesquisadora da Psicologia & Africanidades -
centro de formações étnico-raciais).
Erica A. Kawakami (Psicóloga;
Educadora do Centro de Tecnologia Educacional para Engenharia da Escola de Engenharia da Universidade de São Paulo)
Gabriela Balaguer (Psicóloga
judiciária do Tribunal de Justiça de São Paulo)
Em celebração aos 35
anos do NEAB-UFSCar e de seu compromisso com a Educação das Relações
Étnico-Raciais (ERER), este simpósio propõe uma reflexão sobre a contribuição
da Psicologia para a compreensão das relações étnico-raciais. Estudos
desenvolvidos no âmbito do NEAB, orientados por Petronilha Silva e fortalecidos
pelo intercâmbio internacional com Joyce King (GSU/EUA), que possibilitou a
presença de Wade Nobles na UFSCar, contribuíram para ampliar esse campo de
investigação. Embora a população negra constitua a maioria da sociedade
brasileira, a Psicologia foi uma das últimas
áreas das ciências humanas a reconhecer os impactos do racismo na constituição
das subjetividades, na saúde mental e nas desigualdades sociais. A partir dos
anos 1990, psicólogas negras como Cida Bento, Izildinha Nogueira e Maria Lucia
Silva impulsionaram movimentos antirracistas que influenciaram a pesquisa, a
formação profissional e as políticas institucionais da área. As relações
étnico-raciais configuram hoje um campo estratégico na Psicologia, promovendo
diálogos com epistemologias afro-brasileiras e indígenas, saberes tradicionais
e práticas coletivas de cuidado e resistência. O campo também questiona
perspectivas coloniais eurocentradas, ampliando referenciais teóricos,
metodológicos e ético-políticos. O simpósio reunirá pesquisas, estudos
teóricos, relatos de experiência e práticas profissionais sobre racismo,
subjetivação, identidade, branquitude, interseccionalidades, ações afirmativas,
educação das relações étnico-raciais, povos negros, indígenas, quilombolas e
comunidades tradicionais, práticas clínicas, comunitárias e institucionais,
epistemologias decoloniais e enfrentamento das desigualdades raciais.
Pretende-se fortalecer a produção de conhecimento comprometida com justiça
racial, diversidade e transformação social.
ST5:
A PRODUÇÃO DE CONHECIMENTOS CIENTÍFICOS E TECNOLÓGICOS NUMA PERSPECTIVA
AFRO-BRASILEIRA: CONCEITOS E PRÁTICAS
Coordenação:
Prof. Dr. Douglas Verrangia (DIFD UFSCar)
Profa. Ms. Kelly Meneses Fernandes (UEFS)
Prof. Dr. Luan Gustavo (DECH)
O presente Simpósio Temático propõe fomentar
debates sobre a produção de conhecimentos científicos e tecnológicos a partir
de perspectivas afro‑brasileiras, buscando
tensionar a hegemonia epistêmica que historicamente estrutura o ensino de
Ciências no Brasil.
A proposta parte do entendimento de que
práticas e referenciais em diálogo com perspectivas africanas e afrodiaspóricas
ou afro-centrados constituem formas potentes de compreender, interpretar e
transformar o mundo natural e social, oferecendo caminhos para uma Educação em
Ciências e Tecnologia comprometida com a equidade racial e com a valorização de
epistemologias historicamente silenciadas.
O simpósio discute fundamentos teóricos e
práticas que tensionem referenciais eurocêntricos na Educação em Ciências,
contemplando epistemologias de matrizes africanas e afro‑diásporicas, bem como
experiências pedagógicas que incorporam esses referenciais na Educação Básica e
no Ensino Superior.
Busca-se ampliar o diálogo sobre como políticas
curriculares, materiais didáticos, formação docente e pesquisas na área podem
reconhecer e legitimar epistemologias negras, contribuindo para práticas
antirracistas no ensino de Ciências.
O simpósio acolherá trabalhos que problematizem
o racismo epistêmico, apresentem experiências educativas, sistematizações
teóricas ou análises críticas que fortaleçam a inserção de perspectivas afro‑brasileiras na área.
Espera-se, assim, construir um espaço de reflexão coletiva capaz de ampliar
repertórios conceituais e metodológicos, fortalecer iniciativas em curso e
contribuir para a consolidação de um campo de estudos comprometido com a
produção de conhecimento científico e tecnológico a partir de perspectivas afro‑brasileiras.
Coordenação:
Engel Rodrigues (Universidade Federal
de São Carlos)
Paulo Henrique F. B.
dos Santos
(Universidade Federal de São Carlos)
O Hip
Hop constitui uma das mais potentes expressões culturais das periferias
urbanas, articulando estética, política, memória e resistência em suas
múltiplas linguagens — o rap, o breaking, o graffiti, a/o DJ e o MC. Nesse
sentido, vemos a cultura Hip Hop como um campo de produção de conhecimento que
emerge das manifestações artísticas que articulam as experiências situadas de
populações negras, periféricas e historicamente subalternizadas, elaborando, a
partir de seus próprios termos, narrativas sobre o mundo, sobre si e sobre os
outros. Esta sessão temática propõe reunir pesquisadoras e pesquisadores que
têm se debruçado, a partir de diferentes abordagens e áreas disciplinares,
sobre as interfaces entre Hip Hop, ciência e Educação. A proposta nasce do
reconhecimento de que o campo de estudos sobre o Hip Hop no Brasil tem crescido
de forma consistente nas últimas décadas, acumulando trabalhos de fôlego nas
humanidades, nas artes e nas ciências da educação — trabalhos que, no entanto,
nem sempre encontram espaços adequados de interlocução dentro dos eventos
acadêmicos convencionais. No contexto
do Simpósio comemorativo dos 35 anos do NEAB-UFSCar, entendemos que este espaço
não apenas é adequado, mas necessário. O NEAB se constituiu, ao longo de sua
trajetória, como referência na produção de conhecimentos comprometidos com a
luta antirracista e com a valorização das culturas negras. Trazer o Hip Hop
para o centro deste Simpósio é, portanto, um gesto coerente com o horizonte
político e epistemológico que orienta o Núcleo. Esta sessão busca discutir as
tensões, articulações, contradições e agenciamentos emergentes através ou junto
da cultura Hip Hop, a partir de perspectivas científicas que dialoguem com os
elementos, os signos, os símbolos e as linguagens que fazem parte dessa cultura
— de forma contextualizada e atenta às multiplicidades das diferenças. Partimos
do entendimento de que o Hip Hop não pode ser compreendido de maneira
homogênea. Suas expressões variam conforme territórios, gerações, gêneros e
posições raciais, produzindo sentidos distintos em contextos distintos. Por
isso, convidamos trabalhos que abordem o Hip Hop em suas múltiplas dimensões —
culturais, estéticas, políticas, sociais e educacionais —, sejam eles de
natureza teórica, empírica ou artística. São bem-vindas pesquisas que explorem
seus elementos constitutivos (rap, breaking, DJ, graffitti, consciência), suas
trajetórias históricas e geográficas, suas articulações com questões de raça,
gênero, sexualidade, classe e território, bem como suas potências enquanto
prática pedagógica, forma de resistência e produção de conhecimento situado.
Incentivamos especialmente propostas que coloquem em diálogo o Hip Hop com
perspectivas decoloniais, pós-coloniais e antirracistas, reconhecendo-o como
expressão legítima de epistemologias e narrativas produzidas a partir das
margens. Do ponto de vista educativo, compreendemos a cultura Hip Hop como
espaço de produção de conhecimentos, e buscamos reunir pesquisas e relatos que
discutam o rap, o breaking, o graffiti, a/o DJ e outras expressões ligadas ao
Hip Hop como linguagens capazes de mobilizar reflexões sobre juventudes,
periferias, identidade, raça, memória e resistência. Interessa-nos
especialmente dialogar com estudos que abordem as potencialidades educativas do
Hip Hop em contextos escolares e não escolares, com atenção ao campo da
Educação das Relações Étnico-Raciais. Esperamos, ainda, abrir espaço para
debates sobre arte, cultura negra, produção musical, oralidade,
territorialidade e práticas culturais periféricas como formas legítimas de
construção de saberes — reconhecendo nesses espaços uma epistemologia própria, construída
na fronteira entre a rua, a escola e a academia.
ST
07: ELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS EM SAÚDE: AVANÇOS E DESAFIOS CONTEMPORÂNEOS PARA O
BEM-VIVER
Coordenação:
Iberê Araujo da Conceição, Doutor em
Sociologia pela UFSCar.
Alekin Ambrosio, Doutor em Terapia
Ocupacional, Departamento de Terapia Ocupacional da UFSCar.
Rosana Batista Monteiro. Doutora em Educação
pela UFSCar. Programa de Pós-graduação em Estudos da Condição Humana -
PPGECH/UFSCar.
O
Simpósio Temático apresentado propõe-se a reunir pesquisas, relatos de
experiência, estudos de caso, ensaios teóricos e práticas de intervenção que
discutam os impactos das relações étnico-raciais nos processos de saúde, de
adoecimento e de cuidado de populações negras, quilombolas, ribeirinhas, povos
da floresta, comunidades tradicionais e outros grupos historicamente
racializados como “não-brancos”. Partindo da noção de dispositivo de
racialidade, compreende-se que o racismo não opera apenas como preconceito
individual, mas, sobretudo, como tecnologia social, política e epistemológica
que produz hierarquias humanas, regula corpos, distribui vulnerabilidades e
condiciona o acesso à saúde e à cidadania. Nesse sentido, o ST busca acolher
trabalhos que analisem as múltiplas formas pelas quais o racismo se articula
com as experiências de saúde em diversos eixos: saúde mental, saúde da mulher,
saúde e justiça sexual e reprodutiva, saúde LGBTQIAPN+, deficiência,
envelhecimento, trabalho, formação e educação em saúde e condições de vida. São
bem-vindas contribuições que adotem perspectivas interseccionais, articulando
raça, gênero, sexualidade, classe social, território, geração e deficiência,
bem como estudos que problematizem a produção histórica de saberes biomédicos,
psiquiátricos e sanitários sobre corpos racializados. Interessa ainda discutir
experiências de resistência, produção de cuidado, saberes comunitários,
práticas ancestrais, assim como os modos de vida que apontem para horizontes de
bem-viver, justiça social e descolonização da saúde. O ST pretende constituir
um espaço de diálogo e valorização das epistemologias negras, afrodiaspóricas e
africanas, indígenas e de povos tradicionais, na construção de alternativas
para a promoção da saúde, do cuidado integral e da equidade racial.
ST8: OCUPAÇÕES NEGRAS, ANCESTRALIDADE E COMUNIDADES: RELAÇÕES
ÉTNICO-RACIAIS NOS COTIDIANOS
Coordenação:
Alekin Ambrosio, Doutore em Terapia
Ocupacional, Prof. Assistente, DTO/UFSCar.
Amanda dos Santos Pereira, Doutora em Terapia
Ocupacional.
Lilian Magalhães, Doutora em Saúde
Coletiva, Profa. Adjunta, DTO/UFSCar e do Programa de Pós-Graduação em Terapia
Ocupacional - PPGTO, UFSCar, Brasil; Profa. emérita da Western Univseity of
Ontario, Canadá
Este
Simpósio Temático busca reunir pesquisas, relatos de experiência e reflexões
teóricas que discutam atividades humanas, ocupações, cotidianos e modos de vida
a partir das relações étnico-raciais. Parte-se do reconhecimento de que as
ocupações humanas são produzidas em contextos históricos, sociais, culturais e
políticos específicos, sendo atravessadas por processos de racialização,
colonialidade, gênero, sexualidade, território e outros. O ST busca acolher
trabalhos que analisem como os racismos impactam as possibilidades de
participação social, justiça ocupacional, produção de hitoricotidianos,
construção de identidades, circulação nos espaços sociais e acesso a direitos,
bem como experiências que evidenciem formas de resistência, criação, cuidado e
produção da vida construídas por populações negras, quilombolas, povos
tradicionais, ribeirinhos, povos da floresta e demais comunidades racializadas.
Incentivamos a submissão de trabalhos que abordem as experiências, saberes,
práticas culturais e modos de vida de populações negras, quilombolas,
afrodiaspóricas, povos tradicionais e outras comunidades racializadas,
considerando temas como ancestralidade, memória, espiritualidade, cuidado,
educação, trabalho, arte, gênero, sexualidades, deficiência e relações
intergeracionais. Interessa-nos, igualmente, discutir as contribuições de
epistemologias negras, quilombolas, afrodiaspóricas e de povos tradicionais
para a compreensão das atividades humanas, das ocupações e dos processos de
transformação social. O ST pretende fortalecer diálogos entre campo de estudos
da Terapia Ocupacional e da Ciência Ocupacional, da Saúde Coletiva, Educação,
das Ciências Humanas e dos Estudos Étnico-Raciais, reconhecendo que as
ocupações não são apenas ações individuais, mas práticas coletivas de
existência, pertencimento, resistência e transformação social.
Coordenação
Ayodele Floriano Silva (PPGE/UFSCar)
Clau Fragelli (CAU/UFSCar)
Simone de Oliveira Mestre (DTPP/UFSCar)
Tatiane Cosentino Rodrigues (DTPP/UFSCar)
O campo da Educação das Relações
Étnico-Raciais (ERER) no Brasil é marcado por trajetórias institucionais
consolidadas e por marcos normativos que redefiniram as práticas pedagógicas
nacionais. No centro dessa dinâmica, o Núcleo de Estudos Afro-brasileiros
(NEAB), da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), configura-se como uma
referência importante, cuja atuação fundamental ecoa tanto no contexto local,
quanto no cenário acadêmico e político do País. A sustentação teórica e
política desse campo encontra seu principal norteador no histórico Parecer
CNE/CP nº 003/2004, elaborado pela professora Petronilha Beatriz Gonçalves e
Silva, uma das fundadoras do NEAB/UFSCar. Esse documento, reconhecido como um
dos marcos mais importantes da história da Educação brasileira, estabeleceu as
diretrizes nacionais que orientam a implementação da Lei nº 10.639/2003, a qual
tornou obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana.
Como desdobramentos da Lei mencionada e no âmbito da UFSCar, percebemos como importante incentivar a produção de pesquisa e de propostas pedagógicas voltadas para Educação Infantil e múltiplas infâncias, considerando que as crianças não estão livres dos tensionamentos raciais e do racismo. Essa perspectiva é amplamente sustentada pela literatura da área, desde a obra clássica de Eliane Cavalleiro, “Do Silêncio do Lar ao Silêncio Escolar: racismo, preconceito e discriminação na educação infantil” (2000), até investigações voltadas à educação de crianças bem pequenas e bebês, como demonstra Jussara Santos em seu livro “Democratização do Colo: Educação Antirracista para e com Bebês e Crianças Pequenas” (2024).
Na universidade, essa tradição materializa-se em iniciativas concretas, tais como o desenvolvimento de pesquisas de Iniciação Científica (PIBIC) focadas na interface entre Educação Infantil e ERER, a criação de um núcleo do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) voltado a essa temática e à infância, além de uma intensa e articulada participação junto Programa Leitura e Escrita na Educação Infantil (ProLEEI).
Diante desse panorama, o presente
simpósio propõe-se a promover o debate e a reflexão sobre as intersecções entre
crianças, infâncias e ERER. Serão acolhidos, tanto
relatos de experiências de
práticas na educação infância que abordam a temática étnico-racial, quanto
trabalhos que enforquem nas infâncias em suas diversas realidades, contemplando
práticas e vivências que extrapolam a experiência escolar e educacional. Nesse
sentido, incentiva-se o envio de trabalhos que discutam como as crianças são
afetadas por fenômenos contemporâneos e estruturais, como o racismo climático,
a segregação social, a intolerância religiosa entre outras temáticas
correlatas. Serão aceitos resultados iniciais ou finais de pesquisa, reflexões
teóricas e relatos de experiência que dialoguem abertamente com o campo das
Infâncias e das Educação das Relações Étnico-Raciais e as infâncias.
MINICURSO 1:
INTRODUÇÃO AOS ESTUDOS
TRANS E TRANSFEMINISMOS
Fernanda Marciano (Mestra em Ciência Política/UFSCAR)
Resumo:
O minicurso tem como objetivo apresentar as principais contribuições dos
estudos trans e transfeminismos brasileiros para a teoria social e política
contemporânea, situando-os como uma corrente teórico-metodológica que articula
estudos de gênero, raça, sexualidade e perspectivas pós-estruturalistas. A
ementa irá abordar o processo de institucionalização dos transfeminismos no
Brasil, suas interlocuções com o feminismo negro, os debates sobre
interseccionalidade, conhecimentos situados, escrevivência e crítica à
cisgeneridade, destacando como essas formulações ampliam as possibilidades de
produção de conhecimento nas ciências sociais. Serão discutidas as
contribuições de intelectuais trans e travestis brasileiras em diálogo com
autoras como Judith Butler, Donna Haraway, bell hooks, Kimberlé Crenshaw, Lélia
Gonzalez e Conceição Evaristo, enfatizando a construção de abordagens
metodológicas que reconhecem a experiência e a posicionalidade analítica como
dimensões constitutivas da pesquisa científica. A proposta pedagógica
fundamenta-se em exposições dialogadas, leitura coletiva de textos selecionados
e debates orientados, estimulando a reflexão crítica sobre os desafios
epistemológicos colocados pelos transfeminismos ao campo acadêmico. Ao
aproximar teoria e experiência, o minicurso busca oferecer instrumentos
analíticos para compreender os transfeminismos como parte do pensamento social
brasileiro contemporâneo e como uma contribuição relevante para a construção de
práticas de pesquisa comprometidas com o pluralismo epistemológico, a justiça
epistêmica e a descolonização dos métodos.
Palavras
chaves: Transfeminismos; Pós- Estruturalismo; Interseccionalidade.
Bibliografia
JESUS,Vitor.
Pensamento social brasileiro e (trans)feminismos negros: contribuições de
intelectuais travestis e mulheres negras na interpretação do Brasil.PerCursos,
Florianópolis, v. 25, e0107, 2024.(UFES)Vitória -ES. Disponível em:
http://dx.doi.org/10.5965/19847246252024e0107Recebido Acesso em 28/06/2026
JESUS,
Jaqueline Gomes de. Transfeminismo: teorias e práticas. 2°. Editora Lea
Carvalho, Rio de Janeiro, 2015.
NASCIMENTO,
Leticia Carolina do. Transfeminismo. São Paulo: Jandaíra, 2021.
OLIVEIRA,
Megg Rayara Gomes de. Por que você não me abraça. Reflexões a respeito da
invisibilização de travestis e mulheres transexuais no movimento social de
negras e negros. SUR, v. 15, n. 28, p. 167-179, 2018. Disponível em:
https://sur.conectas.org/wp-content/uploads/2019/05/sur-28-portugues-megg-rayara-gomes-de-oliveira.pdf
Acesso 02/08/2026
MINICURSO 2:
CANTAR HISTÓRIAS
DE ADIAR O FIM DO MUNDO: SONS, MEMÓRIAS E ENCANTAMENTOS PARA AS INFÂNCIAS
Clau Fragelli, Docente EBTT, Colégio de Aplicação da UFSCar
(CAU)
Alekin Ambrosio, Docente Assistente, Departamento de
Terapia Ocupacional/UFSCar
Este
minicurso propõe uma vivência teórico-prática de contação de histórias
inspirada em narrativas afro-brasileiras, africanas, de povos indígenas e
afroameríndias, articulada à utilização de instrumentos tradicionais de
sonorização. A proposta parte do reconhecimento da oralidade como importante
tecnologia de transmissão de saberes e memórias, historicamente cultivada por
povos africanos, afro-brasileiros e indígenas. Destinado a crianças e a
crianças-há-muito-tempo, o minicurso convida a mergulhar em experiências
narrativas que articulam escuta, imaginação e criação coletiva. Em diálogo com
perspectivas do bem-viver, da educação das relações étnico-raciais e da
pedagogia do caos, serão comentadas as histórias na constituição das infâncias,
na valorização das identidades negras e indígenas e na preservação de memórias
coletivas. Além da reflexão sobre o papel das narrativas na formação humana,
convidamos a experimentar diferentes estratégias de criação de ambiências
sonoras por meio da voz, do corpo e de instrumentos tradicionais, explorando os
sons como elementos narrativos. A atividade buscará experimentar como cantos,
ritmos, sons e narrativas podem favorecer experiências sensíveis de
aprendizagem, fortalecer vínculos comunitários e ampliar repertórios culturais.
Mais do que uma técnica, contar e cantar histórias será apresentado como um
gesto de cuidado, transmissão cultural e resistência. Afinal, adiar o fim do
mundo também passa pela capacidade de imaginar futuros, fortalecer
pertencimentos e seguir contando histórias que nos conectam à terra, aos nossos
ancestrais e uns aos outros.
Referências:
FRAGELLI,
Clau; MADEIRA, Thais. Éticas e Estéticas Afrocentradas: compartilhando
histórias com bebês e crianças. In: FRAGELLI, Clau. et al. (Orgs.) Encontros
com Bebês e Crianças: experiências de infâncias na UAC. São Carlos: Pedro &
João Editores, 2021.
KRENAK,
Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras,
2019.
NOGUERA,
Renato. “ANTES DE SABER PARA ONDE VAI, É PRECISO SABER QUEM VOCÊ É”: TECNOLOGIA
GRIOT, FILOSOFIA E EDUCAÇÃO. Problemata: R. Intern. Fil. V. 10. n. 2 (2019), p.
258-277 ISSN 2236-8612 doi:http://dx.doi.org/10.7443/problemata.v10i2.49137
MINICURSO
3:
BRASILIDADES EM POESIA
Joyce Helena Ferreira dos Santos (Mestranda no Programa de
Mestrado Profissional em Educação da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar
– São Carlos).
O
minicurso Brasilidades em Poesia propõe uma reflexão sobre a literatura como
espaço de construção, valorização e ressignificação das identidades
brasileiras. A partir da leitura, análise e discussão dos poemas Terra da
Gente, Terra Brasileira, Descoberta, Mulheres
em Luta, Quariterê, Resistência de um Povo e A História que Não Contam, serão
exploradas diferentes representações do Brasil, destacando aspectos históricos,
culturais, sociais e étnico-raciais que
compõem a formação da sociedade brasileira. O objetivo geral é promover a
leitura crítica de poemas que evidenciam a diversidade cultural e as múltiplas
vozes presentes na constituição da identidade nacional. Entre os
objetivos
específicos, destacam-se: identificar diferentes representações do Brasil na poesia;
valorizar a diversidade étnico-racial e cultural brasileira; compreender a
literatura como expressão da identidade
nacional; e reconhecer a contribuição histórica e cultural da população negra
para a formação do país. A proposta metodológica fundamenta-se na leitura
compartilhada, na análise literária do livro Brasilidades e no diálogo
coletivo. Serão trabalhadas as poesias: Terra da gente, terra brasileira,
Descoberta, Mulheres em Luta, Quariterê, resistência de um povo, A história que
não contam com protagonismo afro e indígena. O minicurso terá início com a
pergunta disparadora: “Podemos trazer para a poesia a história do Brasil com os
povos originários e com o protagonismo dos negros?” A partir dessa questão, os participantes serão
convidados a refletir sobre memória, resistência,
ancestralidade, pertencimento e representatividade na literatura. As atividades
buscarão promover uma leitura crítica e
sensível dos textos poéticos, estimulando o debate e a construção de
conhecimentos voltados para a valorização das brasilidades e para uma educação
antirracista.
Referências
BRASIL.
Ministério da Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das
Relações
Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e
Africana.
Brasília:
MEC, 2004.
GOMES,
Nilma Lino. O movimento negro educador: saberes construídos nas lutas por
emancipação.
Petrópolis: Vozes, 2017.
MUNANGA,
Kabengele. Rediscutindo a mestiçagem no Brasil: identidade nacional
versus
identidade negra. 5. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2019.
SANTOS.
Joyce Helena Ferreira dos. Brasilidades. Birigui: Editora Pindorama,2022
MINICURSO 4:
INTERSECCIONALIDADE COMO
FERRAMENTA TEÓRICO-METODOLÓGICA
NAS/PARA AS PESQUISAS EM
EDUCAÇÃO
Mayra Silva dos Santos (Professora da Educação Básica,
Técnica e Tecnológica do Centro Pedagógico da Universidade Federal de Minas
Gerais - CP/UFMG).
A
interseccionalidade tem se consolidado como uma importante ferramenta analítica
para a compreensão das desigualdades sociais, especialmente quando se considera
a articulação entre raça, gênero, classe e outros marcadores sociais. No campo
da Educação, essa perspectiva permite problematizar trajetórias formativas,
experiências docentes e práticas pedagógicas a partir de uma leitura crítica
das estruturas históricas que produzem exclusões, privilégios e formas de
resistência. Ancorado em pesquisas que investigam docência, gênero e raça a
partir de narrativas de vidas, o minicurso propõe discutir a
interseccionalidade não apenas como conceito, mas como ferramenta
teórico-metodológica, explorando suas contribuições para a formulação de
problemas de pesquisa, construção do corpus teórico e análise de dados em
estudos qualitativos em educação. O minicurso será desenvolvido por meio de
exposição dialogada, leitura orientada de trechos teóricos, análise de relatos
e atividades reflexivas em grupo, valorizando a participação das(os)
participantes e a articulação entre teoria e metodologia no campo da pesquisa
em educação/para a educação. Busca-se proporcionar às/aos participantes
subsídios teóricos e metodológicos para a incorporação da perspectiva
interseccional em suas pesquisas, fortalecendo análises críticas comprometidas
com a produção de conhecimento antirracista e socialmente referenciado.
Referências
COLLINS,
Patricia Hill. Pensamento feminista negro. São Paulo: Boitempo Editorial, 2019.
COLLINS,
Patricia Hill. Pensamento Feminista Negro: Conhecimento, Consciência e a
Política
de Empoderamento. Nova York: Routledge, 1991.
COLLINS,
Patricia Hill; BILGE, Sirma. Interseccionalidade. Tradução de Rane Souza. 1.
ed.
São
Paulo: Boitempo, 2020.
SANTOS,
Mayra Silva dos. Docência, gênero e raça: percepções e interseccionalidades a
partir
de narrativas de professoras da cidade de Imperatriz - Maranhão. 2025. Tese
(Doutorado
em Educação) - Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2025. Disponível
em: https://repositorio.ufscar.br/handle/20.500.14289/23400.
SANTOS,
Mayra Silva dos. Interseccionalidade como ferramenta teórico-metodológica.
RELACult
- Revista Latino-Americana de Estudos em Cultura e Sociedade, v. 11, n. 1,
2025.
DOI: 10.23899/15asn793.
MINICURSO 5:
CORPOS NEGROS EM FOCO:
FOTOGRAFIA, DIREÇÃO E REPRESENTAÇÃO NO AUDIOVISUAL
Marina Eduarda Lima Santos (Graduada em Imagem e
Som/UFSCar). E-mail: aniram.0art@gmail.com
O
minicurso propõe uma reflexão sobre a realização audiovisual a partir dos
estudos negros, com foco na direção e direção de fotografia e seus impactos na
representação de pessoas negras no cinema. A partir de uma perspectiva crítica
e antirracista, busca compreender como padrões estéticos e técnicos
historicamente construídos a partir de referenciais eurocêntricos influenciam a
produção de imagens e a representação de corpos negros na tela.
O
objetivo é analisar as relações entre raça, imagem e linguagem audiovisual,
discutindo desafios da representação negra e as contribuições de profissionais
negros para a construção de outras visualidades. Serão abordados aspectos da
cinematografia, como iluminação, composição visual, direção de fotografia e
fotometria para diferentes tonalidades de pele, articulando questões técnicas
aos debates sobre identidade, poder e representatividade.
A
proposta será desenvolvida por meio de exposições dialogadas, análise de
trechos de filmes e debates coletivos. Serão discutidas obras e experiências de
profissionais negros que ampliaram as possibilidades estéticas e narrativas do
audiovisual, evidenciando o potencial do cinema na valorização de memórias,
subjetividades e perspectivas historicamente marginalizadas. Ao final, serão
debatidas práticas audiovisuais mais inclusivas, contribuindo para o
fortalecimento da educação antirracista.
Referências
RODRIGUES,
João Carlos. O negro brasileiro e o cinema. Rio de Janeiro: Pallas, 2011.
DE,
Jeferson. Dogma Feijoada. In: Dogma Feijoada e o Cinema Negro Brasileiro. São
Paulo: Imprensa Oficial, 2005.
HOOKS,
bell. Olhares negros: raça e representação. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos,
2019.