A psicanálise busca compreender as tramas do morrer já que o inconsciente não conhece a morte. O suicídio ou a morte de si, ou ainda o assassinato de si mesmo, é para Freud a denotação que o sujeito trata a si mesmo como objeto perdido. Para Lacan, é também uma demanda ao Outro e separação desse Outro. Freud e Lacan não desenvolveram uma clínica do suicídio propriamente, mas os seus ensinamentos trazem a psicanálise como uma prática a fim de questionar em que mundo vive o suicida. Só é possível questionar o agente do ato suicida quando o ato falha: que mal de viver é esse? As tramas do morrer são agenciadas pelas formas de viver – segregações e extermínios fazem parte desses agenciamentos – com isso, o “ser ou não ser” do dramaturgo inglês William Shakespeare é substituído pelo “ser o não ser” de um poeta exilado em hospital psiquiátrico. Freud e Lacan se empenham em responder a questão do ato suicida.
Bruno Emanuel Araujo. Psicólogo e Psicanalista. Professor universitário. Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Teoria Psicanálitica da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Mestre em Literatura e Cultura pela Universidade Federal da Bahia (2014).