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Apresentação

EDITORIAL

 DEFENDEMOS UMA EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA CRÍTICA!

Caro(a) Leitor(a),

É com imensa alegria, entusiasmo e senso de responsabilidade pública que apresentamos à comunidade acadêmica e à sociedade o primeiro volume da Revista Interdisciplinar de Extensão e Cultura Caetana. Este lançamento representa mais do que a criação de um novo periódico: simboliza o fortalecimento de um projeto coletivo que reconhece a extensão universitária como dimensão estruturante da universidade pública, socialmente referenciada e comprometida com os territórios onde se insere.

Caetana nasce do desejo de refletir, sistematizar e compartilhar experiências que expressam a extensão universitária que queremos na Universidade Federal do Delta do Parnaíba - UFDPar. Uma extensão crítica, dialógica e comprometida com as necessidades reais da sociedade; uma extensão que não se constrói de forma isolada, mas que só faz sentido na perspectiva da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, princípio basilar da universidade pública brasileira.

Nesse horizonte, a revista se ancora nas diretrizes do Fórum de Pró-Reitoras/es de Extensão das Instituições Públicas de Educação Superior (FORPROEX) e no processo de Inserção Curricular da Extensão, compreendendo-a como prática acadêmica integrada à formação dos estudantes e orientada pela interação dialógica, pela interdisciplinaridade, pelo impacto social e pela transformação da realidade. Curricularizar a extensão é reconhecer que a formação universitária se constrói no encontro vivo entre universidade e sociedade.

Acreditamos que a extensão universitária é, por natureza, um espaço de encontro: entre saberes acadêmicos e populares, entre universidade e comunidade, entre teoria e prática. É nesse encontro que se produzem aprendizagens significativas, transformações sociais e formações humanas mais integrais. Ao mesmo tempo em que impacta positivamente a vida das pessoas e dos territórios, a extensão marca profundamente a trajetória formativa dos nossos estudantes, ampliando sua sensibilidade social, seu compromisso ético e sua capacidade de intervir criticamente na realidade.

Reconhecemos que muitos são os desafios postos à extensão universitária no contexto contemporâneo — sejam eles de natureza institucional, política, financeira ou epistemológica. Ainda assim, reafirmamos que as universidades públicas possuem um compromisso inegociável com a sociedade brasileira e com a promoção da justiça social, da equidade e do desenvolvimento sustentável. Nesse sentido, apostamos em um modelo de extensão universitária também alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), atento às desigualdades sociais, ambientais e culturais que atravessam os territórios.

Revista Caetana surge, portanto, como um espaço plural, interdisciplinar e aberto ao diálogo, destinado à divulgação de relatos de experiência, reflexões teóricas, práticas extensionistas e produções culturais que expressem a vitalidade e a capilaridade da extensão universitária. Um espaço que valoriza a escuta, a troca e a construção coletiva do conhecimento, fortalecendo o papel social da universidade pública.

Que este primeiro volume seja um convite a pensar criticamente a extensão universitária, a reconhecer sua potência transformadora e a fortalecer, cada vez mais, os vínculos entre universidade e sociedade. Que a Caetana seja, desde já, um território de encontros, vozes e experiências comprometidas com a vida, com os direitos e com o futuro dos nossos territórios.


Francisco Jander de Sousa Nogueira
Editor-chefe da Revista Inter
disciplinar de Extensão e Cultura Caetana
Professor Associado do Curso de Medicina – UFDPar
Pró-Reitor de Extensão e Cultura – UFDPar


Universidade Federal do Delta do Parnaíba - UFDPar



ARTE DA CAPA




 

Artista: Fábio Solon

Título da obra: Eco

Sobre ECO

Pintei uma criança preta com um balde na cabeça. O que essa criança carrega? O que ela escuta? O que ela suporta? O que ela inventa? É por meio desse gesto que provoco um diálogo com a Revista Caetana.

O balde, objeto simples do cotidiano, ganha novos sentidos, quando atravessa o corpo da infância. Ele pode ser capacete, tambor, abrigo, brinquedo. Pode ser peso ou imaginação. Tudo depende do olhar. Convido você, agora mesmo, a produzir novos sentidos a partir dessa imagem. Que tal?

No corpo dessa criança, o objeto cotidiano deixa de ser apenas utensílio e se torna símbolo: da criatividade que nasce nas margens, da reinvenção diante das ausências, da dignidade que resiste e cria.

Escolhi uma criança preta, porque falar de extensão universitária no Brasil é, necessariamente, falar de territórios historicamente atravessados por desigualdades e, ao mesmo tempo, carregado de potências. A universidade pública, quando se abre ao diálogo, precisa reconhecer esses corpos, essas infâncias, essas invenções que já produzem conhecimento antes mesmo de serem nomeadas como tal. É a dinâmica da vida, acontecendo do nosso lado e clamando por ser percebida e compreendida. Clamando por interação.

ECO também escuta, mesmo com o balde na cabeça. Cria um outro modo de perceber o mundo. Talvez, ali dentro o som ecoe diferente. Talvez esteja experimentando outras formas de sentir, de imaginar, de compreender. Assim como a extensão universitária, que desloca o saber de um lugar vertical para uma experiência compartilhada, construída no encontro. Vamos em busca do ECO!!!

Outro elemento nessa imagem pode chamar a atenção. Esse elemento simbólico, característico das minhas obras, não está presente por acaso. Além de contribuir com a construção da identidade enquanto artista é também um dispositivo para a inquietação. Aqui, o rosto dividido da criança possibilita a construção de uma narrativa visual potente: de um lado, a boca fechada pode expressar contenção, silêncio, espera, escuta, o que foi interrompido ou ainda não pôde ser dito; de outro, boca aberta manifesta, talvez, grito, anúncio, denúncia, nascimento da palavra, som que rompe. Essa duplicidade pode simbolizar: o conflito entre silenciamento e expressão; a passagem do medo à afirmação; o instante exato em que o silêncio vira voz; a infância que aprende a falar para existir no mundo.

O balde, nesse contexto, pode amplificar o grito ou abafá-lo. Pode ser proteção contra o barulho externo ou caixa de ressonância para o som interno. A criança parece habitar esse entre-lugar: entre calar e dizer, entre conter e explodir.

Essa imagem não é ilustração, não é apresentação do belo; é provocação. É convite para pensar a universidade para além de seus muros, para reconhecer que o conhecimento se faz no compartilhamento, na rua, na comunidade, na arte, na experiência vivida. O balde, que poderia limitar a visão, aqui amplia horizontes, porque a criação é sempre um gesto de atravessamento.

Que esta capa seja, portanto, um chamado: para ouvir mais, para partilhar mais, para construir coletivamente. Espero que que a universidade pública continue se reconhecendo como território de diálogo, compromisso social e imaginação política e que, como essa criança, nunca deixe de transformar o que parece simples em possibilidade de mundo.

Seja muito bem-vinda, Revista Caetana!

Sobre o pesquisador e artista

Sou Fábio Solon, piauiense, filho de João e Maria, cirurgião-dentista de formação, docente da Universidade Federal do Piauí, com formação em Saúde Coletiva, arteiro e artista. Tenho me dedicado e explorado uma possível interface entre ciência e arte como caminho de sensibilização e mobilização social. A produção parte da compreensão de que conhecimento não se limita à racionalidade técnica, mas também se constrói na experiência estética e no afeto. Ao tensionar esses dois campos, aposto na potência transformadora que emerge, quando rigor científico e expressão artística se encontram, provocando deslocamentos, reflexões e novas formas de agir no mundo.







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Even3 - R. do Brum, 248 - Segundo andar - Recife, PE, 50030-260



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Responsável


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