ATENÇÃO
INSCRIÇÃO NO LINK: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScaOErY4UDBP9b9DomFwzD0LHKHaYF6xK35iDjkxndHYRMYjQ/viewform?usp=header
A separação entre natureza e sociedade, sujeito e objeto, humano e não-humano constitui um dos fundamentos do projeto moderno-colonial. Ao transformar a natureza em objeto de apropriação e os territórios em recursos, esse paradigma sustentou a expansão colonial, a acumulação capitalista e a consolidação de um modelo de desenvolvimento que hoje revela seus próprios limites diante da crise ecológica planetária.
Nesse
cenário, a Amazônia emerge como um dos principais territórios de disputa do
século XXI. Para além de um bioma, ela ocupa um lugar central nos debates sobre
as mudanças climáticas, o avanço do neoextrativismo e as contradições do
capitalismo contemporâneo, afirmando-se simultaneamente como espaço de
resistência, de produção de conhecimento e de elaboração de outras formas de
habitar a Terra.
Este curso
propõe uma introdução às principais questões da ecologia política contemporânea
a partir da Amazônia. Partindo da crítica às categorias modernas de natureza,
propriedade, desenvolvimento e território, serão discutidas as relações entre
colonialismo, capitalismo, crise climática e justiça socioambiental, tomando
como referência as contribuições da antropologia, da sociologia crítica e do
pensamento jurídico contemporâneo.
O curso
busca compreender a Amazônia como um campo de disputa cosmopolítica, onde
diferentes concepções de natureza, direito, território e mundo coexistem,
entram em tensão e reivindicam distintas formas de existência.
Entre
Antropoceno, Capitaloceno, neoextrativismo, cosmologias indígenas e lutas
territoriais, pensar com a floresta
sugere um horizonte crítico a partir do qual é possível interrogar os
fundamentos da modernidade e imaginar outras formas de compor mundos.
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Encontro 1
– Natureza, Direito e Modernidade: por que pensar com a floresta? – 18/08/2026
- MARES, Carlos. Como a natureza foi expulsa da modernidade.
São Paulo: Atlas, 2021.
- MADEIRA FILHO, Wilson. Antropologia jurídica e
interdisciplinaridade. In: ALVIM, Joaquim Leonel de Rezende; MADEIRA
FILHO, Wilson (org.). Teoria do Direito: diálogos interdisciplinares.
Brasília: Engenho das Letras, 2024. p. 228-250.
Objetivo: Analisar criticamente
os limites do paradigma jurídico moderno e sua influência na construção das
concepções de natureza, propriedade e proteção ambiental.
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Encontro 2
– Antropoceno, Capitaloceno, Negroceno e a crise ecológica contemporânea –
01/09/2026
- STOERMER, Eugene; CRUTZEN, Paul. O Antropoceno.
- MOORE, Jason W. Antropoceno e Capitaloceno: natureza, história e
o motor do capitalismo. São Paulo: Elefante, 2021. (Capítulo 3 –
"O surgimento da natureza barata").
- FERDINAND, Malcolm. Uma ecologia decolonial: pensar a partir do
mundo caribenho. São Paulo: Ubu, 2022. (Capítulo "A tempestade
moderna: violências ambientais e rupturas coloniais", p. 42-80).
Objetivo: Apresentar
os principais referenciais teóricos sobre o Antropoceno e o Capitaloceno,
discutindo suas implicações para a compreensão da crise ecológica
contemporânea.
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Encontro 3 – A Amazônia no centro da crise climática: neoextrativismo e conflitos socioambientais – 15/09/2026
- Manifesto SUMAÚMA: jornalismo do centro do mundo.
- NOBRE, Carlos A.
et al. A Call for Global Action to Move the Amazon
Forest System Away from Tipping Points. New
York: SPA Technical Secretariat, 2022.
- SVAMPA, Maristella. As fronteiras do neoextrativismo na América
Latina: conflitos socioambientais, giro ecoterritorial e novas
dependências. São Paulo: Elefante, 2019. (Introdução e capítulo
"Neoextrativismo e desenvolvimento").
Objetivo: Refletir
sobre a centralidade da Amazônia na crise climática global e analisar como o
avanço do neoextrativismo intensifica conflitos socioambientais e pressões
sobre os territórios amazônicos.
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Encontro 4 – Povos indígenas e a história da floresta: a arqueologia do passado e do futuro na Amazônia – 29/09/2026
- BALÉE, William. Sobre a indigeneidade das paisagens. Revista de
Arqueologia, v. 21, n. 2, p. 9-23, 2008.
- NEVES, Eduardo Góes. A Amazônia e seus povos têm história: e por isso a floresta se tornou o que é.
Sumaúma, 2023.
- NEVES,
Eduardo Góes. A Arqueologia do Passado e do Futuro na Amazônia. Anuário
Antropológico, v. 50, 2025.
- VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo. Nenhum povo é uma ilha. In: RICARDO,
Fany; GONGORA, Majoí Fávero (org.). Cercos e Resistências: Povos
Indígenas Isolados na Amazônia Brasileira. São Paulo: ISA, 2019.
Objetivo: Compreender
a contribuição histórica dos povos indígenas para a formação da floresta
amazônica.
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Encontro 5 – Instrumentos jurídicos de proteção ambiental e sua contradições – 13/10/2026
- BRASIL. Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000.
Institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza.
- LOBÃO, Ronaldo. Cosmologias
políticas do neocolonialismo: como uma política pública pode se
transformar em uma política do ressentimento. 313 f. Tese (Doutorado em
Antropologia). Universidade de Brasília, Brasília, 2006, p. 30-72.
- Parecer nº 175/2021/ICMBIO acerca da compatibilização de atividades
de populações tradicionais com os objetivos de Unidades de Conservação de
Proteção Integral.
Objetivo: Analisar os fundamentos, os instrumentos e as contradições do Sistema Nacional de Unidades de Conservação, discutindo seus desafios para a proteção da biodiversidade e dos territórios tradicionalmente ocupados.
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Encontro 6 – Crítica à modernidade, justiça ambiental e horizontes para o futuro – 27/10/2026
- SHIVA, Vandana. Monoculturas da mente: perspectivas da
biodiversidade e da biotecnologia. São Paulo: Gaia, 2003. (Capítulo 1,
p. 21-82).
- KRENAK, Aílton. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo:
Companhia das Letras, 2019.
- MILANEZ, Felipe. Lutar com a floresta: uma ecologia política do
martírio em defesa da Amazônia. São Paulo: Elefante, 2024. (Prefácio e
Capítulo 1 – "Luta e ousadia").
Material complementar
- Killing Trees is
Murder – TEDxAmazonia. Palestra de Zé Cláudio Ribeiro.
Objetivo: Refletir
sobre as críticas ao paradigma moderno-colonial e discutir os desafios
contemporâneos da justiça ambiental, das epistemologias insurgentes e da defesa
dos direitos socioambientais, tomando a Amazônia como espaço privilegiado para
pensar novos horizontes éticos, políticos e jurídicos diante da crise ecológica
contemporânea.
----------------------------------------METODOLOGIA ----------------------------------------
O curso será realizado em seis encontros quinzenais, sempre às terças-feiras, das 19h às 21h, totalizando 30 horas, entre atividades síncronas, leituras orientadas e materiais complementares.
As aulas ocorrerão em formato remoto, privilegiando a exposição dialogada, a discussão coletiva e a articulação entre teoria crítica e experiências concretas da Amazônia contemporânea. Ao final do curso será emitido certificado aos participantes que tiverem no mínio 75% de frequência nos encontros.
----------------------------------------PÚBLICO-ALVO----------------------------------------
O curso é destinado a estudantes, pesquisadores, profissionais e demais interessados nas áreas de humanidades bem como a integrantes de movimentos sociais e pessoas interessadas em dialogar criticamente sobre a crise ecológica contemporânea a partir da Amazônia.
**Não é necessário conhecimento prévio sobre os autores ou temas abordados.
----------------------------------------MINISTRANTES----------------------------------------
Mariana Rosa é doutoranda em Sociologia e Direito pela Universidade Federal Fluminense (UFF), pesquisadora nas áreas de justiça ambiental, soberania alimentar e mudanças climáticas e ecologia política.
Dandara Damas é doutoranda em Sociologia e Direito pela Universidade Federal Fluminense (UFF), desenvolvendo pesquisas sobre conflitos socioambientais, povos e comunidades tradicionais e direitos territoriais.
Ambas em estágio doutoral.