A Série de Palestras Especiais sobre Paleontologia de Vertebrados: Unindo o Brasil e a África por meio do seu Patrimônio Fossilífero reúne pesquisadores brasileiros e estrangeiros para discutir a evolução dos vertebrados, a história dos ecossistemas cretáceos e as conexões paleobiogeográficas que uniram a América do Sul e a África antes da abertura definitiva do Atlântico Sul.
O Maranhão ocupa uma posição privilegiada nesse cenário. As rochas cretáceas das bacias de São Luís-Grajaú e do Parnaíba preservam um registro fossilífero excepcionalmente diversificado, incluindo dinossauros, crocodilomorfos, quelônios, peixes, invertebrados, palinomorfos e icnofósseis. Esse patrimônio registra antigos ambientes fluviais, lacustres e estuarinos, além de episódios de influência marinha, permitindo reconstruir paisagens e ecossistemas que existiram próximos ao paleoequador há mais de 100 milhões de anos.
Entre os elementos mais emblemáticos desse registro estão os espinossaurídeos, grupo de dinossauros predadores cuja história evolutiva está profundamente relacionada à fragmentação do Gondwana e à abertura do Atlântico Sul e Equatorial. A fauna da Laje do Coringa, na Ilha do Cajual, apresenta notáveis semelhanças com comunidades cretáceas do norte da África, incluindo aquelas conhecidas no Marrocos e no Egito. A ocorrência de grandes terópodes, saurópodes, pterossauros, crocodilomorfos e peixes como celacantos evidencia uma importante conexão paleobiogeográfica entre as margens do Atlântico Sul em formação.
Esta série de palestras também celebra a parceria científica entre o Instituto Federal do Maranhão (IFMA) e o Fossil Lab - University of Chicago, fortalecendo a participação do Maranhão em redes internacionais de pesquisa em Paleontologia de Vertebrados. Essa colaboração amplia as possibilidades de pesquisa, formação de estudantes, intercâmbio acadêmico e desenvolvimento de novas investigações sobre o patrimônio fossilífero maranhense e suas conexões com outras regiões do mundo.
Além de seu extraordinário valor científico, o patrimônio paleontológico e geológico do Maranhão apresenta grande potencial para o geoturismo científico e educativo. A valorização de sítios fossilíferos, paisagens geológicas e áreas de relevância paleontológica pode contribuir para a conservação do patrimônio natural, a divulgação científica e a geração de novas oportunidades de desenvolvimento sustentável para as comunidades locais.
Mais do que um encontro dedicado aos fósseis, esta série de palestras propõe uma visão integrada de Paleontologia, Geologia, Evolução e Patrimônio, mostrando como o registro fossilífero do Maranhão ajuda a reconstruir uma história que ultrapassa fronteiras nacionais e conecta o Brasil ao continente africano em uma das mais fascinantes etapas da história da Terra.
Seja bem-vindo(a) a este momento histórico para a paleontologia maranhense e mundial!