O evento propõe uma imersão
reflexiva nas trajetórias político-intelectuais de Frei Caneca e Padre Mororó,
compreendendo-as não apenas como expressões individuais de resistência, mas
como manifestações de um projeto coletivo de organização política que se opunha
ao modelo centralizador consolidado com a Constituição de 1824. Nesse sentido,
a Confederação do Equador é abordada como um marco histórico de contestação ao
absolutismo monárquico e de afirmação de ideais federativos e republicanos no
Brasil imperial.
A palestra enfatiza, ainda, o papel
da imprensa como instrumento de construção do pensamento constitucional
brasileiro, destacando os periódicos Typhis Pernambucano e Diário do Governo do
Ceará como espaços de formulação teórica e resistência política. Esses veículos
não apenas difundiam informações, mas constituíam verdadeiras arenas
discursivas em que se articulavam críticas ao Poder Moderador e se delineavam
propostas alternativas de organização do Estado.
Sob a condução do Professor Filomeno
Moraes, o evento pretende fomentar uma leitura crítica da história
constitucional brasileira, evidenciando que os debates do século XIX permanecem
relevantes para a compreensão das tensões contemporâneas entre centralização e
autonomia, unidade e pluralidade federativa.