Introdução
Na compreensão do Antigo Israel, a terra (אֶרֶץ) e a herança (נַחֲלָה) não são propriedades pautadas em meras transações comerciais, mas sinais da identidade pactual entre YHWH e o povo que livremente elegeu para ser a sua propriedade particular: um “reino de sacerdotes e uma nação santa” (Ex 19,5-6); garantia do vínculo entre a descendência (זֶרַע) e o dom (מַתָּנָה) de Canaã.
A literatura bíblica não apresenta esse dom apenas como um simples recurso material e econômico para a sobrevivência dos filhos de Israel, mas é compreendido como um elemento teológico central que define a relação salvífica entre YHWH, a terra, que mana leite e mel (Ex 3,8.17), e a descendência do povo eleito com base na promessa que foi feita após a expulsão do Jardim de Éden em Gn 3,15.
O presente simpósio bíblico-teológico, promovido pelo grupo de pesquisa sobre Tradução e Interpretação do Antigo Testamento (TIAT), inscrito junto ao CNPq, propõe lançar um olhar sobre o protagonismo feminino a partir de certos textos bíblicos (Gn 23; 38; Nm 27,1-11; 36,1-12; Rt 3; Zc 5,5-11), que serão apresentados pelos conferencistas. A centralidade recai sobre o dom, a preservação da terra de Canaã e a continuidade da descendência, elementos intrínsecos de uma ética que conjuga justiça e misericórdia, pautadas e protagonizadas pela ação de mulheres que se tornaram os grandes sujeitos de transformação social, jurídica e espiritual do antigo Israel.
Objetivo
Investigar e apresentar o protagonismo feminino na relação entre descendência, dom da terra e herança, segundo o Antigo Testamento, com ênfase exegética, teológica, jurídica e ética para a compreensão da aliança entre YHWH e seu povo, meio eficaz para a realização dos seus desígnios salvíficos.