Justificativa
O
mês de novembro representa, em todo o país, um marco de reflexão e valorização
da luta histórica da população negra, especialmente a partir do Dia da
Consciência Negra (20 de novembro), recentemente tornado feriado nacional. Essa
data convoca a sociedade brasileira a reconhecer o protagonismo do povo negro
na construção da nação, mas também a refletir criticamente sobre o racismo
estrutural e as desigualdades que persistem.
O
evento “Novembro Negro – 2025: Movimento Negro Unificado – Lutas e Resistência”
propõe um espaço de diálogo, reflexão e construção coletiva acerca das lutas
históricas e atuais do Movimento Negro Unificado (MNU), que desde a década de
1970 tem desempenhado papel central na articulação das pautas antirracistas e
na luta por direitos sociais, políticos e trabalhistas.
A
proposta se ancora em discussões recentes trazidas por autores como Tales
Fornazier, em obras como A indissociabilidade entre as lutas antirracista e
anticapitalista: aproximações necessárias nas quais o autor evidencia como
o racismo e a exploração do trabalho são dimensões interdependentes da
sociabilidade capitalista, e Helena Santos, Jorge Maior, Cristiane Azenite e
Fernanda Silva, coordenadores(as) e organizadores(as) do Livro, recém-lançado,
Negritando o Direito ao Trabalho (2025). Essas análises dialogam com o
pensamento de Lélia Gonzalez (1988) e Sueli Carneiro (2003), que denunciam o
racismo como estruturante das relações sociais e como determinante da exclusão
econômica, política e simbólica da população negra.
Assim,
o evento busca contribuir para a formação crítica de estudantes e docentes,
reforçando o compromisso do Serviço Social com o enfrentamento das
desigualdades étnico-raciais, com base nos princípios do Projeto Ético-Político
da profissão, que valoriza a liberdade, a justiça social e a defesa intransigente
dos direitos humanos.
Objetivos
Geral:
·
Promover um espaço de reflexão e debate
sobre as lutas históricas e contemporâneas do Movimento Negro Unificado (MNU),
destacando sua contribuição para o enfrentamento do racismo e a defesa dos
direitos trabalhistas no Brasil.
Específicos:
- Compreender a trajetória histórica e
política do MNU e do movimento negro brasileiro;
- Discutir as interfaces entre as
pautas raciais e as lutas por direitos trabalhistas;
- Valorizar as produções intelectuais
negras e o pensamento social crítico;
- Fortalecer a formação ético-política
dos/as estudantes de Serviço Social em torno da luta antirracista;
- Articular a universidade com
movimentos sociais negros locais, como o MUNDI.
Fundamentação teórica
A
reflexão proposta pelo evento parte da compreensão de que o racismo é um
elemento estruturante da sociedade capitalista, produzindo e reproduzindo
desigualdades que atravessam o mundo do trabalho, a política, a educação e as
relações cotidianas. Conforme destaca Tales Fornazier (2025), o combate ao
racismo não pode ser dissociado da crítica ao capital, pois ambas as lutas se
entrelaçam na busca por uma sociedade emancipada.
Nesse
sentido, o Movimento Negro Unificado (MNU), criado em 1978, simboliza um marco
da resistência coletiva contra as diversas formas de opressão racial,
articulando-se às lutas por democracia e por condições dignas de trabalho. A
atuação do MNU expressa a potência política da população negra organizada e sua
contribuição para a formulação de políticas públicas e para a ampliação da
consciência crítica sobre o racismo estrutural.
Autores
como Lélia Gonzalez, Sueli Carneiro, Márcia Eurico e Ângela Davis ampliam essa
análise ao revelar que o racismo se imbrica nas relações de gênero e classe,
tornando imperativa uma perspectiva interseccional na luta por direitos e
emancipação. No campo do Serviço Social, tais reflexões fortalecem o
compromisso ético-político da profissão com a defesa dos direitos humanos e com
o combate a todas as formas de opressão.
Portanto,
discutir o Movimento Negro Unificado e as pautas trabalhistas da população
negra é, também, reafirmar o papel do Serviço Social na construção de uma
sociabilidade justa, antirracista e emancipatória.