Mesa 1 | Mulheres Indígenas
Data: 04 de fev.
Horário: 10h - 12h
Local: Universidade Federal do Pará
Convidados: Lídia Borari, Bruna Maytapu, Auriene e Luanna Arapium
Mediadora: Ana Manoela Karipuna
Resumo
Esta mesa redonda debate o protagonismo das mulheres indígenas na defesa de seus direitos e territórios. A partir de experiências na educação, em pesquisas acadêmicas e na liderança local, as palestrantes discutem o papel da mulher indígena na preservação cultural, na resistência política contemporânea e na autonomia de suas comunidades.
Mesa 2 | Terra
Data: 05 de fev.
Horário: 16h30 - 18h
Local: Museu Paraense Emílio Goeldi
Convidados: Robson Guajajara e Abimael Munduruku
Mediador: Vitor da Mata Martins
Mesa 3 | Educação
Data: 06 de fev.
Horário: 16h30 - 18h
Local: Universidade Federal do Pará
Convidados: Vera Arapium e Airton do Reis Pereira
Mediadora: Alana de Oliveira Lima
Simpósio Temático 01 | Terra, direitos e conflitos
Coordenadoras:
Luly Fischer (UFPA)
Barbara Truffin (ULB)
Resumo:
O simpósio busca apresentar e fomentar o diálogo em torno de pesquisas
atuais conduzidas em diversas disciplinas para aprofundar nossa compreensão das
(des)continuidades nas questões territoriais indígenas. Essas questões são
moldadas pelo discurso dos direitos e pela dinâmica judicial, mas também
influenciam a reavaliação jurídica e o surgimento de novos paradigmas em
direitos fundamentais, como ilustrado pelos debates em curso sobre direitos à
natureza e direitos bioculturais.
Acolhemos com satisfação tanto estudos de caso quanto perspectivas
históricas sobre direitos territoriais indígenas e conflitos na América Latina.
Métodos etnográficos, de pesquisa documental e participativos são incentivados,
juntamente com abordagens jurídicas mais clássicas.
O direito e os direitos desempenharam um papel central nas dinâmicas
(pós)coloniais de dominação e continuam a produzir e legitimar profundas
assimetrias. Em sua forma dominante, os marcos jurídicos — caracterizados por
perspectivas individualistas, adversariais, naturalistas e centradas no Estado,
juntamente com procedimentos material e socialmente dispendiosos — exigem
mediação e recursos significativos para serem acessados e adaptados. Não
obstante, o discurso sobre direitos e as técnicas jurídicas permanecem um
componente fundamental das lutas indígenas por justiça social e contribuem de
forma significativa para a renovação democrática.
Quanto ao âmbito temático, as seguintes áreas de interesse são, a
título não exaustivo:
- Pode-se dar especial atenção ao estudo e à mensuração dos processos
de judicialização , bem como à atual reação negativa envolvendo a
criminalização da liderança indígena.
- Outra importante linha de investigação é a complexidade
epistemológica que pesquisadores, líderes indígenas e defensores dos direitos
territoriais devem enfrentar para compreender a dinâmica das questões e
direitos territoriais indígenas. Isso inclui as complexidades temporais da
tradução e dos usos de documentos e títulos históricos nos processos jurídicos
contemporâneos de titulação e estabelecimento de direitos territoriais
- A pesquisa detalhada atual sobre a natureza, os mecanismos e os
efeitos dessas mediações — como conhecimento especializado, protocolos,
consciência jurídica, vernacularização, fundamentação e intervenções não
humanas — bem como os resultados da pesquisa participativa , pode aprimorar
significativamente nossa compreensão de como os direitos são mobilizados em
questões e conflitos relacionados a terras indígenas.
Simpósio Temático 02 | Educação, desafios e perspectivas
Coordenadores:
Veraneize dos Anjos (SEDUC)
José Rondinelle Lima Coelho (SEDUC)
Resumo:
As reflexões e atuações no
sentido de construir, fortalecer e estabelecer projetos sólidos sobre a
educação escolar para povos indígenas no Brasil já remontam a mais de 50 anos.
Após a Constituição Federal de 1988 e as normativas posteriores, é definida a
educação escolar indígena a ser ofertada no Brasil, assentada nos princípios da
interculturalidade, do bilinguismo, da especificidade e da diferenciação. Nesse
sentido, apesar dos avanços no que diz respeito a este tema, como aqueles
estabelecidos no artigo 210 da Constituição, é necessário o exercício constante
de reflexões acerca dos processos que abrangem essa modalidade, seja no âmbito
da gestão, nos cursos de formação de professores/as indígenas ou mesmo nos
currículos e práticas docentes de todos os níveis de ensino da Educação Escolar
Indígena. Assim, o objetivo deste Simpósio Temático é discutir a educação
escolar ofertada aos povos indígenas a partir de contribuições que tragam à
cena os desafios da diversidade étnica e linguística presentes nos territórios,
o diálogo necessário com seus modos de vida e de educar, suas lutas e
movimentos culturais.
Simpósio Temático 03 | Lideranças, embates e mobilizações
Coordenadores:
Florêncio Almeida Vaz (UFOPA)
Rafael Rogério Nascimento dos Santos (UNIFESSPA)
O ST acolherá trabalhos que
discutam as articulações e mobilizações das organizações indígenas, destacando
o papel estratégico das suas lideranças nos embates e negociações com
instituições e autoridades do Estado, e problematizando as posturas mais colaboracionistas.
Abarcaremos um amplo recorte temporal, incluindo as experiências históricas
destas lideranças em contextos coloniais ou pós-coloniais. Serão bem-vindas
pesquisas de diferentes áreas e alinhadas aos debates recentes da História
Indígena.
Simpósio Temático 04 | Agências indígenas e colonização: continuidades e rupturas
Coordenadoras:
Daiana Travassos (UFPA)
Wania Alexandrino (UFOPA)
Resumo:
Este simpósio busca reunir pesquisas em torno da análise das agências indígenas no contexto amazônico. O objetivo é dar ênfase nas ações indígenas, desde antes da colonização e como estas podem ser percebidas nas diversas formas que os povos indígenas amazônicos mobilizaram estratégias de negociação, adaptação e resistência frente às políticas colonizatórias. Essas agências indígenas produziram caminhos de resistências e ressignificaram e fortaleceram identidades, alianças e saberes. Nesse sentido, é interesse deste simpósio produzir análises e debates sobre agência indígena em contextos de organizações regionais anteriores à colonização e, posteriormente, em deslocamentos forçados, trabalho compulsório e controle estatal. Ao destacar essas tensões, este simpósio busca compreender a colonização como um processo historicamente disputado, no qual as ações indígenas foram decisivas para redefinir fronteiras políticas, sociais e culturais observadas no registro arqueológico da região.
Simpósio Temático 05 | Línguas, identidades e conhecimentos
Coordenadores:
Justino Sarmento Rezende (UFAM)
Rosijane Fernandes Moura (UFAM)
O presente simpósio incentiva ao estudo de temas estruturantes dos povos indígenas. A discussão parte da afirmação de núcleos duros das línguas, identidades, conhecimentos indígenas e perpassa pela negociação de espaços e ressignificação das próprias identidades. A aceleração e a intensificação dos contatos de indígenas entre si mesmos e com os não indígenas possibilitam a luta por novos espaços de diálogo, o enfrentamento de tensões e conflitos, a busca por consenso e a negociação de acordos, fundamentando-se nas próprias línguas originárias e abrindo espaço para a utilização da língua nacional, visando a compreensão de todos. No processo de negociação de espaços acontece a ressignificação das línguas, identidades e conhecimentos para se chegar ao consenso e acordos que beneficiem os interesses coletivos. Os povos indígenas formam sociedades plurais, interétnicas, interculturais e internacionais para a conquista de espaços antes não ocupados: o movimento da política indígena, os movimentos indígenas de educação escolar (gestão, docência, conselhos), ocupação de cargos públicos municipais, estaduais e federais; presença indígena nas universidades brasileiras (acadêmicos, docentes, pesquisadores) e ocupação de espaços internacionais.
Minicurso 01 | Brasil – terra(s) indígena(s)
Almires Martins
Resumo:
Vamos explorar a visão do Território indígena não como um recurso, mas como o alicerce físico, cultural e espiritual (Mãe terra) lugar de origem de seus povos, contrastando com a exploração hegemônica. Destacaremos o papel crucial e quase insubstituível das lideranças indígenas na política e na orientação espiritual, na preservação da identidade e na defesa do território. Analisaremos a transição da história de tutela do Estado para o reconhecimento dos Direitos Originários pela Constituição de 1988, que impulsionou/potencializou, o protagonismo indígena na ocupação de espaços políticos, culturais, territoriais. Por fim, abordaremos os desafios contemporâneos cruciais, como a morosidade nas demarcações e a ameaça jurídica do Marco Temporal, e a importância da educação intercultural para combater o preconceito e reconhecer a vital contribuição indígena para a sustentabilidade e a identidade nacional brasileira, sem esquecer a distinção entre terra e território.
Minicurso 02 | Educação indígena – potencializando saberes ancestrais
Luanna Arapium
Alex Raiol
Resumo:
Atualmente, é inegociável pensar a escola indígena desassociada da história dos povos indígenas e de sua resistência para continuar existindo. Por mais complexa que pareça, estabelecer dentro da escola indígena formas de manifestações das culturas indígenas e demais culturas é estratégia de fortalecimento das identidades, da valorização da cultura e possibilidade de desenvolvimento humano. Este minicurso tem como objetivo promover reflexões sobre o lugar que ocupa o conhecimento indígena nas escolas dos territórios.
Minicurso 03 | Lideranças indígenas – lutas, conquistas e ameaças
Lídia Borari
Gedeão Arapium
Resumo:
Em construção
Minicurso 04 | Indígenas Mulheres – agências e pesquisas
Ana Manoela Karipuna (PPGSA)
Lívia Maia (PPHIST | SEDUC)
Resumo:
O minicurso discute as mulheres indígenas como protagonistas de agências, saberes, políticas, econômicas e questões sociais, ressaltando pesquisas sobre sua resistência frente ao colonialismo e ao patriarcado. Destaca a condição de subalternidade imposta a essas mulheres e propõe valorizar epistemologias indígenas femininas, ampliando os debates internacionais do Sul Global sobre gênero, etnicidade e ancestralidade em diálogo com a Antropologia e a História.
Minicurso 05 | Línguas indígenas – (de)marcando identidades
Gabriel Prudente (SEMEC)
Frida Albuquerque (UFPA | MPEG)
Resumo:
As línguas constituem um importante elemento identitário nas cosmologias indígenas. Sendo símbolo de resistência na vida contemporânea dos povos originários, estudá-las revela diversos aspectos sociais, culturais e históricos de um povo. Por isso, este minicurso apresenta aspectos da situação das línguas indígenas no Brasil no período colonial e na contemporaneidade, abordando as políticas linguísticas coloniais e atuais, apresentando fontes históricas em Língua Geral; instrumentos linguísticos coloniais e novas metodologias que visam a preservação e revitalização de línguas indígenas da Amazônia.