Profa. Dra. Cíntia Santos Diallo
DAAFE/PROAFE/UEMS
CEPEGRE/UEMS
A roda de conversa constitui-se como uma atividade alusiva ao Julho das Pretas, mês que tem como marcos o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, celebrado em 25 de julho. Trata-se de um período de mobilização política, cultural e acadêmica que busca reconhecer as contribuições históricas das mulheres negras e fortalecer as lutas contra o racismo, o sexismo e outras formas de opressão. Nesse contexto, propomos uma ação voltada à reunião de mulheres negras de diferentes segmentos sociais, profissionais, comunitários e acadêmicos, com o objetivo de compartilhar experiências, trajetórias e estratégias de enfrentamento às desigualdades que lhes são impostas de forma interseccional. A iniciativa parte do reconhecimento de que as mulheres negras produzem saberes, práticas e formas de resistência que historicamente têm sido invisibilizadas pelos discursos hegemônicos.
A proposta dialoga com as reflexões de Lélia Gonzalez, especialmente com a categoria político-cultural da amefricanidade.
A roda de conversa também encontra respaldo nas contribuições de bell hooks (2019), para quem a produção de conhecimento emerge das experiências vividas e da partilha de narrativas que rompem com os silenciamentos historicamente impostos às mulheres negras.
A proposta dialoga ainda com as contribuições de Patricia Hill Collins (2019), especialmente ao destacar a importância da autodefinição e da autodeterminação das mulheres negras.
As reflexões de Maya Angelou também inspiram esta atividade ao evidenciar a potência da memória, da palavra e da narrativa como instrumentos de dignidade, resistência e emancipação.
É importante ressaltar que, para além das dificuldades enfrentadas, a atividade pretende visibilizar as potências, conquistas e reexistências construídas por mulheres negras. Em um país estruturalmente racializado, torna-se fundamental criar espaços que permitam não apenas denunciar as desigualdades, mas também celebrar as estratégias de superação, as redes de solidariedade e as conquistas alcançadas nos campos da educação, do trabalho, da produção intelectual, da cultura, da política e da vida comunitária.
A presente proposta nasce no âmbito do Centro de Estudos, Pesquisa e Extensão em Educação, Gênero, Raça e Etnia (CEPEGRE/UEMS), em parceria com a Divisão de Ações Afirmativas e Equidade (DAAFE/PROAFE/UEMS) e Casa da Cultura/UEMS, assim como, reafirma o compromisso institucional com a promoção da equidade racial, de gênero e da valorização das trajetórias das mulheres negras.
Programação Preliminar A atividade será realizada no dia 10 de julho de 2026, às 18 horas, na Casa da Cultura de Dourados/MS, constituindo-se como um espaço de encontro, diálogo, valorização da produção cultural negra e fortalecimento das redes de mulheres negras da região. A programação prevê, inicialmente, a realização de uma circulação pela feira de empreendedoras e expositoras, cuja participação encontra-se em fase de articulação. A proposta é ampliar a visibilidade de mulheres negras empreendedoras, artesãs, artistas e produtoras culturais, reconhecendo o empreendedorismo e a produção artística como importantes estratégias de autonomia econômica, afirmação identitária e resistência. Na sequência, será realizado um momento cultural, com a interpretação de poesias africanas e afrodiaspóricas por estudantes africanos vinculados ao Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G), fortalecendo os laços entre África e Brasil e reafirmando os princípios da amefricanidade e da valorização das produções culturais negras e um grupo de baianas.
10 de julho de 2026
18:00h (MS)
Casa da Cultura UEMS - Dourados - MS