Minicurso Cláudio Barradas: memória, literatura e teatro no contexto da Amazônia paraense

Minicurso Cláudio Barradas: memória, literatura e teatro no contexto da Amazônia paraense

presencial Universidade do Estado do Pará - Centro de Ciências Sociais e Educação (UEPA - CCSE) - Belém - Pará - Brasil

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Sobre o evento

A atividade tem por objetivo apresentar as memórias teatrais paraenses a partir de Cláudio Barradas, importante personalidades das artes amazônicas. A ação integra o projeto de extensão “Do lugar de onde se vê”: Cláudio Barradas e a memória das artes no Pará, coordenado pelo Prof. José Denis de Oliveira Bezerra (UFPA), do Grupo de Pesquisa Perau – Memória, História e Artes Cênicas na Amazônia/CNPq da Universidade Federal do Pará. Em 2025 foi criado uma versão para atender a educação básica, a partir da Escola de Aplicação da UFPA: “Do lugar de onde se vê’: Cláudio Barradas e as memórias das Artes no Pará na Educação Básica, coordenado pela Prof.ª Dr.ª Anne Carolina Pamplona Chagas (EAUFPA).


O projeto tem por objetivo ser um espaço de trocas e de formação, a partir das memórias e da história das artes em território amazônico e da memória como ponto de partida para trabalhos que intercalem saberes, tradicionais e contemporâneos, e vivências artísticas. Busca-se ações de promoção ao acesso às memórias da cultura artística paraense, a partir de uma de suas figuras centrais, Cláudio Barradas (1930-2025).


Para a ação em parceria com o Núcleo de Pesquisa Culturas e Memórias Amazônicas – CUMA, além de apresentar um contexto geral da relação de Cláudio Barradas com as artes paraenses, abordaremos sua produção literária. Partiremos de sua obra Contículos e de outros produções, principalmente no campo da dramaturgia.

 

Metodologia

1º dia (23/4)

- Apresentação geral da ação.

- Exposição sobre passagens da vida de Cláudio Barradas em relação à produção artística paraense do século XX, especialmente o teatro.

- Exibição fílmica: curta Do lugar de onde se vê

 

2º dia (24/4)

- Leitura e debates de textos literários do artista.

- Apresentação do Ato Poético Retalhos da Memória: Cláudio Barradas.


Quem é Cláudio Barradas?

Fotocolagem a partir de perfis de Cláudio Barradas. Denis Bezerra, 2025.

 

Cláudio Barradas, nascido em Belém do Pará no dia 4/1/1930 e falecido em 30/6/2025, é um manifesto vivo à memória cultural amazônica, através de uma trajetória dedicada à produção e à docência das artes, em especial ao teatro. Professor aposentado da Escola de Teatro e Dança da UFPA e do Instituto Federal do Pará, dedicou-se às artes cênicas, contribuindo para a produção artística na Amazônia, no Brasil. Em novembro de 2021 recebeu da UFPA o título de Professor Emérito, pelo reconhecimento de sua participação na instituição e devida importância para as artes e a cultura amazônicas.


A relação de Cláudio Barradas com o teatro nasce ainda na infância, nas atividades culturais de sua escola. Depois, no colégio religioso e no Seminário Metropolitano de Belém – onde inicia processo de preparação para vida sacerdotal –, continua sua relação com o teatro. Antes de finalizar seus estudos no Seminário, decide “abandonar” a ordenação como padre para dedicar-se a outro sacerdócio: o teatro, na década de 1950. A partir disso, envolve-se com os vários movimentos culturais da cidade Belém, por meio da fundação de grupos, ou produções independentes, e participa de importantes momentos da história das artes, como: festivais nacionais de teatro amador; da fundação da Escola de Teatro da UFPA; da produção das radionovelas e audiovisual paraenses, atuando nos filmes de Líbero Luxardo; além do jornalismo e da docência de arte/teatro etc.


Ao aposentar-se do serviço público como docente, decide retornar a outra missão, pausada na juventude, o sacerdócio religioso: no dia 25 de janeiro de 1992, aos 62 anos, foi ordenado padre pela Arquidiocese de Belém, por Dom Vicente Joaquim Zico, passando a realizar trabalho paroquial nos anos 90 na cidade de Santa Isabel do Pará, depois na paróquia Jesus Ressuscitado, no conjunto Médici, bairro da Marambaia, Belém/PA. Como padre, desenvolveu atividades teatrais junto à comunidade católica, além de colaborar nos veículos de comunicação da arquidiocese, como jornal, rádio e TV Nazaré. Foi Cônego Emérito do Cabido Arquidiocesano e Vigário Episcopal da Região Santa Cruz.


Ao olhar para a história dessa personalidade, observamos seu percurso pelas artes, dialogando local e nacionalmente com grupos e outros artistas e intelectuais. Torna-se uma referência para artistas de teatro, ao ganhar muitos festivais nacionais, realizados nas décadas de 1960 e 70, quando, por exemplo, dramaturgos passam a enviar seus textos para opiniões e talvez para ganhar uma montagem de seus textos pelo diretor Barradas. Estabelece uma forte conexão com intelectuais e agentes culturais brasileiros por meio de correspondências, além de se tornar uma referência para seus alunos da Escola de Teatro da UFPA.


Observamos, ainda, uma intensa produção literária, semeada desde a juventude, por meio da escrita, de poesia, crônicas, críticas, dramaturgias (esse gênero experimentando o que depois se tornaria uma prática: adaptações de contos para a linguagem dramatúrgica; a escrita junto com a cena) e contos. A este último dedicou-se a intensa produção, mas guardada do público por um determinado tempo. Foram raros os momentos em que ele compartilhou suas narrativas com o público leitor, ao participar de antologias de contos locais e nacionais, ou ao publicar em jornais de Belém alguns de seus contos; em sua rede social; em 2022 com seu primeiro livro autoral: Contículos.


Ato Cênico Retalhos da Memória - Cláudio Barradas 


Apresentação do Ato Cênico no auditório do Campus da UFPA em Bragança (16/4/2026). Fotografia de Edilene Rosa.

 

Realizado desde 2016, o trabalho cênico Retalhos da Memória consiste em uma performance cênica solo, na qual Denis Bezerra experimenta e comunga suas experiências de pesquisa como historiador do teatro. Além disso, o trabalho dialoga com vivências pessoais e coletivas, dos significados culturais e da importância da escrita historiográfica das artes cênicas na/da Amazônia. No contexto do projeto de extensão “Do lugar de onde se vê”: Cláudio Barradas e a memórias das artes no Pará o ato poético trabalha com fragmentos de memórias de Cláudio Barradas com as artes, especialmente o teatro.

 

Ficha Técnica

Concepção, performer, vídeos, fotos e figurino: Denis Bezerra

Construção de Figurino - Costureira: Laura Cardoso

Adereço Pescócio: Roberta Mártires. (Pescócio é uma peça autoral em crochê de Roberta Mártires, inspirada nos parangolés de Oiticica. Nela, o corpo torna-se obra em movimento, tecida por linhas e fluxos que evocam os rios e a estética da Amazônia Latina).

 

Realização

Grupo de Pesquisa Perau – Memória, História e Artes Cênicas na Amazônia/UFPA/CNPq.

Núcleo de Pesquisa Culturas e Memórias Amazônicas – CUMA.

Projetos de extensão:

“Do lugar de onde se vê”: Cláudio Barradas e a memória das artes no Pará (Perau/UFPA) - Prêmio Proex de Arte e Cultura 2023.

“Do lugar de onde se vê’: Cláudio Barradas e as memórias das Artes no Pará na Educação Básica (EAUFPA/Perau) - Escola de Aplicação-UFPA, 2025-2026.

 

Apoio

Programa de Pós-Graduação em Artes (PPGARTES).

Instituto de Ciências da Arte (ICA).

Pró-Reitoria de Extensão (Proex) da UFPA, via Prêmio Proex Arte e Cultura 2023.

Centro de Ciências Sociais e Educação da Universidade do Estado do Pará – CCSE/UEPA.

Ministrante

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Sala de Recitais CCSE-UEPA. Tv. Djalma Dutra, s/n – Telégrafo

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