LITI SUBCAÍ: IV ENCONTRO DE GEOGRAFIA CULTURAL E HUMANISTA DA AMAZÔNIA

LITI SUBCAÍ: IV ENCONTRO DE GEOGRAFIA CULTURAL E HUMANISTA DA AMAZÔNIA

presencial Universidade Federal de Rondônia - Campus Porto Velho - Porto Velho - Rondônia - Brasil

Sobre o evento

O encontro nasce da necessidade de ampliar a circulação de diálogos e diversidades que compõem as geograficidades amazônicas. Nesta quarta edição, o evento busca descentralizar a produção científica, congregar estudantes, docentes e pesquisadores para potencializar a produção acadêmica em torno da Geografia Cultural e Humanista da Amazônia consolidando frentes de diálogo que reconheçam a Amazônia como objeto de estudo, mas com o seu de protagonismo, lugar de abrigo, território de ação coletiva, conexões entre os conhecimentos científicos e as ciências e vivências das populações originárias e tradicionais.

O processo histórico e formador da Amazônia necessita de novas leituras e atualizações críticas que contribuam para o emergir dos povos negros, indígenas e caboclos que foram silenciados e postos no esquecimento. Nesse sentido, impulsionar o avançar das conexões entre culturas lugarizadas, educação territorial e espacialidades plurais politicamente engajadas, desvelar o modo de vida e o Bem viver, os valores culturais, modo de vida (que é muito próprio). Um viver na e com a floresta. Um viver com as águas. A nossa contribuição é geográfica no sentido profundamente amazônico, na direção de uma geografia cultural e humanista, mais-que-humana e Pan-Amazônica. É urgente repensarmos tais conexões tendo em vista outros projetos não só de saber, mas de (re)fazer o mundo amazônico.


Pontuar o aprofundamento e diferenciação em nossos compromissos profundamente amazônicos, nossa diversidade temática e ampliação de modos de saber e fazer geografia que já possui uma vitalidade própria, fundamentada em ancestralidade, povos originários, imaginários nos espaços e territórios rurais urbanos diferenciados. Há o comprometimento geopolítico com lugares e territórios regionais. Desta forma, estender intercambio inicialmente com a sociedade amazônica, professores e pesquisadores amazônicos, e inteligências que compreendem a importância desse diálogo.

A quarta edição desse Evento, o Liti Subcaí, pretende avançar nas conexões entre culturas lugarizadas, educação territorial e espacialidades plurais politicamente engajadas, repensar conexões tendo em vista outros projetos, conhecimentos, conexões entre ciências, lutas territoriais, vivências, relações sociais marcadas pelo trabalho humano.

Por que Liti Subcaí?

O IV  Encontro de Geografia Cultural e Humanista da Amazônia é a construção de um diálogo teórico que parte das vivências amazônicas para compreender a si próprio para interagir com o mundo.

Em eventos anteriores a temática central das discussões tiveram o “banzeiro” e “Ajuricaba” para iniciar os diálogos. Nesse IV evento temos o “Liti Subcaí”.

Essa é uma expressão que possui um significado ampliado, acolhedor, inclusivo e empático. Em uma das vivências que tivemos em uma aldeia do povo Kaxarari, um sabedor chegou falando para cada um de nós visitantes essa expressão “Liti Subcaí”. Perguntamos o seu significado e ele nos disse que é o modo de saber como o outro está e se sente e tem um significado aproximadamente como: “que o dia seja muito bom para você hoje”, “você está bem? Está descansado?”, “desejo que você sorria hoje”, “seja bem vindo e que sua presença aqui te faça bem”...

Como não se emocionar com uma gentileza dessas? O nosso evento quer ser o anfitrião de todos os participantes e desejamos que se sintam envolvidos por tudo que vivenciarmos durante o evento, que gostem de nossa cidade e de nosso povo, que almocem e jantem bem, que se emocionem com o nosso rio, enfim,

Liti Subcaí a todos e a todas.

Espaços de Debates

O IV Liti Subicaí contará com 07 Espaço de Debates (ED), contemplando a diversidade Cultural, teórica, metodológica e que dialoga com o Tema do Evento.. Os trabalhos deverão refletir o direcionamento político e pedagógico do IV Liti Subcaí. Cada trabalho submetido ao evento deverá estar associado a um ED. Abaixo apresentamos  a relação de todos os Espaços de Debates.

ED 1: Multiplicidade geográfica: a arte dos povos amazônicos (música, artesanato, literatura, cinema, dança e artesanato)

Este eixo se propõe a refletir sobre as expressões artísticas amazônicas como formas de produção de espacialidades, identidades e territorialidades. Essas expressões são compreendidas como linguagens que traduzem modos de existências e relações com o território, revelando (ou desvelando?) Geografias sensíveis e plurais. As reflexões desse eixo colocam a arte como resistência e manifestação politica frente aos processos de apagamentos culturais e epistemicídios.

ED 2: Modos de vida e bem viver amazônico: conhecimentos e práticas tradicionais e originárias

Consideramos o Bem Viver Amazônico, focado na harmonia entre o ser humano e a natureza assim, propomos a compreensão dos modos de vidas amazônicos a partir da perspectiva do bem viver, reconhecendo e legitimando os saberes, a medicina tradicional e as práticas originárias como fundamentais para a construção de outras formas de viver e habitar o mundo. Nessas tessituras do viver, encontra-se intrínseca a relação entre território, cultura, espiritualidade e natureza, evidenciada em práticas como o cuidado com o outro, os sistemas alimentares, as formas de organização comunitária e os saberes transmitidos entre gerações. É também um espaço de troca para fortalecer a proteção dos territórios e os conhecimentos e saberes milenares para juntos, refletirmos sobre como esses conhecimentos garantem o futuro das próximas gerações

ED 3: Geografia e gênero: o protagonismo das mulheres, racialidade, etnicidades e a sexualidade na Amazônia

Nos propomos a discutir as relações entre geografia, gênero, racialidades, etnicidades e sexualidade, evidenciando o protagonismo de mulheres amazônicas e de sujeitos dissidentes na construção dos territórios. É também espaço para a discussão sobre o corpo, o afeto, a violência e o papel das mulheres nas atividades do cuidado. A partir de uma perspectiva interseccional e decolonial, busca-se compreender como essas experiências produzem espacialidades próprias, marcadas por lutas, resistências e (re)existência.

ED 4: Geografias culturais e humanismo: saberes dos povos originários, quilombos e comunidades tradicionais.

Os saberes dos povos amazônicos e suas múltiplas vertentes: medicina tradicional, alimentação tradicional, modo de vida, processos de retomada, como o saber tradicional influência as relações de poder no território, linguística originária, saberes geográficos dos povos amazônicos, resistência dos modos de vida dentro da floresta.

ED 5: Geografias do acesso e inclusão: a necessária acessibilidade dos que vivem às margens sociais

Este eixo discute o acesso e a inclusão como dimensões fundamentais da justiça espacial. Seu foco principal são as populações historicamente marginalizadas, problematizando as barreiras que limitam sua participação na vida social e no direito à cidade e o território.  A acessibilidade é entendida de forma ampliada, envolvendo não apenas infraestrutura, políticas públicas, mas também reconhecimento, pertencimento e dignidade.

ED 6: Geografia e Educação: práticas decoloniais nos territórios amazônicos

A prática docente na educação básica na Amazônia atravessa por grandes mudanças, diversas metodologias de ensino dentro da Geografia, permite que os discentes aprendam de forma contextualizada com seu lugar de vivência, permintindo na aprendizagem significativa partindo do local para o global, estimulando o raciocínio geográfico e pensamento espacial na Amazônia.

ED 7: Religiões de Matrizes Africanas, Religiões da Floresta e Territorialidades Sagradas Amazônicas

A mesa temática "Religiões de Matrizes Africanas e Religiões da Floresta" será um espaço de debate e reflexão que propõe uma imersão nas geografias do sagrado. Refletir sobre as múltiplas expressões religiosas presentes nos territórios amazônicos, com ênfase nas religiões de matrizes africanas, afro-indígenas e nas espiritualidades vinculadas aos povos das florestas. Busca compreender como práticas de fé, saberes ancestrais, cosmologias e rituais produzem territorialidades, identidades e formas de resistência cultural. As Religiões da Floresta referem-se a manifestações culturais e expressão de espiritualidades profundamente vinculadas ao ecossistema amazônico, onde a natureza não é apenas cenário, mas agente cosmológico central, planta maestra e professora. O GD acolhe pesquisas que abordem relações entre religião, cultura, natureza, memória, patrimônio, movimentos sociais e processos de invisibilização e reconhecimento de grupos historicamente marginalizados. Diálogos com perspectiva plural, decolonial, diferentes experiências religiosas e seus significados geográficos. Sob a ótica da Geografia Cultural e do Humanismo, debater as religiões de matrizes africanas e as religiões da floresta é compreender como o espaço geográfico se transforma em um território vivido, simbólico e de resistência cultural.

Inscrições

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Local do Evento

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