O LAWin Summit é o
congresso científico anual promovido pelo LAWin — Núcleo de Direito,
Tecnologia e Inovação, realizado de forma presencial na Escola de Direito
da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), em Manaus, e transmitido pelo
YouTube. Em sua quarta edição, consolida-se como espaço de referência para o
debate crítico, interdisciplinar e propositivo sobre as transformações
jurídicas impulsionadas pelas tecnologias emergentes.
Após três edições
dedicadas a compreender, respectivamente, os fundamentos do direito digital, a
governança de dados e a sociedade (hiper)conectada em sua relação com a
democracia, o LAWin Summit 4.0 avança um passo adiante: problematiza o que já
não pode mais ser descrito apenas como “impacto” ou “uso” da tecnologia, mas
como uma nova forma de poder.
“Poder Algorítmico e
Tecnologias Emergentes: desafios ao Direito na sociedade contemporânea”
Vivemos sob a mediação
contínua de sistemas algorítmicos. Decisões sobre crédito, saúde, mobilidade
urbana, acesso a benefícios sociais, contratação, vigilância, moderação de
discurso e até sobre o que lemos, vemos e sentimos passam, cada vez mais, por inferências
automatizadas. Modelos de inteligência artificial generativa produzem
linguagem, imagens e pareceres; plataformas digitais organizam mercados, afetos
e eleições; neurotecnologias começam a capturar estados mentais; e
infraestruturas opacas - bases de dados, modelos fundacionais, APIs e cadeias
de cálculo - concentram capacidades de decisão que antes eram, ao menos
nominalmente, humanas, institucionais e públicas.
A esse feixe de
capacidades distribuídas, exercidas por meio de código, dados e modelos,
convencionou-se chamar poder algorítmico. Ele não é apenas técnico: é
normativo. Define quem é visto, quem é ouvido, quem é incluído, quem é
suspeito, quem recebe e quem é recusado. Opera, muitas vezes, sem lei que o
reconheça, sem procedimento que o controle e sem autoridade que dele responda.
É esse deslocamento - do poder político-jurídico clássico para o poder
algorítmico difuso - que interpela, hoje, de modo inadiável, o Direito.
O LAWin Summit 4.0
propõe-se, portanto, a investigar os desafios que esse novo arranjo de poder
impõe ao ordenamento jurídico, às instituições democráticas e aos direitos
fundamentais. Trata-se de perguntar, com rigor acadêmico e compromisso público:
como preservar a autonomia individual diante de sistemas que antecipam e
modulam comportamentos? Como garantir devido processo quando decisões são
tomadas por modelos inexplicáveis? Como regular tecnologias emergentes -
inteligência artificial generativa, neurotecnologias, biotecnologias,
blockchain, computação quântica - sem sufocar a inovação e sem capitular ao
tecnossolucionismo? Como promover justiça climática e justiça social em uma
economia crescentemente intermediada por algoritmos? Como reconstruir, no
século XXI, um Direito à altura da sua função civilizatória?