A TRAJETÓRIA DO LAHCA E A HISTORIOGRAFIA DA ARQUITETURA MODERNA NA AMAZÔNIA

Ao longo de 16 anos, a trajetória do Lahca tem sido fundamental para a construção sólida de uma historiografia da arquitetura moderna na Amazônia. A atuação do laboratório, transcendendo a simples catalogação, sistematização e interpretação de documentos de pesquisa, busca, com rigor, a produção de conhecimento científico sobre a arquitetura moderna, sua materialidade, seus aspectos simbólicos e sua representação social. A importância do laboratório manifesta-se em diversas frentes imprescindíveis para a memória e a história do espaço construído na região, e especialmente na cidade de Belém.
No campo da construção historiográfica, o Lahca desempenha um papel central na estruturação das narrativas biográficas e coletivas que explicam o desenvolvimento da arquitetura moderna na Amazônia, preenchendo lacunas históricas e oferecendo novas perspectivas críticas.
Quanto à valorização do patrimônio moderno há um esforço contínuo na promoção do reconhecimento e da valorização do patrimônio moderno de Belém, garantindo que essas obras sejam compreendidas como elementos vitais da história urbana da cidade, que revelem em sua materialidade as dinâmicas socioespaciais e os processos técnicos e estéticos, bem como uma dimensão simbólica, que expressa uma mudança de pensamento e representatividade dos espaços da nova burguesia local em seus primeiros momentos de produção, e sua repercussão no tempo presente.
A guarda e a conservação de acervos documentais também são atuações do laboratório na busca por preservar, de forma virtual e física, vestígios que servem como base indispensável para as pesquisas, para a interpretação crítica da arquitetura e seus processos, de suas referências ideológicos e culturais, e de seus repertórios projetuais.
As pesquisas desenvolvidas pelo Lahca também se dedicam a compreender os processos de modernização que impulsionaram transformações profundas na cultura arquitetônica de Belém, tanto no que se refere às estruturas físicas, quanto às conjunturas socioeconômicas e políticas que estruturaram as novas formas de concepção e ocupação dos espaços.

Esses trabalhos também buscam dar visibilidade a episódios e grupos que, embora fundamentais para a história da cidade, muitas vezes foram excluídas das narrativas da historiografia tradicional. Ao investigar quem foram os projetistas, engenheiros, artistas, usuário/as, proprietário/as e encomendantes, o Lahca contribui para ampliar o escopo historiográfico, contemplando a presença dos vários atores, das vozes que efetivamente edificaram a modernidade na Amazônia, sem deixar de evidenciar os tensionamentos, próprios das manifestações que operam no campo da arquitetura, de sua produção, do seu uso, de sua sobrevivência e da sua destruição.
Nesse sentido, o Seminário de 16 anos de sua existência não celebra apenas uma trajetória de relevância, mas reafirma o compromisso do laboratório com a produção de uma história da arquitetura que seja, ao mesmo tempo, cientificamente rigorosa e profundamente conectada com a realidade dos lugares diversos da Amazônia, com os seus espaços construídos, com suas gentes, suas histórias e memórias.