Vem aí a Jornada da Associação Brasileira de Críticos de Arte, congresso anual da entidade, a ser realizado nos dias 17 e 18 de novembro, no Memorial da América Latina. Evento presencial, inscrição gratuita, certificado para quem se inscrever nesta plataforma e assinar a lista de presença. Aberto a todas as pessoas interessadas.
TÍTULO
Os sentidos da crítica de arte: disputas e modos de circulação na história e na contemporaneidade
SOBRE
Em um momento de profundas transformações no campo das artes, a Jornada ABCA 2026 propõe uma reflexão sobre a própria crítica de arte: seus fundamentos, seus lugares de enunciação, suas responsabilidades, seus modos de circulação e sua função pública e política. Mais do que tomar a crítica como uma prática já estabelecida, o congresso pretende colocá-la em questão. O que significa fazer crítica de arte hoje? Para quem ela é produzida? Onde ela encontra seus públicos? Quem pode falar sobre arte e a partir de quais lugares? Quais instituições legitimam determinados discursos? Que histórias da arte a crítica ajuda a construir — e quais deixa à margem?
A crítica de arte não existe fora das relações de poder no campo artístico. Ela se constitui historicamente em diálogo — e muitas vezes em tensão — com museus, universidades, galerias, mercado, imprensa, instituições culturais, políticas públicas, coleções, arquivos e diferentes formas de produção e circulação de conhecimento. Por isso, pensar a crítica implica pensar suas condições materiais e institucionais de existência, seus mecanismos de legitimação e suas responsabilidades diante das disputas de memória, representação e reconhecimento que atravessam as artes.
A Jornada pretende, assim, recuperar a dimensão histórica, política, institucional e pública da crítica, interrogando seus próprios limites e possibilidades. Interessa-nos pensar tanto a tradição da crítica de arte quanto suas transformações diante da emergência de novos sujeitos, novos territórios, novas epistemologias e novas tecnologias de produção e circulação de discursos. Nesse contexto, questões relacionadas à decolonialidade, às disputas de representação, às perspectivas indígenas, negras e afro-diaspóricas, às questões de gênero e sexualidade, às desigualdades geopolíticas e institucionais, à expansão das plataformas digitais e à inteligência artificial não aparecem como temas isolados, mas como elementos que desafiam a própria maneira como a crítica é produzida, legitimada e compartilhada. A pergunta que atravessa a Jornada é, portanto, uma pergunta sobre sua própria existência: qual é o lugar da crítica no campo das artes e qual é sua função hoje?
DICA DE COMO CHEGAR: O evento será no auditório da Biblioteca Latino-Americana Vitor Civita, no Memorial, entrada pelo Portão 8. Para quem vem de metrô, descer na Barra Funda, e seguir a placa para o Memorial, o portão fica a 50 metros da saída.
PROGRAMAÇÃO
DIA 17 DE NOVEMBRO
MANHÃ - 9H-12H
LUGARES E MODOS DE CIRCULAÇÃO DA CRÍTICA
AECE – Arte | Ética | Crítica | Escritura: a margem editorial como exercício crítico - Lindomberto Ferreira Alves/Amanda Amaral
Crítica performativa e plataformização do dissenso: o caso Maxwell Alexandre e o Instituto Inhotim (2022-2025) - Pollyana Campos Quintella
A plataforma como prática: autoinstituição e crítica de arte contemporânea - Flávia Virgínia Santos Teixeira Lana/ Rachel Cecília de Oliveira
PERFURO: quem pode falar sobre arte e a partir de quais lugares? - Babel Lia Babel de Moraes
Crítica de arte: visibilidade e engajamento digital - Isa Bandeira
INTERVALO 10 minutos
A revista de arte como lugar de enunciação e tecnologia de circulação da crítica infraestrutural - Paula Alzugaray
Desassossegos do texto crítico em periódicos acadêmicos de artes no Brasil - Paulo Antonio de Menezes Pereira da Silveira
Por uma crítica situada e arquipelágica: o Núcleo de Arte Contemporânea da UFPB como campo de experimentação - Sicília Calado/Sofia Porto Bauchwitz
Galeria Arte Global: arte contemporânea na televisão (1973–1979) - Marina Dias Leme Schiesari
Institucionalização da diferença: museus de arte e governança artístico-administrativa contemporânea - Cristina A. Barros
14h-17h
CRÍTICA, POLÍTICA E RELAÇÕES DE LEGITIMAÇÃO NO CAMPO ARTÍSTICO
Curadorias em deslocamentos: poéticas da relação, curadorias dissidentes e reescritas da história da arte - Juliana Crispe
O artista que não aparece: ausência, legibilidade e crítica de arte - Victor Tuon Murari
Entre construção, memória e apagamentos na recepção de Di Cavalcanti - Fabrício Reiner de Andrade
INTERVALO - 10 minutos
Nossa arte não nasceu para ser livre do mundo: Por uma crítica afrocentrada da arte da afro-diáspora - Diogo Nogueira Silva
Quem escreve a arte amazônica? Crítica, visualidade e construção da História da Arte em Belém do Pará - Gabriel Borges Souza
A crítica de arte e as imagens da Amazônia - Gil Vieira Costa
Pinturas de paisagem apropriadas por ativistas do clima: ações da campanha Just Stop Oil em museus de arte e nas mídias digitais - Diogo de Moraes Silva
DIA 18 DE NOVEMBRO
MANHÃ - 9H às 12h
HISTÓRIA DA CRÍTICA, PROCESSOS DE CONSTITUIÇÕES E TRANSFORMAÇÕES NO TEMPO
O cronista do museu: a crítica de Jayme Maurício e o projeto fundacional do MAM rio (1950-1970) - Bruno Henrique Fernandes Gontijo
Entre a crônica e a polêmica: a atuação de José Geraldo Vieira, Luís Martins e Arnaldo Pedroso D’Horta na crítica de arte brasileira - Marco Túlio Lustosa de Alencar
Parcerias entre críticos e artistas na década de 1970: uma especificidade da arte contemporânea brasileira - Fernanda Lopes Torres/Martha Telles
A crítica de arte entre embates e conflitos: o caso da 8ª Bienal de São Paulo - Guilherme Moreira Santos
INTERVALO - 10 minutos
A crítica da Macumba: ritmos da leitura e recepção da série Macumba de Lívio Abramo 1950-1980 - Alexandre Araujo Bispo
Como um anjo da história e memória, a crítica da arte de Tarsila do Amaral no tempo presente - Michele Petry
A dimensão histórica do programa crítico de Ronaldo Brito: linhas estruturantes na década de 70 - Emanuel Victor de Almeida Rodrigues Nogueira
O debate crítico em torno da 27ª Bienal de São Paulo: 20 anos depois - Omar de Oliveira Porto Junior
Mary Dritschel e a circulação da crítica feminista nas artes entre Brasil e Estados Unidos - Bruna Fernanda Vieira Silva - solicita apresentar dia 18
TARDE - 14h às 18h
EPISTEMOLOGIAS CRÍTICAS
Epistemologias Comunitárias: uma cosmopoética entre a oralidade e escrita sobre saberes afrodiaspóricos - Janaina Barros Silva Viana/Wagner Leite Viana
O arquivo como crítica: memória e resistência cultural a partir do arquivo do artista Luiz Barroso - Robson Xavier da Costa/Erik Kleiver Ferreira da Silva
A Crítica de Arte e o Eco Estético: Escritura, Tropologia, Episteme - Marco Antônio Vieira
Entre o paradoxo e a alegoria: artistas (ainda) incomodam muita gente? - Luisa de Araújo Günther
Moda, têxtil e vestuário na arte: um ponto cego da crítica? - Astrid Sampaio Façanha
INTERVALO - 10 MINUTOS
O crítico no globo da morte: deslocamento, posição e ponto de vista na crítica de arte - Rodrigo Mantoan Cavalcante Muniz
Crítica de arte: o desentendimento e a partilha do sensível na emancipação do espectador - Bruno Alcione Novadvorski Scheeren
O status-quo da acessibilidade tradutória nos espaços expositivos - Flávio Rocha de Deus
Decolonialidade para além de uma ferramenta narrativa - Maria Cristina Simões Viviani