Criada em 1997, a Associação Brasileira de Arte Rupestre (ABAR) é uma instituição científica sem fins lucrativos dedicada ao estudo, à discussão, à preservação e à divulgação da arte rupestre brasileira. Desde sua primeira reunião científica, realizada em 2000, a Associação Brasileira de Arte Rupestre (ABAR) tem promovido encontros em diferentes cidades brasileiras. As três primeiras reuniões ocorreram em São Raimundo Nonato, no Piauí, nos anos de 2000, 2004 e 2009. Posteriormente, o evento foi realizado em Lençóis (BA), em 2010; Salvador (BA), em 2012; Teresina (PI), em 2014; Canindé de São Francisco (SE), em 2016; Diamantina (MG), em 2018; e Nova Olinda (CE), em 2025.
Em sua IX edição, a Reunião da ABAR será realizada entre os dias 02 e 04 de junho de 2027, em Barreiras, no oeste da Bahia, com o tema "Descentralizar o olhar: invisibilidades, territórios e outros protagonismos na arte rupestre brasileira".
A escolha de Barreiras representa um convite para ampliar os espaços de produção e circulação do conhecimento científico, aproximando o debate sobre a arte rupestre de territórios distantes dos grandes centros urbanos e acadêmicos. Situada em uma região marcada pela diversidade de paisagens e registros arqueológicos, mas também pela expansão do agronegócio e pelas transformações socioambientais, a cidade oferece um contexto significativo para refletir sobre as relações entre patrimônio arqueológico, desenvolvimento econômico, direitos territoriais e preservação ambiental.
Descentralizar o olhar significa reconhecer os processos que produzem invisibilidades na arte rupestre brasileira, seja pelo desconhecimento de determinados sítios, pelas dificuldades de acesso e pesquisa, pela distância dos centros de decisão ou pelas próprias condições ambientais em que os registros se encontram, como áreas de penumbra e zonas afóticas.
Essa reflexão também envolve reconhecer outros protagonismos na produção do conhecimento e na proteção do patrimônio arqueológico, valorizando a participação dos povos indígenas, das comunidades tradicionais, das populações locais e dos diferentes sujeitos que estabelecem relações com esses territórios e suas materialidades.
Diante dos desafios políticos, sociais e ambientais contemporâneos, a IX Reunião da ABAR propõe um espaço de diálogo sobre as responsabilidades éticas e sociais da pesquisa arqueológica, as ameaças à integridade dos sítios e as possibilidades de construção de práticas mais colaborativas de investigação, conservação e valorização patrimonial.
Ao reunir diferentes perspectivas e experiências no oeste da Bahia, o encontro busca fortalecer uma arqueologia comprometida com a diversidade dos territórios, a participação das comunidades e a ampliação dos sujeitos envolvidos na construção do conhecimento e na salvaguarda da arte rupestre brasileira.
Esperamos você em Barreiras!
Abraços,
Fernanda Liborio Ribeiro Simões
Presidente da ABAR
Gestão 2025-2027
Inspirada nos textos de Edite Pereira, Heloisa Bitú e Agnelo Queirós.