O
Fórum Paraense e os Fóruns Regionais e Municipais de Educação do Campo, em
aliança com os Movimentos e Organizações Sociais e Sindicais do Campo, Águas e
Florestas, e muitos outros parceiros institucionais realizarão o IX Seminário de Combate ao Fechamento de
Escolas do Campo, Indígenas e Quilombolas no Estado do Pará que acontecerá
no dia 10 de abril de 2026, das 8:30h as
12:30h, no Ginásio de Esportes da UFPA, Campus de Castanhal.
A realização do Seminário, em sua nona edição, pretende fortalecer a presença
das escolas públicas nos territórios do campo, indígenas e quilombolas, enquanto
resistência dos povos originários e tradicionais da Amazônia, ao avanço do
agro-hidro-mineral-bio-carbono negócio sobre seus territórios, que intensifica
a crise climática e a destruição da vida da natureza, com a privatização dos
rios, o garimpo em larga escala e por vezes ilegal, o avanço da soja e do gado
sobre as áreas florestais e a implementação de grandes projetos sem consulta
prévia, conforme estabelece a Convenção 169 da OIT.
Com a realização do Seminário, este ano de forma híbrida, esperamos
reunir gestores de secretarias municipais e estadual de educação, integrantes
de conselhos municipais e estadual de educação, promotores e defensores
públicos, representantes de organizações governamentais e não governamentais,
de movimentos sociais e sindicais, professores e estudantes das universidades e
redes de ensino; com uma ampla ação de convergência de agendas para intensificar
o movimento de combate ao fechamento e de fortalecimento das escolas públicas
nos territórios do campo, indígenas e quilombolas no Estado do Pará e em todo
Brasil, especialmente nestes tempos em que foi instituído o Novo PRONACANPO –
Política da Educação do Campo, das Águas e das Florestas – Resolução MEC n. 538
de 25 de julho de 2025.
Os dados de fechamento das escolas no Brasil e no Estado do Pará ainda
são alarmantes, segundo dados do Censo Escolar do INEP. Entre 2000 e 2024, 163.075
escolas foram fechadas em todo país, sendo que dessas, 110.392 estavam
localizadas no campo. Somente em 2024, 3.159 escolas foram fechadas, sendo
1.585 escolas no campo e 1.574 em territórios urbanos; e 31.321 escolas encontravam-se
paralisadas. No Estado do Pará, neste mesmo ano, 47 escolas foram extintas, sendo
42 no campo e 5 no território urbano; e haviam 1.210 escolas paralisadas.
(Dados consolidados pelo GEPERUAZ/UFPA em articulação com o Fórum Paraense de
Educação do Campo, em 2005)
O fechamento de escolas sem observância dos procedimentos legais e sem a
devida consulta às comunidades afetadas, configura grave violação dos direitos
fundamentais à educação, à identidade cultural e à participação popular,
conforme afirma a Lei nº 12.960 de 2014, que alterou e ampliou o Artigo 28 da
LDB, Lei nº 9.394/96, para fazer constar a exigência de manifestação de órgão
normativo do sistema de ensino para a paralisação e o fechamento de escolas do
campo, indígenas, quilombolas, ribeirinhas e extrativistas.
É urgente ampliar o conhecimento das legislações vigentes para dentro
dos Conselhos Municipais de Educação, Secretarias Municipais de Educação e das
próprias escolas e comunidades, assim como é preciso, sobretudo, que esses
marcos regulatórios sejam efetivados em ações concretas dentro dos municípios e
nas escolas, incentivados pela Instrução Normativa (IN) UNCME nº 001/2025 que
detalha com profundidade os requisitos legais, administrativos e comunitários
obrigatórios para qualquer deliberação sobre o encerramento de unidades
escolares situadas em territórios do campo, das águas e das florestas.
Da mesma forma, é preciso fazer as Resoluções CNE/CEB nº 01/2002 e a
CNE/CEB nº 02/2008, serem respeitadas e acontecer nos municípios, pois esses
marcos normativos dispõem que a Educação Infantil e os anos iniciais do Ensino Fundamental
devem ser ofertados prioritariamente nas próprias comunidades e definem
diretrizes para a construção do projeto institucional das escolas do campo em
suas múltiplas representações territoriais.
A nossa luta firma a garantia do Estado à permanência da escola nas
comunidades e ampliação do acesso educacional aos povos do campo, águas e
florestas nos seus territórios, o que representa a garantia do direito ao
reconhecimento e valorização de suas identidades culturais, o vínculo com a
natureza e o trabalho no campo, águas e florestas e a possibilidade de uma
escola que dialogue com os saberes das terras, das águas, das florestas, das
ciências e das tecnologias.
Escola
é Vida na Comunidade e Raízes se formam na terra, rios e florestas
Essa
luta é nossa, essa luta é do povo, é só lutando que se faz um Brasil novo
Fechar Escola é Crime
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