O IX Colóquio Nacional e VII Internacional
de Direito do Agronegócio e Desenvolvimento e Pesquisa da UniRV – CoDAD é um
evento anual promovido pela Universidade de Rio Verde – UniRV, realizado desde
2018 e consolidado como espaço de diálogo entre universidade, mercado, setor
produtivo, Poder Público e profissionais que atuam nas diferentes cadeias do
agronegócio.
Organizado pelo Programa de Mestrado Profissional
em Direito do Agronegócio e Desenvolvimento – PPGDAD, em parceria com a
Faculdade de Direito da UniRV e com a Pós-Graduação Lato Sensu em Direito do
Agronegócio, Meio Ambiente e Desenvolvimento, o evento integra pesquisa,
formação profissional, inovação e produção técnica, privilegiando debates
capazes de contribuir para a tomada de decisões, prevenção e gestão de riscos e
construção de soluções aplicáveis aos problemas do setor.
Os anais das edições anteriores,
registrados sob o ISBN 978-85-5722-437-7, encontram-se disponíveis no sítio
eletrônico da Universidade de Rio Verde: https://www.unirv.edu.br/mestrado_curso_sub.php?id=13
.
A edição de 2026 ocorre em um momento
particularmente desafiador para o agronegócio. Pressões financeiras sobre produtores
e empresas, aumento do endividamento, dificuldades de acesso e manutenção do
crédito, volatilidade dos mercados, eventos climáticos extremos, guerras e
conflitos internacionais, disputas comerciais e novas exigências regulatórias e
socioambientais alteram simultaneamente as condições de produzir, financiar,
contratar, comercializar e investir.
Esses fenômenos não podem ser examinados
de forma isolada. A deterioração das condições econômicas de determinados
segmentos produtivos repercute sobre contratos, crédito, garantias e cadeias de
fornecimento e tem ampliado a importância de instrumentos jurídicos destinados
à renegociação e ao alongamento de dívidas, à recuperação de crédito, à
reestruturação empresarial e à recuperação judicial, inclusive diante das
especificidades jurídicas e econômicas da atividade rural.
Ao mesmo tempo, guerras, sanções
econômicas, tensões geopolíticas e disputas entre grandes potências produzem
impactos sobre preços e disponibilidade de fertilizantes, energia, combustíveis
e outros insumos estratégicos, alteram rotas logísticas, afetam o comércio de
commodities e contribuem para a reorganização das cadeias globais de produção e
abastecimento.
A esses fatores somam-se novas formas de
intervenção regulatória sobre o comércio internacional. Requisitos ambientais e
climáticos, mecanismos de rastreabilidade, exigências relacionadas ao
desmatamento, carbono, biodiversidade e devida diligência empresarial passam a
interferir diretamente nas condições de acesso aos mercados. Em determinadas
situações, a fronteira entre regulação legítima orientada à sustentabilidade e
criação de novas barreiras ao livre comércio torna-se um dos temas centrais do
debate jurídico e econômico internacional.
É nesse cenário que o IX CoDAD adotará
como tema central: “Direito do
Agronegócio em uma ordem internacional em transformação: novas fronteiras da
regulação e do desenvolvimento sustentável”.
A proposta da edição de 2026 é discutir
como o Direito pode responder, de forma prática, aos novos riscos financeiros,
regulatórios, comerciais e socioambientais que incidem sobre o agronegócio,
aproximando pesquisa aplicada, experiência profissional e necessidades
concretas dos agentes econômicos.
O tema dialoga diretamente com as duas
linhas de pesquisa do Programa de Mestrado Profissional em Direito do
Agronegócio e Desenvolvimento: Direito do Agronegócio e Regulação e Direito da
Sustentabilidade e Desenvolvimento.
A programação terá como um de seus eixos
centrais a crise financeira e o endividamento no agronegócio, examinando os
instrumentos jurídicos disponíveis para prevenção, gestão e superação de
situações de crise.
Nesse campo, o debate deverá alcançar
questões relacionadas à concessão e recuperação do crédito, garantias,
renegociação e alongamento de dívidas rurais, recuperação judicial do produtor
rural e das empresas do agronegócio, reestruturação de passivos, preservação da
atividade produtiva, direitos dos credores e segurança jurídica das relações de
financiamento.
A abordagem pretende ultrapassar a
discussão puramente conceitual para enfrentar problemas presentes na prática
profissional: quais são os limites e requisitos para o alongamento das dívidas
rurais? Quando a recuperação judicial constitui instrumento adequado de
reestruturação? Como compatibilizar preservação da atividade econômica e tutela
do crédito? Quais os impactos da crise financeira sobre contratos, garantias e
cadeias produtivas? Como estruturar soluções preventivas antes da
judicialização da crise?
O debate também permitirá examinar as
repercussões das condições climáticas, da volatilidade dos preços das
commodities, dos custos de produção, das taxas de juros e das condições de
financiamento sobre a capacidade de pagamento dos agentes do setor, bem como os
instrumentos jurídicos e financeiros disponíveis para gestão, compartilhamento
e mitigação desses riscos.
Um segundo eixo será dedicado à crise
geopolítica, às barreiras ao livre comércio e às novas fronteiras da regulação
e do desenvolvimento sustentável.
As transformações da ordem internacional
vêm modificando as condições de inserção do agronegócio brasileiro nos mercados
globais. Guerras, sanções econômicas, conflitos comerciais, políticas de
segurança econômica, subsídios, restrições à exportação e importação e
reorganização das cadeias de suprimentos desafiam os pressupostos tradicionais
do livre comércio e aumentam a relevância estratégica da segurança alimentar,
energética e de insumos.
Paralelamente, observa-se a expansão de
instrumentos regulatórios relacionados à sustentabilidade com capacidade de
produzir efeitos para além das fronteiras dos Estados que os editam.
Rastreabilidade, cadeias livres de desmatamento, redução de emissões, proteção
da biodiversidade, devida diligência socioambiental, padrões climáticos e
mecanismos de ajuste aplicados ao comércio internacional passam a repercutir
sobre produtores, exportadores, tradings, instituições financeiras e demais
integrantes das cadeias do agronegócio.
A discussão pretende enfrentar uma questão
particularmente relevante para o setor: como compatibilizar os legítimos
objetivos de proteção ambiental e desenvolvimento sustentável com segurança
jurídica, competitividade e preservação de um sistema internacional de comércio
baseado em regras?
Nesse contexto, interessa compreender
quais novas exigências podem atingir diretamente o agronegócio brasileiro, como
as empresas devem estruturar seus mecanismos de compliance, rastreabilidade e
gestão de riscos, quais custos de conformidade poderão ser incorporados às
cadeias produtivas e de que maneira produtores e empresas podem se preparar
para um mercado internacional progressivamente condicionado por requisitos
ambientais e climáticos.
A sustentabilidade será tratada, portanto,
não apenas como agenda ambiental, mas como variável econômica, regulatória e
estratégica. Mudanças climáticas, agricultura de baixo carbono, mercados de
carbono, conservação da biodiversidade, pagamento por serviços ambientais,
bioeconomia, transição energética, segurança hídrica e agricultura inteligente
para o clima serão analisados a partir de seus impactos sobre custos,
investimentos, financiamento, acesso a mercados e competitividade.
Nesse novo ambiente, requisitos de
sustentabilidade podem influenciar a obtenção de crédito e seguros, a escolha
de fornecedores, a inserção em cadeias globais, a atração de investimentos e a
própria continuidade de determinadas relações comerciais. Por outro lado, novos
mercados e instrumentos econômicos vinculados à sustentabilidade também podem
criar fontes adicionais de receita, financiamento e diferenciação competitiva.
O IX CoDAD pretende, dessa forma, examinar
as novas fronteiras do Direito do Agronegócio a partir de problemas que já
afetam decisões empresariais e profissionais: como administrar o endividamento
e preservar atividades economicamente viáveis? Como reorganizar relações de
crédito em contextos de crise? Como responder juridicamente às alterações do
comércio internacional? Como atender às novas exigências regulatórias sem perda
de competitividade? E como converter sustentabilidade e conformidade em
instrumentos de gestão de riscos e geração de valor?
A programação compreenderá conferência de
abertura, painéis e debates com pesquisadores, profissionais, gestores,
especialistas e representantes de instituições nacionais e internacionais,
buscando promover efetiva aproximação entre conhecimento jurídico especializado
e experiência profissional.
Entre os painéis centrais da edição,
destacam-se:
Painel
1 –
Crise financeira e endividamento no agronegócio: recuperação judicial,
alongamento de dívidas e estratégias jurídicas para preservação da atividade
produtiva.
O painel discutirá o crescimento das
situações de endividamento no setor, a recuperação judicial do produtor rural e
das empresas do agronegócio, o alongamento e a renegociação de dívidas, a
posição dos credores, as garantias, a recuperação do crédito e os mecanismos
preventivos e consensuais de reestruturação financeira.
Painel
2 – Agronegócio
em um mundo de conflitos: geopolítica, barreiras ao livre comércio e novas
fronteiras da regulação e do desenvolvimento sustentável.
O painel examinará os impactos das guerras
e das tensões geopolíticas sobre o comércio e as cadeias do agronegócio, a
expansão de medidas protecionistas e de segurança econômica, as novas barreiras
regulatórias e ambientais, os efeitos extraterritoriais de regulações
estrangeiras e os desafios para conciliar sustentabilidade, livre comércio,
segurança jurídica e competitividade internacional.
Além dos painéis, serão realizados Grupos
de Trabalho – GTs, destinados à apresentação e discussão de resumos expandidos
e artigos científicos completos, com participação de pesquisadores, docentes,
estudantes de graduação e pós-graduação e profissionais.
Os GTs constituirão também espaço para a
apresentação de pesquisas aplicadas e soluções profissionais relacionadas a
contratos, crédito, recuperação de empresas, regulação, comércio, compliance,
políticas públicas, sustentabilidade, inovação e gestão de riscos no
agronegócio.
Especial atenção será conferida à produção
técnica e tecnológica desenvolvida no âmbito do Programa de Mestrado
Profissional em Direito do Agronegócio e Desenvolvimento, incluindo propostas
normativas, pareceres, notas técnicas, protocolos, manuais, guias, modelos
contratuais e de governança, ferramentas tecnológicas e outros produtos
direcionados à solução de problemas concretos do setor.
Com essa abordagem, o IX CoDAD pretende
aproximar universidade e mercado para discutir não apenas as transformações do
Direito do Agronegócio, mas principalmente as respostas jurídicas necessárias
para atuar em um ambiente de maior risco, endividamento, fragmentação
geopolítica e complexidade regulatória.
Ao reunir produtores, empresas, cooperativas, instituições financeiras, profissionais do Direito, gestores públicos, pesquisadores e estudantes, a edição de 2026 reafirma a vocação profissional do PPGDAD para a produção e transferência de conhecimento jurídico aplicado, contribuindo para a construção de estratégias capazes de ampliar a segurança jurídica, a resiliência, a competitividade e a sustentabilidade do agronegócio brasileiro em uma ordem internacional em transformação.







