Passadas três edições, o IV Fórum de Assessoria Técnica Popular do Nordeste apresenta-se como possibilidade para a consolidação de um trabalho contínuo de fortalecimento do campo da assessoria técnica popular na região Nordeste, que vem sendo tecido pela Rede de Assessoria Técnica Popular do Nordeste. Para ela, esta atuação é compreendida como uma prática profissional, política e pedagógica desenvolvida junto a comunidades, movimentos sociais e sujeitos coletivos, orientada à construção de soluções territoriais a partir do reconhecimento dos saberes populares, da participação social e da garantia de direitos.
Com essa perspectiva e como resultado dos acúmulos dos encontros passados, está sendo realizado um processo de construção coletiva do evento com lideranças e representantes de organizações comunitárias e movimentos populares da Região Metropolitana de Salvador (RMS). A partir da ideia de enredamento trazida pela terceira edição, desde novembro de 2025 têm sido promovidas atividades preparatórias para o IV Fórum por meio da partilha de experiências, do reconhecimento de desafios comuns, da troca de aprendizados e da identificação de convergências entre territórios e assessorias. A síntese dessas discussões conflui para a temática central da quarta edição do Fórum de Assessoria Técnica Popular do Nordeste: Fortalecendo instrumentos para a continuidade das lutas territoriais.
Os participantes* destes encontros preparatórios representam a Articulação do Centro Antigo de Salvador, a Associação Cultural e Esportiva da Comunidade de Canabrava (ACECC), a Associação de Moradores do Loteamento Nova República, a Associação dos Moradores e Amigos do Centro Histórico de Salvador (AMACH), a Associação Santa Luzia, a comunidade da Ladeira da Preguiça, a Comunidade do Pé Preto, o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB/BA), o Movimento Sem Teto da Bahia (MSTB), as Ocupações Marielle Franco e Alto da Conquista (Simões Filho/BA), a Organização Economia do Mar e o Projeto Notas Coloridas.
A aproximação com o contexto metropolitano e com os diferentes grupos que têm colaborado com a construção do IV Fórum reafirmam que as demandas de luta dos territórios são múltiplas, estruturais e resultantes de uma conexão entre passado e presente, com a identificação da permanência de uma racionalidade colonial – na qual um povo tem domínio sobre outro –, complementada pelo neoliberalismo – que defende a redução do papel do Estado e a liberdade econômica. Esta correlação permanece através do racismo estrutural e das relações de poder, além das formas renovadas de exposição das populações mais vulneráveis – especialmente pessoas negras e mulheres – à crise urbana, às mudanças climáticas e às demais facetas da exclusão social. A sensação é de lutar, lutar e não sair do lugar.
Neste cenário, cabe reforçar os vínculos existentes entre demandas, grupos e pessoas, que podem trabalhar na construção coletiva de objetivos comuns, promover a troca de saberes e defender a continuidade de projetos. Compreende-se que o IV Fórum pode ser um espaço de formação e de instrumentalização de assessorias e territórios, evidenciando quais ferramentas, estratégias e metodologias têm sido utilizadas para as lutas territoriais. Assim, o evento espera contar com o compartilhamento de experiências, parcerias e colaborações que contribuam para a consolidação de um repertório para o campo da assessoria técnica popular na região Nordeste.
EIXOS TEMÁTICOS
A temática central do IV Fórum será debatida a partir de três eixos temáticos dialógicos e complementares:
Eixo 1 – Narrativas, repertórios e saberes das/para as lutas territoriais
Este eixo reúne experiências que contribuam para a construção, valorização e compartilhamento de narrativas, saberes e repertórios que fortalecem as lutas territoriais. Busca discutir práticas desenvolvidas por comunidades, movimentos sociais, assessorias técnicas e instituições na produção coletiva de conhecimentos, metodologias e formas de atuação capazes de enfrentar as desigualdades territoriais e ampliar a incidência política. São bem-vindos trabalhos que abordem processos de educação e comunicação popular, cartografias sociais, memória, metodologias participativas, tecnologias sociais, produção de dados, sistematização de experiências e outras iniciativas voltadas ao fortalecimento das lutas por direitos e da permanência nos territórios.
Eixo 2 – Estratégias, metodologias e ferramentas para a defesa de direitos territoriais
Este eixo reúne experiências que abordem estratégias de defesa dos direitos territoriais através de metodologias, estratégias e ferramentas desenvolvidas por comunidades, movimentos sociais, assessorias técnicas populares, organizações da sociedade civil, universidades e instituições públicas. Busca discutir metodologias, instrumentos e práticas de incidência política capazes de enfrentar conflitos territoriais, ampliar a participação social e fortalecer a permanência das populações em seus territórios. São bem-vindos trabalhos que apresentem experiências relacionadas à assessoria técnica e jurídica, políticas públicas, justiça climática, planejamento participativo, negociação de conflitos, mobilização social e outros mecanismos de garantia de direitos.
Eixo 3 – Redes, sustentabilidade e continuidade para projetos territoriais
Este eixo reúne experiências voltadas ao fortalecimento das redes de colaboração e à construção de estratégias que assegurem a continuidade das ações desenvolvidas por comunidades, movimentos sociais, assessorias técnicas populares, universidades e organizações parceiras. Busca discutir mecanismos de sustentabilidade política, institucional, técnica e financeira que contribuam para a permanência das lutas territoriais, a consolidação de processos coletivos e a ampliação da capacidade de incidência das organizações. São bem-vindos trabalhos que abordem formas de cooperação, governança compartilhada, captação de recursos, formação de lideranças, economia solidária, monitoramento, avaliação e outras estratégias de fortalecimento das iniciativas territoriais.