01 – ECOLOGIA POLÍTICA, URBANIZAÇÃO E QUESTÃO URBANA
O mundo se urbaniza, ainda que de maneira muito mais complexa do que muitos estudiosos do urbano – controlados por um enviesamento eurocêntrico e simplisticamente urbanocêntrico – querem nos fazer supor. Seja lá como for, o processo de urbanização é um vetor que moldou a organização espacial, os modos de vida e a cultura no Brasil e na América Latina de uma forma impressionante, especialmente desde os anos 1950. De um ponto de vista emancipatório, o papel das cidades em uma desejada transformação socioecológica profunda e ampla é, por isso, incontornável. Porém, que tipos de sujeitos coletivos têm tido, quanto a isso, um protagonismo nas e partir das cidades? Como os desafios ambientais têm sido enfrentados, e por quem? Quais agendas de luta têm emergido, e qual a sua radicalidade? Como essas agendas se integram com as agendas de outros agentes modeladores do espaço (no campo, nas florestas...)? Por fim: que contribuição se pode esperar da Ecologia Política (e da Geografia Ambiental) para ajudar a elucidar a urbanização capitalista e suas contradições?
02 – CONFLITOS AMBIENTAIS: TIPOLOGIAS, ESCALAS E TERRITORIALIZAÇÕES
Coordenação: Guilherme Hissa Villas Boas (UFRJ) e Wagner Costa Ribeiro (USP)
Entre as temáticas que mais despertam interesse e motivam o envolvimento de pesquisadores albergados na Ecologia Política, os conflitos ambientais são fenômenos que podem ser analisados a partir de diferentes processos. Embora sejam objeto de grande destaque e relevância, não se resumem a estudos voltados apenas para elementos materiais e questões distributivas. Entre os diferentes casos, que extrapolam as análises centradas exclusivamente nesses aspectos, ainda que estes possuam considerável importância, podem ser citados aqueles advindos da: (i) implantação de atividades econômicas e infraestruturas alheias as dinâmicas sócio-espaciais locais; (ii) instalação de empreendimentos públicos/privados que transformam ecossistemas locais, alteram as condições ambientais que sustentam a vida e reconfiguram a paisagem e a organização territorial; (iv) interferência nas formas de sociabilidade, nos modos de subsistência e nas práticas culturais das comunidades afetadas; (v) atividades produtivas (agronegócio, mineração, siderurgia etc.), geradoras de riscos, efeitos diversos, como adoecimentos que atingem populações humanas e não humanas; (vi) Limitação do acesso, da circulação e do uso de áreas tradicionalmente comuns, resultando em processos de exclusão, desterritorializações etc. Estes e outros processos podem ser analisados através do prisma da Geografia Ambiental.
03 – RISCOS, VULNERABILIDADES E DESASTRES AMBIENTAIS
Coordenação: Dilermando Cattaneo (UFRGS) e Roberto Verdum (UFRGS)
Tragédias ligadas a desastres ambientais (deslizamentos, inundações, rompimentos de barragens e outros) têm se tornado mais frequentes e, também, adquirido maior visibilidade pública. Em um contexto de mudanças climáticas globais, este é um fato de grande preocupação, não somente pelo aumento da frequência das situações de desastres, mas pelas desigualdades sociais que lhes servem como pano de fundo, especialmente no sul global, merecendo deste modo, ser cada vez mais o foco de nossas atenções. Muitas vezes esses eventos são chamados erroneamente de desastres naturais, confundindo-se o agente deflagrador com o desastre em si, afinal de contas, os desastres são socialmente produzidos. A isso podemos acrescentar os riscos e as vulnerabilidades que se associam ao que já foi chamado de “desastres em câmera lenta”, relacionados com a contaminação/poluição do ar, da água e dos solos. Raramente, contudo, os problemas têm sido analisados de maneira consistentemente integrada, articulando seus fatores e elementos naturais e sociais. Como a Geografia Ambiental – que tem nessa integração a sua razão de ser – pode contribuir para entender melhor os problemas e enfrentá-los? Assim sendo, neste GT são desejadas contribuições que tratam de riscos, vulnerabilidades e desastres ambientais, considerando que estes últimos integram aspectos naturais e sociais.
04 – NEOEXTRATIVISMO E DISPUTAS PELA "NATUREZA"
Coordenação: Adryane Gorayeb (UFC) e Ricardo Assis (UEG)
A apropriação de bens extraídos da natureza para alimentar a acumulação capitalista é um aspecto central para o entendimento da inserção da América Latina e do Brasil no mundo globalizado. Seja pelos setores minerais, energéticos ou agropecuários, esse modelo de apropriação da natureza é construído a partir de fundamentos econômicos, culturais e ideológicos de valoração de bens naturais, transformados em recursos, e beneficiados em nome do desenvolvimento e do Norte Global. No entanto, nesse processo também são articulados sistemas alternativos e de resistência ao modelo hegemônico, que postulam outras formas de viver com a natureza. Assim, nesse GT são bem-vindas contribuições teóricas, metodológicas e empíricas que abordam: (1) as dinâmicas do neoextrativismo progressista e conservador e suas contradições territoriais; (2) os processos de mercantilização da natureza, incluindo mercados de carbono e serviços ecossistêmicos; (3) as formas de resistência, re-existência e alternativas ontológicas protagonizadas por povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais; (4) a articulação entre extrativismo, financeirização e dependência no capitalismo periférico latinoamericano; (5) as conexões entre neoextrativismo, crise climática e transição energética e seus impactos sobre territórios e populações vulnerabilizadas
05 – INJUTIÇA AMBIENTAL, LUTAS SOCIAIS E INTERSECCIONALIDADES
Coordenação: Márcia Aparecida da Silva Pimentel (UFPA) e Rafael Zilio (UFOPA)
As assimetrias de poder no acesso aos recursos naturais ou ao bem comum, refletem em injustiça ambiental, evidenciando que certos grupos, com cortes evidentes de classe, raça, gênero, etnia e origem geográfica, são mais vulnerabilizados e expostos aos impactos ambientais. Em geral, grandes projetos de “desenvolvimento” e outros tipos de empreendimentos estatais ou privados, produzem zonas de sacrifício, nas quais comunidades e gentes empobrecidas, racializadas e periféricas são as mais afetadas. Este GT tem o intuito de contribuir para as discussões das diferentes camadas e eixos de poder que contribuem para uma análise interseccional de lutas sociais e conflitos ambientais, tomando como referência trabalhos que analisam as seguintes temáticas: 1) Ecologia Política, território e interseccionalidade nas cidades, nos campos, nas florestas e nas águas; 2) Geografia e racismo ambiental; 3) Ecologia Política e gênero; 4) Violência política e conflitos ambientais; 5) A dimensão do corpo-território e a injustiça ambiental 6) Interseccionalidades e saúde coletiva; 7) Povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e mudanças climáticas; dentre outros temas adjacentes.
06 – ECOLOGIA POLÍTICA E QUESTÃO AGRÁRIA
Coordenação: Luciano Candiotto (Unioeste) e Maya Manzi Delaporte (UFRB)
A questão agrária permanece como dimensão central das disputas em torno da apropriação da natureza, do controle dos territórios e da reprodução da vida no capitalismo contemporâneo. Em um contexto marcado pela expansão das fronteiras agro-extrativas, pela financeirização da terra e da natureza, pela transição energética e pelas políticas climáticas, emergem novas dinâmicas de expropriação, mercantilização e controle dos bens comuns. Este GT busca reunir contribuições teóricas, metodológicas e empíricas que articulem Questão Agrária e Ecologia Política na análise de conflitos territoriais, ambientais e ontológicos relacionados ao acesso, uso e controle da terra, da água, das florestas e de outros bens naturais. Interessa especialmente o debate sobre agronegócio, neoextrativismo, mineração, infraestrutura, mercados de carbono, conservação ambiental, grilagem, cercamentos contemporâneos e novas formas de acumulação baseadas na natureza. O GT acolhe pesquisas sobre campesinatos, povos indígenas, quilombolas, pescadores artesanais e demais povos e comunidades tradicionais, suas lutas por reapropriação social da natureza, agroecologia, soberania alimentar, justiça ambiental, re-existências e autonomias territoriais.
07 – ÁREAS PROTEGIDAS: DIMENSÕES GEOECOLÓGICAS E SOCIAIS
Coordenação: Luiz Fernando Scheibe (UFSC) e Rebeca Steiman (UFRJ)
Este Grupo de Trabalho será voltado ao debate crítico sobre a criação, o planejamento e a gestão de áreas protegidas, considerando suas complexas dimensões geoecológicas e sociais na interface sociedade-natureza. Diante do avanço das fronteiras de exploração econômica e das crises climáticas contemporâneas, o GT busca tensionar os limites das respostas institucionais centradas exclusivamente no Estado e no mercado. Acolhem-se pesquisas teóricas e empíricas, em escalas locais a regionais, que analisem: (i) as dinâmicas físico-ambientais, a ecologia da paisagem e o papel das áreas protegidas na preservação da sociobiodiversidade; (ii) os conflitos territoriais decorrentes da sobreposição de áreas decretadas sobre territórios de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais; (iii) a geopolítica da conservação, a governança ambiental e a eficácia do zoneamento ecológico-econômico; e (iv) as práticas de convivência e de manejo comunitário da natureza, a agroecologia e as estratégias de sobrevivência vinculadas ao Bem Viver no Campo e em regiões de transição; e (v) as dinâmicas de desapropriação verde (green grabbing) e de financeirização da biodiversidade (créditos de carbono e compensações ambientais) em áreas protegidas e outras iniciativas de conservação baseadas em área. São fortemente bem-vindos estudos voltados a biomas e recortes regionais complexos ou transfronteiriços, como a Pan-Amazônia e o Semiárido, que reflitam sobre o planejamento territorial sustentável e a justiça socioambiental.
08 – ENSINO DE GEOGRAFIA, EDUCAÇÃO AMBIENTAL E ECOLOGIA POLÍTICA
Coordenação: Luciana Ziglio (FLACSO), Rafael Chaves (CP2) e Shirley Santos (UFMA)
Uma educação que coloca de maneira crítica a questão ambiental no centro do debate revela o seu comprometimento com práticas emancipatórias. Trata-se de uma perspectiva ancorada nos conhecimentos produzidos pela ciência geográfica, contudo aberta ao diálogo com diferentes saberes para desvelar conflitos territoriais e assimetrias no acesso, na apropriação e na degradação dos bens comuns. Tal abordagem se aproxima da Ecologia Política e fortalece a Educação Ambiental em sua vertente crítica. A reflexão sobre o ensino de Geografia se revela indispensável, pois a prática profissional na Educação Básica demanda a superação de visões fragmentadas que dicotomizam os elementos naturais e sociais, exigindo dos(as) docentes uma abordagem complexa dos fenômenos da realidade. Dessa maneira, contamos com colaborações dos(as) colegas para refletirmos coletivamente sobre, dentre outros, os seguintes tópicos: contribuições teóricas e epistemológicas sobre o papel da Geografia Ambiental e da Ecologia Política no Ensino de Geografia e vice-versa; análises empíricas e críticas sobre os artefatos materiais da cultura escolar e das políticas educacionais, tais como legislações, livros didáticos, relatórios, pareceres, exames de seleção e matrizes curriculares; reflexões sobre práticas pedagógicas em Educação Ambiental Crítica implementadas tanto no Ensino Básico quanto em projetos de educação popular e comunitária.