O
seminário começou no ano de 2023 no contexto de debates dos pesquisadores
associados ao Laburp. A questão do “meio” geográfico federa nossas pesquisas. O
termo de economia destruidora foi utilizado pela primeira vez na geografia
alemã e francesa no início do século XX, em particular pelo grande geógrafo
Jean Brunhes. Ele se refere a essa economia dominante que desde o século XIX
pensa a natureza como fornecedora de “recursos” para o crescimento econômico
causando destruição e desorganizando os territórios. A quarta edição do
Seminário, após duas realizadas na Ufes em Vitória e uma em Campos dos Goytacazes
na UFF se debruçara sobre o norte do Espírito Santo que tem presenciado
transformações importantes dos territórios como consequência de atividades
econômicas que são ameaçadoras para a permanência das comunidades tradicionais
e a continuidade da vida de todos os seres, humanos e não humanos, e tem
transformado os territórios e as paisagens de maneira radical. O crime
ambiental do grupo econômico Vale-Samarco-BH Billiton de novembro de 2015
deixou suas marcas indeléveis, transformando as práticas dos e nos territórios.
Mais de dez anos depois do maior crime ambiental do Brasil que atingiu toda a
bacia do Rio Doce e sua planície costeira procuramos difundir a memória desta
catástrofe anunciada e a permanência dessa poluição nos tempos atuais. Ela tem,
igualmente, uma interação com outras intervenções econômicas como a exploração
do petróleo, da eucaliptocultura, a construção de enclaves portuários e outras indústrias
poluentes que tendem a acelerar os processos de mutações territoriais. A
conexão dos processos sistêmicos locais como as mudanças que se operam em
outras escalas como as mudanças climáticas, a crise da biodiversidade associadas
ao capitalismo predador, nos colocam diante do dilema de se adequar e adaptar
ou contestar, reagir, lutar e transformar. Esse Seminário pretende demonstrar
os efeitos destruidores, mas também abordar as alternativas, as lutas e
resistências ao capitalismo.
